01/11/2013

Mercosul terá grupo permanente contra espionagem


No contexto do surgimento de diversas denúncias acerca de ações de espionagem por parte dos Estados Unidos, os chanceleres do Mercosul (Mercado Comum do Sul) se comprometeram, na última quarta-feira (30/10), a formalizar a criação de uma instância permanente no bloco para abordar questões relacionadas à segurança informática e de telecomunicações.

Em reunião realizada na capital da Venezuela, país que preside o bloco até o final deste ano, ministros das Relações Exteriores sul-americanos expressaram, em comunicado conjunto, que o mecanismo será formado para “contrarrestar ações que vulneram a soberania” dos países da região.
“Condenamos novamente o sistema de espionagem global desenvolvido pelo governo dos Estados Unidos, que implicou na espionagem a presidentes, como Dilma Rousseff do Brasil, mas também a empresas de todos os nossos países”, disse à imprensa após o término do encontro o chanceler venezuelano, Elías Jaua.

Também participaram da reunião na Casa Amarela – sede da chancelaria da Venezuela - os ministros das Relações Exteriores de Argentina, Héctor Timerman, Brasil, Luiz Alberto Figueiredo, e Uruguai, Luis Almagro. Além deles, David Choquehuanca, chanceler da Bolívia, que pretende entrar em breve no Mercosul, e o embaixador do Equador na Venezuela, Leonardo Arízaga, também estavam presentes.

Diante da necessidade de estabelecer medidas para garantir a proteção das comunicações contra a vigilância massiva e a espionagem a seus governos, os chanceleres ratificaram o conteúdo da declaração da primeira Reunião do Grupo de Trabalho de Autoridades e Especialistas em Segurança Informática e das Telecomunicações do Mercosul, realizada em setembro, também em Caracas.
O texto prevê o estabelecimento de procedimentos de cooperação entre os países membros para a defesa dos sistemas de informação, com o fim de “evitar que corporações transnacionais ou qualquer outro ente alheio ao bloco possa fazer uso de dados sem autorização de seus proprietários”.
Volta do Paraguai
O ministro paraguaio das Relações Exteriores, Eladio Loizaga, não compareceu à reunião, a de maior nível ministerial sediada na Venezuela desde que o país assumiu a presidência rotativa do bloco, em julho. Segundo o chanceler venezuelano, Loizaga realizou contato telefônico com os participantes da reunião em Caracas e se desculpou por não poder estar presente.

A volta do país ao bloco, após suspensão justificada pelo impeachment do ex-presidente Fernando Lugo em menos de 36 horas em junho de 2012, é defendida por todos os países membros. “Todos ratificamos a vontade de que o Paraguai exerça ativamente sua participação como membro que é deste organismo”, disse Jaua. No último mês, ao receber em Brasília o novo chefe de Estado paraguaio, Horacio Cartes, Dilma disse ser de grande interesse o regresso do país ao Mercosul.

Apesar do fim da suspensão após a eleição presidencial de abril, o país ainda não formalizou sua reincorporação e não tem comparecido a reuniões. Um dos principais fatores de resistência de voltar ao bloco foi a incorporação da Venezuela, durante a suspensão, sem a aprovação de seu parlamento. O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, que não foi convidado para a posse de Cartes, disse em julho que colocaria a presidência rotativa de Caracas a serviço da reincorporação do Paraguai.
No ato de encerramento da reunião desta quarta, Maduro disse que “mais cedo que tarde” o país voltaria ao bloco, que definiu como “sua casa natural”. O presidente venezuelano também lembrou da recente visita de seu chanceler a Assunção, afirmando que, por conversa telefônica, convidou Cartes para uma visita à Venezuela.  “Espero que ele venha em breve”, expressou, elogiando a nomeação de Enrique Jara como novo embaixador paraguaio em Caracas, no início desta semana.
Trocas comerciais
Outro dos temas centrais de discussão, segundo Jaua, foi a aproximação do bloco comercial a alianças conformadas por países do Caribe e da América Central, como a Petrocaribe, Alba (Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América) e Caricom (Comunidade do Caribe), com vistas a avançar na construção de uma zona econômica complementar regional para a “consolidação da união latino-americana e caribenha”.
De acordo com um dos comunicados finais da reunião, este instrumento teria como intuito a “dinamização das relações econômicas, potenciando a troca comercial” para gerar um “novo impulso ao desenvolvimento da complementaridade, em função das fortalezas de cada país, que permita superar as assimetrias existentes no interior da região”.
Os chanceleres também decidiram convocar uma reunião especial no dia 15 de novembro para consolidar a proposta do bloco à União Europeia em relação a um acordo comercial. Segundo comunicado conjunto, durante o encontro se ressaltou que o interesse do Mercosul é chegar a um acordo “que reconheça as diferenças de desenvolvimento entre ambos os blocos”.
Apesar de hipotéticas divergências existente entre membros mais protecionistas e os de economia menos diversificadas do bloco acerca de um acordo de livre comércio, o comunicado garante que o Mercosul “terá uma posição única entre seus países”. Em declarações à imprensa na última semana, o governante uruguaio José “Pepe” Mujica qualificou o acordo como “iminente” e afirmou que os países do bloco concordaram em que a proposta seja apresentada à UE pela secretaria do Paraguai.


Reportagem de Luciana Taddeo

Milhares de pessoas saem às ruas em Moçambique contra violência crescente no país

Embates entre o Exército e opositores e onda de raptos geram temor de guerra civil na população.



Milhares de pessoas participaram ontem (31/10) de uma manifestação pacífica em Maputo, capital de Moçambique, contra a onda de raptos e a instabilidade política e militar que o país vive, acusando o governo de estar “mudo” e a polícia, de ser “corrupta”. Os moçambicanos temem um retorno à guerra civil de 16 anos, que terminou em 1992. Foi a maior manifestação não-governamental da história da capital.
A “Marcha Pela Paz e Contra os Raptos” foi organizada pela Liga dos Direitos Humanos, em conjunto com outros órgãos da sociedade civil e institutos religiosos, como uma reação à onda de sequestros e ao clima de hostilidade entre o Exército e a Renamo (Resistência Nacional Moçambicana), partido político de oposição. A atividade econômica em Maputo foi parcialmente paralisada hoje, indicando a solidariedade de muitas empresas à causa.
Onda de raptos
No último sábado (26), um menino de 13 anos foi assassinado na cidade de Beira, apesar de o caso só ter sido noticiado na terça (29) pelo jornal local O País. Abdul Rashid havia sido sequestrado na outra semana, quando regressava da escola, e foi morto depois que a família contou à polícia o local combinado para a entrega do resgate, fixado em um milhão de meticais (cerca de 73 mil reais). A mãe de Rashid acusou a polícia de ser conivente com os sequestradores.
Raptos são comuns em Moçambique, mas os casos vêm aumentando nos últimos tempos, provocando medo e revolta na população, que acusa o governo de ser ineficiente nas negociações com sequestradores. Só na última semana, pelo menos cinco sequestros foram registrados em Maputo, segundo o jornal português Público. O escritor Mia Couto se pronunciou sobre os ocorridos, denunciando “força sem rosto e sem nome” que provoca “um sentimento de desproteção e desamparo” na população. Ele mesmo chegou a receber ameaças. 
A princípio, os alvos desses raptos eram homens de negócios, mas agora pessoas de classe média e estudantes também se tornaram vítimas. Na segunda-feira, seis pessoas foram condenadas a 16 anos de prisão por envolvimento em sequestros, incluindo um ex-guarda presidencial, Arsenio Chitsotso. Segundo a BBC, ele fazia parte do grupo de elite da polícia que protege o presidente Armando Guebuza. Outros dois policiais também foram presos. O governo afirma que a participação da polícia nos casos é “lastimável”.
Exército x Renamo
A tensão política e militar cresceu em Moçambique nos últimos meses desde que o governo passou a acusar a Renamo, segundo maior partido do país, de ser “uma ameaça à segurança nacional”, por supostos ataques realizados contra civis, postos policiais e militares e tráfego nas estradas. O maior temor da população é um retorno à guerra civil com duração de 16 anos entre a Renamo e a Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique), partido de situação desde a independência moçambicana, em 1975.
O Exército recentemente tomou duas bases militares que estavam sob controle da Renamo. O primeiro ataque do governo aconteceu no dia 21 de outubro, quando foi recuperada uma base na região de Satungira, onde residia o presidente da Renamo, Afonso Dhlakama. Um deputado do partido teria morrido em decorrência de ferimentos sofridos na ocupação. O porta-voz Fernando Mazanga disse àReuters que Dhlakama “está sendo caçado com armas. A intenção é matá-lo”. Entretanto, Mazanga afirmou que ele está vivo em local seguro.
No dia 29, o Exército tomou posse do quartel-general da Renamo na vila de Marínguè, província de Sofala, após troca de tiros com homens armados do partido opositor. Segundo as FADM (Forças Armadas e de Defesa), seis militares foram feridos.
Mais tarde, no mesmo dia, uma emboscada supostamente preparada pela Renamo a uma viatura civil carregando cerca de 20 passageiros deixou um morto e mais de dez pessoas desaparecidas. A caminhonete fazia o percurso entre as cidades de Iapala e Nampula e teria sido atacada por quatro homens armados que dispararam contra ela.
Já na quarta-feira de manhã, um comboio de 20 carros que ia de Nampula a Maputo protegido por escola militar também foi atacado, em suposta nova ofensiva da Renamo, deixando vários feridos. Entre eles, um pastor brasileiro da Igreja Mundial do Reino de Deus. Ele foi atingido na bacia, mas já passa bem. A Embaixada do Brasil em Moçambique recomenda que os brasileiros evitem trafegar por estradas da Província de Sofala até que a situação na região melhore.
“Guerra não declarada”
Em entrevista ao Público, o acadêmico moçambicano Lourenço de Rosário, que tentou mediar durante meses o diálogo entre a Renamo e a Frelimo, afirmou que “Moçambique vive uma situação de guerra não declarada”. Ele disse também que a situação atual do país o “preocupa bastante”. Segundo ele, é preciso criar condições para Afonso Dhlakama reaparecer e dar continuidade ao diálogo.
O presidente Armando Guebuza, por sua vez, nega categoricamente que haja ameaça de guerra em Moçambique. “Eu não acho, e é um ‘não’ forte, que vamos voltar para a guerra”, afirmou, apesar da instabilidade, a pior no país desde o fim da guerra civil. Ele assegurou que a região permanece um local seguro para investidores. “Há muitas pessoas que continuam investindo hoje com essa situação”, concluiu. 

31/10/2013

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Estudo mostra que as pessoas são mais desonestas durante a tarde


Um novo estudo feito nos Estados Unidos mostrou que as pessoas tendem a ser mais honestas de manhã. Ao longo do dia, porém, fica mais difícil manter o autocontrole, o que aumenta as chances de uma pessoa mentir ou trapacear. Os pesquisadores denominaram esse fenômeno de “efeito de moralidade matinal” em seu artigo, publicado na última segunda-feira, no periódico Psychological.
A ideia para esta pesquisa surgiu quando Maryam Kouchaki, da Universidade Harvard, e Isaac Smith, da Universidade de Utah, ambos estudiosos da ética, perceberam que os experimentos realizados pela manhã apresentavam índices mais baixos de comportamentos desonestos, em relação àqueles realizados durante a tarde.
Como o cansaço e o ato e tomar decisões repetidamente são dois fatores conhecidos por afetar o autocontrole, Kouchaki e Smith decidiram analisar se as atividades normais de um dia seriam suficientes para afetar o autocontrole e provocar comportamentos desonestos.
Moralidade matinal – No primeiro experimento, eram apresentados aos participantes padrões com pontos em uma tela de computador, e eles deveriam escolher o lado que tivesse mais pontos. Porém, a recompensa que eles receberiam no final não seria medida pelo número de acertos: eles seriam pagos 10 vezes mais quando selecionassem o lado direito. Assim, os participantes tinham um incentivo financeiro para escolher a direita, mesmo sabendo haver mais pontos do lado esquerdo – o que configuraria trapaça.
Os resultados mostraram que os participantes que fizeram o teste entre as oito da manhã e o meio-dia trapacearam menos do que aqueles que realizaram a mesma atividade entre o meio-dia e as seis da tarde. Os pesquisadores denominaram esse fenômeno de “efeito de moralidade matinal”.
No segundo teste, eram apresentados aos participantes fragmentos de palavras, como em um jogo de forca. Para combinações como "_ _RAL" e "E_ _ _ C_ _", as pessoas que fizeram o teste de manhã estavam mais propensas a formar as palavras “moral” e “ético” (“ethical”, em inglês), enquanto os voluntários da tarde tendiam a completar com palavras como “coral” e “efeitos” (“effects”, em inglês).
Segundo os autores, as pessoas mais afetadas pela moralidade matinal são aquelas normalmente mais propensas a serem honestas e a se sentirem culpadas quando fazem algo considerado antiético. “Empresas, por exemplo, podem precisar ser mais vigilantes no combate de comportamentos antiéticos de clientes e funcionários durante a tarde do que pela manhã”, explicam os pesquisadores. “Se você estiver tentando controlar suas próprias tentações ou for um pai, professor ou líder preocupado com o comportamento ético de outras pessoas, nosso estudo sugere que pode ser importante em levar em consideração algo tão banal quanto o período do dia”.





Pesquisa diz que 29% dos alimentos têm resíduos irregulares de agrotóxicos


O resultado do monitoramento do último Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para 2011/2012) revelou que 36% das amostras de 2011 e 29% das amostras de 2012 têm irregularidades na presença de agrotóxicos.  Na avaliação da agência é preciso investir na formação dos produtores rurais e no acompanhamento do uso do produto.
Existem dois tipos de irregularidades avaliadas, uma quando a amostra contém agrotóxico acima do limite máximo de resíduo permitido e outra quando a amostra apresenta resíduos de agrotóxicos não autorizados para o alimento pesquisado. O levantamento revelou ainda que dois agrotóxicos nunca registrados no Brasil, o azaconazol e o tebufempirade, foram encontrados nas amostras de alimentos, o que pode significar que estes alimentos entraram no país contrabandeados.
Em 2011 o pimentão foi o produto analisado que teve o maior número de amostras com irregularidades. Das 213 amostras analisadas, 84% tiveram uso de agrotóxico não autorizado no Brasil, 0,9% tinham índices acima do permitido e 4,7% tinham as duas irregularidades. Em seguida vieram cenoura, com 67% de amostras irregulares; pepino, com 44%, e a alface, com 42%. Em 2012, o morango apareceu com 59% de irregularidades nas amostras e novamente o pepino, com 42%.
A agência explica que alguns agrotóxicos aplicados nos alimentos agrícolas e no solo têm a capacidade de penetrar em folhas e polpas. Por isso, a lavagem dos alimentos em água corrente e a retirada de cascas e folhas externas, apesar de contribuem para a redução dos resíduos de agrotóxicos, são incapazes de eliminar aqueles contidos em suas partes internas.
O atual relatório traz o resultado de 3.293 amostras de treze alimentos monitorados, incluindo arroz, feijão, morango, pimentão, tomate, dentre outros. A escolha dos alimentos foi baseada nos dados de consumo levantados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na disponibilidade dos alimentos nos supermercados e no perfil de uso de agrotóxicos nos alimentos.
Para a Anvisa, o aspecto positivo do Para é a capacidade dos órgãos locais em identificar a origem do alimento e permitir que medidas corretivas sejam adotadas vem aumentado. Em 2012, 36% das amostras puderam ser rastreadas até o produtor e 50% até o distribuidor do alimento.
A Anvisa coordena o Para em conjunto com as vigilâncias sanitárias dos estados e municípios participantes, que fizeram os procedimentos de coleta dos alimentos nos supermercados e de envio aos laboratórios para análise. Assim, é possível verificar se os produtos comercializados estão de acordo com o estabelecido pela agência.

Reportagem de Aline Valcarenghi

Portugal: número de pessoas que deixam o país é maior que o de nascimentos

A população de Portugal, uma das grandes afetadas pela crise econômica da zona do euro, diminuiu pelo terceiro ano consecutivo. O saldo negativo, diz pesquisa do INE (Instituto Nacional de Estatística) divulgada na última terça-feira (29/10), é em função do fluxo migratório: cerca de 120 mil portugueses deixaram o país em 2012, enquanto apenas 90 mil crianças nasceram.
Confirmando previsões dos últimos anos, os nascimentos voltaram a cair, preocupando geógrafos com o "envelhecimento da população" - termo utilizado por portugueses para descrever a diminuição da capacidade da força de trabalho. Além disso, o valor é um recorde histórico: pela primeira vez na história do país, menos de 90.000 crianças nasceram (foram 89.841 em 2012). Comparada a 2011, a diminuição foi de 7,2%.De acordo com as estatísticas, 107.612 pessoas em 2012, um aumento de 4,6%. Ou seja: o crescimento natural foi, portanto, negativo - houve 17.771 mais mortes do que nascimentos, uma diferença três vezes maior do que em 2011. Para além do valor negativo do crescimento natural (ou seja, da diferença entre nascimentos e óbitos), dizem os especialistas, o principal fator para a diminuição da população está no saldo migratório.
“Se muitos destes dados estavam previstos a médio e longo prazo, o saldo migratório não. Nos dois anos recentes, voltamos a uma situação anterior, com saldo migratório negativo, por efeito da imigração a diminuir e da emigração a aumentar”, explicou a demógrafa Maria João Valente Rosa em entrevista ao jornal Público 

A especialista reitera que a diminuição dos nascimentos “não é de hoje” e que o número de óbitos se deve a um fenômeno normal. “Há mais gente nas idades em que se morre mais”, conclui. “É uma situação que nos obriga a pensar seriamente e tem a ver com o posicionamento do país face ao exterior. [Portugal] está perdendo pessoas porque muitas estão saindo, e muitas já não estão entrando”, acrescenta Maria Rosa, apontando que o "futuro do país está em jogo" com diminuição da população.




IBGE: passagens aéreas subiram mais de 130% acima da inflação desde 2005

O preço das passagens aéreas no Brasil aumentou 131,5% acima da inflação desde 2005, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A informação será apresentada pelo presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), Flávio Dino, na reunião marcada para hoje(31) entre o governo e representantes das companhias aéreas.
O objetivo do encontro é tentar convencer as empresas de que os preços cobrados no país são altos demais. "Espero que eles colaborem, que haja uma compreensão de que se deve explorar o turismo, não os turistas", disse Dino à Agência Brasil. 
Segundo ele, o desequilíbrio entre demanda e oferta e o aquecimento do mercado faz com que haja práticas comerciais abusivas -que ficam mais evidentes no caso das festas de fim de ano e agora da Copa do Mundo do ano que vem-, sendo verificados aumentos de até 1.000% no preço das passagens.
"Não temos nenhum fator econômico objetivo no que se refere a custo ou tributação que justifique esse aumento, que é obviamente abusivo", acrescentou.
As quatro empresas que operam no Brasil –TAM, Gol, Azul e Avianca– vão participar da reunião de amanhã, além de representantes da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), da Secretaria de Aviação Civil e do Ministério da Justiça.

Acabar com liberdade de tarifas ou trazer concorrentes estrangeiras

Segundo Dino, se as empresas não atenderem ao "chamado do bom-senso", é possível que haja mudanças na regulação do setor, inclusive acabando com a chamada liberdade tarifária.
"A liberdade tarifária não é um dogma, pode ser revista a qualquer tempo. Esse seria um caminho, voltar a praticar uma administração de preços como já foi feito no passado", explicou.
Outra medida para reduzir o preço das passagens no país é ampliar a oferta mediante a abertura do mercado para empresas estrangeiras fazerem voos domésticos no Brasil.
"Se as empresas atuais não conseguirem ter práticas adequadas e oferecer bons serviços a preços justos, o mercado brasileiro é altamente atrativo para outras empresas". Segundo ele, não é válido o argumento de que essa ação levaria a uma desnacionalização do setor, porque as empresas atuais também já não são totalmente nacionais. Para essa mudança, seria preciso alterar o Código Brasileiro Aeronáutico.

Preços da hotelaria também estão na mira

Os preços da hotelaria também estão na mira da Embratur. Segundo o ranking que será apresentado na reunião, o Rio de Janeiro aparece em quarto lugar nas tarifas de lazer, com diária média de US$ 210, atrás apenas de Miami, Punta Cana e Nova York.
"Aí junta passagem aérea, que muitas vezes também é mais barata. É por isso que o cidadão de classe média prefere viajar para o México, para Montevideu, por isso que os voos internacionais estão abarrotados de brasileiros". 
Para a Copa do Mundo, Dino defende que a Fifa e a Match, empresa suíça escolhida para intermediar as vendas de pacotes de turismo para a Copa, liberem os quartos que já foram adquiridos nas cidades-sede para que a oferta aumente e os preços sejam reduzidos.
"Constatamos que, além de eles terem o monopólio, colocaram uma taxa de intermediação de 40% sobre o valor que estão pagando, que é abusivo. Se não rompermos esse monopólio, temos uma oferta muito diminuta no mercado", disse.

Reportagem de Sabrina Craide