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26/06/2017

Geração com mais de 50 anos revoluciona velhice e cria 'gerontolescência', diz guru da longevidade

Envelhecer não é mais o que era antes graças aos baby boomers, que estão transformando esse período e vivendo de forma diferente das gerações anteriores - é o que diz uma das maiores autoridades em envelhecimento do mundo, o médico brasileiro Alexandre Kalache.
Em entrevista à BBC Brasil, Kalache diz que o brasileiro terá que trabalhar mais tempo "quer goste ou não", acima de tudo porque terá uma vida mais longa. Mas a boa notícia, afirma, é que a chegada à velhice da geração do pós-guerra cria uma nova construção social, o que chamou de gerontolescência.que atualmente tem mais de 50 anos - estão revolucionando a velhice e transformando o período em uma nova fase porque são em maior número, têm um nível de saúde e vitalidade maior e melhor formação do que as gerações que envelheceram antes deles.
Para o médico, que atuou como diretor de envelhecimento na Organização Mundial da Saúde e já lecionou sobre o tema em universidades como a de Oxford, isso abre a possibilidade de promoção de uma nova forma de envelhecer, que vem sendo construída socialmente por esse grupo.
"A gente revolucionou o conceito de fazer a transição da infância para a idade adulta e criamos uma coisa que não havia antes da Segunda Guerra Mundial, que é a adolescência", explica Kalache, ao explicar que a adolescência como construção social não existia antes dos anos 1950.
"Fizemos muita coisa que está aí: a revolução sexual, a pílula, as revoluções musicais, a luta contra a ditadura - não vou deixar de ser essa mesma pessoa de 50 anos atrás. Eu e esse grupo todo, os baby boomers, estamos envelhecendo com isso tudo como legado. E daqui a um tempo vamos olhar para trás e ver que, assim como criamos a adolescência há alguns anos, estamos criando a gerontolescência", diz ele.
Para ele, no entanto, há uma diferença entre essas duas construções sociais. "A adolescência deve durar quatro ou cinco anos - se durar mais tem algo errado. Mas a gerontolescência é para durar 20, 30, 40 anos. É muito tempo para a gente se rebelar, virar a mesa."

Encarando a morte

Para tratar do tema do envelhecimento em palestras, Kalache costuma pedir à plateia que imagine rapidamente como vai morrer. O exercício, segundo ele, serve para mostrar como há uma "idealização da morte que já não é mais a regra".
Isso porque, diz ele, "vamos morrer mais velhos, mais doentes e mais lentamente do que muitos imaginam".
"A gente tem que se preparar para uma vida muito mais longa e pensar no processo de morte, porque no Brasil três quartos das mortes são de pessoas idosas e por doenças crônicas, inclusive aquelas arrastadas que causam sofrimento e despesas. Então é preciso tentar assegurar qualidade de vida até o final."
E essa é uma realidade que deve ser levada em conta especialmente no Brasil, que envelhece a passos largos. Estimativas da Organização das Nações Unidas apontam que até 2050 o Brasil terá 64 milhões de idosos - ou 30% da população, em comparação aos atuais 12%. Em 2001 esse total era de apenas 9%. Em menos tempo - em 2025 - o país deverá ocupar o sexto lugar em número de idosos no mundo.
Para Kalache, além de estar envelhecendo rapidamente, o Brasil percorre esse caminho em um padrão sem precedentes.
"Estamos envelhecendo com uma grande parcela da população em pobreza. É um desafio grande porque não temos precedentes, modelos. Nenhum país até hoje envelheceu sem ser rico. E estamos envelhecendo rápido e ao mesmo tempo sem recursos para políticas sociais e de saúde que possam responder a uma população já muito envelhecida, como seremos em três décadas."

Mais trabalho

Então vamos ter que trabalhar mais? Kalache, que atualmente preside o Centro Internacional Longevidade Brasil, responde que sim, e vai além: critica o "luxo" do nosso sistema previdenciário atual.
"Vai ter que trabalhar mais tempo? Eu acho que sim. Um país como o Brasil que se dá ao luxo de ter a aposentadoria média aos 54 anos é um país inviável. Não existe nenhum país que tenha conseguido por muito tempo manter tanta gente aposentada, sobretudo porque a base da pirâmide, que são os jovens, está diminuindo. Então, a gente goste ou não, vamos ter que nos preparar para uma vida laboral mais longa. E já que vai ter que trabalhar mais tempo, vamos trabalhar para ter projetos e para ser estimulante", opina.
Por isso, segundo ele, será necessário pensar em uma política pró-natalidade para equilibrar a pirâmide social, ou seja, ter uma proporção menos desigual de jovens e idosos no país, e ainda garantir um envelhecimento melhor aos mais velhos.
Ele afirma que, para isso, são necessários quatro capitais fundamentais: saúde, conhecimento para não se tornar obsoleto (o manter-se antenado), bem-estar financeiro e bem-estar social (ou o "capricho nas relações para ter para a quem recorrer quando o negócio apertar").
"A gente sabe que a pensãozinha só no fim da vida não vai dar conta. Aproveite para fazer suas economias porque, no final da vida, a gente precisa de mais renda e mais dinheiro, e não de menos."

Reportagem de Néli Pereira
fonte:http://www.bbc.com/portuguese/geral-40336295#orb-banner
foto:https://reflexionyoga.com/blog/healthy-living/yoga-secret-longevity/

24/06/2017

Um exame do cérebro mostra onde se esconde a compaixão humana



A imagem do pequeno Omran, coberto de pó e ensanguentado, que abre esta matéria, provoca na maioria das pessoas uma intensa empatia. A fotografia do pobre Aylan, com sua camiseta vermelha e suas calças azuis, sem vida em uma praia turca, também suscita imensa empatia. Mas são empatias diferentes. A primeira gera compaixão, solidariedade e vontade de ajudar Omran. A segunda, dor, angústia e até vontade de olhar para o outro lado. Um estudo mostra agora as bases cerebrais das duas emoções.
empatia é um mecanismo neuronal básico nos humanos. Nas comunidades primitivas, essa capacidade de interpretar os estados mentais do outro e colocar-se em seu lugar servia para saber se os que se aproximavam do grupo tinham boas ou más intenções. A empatia é fundamental para as relações humanas. Tanto que, com exceção de psicopatas e determinados autistas, todos os humanos são seres empáticos. Um grupo de pesquisadores dos EUA estudou em que parte do cérebro se gera e se é igual em diferentes pessoas.
Os cérebros de 66 voluntários foram submetidos a exames de ressonância magnética funcional enquanto ouviam testemunhos reais de dramas humanos, alguns com final feliz, outros não. Fora do equipamento, os voluntários tiveram de avaliar como cada história os fez sentir. A primeira coisa que comprovaram é que a empatia não se restringe a uma região determinada do cérebro – muitas interferem, e com funções bem diferentes. “O cérebro não é um sistema de módulos no qual há uma região encarregada da empatia. Trata-se de um processo distribuído”, diz o diretor do laboratório de neurociência da Universidade do Colorado, em Boulder (EUA), e coautor do estudo, Tor Wager.
A partir da empatia despertada pelas histórias, os pesquisadores puderam apreciar dois padrões bem diferenciados entre a que tem a ver com a solidariedade e a compaixão e a angústia empática. Da primeira participam regiões cerebrais como o córtex pré-frontal ventromedial e o córtex medial orbito-frontal, relacionados aos processos com os quais o cérebro avalia algo. “As mesmas regiões que interferem na avaliação da comida ou do dinheiro aparecem envolvidas em nosso estudo quanto à avaliação do bem-estar dos outros”, explica Yoni Ashar, membro do grupo de Wager e principal autor do estudo.
No entanto, histórias como a de um veterano de guerra que acaba mendigando nas ruas ou a de um doente de câncer que acaba mal, que despertam mais angústia do que compaixão, ativam outras regiões do cérebro, como o córtex pré-motor e o córtex somatossensorial primário. Ambas são conhecidas por participar dos processos chamados de espelho. “As regiões cerebrais que aparecem de preferência relacionadas à angústia empática também são ativadas enquanto experimentamos ou observamos ações, sensações e expressões faciais”, comenta Ashar.
Mas o resultado que mais chamou a atenção deste trabalho publicado na revista Neuron é que todas as pessoas examinadas demonstram padrões cerebrais muito semelhantes quando empatizam com os protagonistas de cada história. Apesar de a emoção ser muito pessoal, o padrão de ativação é comum. De fato, puderam usar esses padrões como marcadores para prever como outro grupo de 200 pessoas, cujo cérebro não foi escaneado, avaliaria as mesmas histórias ouvidas pelo primeiro. Os pesquisadores acreditam que esses padrões podem, no futuro, ser úteis na detecção de transtornos como a psicopatia.
Reportagem de Miguel Ángel Criado
fonte:http://brasil.elpais.com/brasil/2017/06/14/ciencia/1497446709_900902.html
foto:http://projetosejafeliz.com/tag/compaixao/

22/06/2017

Por que às vezes vemos sombras flutuando em nossos olhos?

Você talvez não saiba o nome oficial, mas já deve ter visto pequenas formas flutuando em seu campo de visão.
A percepção dessas formas, também conhecidas como moscas volantes (do latim Muscae volitantes) ou floaters (flutuadores, em inglês), é chamada miodesopsia. Elas podem aparecer como pontos escuros, filamentos ou teias – e não são ilusões de ótica. Estão lá, vagando dentro de seus olhos.
Para entender a origem dessas "moscas", vale relembrar um pouco de anatomia ocular. Na parte da frente do olho fica a córnea (um tecido transparente), e atrás você tem a pupila (o centro escuro do olho) e a íris (a franja colorida ao redor da pupila). Entre a córnea e a pupila há um pequeno reservatório de líquido chamado humor aquoso.
Uma camada de células sensíveis à luz no fundo de seu olho é chamada retina. Quando os neurônios que formam a retina são estimulados pela luz, eles enviam uma mensagem pelo nervo ótico até o cérebro, entregando informações sobre o que você está vendo. Mas entre as lentes e a retina há um "oceano" de líquido conhecido como humor vítreo ou apenas vítreo.
O vítreo é uma massa gelatinosa formada principalmente por água. Diferentemente do humor aquoso, o humor vítreo nunca é reabastecido. Você irá morrer, basicamente, com o mesmo vítreo com o qual nasceu.
Isso significa que se algum objeto externo entrar no vítreo (sangue ou outras células, por exemplo), ele irá ficar por lá. E quando esses pequenos pedaços de detritos oculares tampam a passagem da luz pelo olho, eles podem lançar sombras na retina.
Essas são as sombras que percebemos como as moscas volantes.
Ao envelhecermos, parte dessa substância gelatinosa vai se tornando mais líquida. E quando isso ocorre, pequenos sólidos que vagam pelo vítreo podem se agrupar. Eles também projetam pequenas sombras na retina, também visualizadas como as famosas moscas volantes.
Trata-se de um fenômeno comum, se considerarmos relatos de técnicos em optometria. Um estudo no Reino Unido apontou, por exemplo, que cada optometrista recebe, em média, 14 pacientes por mês reclamando dessa situação.
Outra pesquisa usou um aplicativo de celular para verificar a incidência do fenômeno entre a população em geral. De 603 usuários, 446 (74%) reportaram essa característica na visão, mas apenas um terço reclamou sobre problemas relacionados na vista.

Tratamentos polêmicos

Para outras pessoas, o fenômeno pode trazer preocupações e danos, ou ser um prenúncio de problemas futuros. A aparição repentina e intensa de sombras na visão de pessoas idosas, por exemplo, pode indicar algo chamado descolamento do vítreo, a separação do vítreo da retina. Isso pode gerar rasgos na retina e, eventualmente, cegueira.
Um estudo recente na revista da Associação Médica Americana indicou que pacientes com um quadro grave de sombras encaminhados a oftalmologistas tinham 14% de chance de ter rasgos na retina. É um índice alto, que indica a necessidade de avaliação oftalmológica urgente.
Apesar de a condição não ser problemática para a maioria das pessoas, uma pesquisa rápida na internet revela uma infinidade de ideias de tratamento, que vão do absurdo (yoga) ao aceitável, mas invasivo (cirurgia).
Particularmente preocupantes são as opções de tratamento que parecem aceitáveis, como o uso do chamado YAG laser, ferramenta que se tornou comum em oftalmologia, mas que ainda não tem comprovação prática suficiente nem aprovação pelas autoridades sanitárias nos EUA.
Como o fenômeno desaparece ou se torna tolerável na maioria dos casos, pesquisadores e médicos costumam considerá-lo como benigno.
Nesse sentido, os pesquisadores David Sendrowski e Mark Bronstein escreveram na revista científica Optometry que há "pouca pesquisa clínica" dedicada a investigar o uso potencial de YAG laser para essa condição, enquanto outros estudos consideram ser uma opção segura que causou apenas melhora moderada – e limitada a um terço dos pacientes.
Um procedimento mais aceito para pacientes com visão prejudicada pelas sombras é a chamada vitrectomia, a substituição do humor vítreo por uma solução salina. As vitrectomias pressupõem riscos, como danos à retina e cataratas, e normalmente são tidas como uma última opção para casos extremos de perturbação da visão.
Em geral, afirmam Sendrowski e Bronstein, o procedimento mais convencional para lidar com essa condição envolve apenas tranquilidade e educação.
Um estudo de 2012 feito por pesquisadores italianos minimiza esse ponto: muitos consideram as sombras mais como um incômodo do que algo que demande tratamento. A maior parte das pessoas pode notar essas formas de vez em quando, sobretudo ao encarar um céu aberto – até que desapareçam de nossa visão e atenção.

fonte:http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/02/160208_vert_fut_olho_tg#orb-banner
foto:http://dreamicus.com/eye.html

20/06/2017

Nasa descobre 10 novos planetas que podem abrigar vida


A Agência Espacial Norte-Americana (Nasa) anunciou ontem (19) a descoberta de 219 planetas fora do sistema solar, sendo que 10 podem ser habitáveis como a Terra e possuem água em estado líquido.
De acordo com a Nasa, a descoberta foi realizada graças aos resultados mais recentes do telescópio espacial Kepler, que faz sua oitava missão. "Este catálogo, fruto de medições altamente precisas, é a base para responder a uma das perguntas mais interessantes da astronomia: Quantos planetas há como a Terra em nossa galáxia?", explica Susan Thompson, coordenadora do catálogo do Instituto Seti de Mountain View, na Califórnia.
Segundo os dados, o número potencial de mundos alienígenas são um total de 4034, sendo que 2335 são verificados como planetas, e mais de 30 podem ser habitáveis.
Além disso, os resultados mostram que há dois tipos principais de planetas: os grandes como a Terra e os menores como Netuno.
"Nós gostamos de pensar que este estudo de classificação planetária é igual aqueles dos biólogos que identificam novas espécies animais", disse o pesquisador da Universidade do Havaí em Manoa, Benjamin Fulton.
"Encontrar dois grupos distintos de planetas é como descobrir que os mamíferos e lagartos formam dois ramos separados da árvore evolutiva", acrescentou Fulton.
A descoberta destes dois tipos de planetas é importante na busca por vida, porque indica que cerca de metade dos planetas conhecidos na galáxia não têm nenhuma superfície, tornando-se um ambiente sem chances de habitar vida.

fonte:http://www.jb.com.br/ciencia-e-tecnologia/noticias/2017/06/19/nasa-descobre-10-novos-planetas-que-podem-abrigar-vida/
foto:https://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/redacao/2017/06/19/nasa-descobre-219-possiveis-novos-planetas-10-deles-podem-abrigar-vida.htm

24/05/2017

Substâncias encontradas em plantas selvagens são nova aposta em busca por anticoncepcional masculino

Um estudo da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, sugere que dois compostos normalmente encontrados em plantas selvagens poderiam ser usados como contraceptivos alternativos.
As substâncias, encontradas na raiz de dente-de-leão e na planta conhecida como "videira trovão de Deus", já vinham sendo usadas pela medicina tradicional. Agora, cientistas americanos afirmam que elas também podem bloquear a fertilidade - e levar a uma nova abordagem na busca por anticoncepcionais masculinos.
Apesar da descoberta, o estudo diz que os níveis dos compostos químicos pristimerina e lupeol são tão baixos nas plantas que o custo da extração seria muito alto.
Nos testes, esses compostos impediram que espermatozoides movimentassem sua cauda (ou flagelo) para impulsioná-los pelo aparelho reprodutor feminino - conseguindo, assim, barrar o processo de fertilização.
Segundo o estudo, publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, esses compostos agiriam como "camisinhas moleculares".
Em outras palavras, eles foram eficazes no bloqueio da progesterona, que impulsiona a "natação" vigorosa dos espermatozoides, sem danificá-los.
"Não acaba com a mobilidade basal e não intoxica os espermatozoides, que ainda conseguem se mover. Mas eles não conseguem desenvolver esse fluxo tão vigoroso porque todo o caminho de ativação é desligado", afirmou Polina Lishko, professora-assistente de biologia molecular e celular da Universidade da Califórnia em Berkeley.

Contraceptivos masculinos sem efeitos colaterais

O lupeol é encontrado em plantas como manga e aloe vera (babosa) e na raiz de dente-de-leão, enquanto a pristimerina vem da planta conhecida como "videira trovão de Deus", ou tripterygium wilfordii, usada na medicina tradicional chinesa.
Os pesquisadores descobriram que esses químicos funcionam em doses baixas e não têm efeitos colaterais, diferentemente de outros contraceptivos produzidos a partir de hormônios.
Por isso, o estudo conclui que os compostos poderiam potencialmente ser usados na produção de contraceptivos de emergência, antes ou depois da relação sexual, ou como um contraceptivo permanente via adesivo de pele ou anel vaginal.
A equipe responsável pela pesquisa fará testes em macacos para analisar a eficácia dos químicos, já que seus espermatozoides funcionam de forma muito parecida aos de humanos.
Além disso, eles também estão buscando uma fonte mais barata desses químicos - devido ao alto custo de sua extração das plantas.
Para Allan Pacey, professor de andrologia da Universidade de Sheffield, na Inglaterra, há uma necessidade real de se encontrar um contraceptivo masculino que não seja baseado em hormônios.
"Esse estudo é muito interessante porque mostra que dois compostos naturais podem nocautear uma molécula-chave no espermatozoide que regula como eles nadam nos momentos finais da fertilização."
"Além do mais, como a molécula é específica ao espermatozoide, pode ser uma boa aposta na busca por uma pílula contraceptiva masculina sem os efeitos colaterais já observados em testes com contraceptivos repletos de hormônios", disse.
Apesar do otimismo, ele afirma que testes clínicos ainda são necessários para identificar se os compostos funcionam em humanos - e isso deve levar vários anos.

Reportagem de Philippa Roxby
fonte:http://www.bbc.com/portuguese/geral-39943749#orb-banner
foto:http://equipenews.com.br/vida/cientistas-avancam-na-criacao-do-anticoncepcional-masculino

20/05/2017

Vírus Zika pode ser usado no tratamento de tumor cerebral, afirmam pesquisadores

O vírus Zika poderia ser usado no tratamento de tumor cerebral. É o que acreditam cientistas da Universidade de Cambrigde, no Reino Unido.
Em um estudo pioneiro, eles vão testar o efeito do vírus sobre o glioblastoma, forma mais comum e agressiva de tumor no cérebro.
Segundo os pesquisadores, cerca de 2,3 mil pessoas são diagnosticadas por ano com esse tipo de câncer na Inglaterra - e menos de 5% dos pacientes sobrevivem mais de cinco anos à doença.
Em seu trabalho, os cientistas vão tentar confirmar se o Zika pode destruir as células cancerosas no cérebro.
De acordo com eles, os tratamentos existentes contra o glioblastoma são limitados por causa da incapacidade de atravessar a barreira hematoencefálica - estrutura que atua principalmente para proteger o sistema nervoso central - e do fato de que as doses devem ser mantidas baixas para evitar danos ao tecido saudável.
O vírus Zika, por sua vez, consegue atravessar a barreira hematoencefálica e poderia atingir as células cancerosas, poupando o tecido cerebral adulto normal e abrindo assim uma nova possibilidade de atacar a doença.
"Esperamos mostrar que o vírus Zika pode retardar o crescimento do tumor cerebral em testes de laboratório. Se pudermos aprender lições a partir da sua capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica e atingir as células-tronco seletivamente, poderíamos ter na mão a chave para futuros tratamentos", explica o pesquisador Harry Bulstrode, da Universidade de Cambridge.

Esperança

Testes em laboratório já indicaram anteriormente que a infecção pelo Zika durante a gravidez ataca as células-tronco do cérebro em desenvolvimento dos bebês, reforçando a crença de que o vírus causa más-formações fetais, como a microcefalia.
Mas em adultos, uma vez que o cérebro já está totalmente desenvolvido, o vírus geralmente não causa nada além do que os sintomas de uma gripe.
Os pesquisadores afirmam que, no caso do glioblastoma, as células cancerosas se assemelham às do cérebro em desenvolvimento, o que sugere que a infecção por zika poderia atacá-las também.
Segundo a ONG Cancer Research UK, que está financiando a pesquisa, essa fase inicial de testes vai investigar como o vírus mira as células-tronco e fornecer um ponto de partida para desenvolver novos tratamentos que buscam atacar o tumor cerebral e preservar o tecido saudável ao seu redor.
Os cientistas vão testar células tumorais em ratos em laboratório.
"A infecção pelo Zika em bebês e crianças é uma grande preocupação para a saúde global, e o foco tem sido descobrir mais sobre o vírus para encontrar novos tratamentos possíveis. Estamos adotando uma abordagem diferente e queremos usar esses novos insights para ver se o vírus pode ser usado para combater um dos mais complexos tipos de câncer", diz Bulstrode.
Iain Foulkes, diretor de pesquisa e inovação do CancerResearch UK, reforça a urgência de se encontrar novas formas de tratamento para o glioblastoma.
"Precisamos urgentemente de novos insights e tratamentos para combater o glioblastoma, uma das formas mais comuns de tumores cerebrais e difíceis de tratar", diz Foulkes.
"A pesquisa de Bulstrode é uma forma incrivelmente inovadora de expandir a compreensão de como podemos vencer essa doença, que ainda é um grande desafio", acrescenta.

fonte:http://www.bbc.com/portuguese/geral-39972874#orb-banner
foto:http://www.drmarcio.med.br/single-post/2015/11/19/Zika-V%C3%ADrus-Breve-revis%C3%A3o

13/05/2017

Três trabalhos científicos que podem mudar o mundo


Todos os anos as revistas científicas publicam centenas de artigos. O valor deles varia entre os que tempos depois serão desmascarados como completas falsidades até aqueles que mudarão o mundo, como os quatro artigos com os quais Albert Einstein revolucionou a física em 1905, ou as duas páginas na Nature em que James Watson e Francis Crick fizeram o mesmo com a biologia. Para ajudar a escolher melhor o que ler entre tanto material, a editora Springer Nature, gigante das publicações científicas, quer propor uma seleção dos trabalhos publicados em suas revistas de modo a destacar os que têm maior potencial de transformar nosso mundo. A multinacional, que tem quase 13.000 funcionários e um faturamento equivalente a 5,2 bilhões de reais por ano, criou uma iniciativa chamada Change the World, One Article at a Time ("Mude o mundo, um artigo por vez"), com a qual seleciona os 180 trabalhos de todas as disciplinas científicas que, consideram, terão mais impacto social. Aqui fazemos referência apenas a três deles, mas na seleção, que terá livre acesso até agosto deste ano, podem ser encontrados alguns dos últimos achados em tecnologia energética, ciências sociais e investigação biomédica, entre outros campos.

1. Como nossos hábitos afetam nossos filhos e netos

Recentemente, esta ideia seria considerada uma heresia científica. O genoma se transmitia aos filhos sem refletir a vida que o pai havia levado. A fusão entre o espermatozoide e o óvulo era como um reset no qual se criava um novo indivíduo, com uma informação que refletia o acervo do pai e da mãe, mas não as mudanças acumuladas ao longo de suas vidas.
Em um artigo publicado na Nature Reviews Endocrinology, Romain Barrès e Juleen R. Zierath, pesquisadores da Universidade de Copenhague (Dinamarca), oferecem uma visão do que se sabe sobre a influência dos hábitos paternos na saúde das gerações posteriores, em especial no que se refere à diabetes tipo 2. Essa doença, que se caracteriza por altos níveis de açúcar no sangue e resistência à insulina, está crescendo na esteira da epidemia global de obesidade.
Segundo os autores, foram identificadas 100 variantes genéticas que explicam 10% da predisposição a essa doença. O resto do caráter hereditário da diabetes poderia ser explicado pela epigenética, ou seja, as modificações produzidas pelo ambiente na atividade dos genes. Observou-se, por exemplo, que uma má nutrição infantil (ou mesmo no estágio intrauterino) está associada a doenças do coração e do metabolismo muitos anos depois. Imagina-se que, quando um feto ou uma criança se vê privado de alimento nas etapas iniciais do seu desenvolvimento, o organismo se reprograma para enfrentar uma vida de fome. Se mais adiante essa pessoa tiver um acesso abundante à comida, estará mais propensa à obesidade e a doenças como a diabetes.
Estudos epidemiológicos realizados com pessoas que passam fome durante guerras permitiram observar que essas mudanças no metabolismo podem ser transmitidas aos filhos e inclusive aos netos. Em experimentos com animais, viu-se que pais que consumiam muita gordura podiam desenvolver resistência à insulina em várias gerações posteriores.
O artigo também fala dos benefícios que o exercício pode propiciar à prole. Em estudos com ratos, observou-se que se os pais fizerem exercício os filhotes machos pesam menos e têm menos gordura, enquanto as fêmeas desenvolvem mais músculos e toleram melhor a glicose.
Os autores apontam que, apesar de terem sido observados efeitos como os mencionados, sabe-se pouco sobre os mecanismos que os produzem, e por isso eles ressaltam a importância de compreendê-los melhor para poder desenhar tratamentos e políticas públicas de saúde. Para recordar a complexidade desses mecanismos, eles lembram um artigo no qual se mostra que o exercício dos pais pode ser prejudicial para os filhos. O trabalho, realizado com ratos e assinado por pesquisadores da Universidade do Leste da Carolina (EUA), mostrava que quando os pais se exercitavam de forma regular durante muito tempo as crias ficavam programadas para uma vida de pouco gasto energético. Isso fazia com que os ratos fossem mais propensos à obesidade.

2. O problema do excesso de higiene

As melhoras na higiene produziram muitos benefícios para a saúde, mas é possível que também tenham tido alguns efeitos secundários. Isto é o que tenta explicar outro dos artigos selecionados pela Springer Nature. Em um trabalho liderado por Christopher Lowry, da Universidade do Colorado em Boulder, conta-se como a falta de exposição a alguns micróbios com os quais convivemos há milênios pode ter nos deixado com um sistema imunológico "destreinado".
No sistema de defesa do organismo contra os agentes patogênicos, a inflamação é fundamental. Entretanto, esse mecanismo também pode produzir doenças. Sabe-se que a inflamação pode causar problemas psiquiátricos, como a depressão, algo observado por exemplo em pessoas que receberam injeções de interferon-alfa, um tratamento para doenças como a hepatite B e alguns tipos de câncer. As proteínas que compõem esse medicamento produzem um efeito inflamatório, e isto por sua vez faz com que alguns pacientes se deprimam.
A prevalência de doenças causadas pela inflamação indesejada, como é o caso das alergias e da asma, cresceu nos últimos anos. Entretanto, ainda não se conhecem bem os mecanismos que provocam esses efeitos. Uma das hipóteses propostas para explicar esse fenômeno é a dos velhos amigos. Esta epidemia se deveria, em parte, a uma menor exposição a micro-organismos com os quais convivemos e que treinam os circuitos que regulam o sistema imunológico e suprimem a inflamação inapropriada. A falta de contato com nossos velhos amigos tornaria os habitantes do mundo moderno mais vulneráveis a problemas do desenvolvimento neurológico, como o autismo e a esquizofrenia, ou a questões relacionadas com o estresse e a ansiedade.
Além de propor um estudo mais aprofundado da relação entre os micro-organismos com os quais convivemos e as falhas no sistema imunológico, os pesquisadores sugerem a possibilidade de tratar estas enfermidades com probióticos. Neste sentido, recordam que já são usados saprófitos (um tipo de micróbio que se alimenta de material em decomposição) como imunoterapia em um teste clínico com doentes de câncer. Embora não sirva para prolongar a vida dos pacientes, a exposição a esses organismos melhorou sua capacidade cognitiva e sua saúde emocional.

3. Mais drogas, menos crimes

Nova York é um exemplo da redução mundial da criminalidade das últimas décadas. Entretanto, como dizem três pesquisadores da Universidade da Cidade de Nova York em outro dos artigos selecionados, não existe uma explicação satisfatória. O trabalho publicado na revista Dialectical Anthropology aponta que uma maior oferta de drogas ilegais e uma menor demanda pode estar por trás do fenômeno.
Nos EUA, 17% dos detentos estão cumprindo pena por crimes cometidos para conseguir dinheiro para drogas. O aumento da oferta e a redução da demanda estariam por trás de uma queda no preço dos entorpecentes e isso, por sua vez, reduziria a necessidade de cometer crimes para ter acesso a eles.
Entre os possíveis motivos para a diminuição da criminalidade em Nova York (e no resto do mundo, embora de uma forma menos evidente) encontra-se a ação policial, a legalização do aborto e até uma menor exposição ao chumbo. No entanto, foi difícil demonstrar uma relação de causalidade. No artigo, os autores apontam que, apesar da queda do preço da cocaína e da heroína entre 1981 e 2007, não se estudou em detalhe a relação entre isso e a diminuição dos crimes violentos e contra a propriedade que se observou no mesmo período.
Utilizando análises etnográficas e econômicas, consideram que sua hipótese é possível e que poderia ter efeitos sobre as políticas antidrogas. Segundo eles, apesar de o aumento das prisões e do número de policiais ser normalmente associado à redução da delinquência, também existem análises que mostram que essas políticas podem produzir efeitos contrários.
Na opinião dos pesquisadores, ao provocar uma queda na oferta e o consequente incremento nos preços dos entorpecentes, o combate às drogas poderia ser contraproducente porque voltaria a fazer crescer o número de crimes. Estudos posteriores para confirmar essa hipótese poderiam ajudar a elaborar políticas mais apropriadas para reduzir a criminalidade.
Reportagem de Daniel Mediavilla
fonte:http://brasil.elpais.com/brasil/2017/05/08/ciencia/1494197203_773776.html
foto:http://www.isfep.com/article.html

04/05/2017

A droga barata que pode evitar um terço das mortes de mulheres após o parto

Um medicamento barato criado em 1960 por um casal de japoneses pode evitar um terço as mortes causadas por hemorragias pós-parto, sugere um estudo publicado na revista científica Lancet.
Cerca de 100 mil mulheres morrem todos os anos por causa de sangramentos intensos momentos após o parto, o que torna a hemorragia pós-parto a principal causa de mortes decorrentes da gravidez e da maternidade precoce.
Pesquisadores da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres afirmam que o ácido tranexâmico seria eficaz em inibir a dissolução de coágulos, auxiliando o corpo a estancar os sangramentos.
De acordo com a pesquisa, realizada em parceria com 193 hospitais principalmente da Ásia e África e que envolveu 20 mil pacientes, o uso do ácido tranexâmico reduziu as mortes em um quinto. Entre as mulheres que tomaram o medicamento em até três horas após o parto, a redução foi ainda maior: 31%.
"Nós conseguimos um resultado importante. Descobrimos que um medicamento barato, tomado em dose única, reduz o risco de hemorragia severa e pode ter um papel significativo em diminuir a mortalidade maternal ao redor do mundo", disse Ian Roberts, que participou da pesquisa.
Após a publicação dos resultados, a Organização Mundial da Saúde afirmou que mudaria a recomendação de uso do medicamento para incluir os casos de hemorragia pós-parto.

O remédio

As descobertas não seriam uma surpresa para Utako Okamoto, que inventou o medicamento ao lado do marido, Shosuke, na década de 60 no Japão.
A pesquisa do casal Okamoto começou durante a pobreza do período pós-guerra no Japão. Eles decidiram começar a estudar o sangue porque poderiam colher amostras próprias para a pesquisa.
"Queremos que nosso trabalho seja internacional, queremos descobrir novos medicamentos para mostrar nossa gratidão à humanidade", disse ela.
Na época, o casal não conseguiu convencer os médicos locais a testarem o ácido em casos de hemorragia pós-parto. O medicamento então foi comprado por uma empresa farmacêutica e usado contra fluxos menstruais intensos.
A história quase parou por aí. Mas o casal começou uma parceria com hospitais ao redor do mundo e contou com 20 mil inscritos para testar o medicamento.
A professora morreu, aos 98 anos, logo antes de os testes feitos com 20 mil voluntários comprovarem que suas suspeitas sobre a eficácia do remédio em hemorragias pós-parto se confirmavam.
Em um vídeo filmado antes do final dos testes, ela afirmou já ter certeza da eficácia do remédio nesses casos.
"Mesmo antes da pesquisa, eu sei que vai ser eficiente", disse Okamoto.

Auxílio

O pesquisador Ian Roberts afirmou que se sentiu absolutamente inspirado por ela e que a descoberta a respeito da eficácia do medicamento não é o fim da jornada.
Segundo ele, apesar do custo baixo, levar o medicamento a hospitais do mundo todo ainda é um desafio.
"É uma coisa horrível uma mãe morrer no parto. É extremamente importante que tenhamos certeza sobre a disponibilidade do tratamento em qualquer lugar onde ele possa salvar vidas. Não deveríamos ter uma criança crescendo sem a mãe por falta de um medicamento que custa um dólar", afirmou.
Um desses lugares é o Paquistão. De acordo com a médica Rizwana Chaudri, da Universidade Médica da cidade de Rawalpindi - a quarta maior do país - há muitas mulheres que morrem de hemorragias pós-parto ou que já chegam mortas ao hospital.
"Você não conseguiria nem pensar numa coisa dessas no mundo desenvolvido, mas por aqui esses casos ocorrem diariamente, sem parar."
Um dos casos de hemorragia ocorreu com Nosheen, que quase morreu depois de dar à luz sua filha. Ela sobreviveu apenas depois de uma histerectomia (remoção de parte ou de todo o útero) de emergência.
"Minha saúde está completamente destruída, e estou muito triste por causa disso", contou ela, a quem o ácido tranexâmico poderia ter ajudado.

Reportagem de James Gallagher
fonte:http://www.bbc.com/portuguese/brasil-39752959#orb-banner
foto:http://americanpregnancy.org/week-by-week/7-weeks-pregnant/