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26/11/2016

A onça-preta: o tesouro brasileiro chave para o maior corredor verde do mundo



O holandês Ben Valks conta que há 15 anos vivia em Dubai, onde dirigia uma empresa de tratamento de água, em pleno deserto da Arábia. Fez dinheiro e a vendeu quando pôde “para perseguir outros sonhos”. Ele foi morar no Alascapara competir na “última grande corrida da Terra”, a Iditarod: uma competição de duas semanas em trenós puxados por 16 cães huskies. Ele trocou os mais de 40 graus de temperatura de Dubai pelos ventos de até 70 graus abaixo de zero do Alasca. Mas aquilo é história.
Em 2009, Valks fundou a Black Jaguar Foundation com o único objetivo de gravar um documentário sobre a onça-preta em seu habitat natural. Mas em vez de encontrar o raro animal –uma variante escura do tigre americano da qual existem apenas 600 exemplares–, ele se deparou com o desmatamento da bacia amazônica. Agora, o objetivo da fundação é outro: criar “o maior corredor de biodiversidade do planeta” para salvar o lar da onça e das milhares de espécies que compartilham seu ecossistema, como o boto amazônico e o jacaré preto.
Em 2009, Valks fundou a Black Jaguar Foundation com o único objetivo de gravar um documentário sobre a onça-preta em seu habitat natural. Mas em vez de encontrar o raro animal –uma variante escura do tigre americano da qual existem apenas 600 exemplares–, ele se deparou com o desmatamento da bacia amazônica. Agora, o objetivo da fundação é outro: criar “o maior corredor de biodiversidade do planeta” para salvar o lar da onça e das milhares de espécies que compartilham seu ecossistema, como o boto amazônico e o jacaré preto.
“Há algumas décadas, esse território poderia estar nas mãos de cerca de 200.000 proprietários. Mas muitos venderam suas terras para grandes latifundiários e eles as alugam para multinacionais como a Coca-Cola, para cultivar cana de açúcar”, explicou Valks em Honolulu. Os grandes criadores de gado e os latifundiários agrícolas são responsáveis por 80% do desmatamento na Amazônia.
O projeto tem uma viga-mestra. A legislação brasileira exige que os proprietários preservem o estado natural de uma parte de suas terras. Na região amazônica, o percentual a ser preservado é de 80%. No norte do Cerrado, chega a 35%. E no sul, 20%. O objetivo da Black Jaguar Foundation é que os proprietários organizem suas reservas naturais particulares obrigatórias como peças de um quebra-cabeça, até completar os 2.600 quilômetros: o futuro Corredor Araguaia.
Cerca de 15% da superfície do corredor já está protegida, dentro de reservas indígenas ou parques nacionais. Mas a quase totalidade dos 85% restantes foi desmatada. “A Black Jaguar Foundation ajudará os proprietários das terras a recuperar as áreas degradadas para atender às exigências das leis ambientais brasileiras”, explica Ivan Nisida, coordenador da organização.
O corredor verde foi imaginado em 2008 pelo biólogo brasileiro Leandro Silveira, presidente do Fundo para a Conservação da Onça. Quase uma década depois, a ideia ainda está no princípio. Começou efetivamente neste ano. Um projeto-piloto para mapear e recuperar 6.000 hectares, do qual participa a Universidade de São Paulo, é a ponta de lança. Mas a área total do Corredor Araguaia ocupará mais de 10 milhões de hectares. “Completar esse projeto exigirá seguramente milhões, ou até bilhões, de dólares”, admite Nisida.
A fundação lançou uma campanha de arrecadação de fundos para financiar a primeira fase do projeto. Entre os primeiros colaboradores há figuras conhecidas, como o fotógrafo e veterinário francês Yann Arthus-Bertrand, famoso por suas espetaculares imagens aéreas do planeta e a também veterinária Astrid Vargas, ex-diretora do programa de reprodução do lince-ibérico na Espanha. Até o momento conseguiram 1,8 milhão de euros (cerca de 6,5 milhões de reais), de acordo com Nisida. E do projeto-piloto já estão participando sete proprietários, dos municípios de Santana do Araguaia, Limoeiro do Ajurú e Caseara. Um deles é um fazendeiro de soja.
“Nosso Governo é muito receptivo às iniciativas privadas, como a da Black Jaguar Foundation”, diz Warwick Manfrinato, diretor do Departamento de Áreas Protegidas do Ministério do Meio Ambiente. O órgão iniciou recentemente um Programa de Corredores Ecológicos para responder às demandas da sociedade civil. A equipe de Manfrinato também se reuniu na Cúpula de Honolulu com os membros da fundação para estudar possíveis formas de colaboração. “Estamos muito satisfeitos com a iniciativa da fundação e vamos apoiá-la na medida do possível”, diz Manfrinato. O megaprojeto para salvar o ecossistema da onça-preta é uma utopia, mas pode deixar de sê-lo.


Reportagem de Manuel Ansede
fonte:http://brasil.elpais.com/brasil/2016/11/16/ciencia/1479327580_843285.html
foto:http://mantenaonline.com.br/alerta-geral-onca-preta-que-tem-atacado-gado-na-area-rural-em-mantenopolis-pode-atacar-pessoas/

02/09/2016

Os animais cometem suicídio?

Em 1845, uma história curiosa apareceu nas páginas do Illustrated London News, um jornal da capital britânica.
Um cachorro preto, descrito como "fino, bonito e valioso", teria "se jogado na água", em uma provável tentativa de suicídio. Suas pernas e patas estavam "perfeitamente imóveis" - algo incomum para um cão em um rio.
Mais estranho ainda: após ser retirado da água, o cachorro "rapidamente correu para a água e tentou afundar mais uma vez".
O cão acabou morrendo.
A julgar pelos relatos da imprensa da época, ele estava longe de ser o único nessas tentativas. Pouco tempo depois, outros dois casos apareceram em jornais populares: um pato que teria se afogado de propósito e uma gata que se enforcou em um galho após seus filhotes morrerem.
O que há de verdade nesses episódios?
Sabemos que animais podem sofrer problemas de saúde mental como humanos: sobretudo estresse e depressão, mas animais realmente tentam suicídio?

Pergunta antiga

A questão não é nova: os gregos antigos também a consideravam. Há mais de 2 mil anos, Aristóteles citou um cavalo que se jogara num abismo após a revelação de que, como Édipo, ele teria se relacionado com a própria mãe, sem saber.
No século 2º d.C., o estudioso grego Claudius Aelian dedicou um livro inteiro ao tema. Citou 21 supostos casos de suicídio animais, incluindo um golfinho que se deixou capturar, diversos cães que morreram de fome após a morte dos donos e uma águia que "se sacrificou por combustão na pira de seu falecido dono".
Como o "cão bonito" que se afogou, a ideia de suicídio animal continuou popular no século 19. O psiquiatra William Lauder Lindsay disse que animais nessa condição sofriam de "melancolia suicida" e descreveu como poderiam ser "literalmente estimulados à fúria e paranoia" antes de um suicídio.
Naquela época, essas ideias eram acolhidas por grupos de direitos dos animais. Ativistas buscavam humanizar as emoções dos bichos, explica o historiador da medicina Duncan Wilson, da Universidade de Manchester, na Inglaterra, que analisou referências históricas ao suicídio animal em um artigo em 2014.
Os ativistas faziam isso, afirma o especialista, para mostrar que os animais "compartilhavam a capacidade de autoreflexão e intencionalidade, que incluía a possibilidade de tentar tirar a própria vida por sofrimento ou fúria."
Um exemplo: uma edição de 1875 da publicação científica Animal World trazia na capa um cervo selvagem saltando para um provável suicídio. O texto dizia que "um cervo selvagem, para não ser capturado por seus perseguidores, irá cair nas garras de uma morte terrível."

Ciência e cultura

Contudo, com o avanço da medicina no século 20, a atitude humana diante do suicídio se tornou mais científica, e esse tipo de retrato "heroico" de animais suicidas perdeu espaço.
O foco mudou para suicídios que afetariam populações maiores, como resultado de pressão social, diz Wilson. O suicídio se tornou algo como um mal social. Pegue os exemplos de lemingues que aparentemente marcharam para se jogar de penhascos ou encalhes coletivos de baleias.
Wilson não procurou responder se os animais realmente tentam suicídio. Em vez disso, sua pesquisa revelou que mudanças nas atitudes diante do suicídio humano se refletiram em nossas histórias sobre bichos.
Mas um outro pesquisador tentou encontrar essa resposta.
Antonio Petri, psiquiatra na Universidade de Cagliari, na Itália, revisou a literatura sobre suicidio animal e concluiu que histórias como as dos jornais do século 19 não devem nos iludir.
Ele analisou cerca de mil estudos publicados em 40 anos e não encontrou provas de que um animal selvagem conscientemente pratique suicídio. Casos como o do livro do grego Claudius Aelian são "fábulas antropomórficas (cuja forma aparente evoca seres humanos)", diz ele.
Pesquisadores hoje sabem que a morte coletiva de lemingues são um consequência triste de uma população densa de criaturas emigrando juntas ao mesmo tempo.
Nos casos em que um animal de estimação morre após o dono, isso se explica pela disrupção de um laço social, afirma Preti. O animal não toma uma decisão consciente de morrer - ele era tão acostumado ao dono que passa a não aceitar mais comida de ninguém.
"Pensar que um animal desse morreu de suicídio como uma pessoa é apenas uma projeção de um estilo de interpretação (romântica) humana."

Estresse animal

Esse exemplo chama a atenção a um fato importante: o estresse pode alterar o comportamento de um animal de modo a ameaçar sua vida.
Isso ocorreu no parque SeaWorld de Tenerife, na Espanha, em maio de 2016.
Um vídeo que se tornou viral mostra uma orca selvagem aparentemente tentando se manter fora do tanque por cerca de dez minutos. Dezenas de reportagens afirmaram que o mamífero tentara suicídio.
Sabemos que orcas se comportam de maneira diferente em cativeiro do que em liberdade, o que não surpreende, já que um tanque representa uma fração ínfima de um oceano.
Ambientes artificiais costumam estressar orcas, desencadeando comportamento repetitivos como ranger de dentes.
Quando essas situações ocorrem, afirma Barbara King, do William & Mary College (EUA), é importante entender quão profundamente esses animais vivenciam emoções. Isso pode revelar por que eles podem agir de maneira tão autodestrutiva.
"Até onde sei, a maioria desses casos tem algum tipo de intervenção humana, seja caça ou confinamento", afirma King, que já escreveu muito sobre sofrimento animal e suicídio.
Vários animais mantidos em condições traumáticas também vivenciam situações similiares ao estresse, transtorno de estresse pós-traumático e depressão.
Um urso mantido em uma fazenda na China sufocou seu filhote e depois se matou. Isso ocorreu depois de uma dolorosa injeção de um cateter no abdome do filhote para extrair bile, que às vezes é usada em remédios na medicina chinesa. Relatos na imprensa sugeriram que ele teria matado o filhote e cometido suicídio para evitar mais anos de tortura.
Esse talvez seja outro exemplo de um comportamento não-natural desencadeado pelo estresse e pelo confinamento por longo período. Também pode ser visto como reflexo de "um animal tentando fugir de seu cativeiro", diz Preti.

Destino conjunto

Outros animais que costumam ser citados como suicidas são baleias que encalham em conjunto.
A causa desses encalhes não é clara até hoje. Uma hipótese é que possam ser causados por um indivíduo doente buscando segurança em águas mais rasas. Como baleias formam grupos sociais, outros seguem esse indivíduo e também encalham. A ideia é conhecida como "hipótese do integrante doente", mas não é considerada suicídio.
Uma explicação ainda mais sutil sobre aquilo que parece ser comportamento autodestrutivo também pode ser facilmente levantada. Há certos parasitas que infestam o cérebro dos hospedeiros, causando atitudes incomuns que ajudam os parasitas a sobreviver. O hospedeiro costuma morrer nesses casos.
Por exemplo, o parasita Toxoplasma gondii infesta ratos e "desliga" o medo inato que possuem de gatos. Se o gato comer o rato, o parasita se reproduz. Um estudo de 2013 indicou que uma infecção por T. gondii acaba com esse medo de maneira permanente, mesmo se o parasita for eliminado.
Do mesmo modo, o fungo parasita Ophiocordyceps unilateralis pode controlar a mente de formigas, deixando-as como zumbis. Os insetos acabam sendo levados a morrer em locais mais propícios ao desenvolvimento desses fungos.
Há ainda o caso de aranhas que deixam os filhotes comê-las. Embora elas morram no processo, esse sacrifício não é um suicídio, mas um ato extremo de cuidado materno. A mãe aranha fornece seu próprio corpo como uma importante e nutritiva primeira refeição, que garante a sobrevivência do filhote.

Definindo suicídio

Para afirmar que tal comportamento não se enquadra como suicídio é preciso ter uma definição de suicídio. O ato cosuma ser definido como "ação de se matar intencionalmente ".
Sabemos que alguns animais se matam. A questão é saber se tiveram essa intenção. A mãe aranha, por exemplo, pode se comportar dessa forma para prover comida, não para morrer. A ursa pode ter agido por estresse, não com o propósito de matar a si e ao filhote.
Alguns especialistas acreditam que essa pergunta seja impossível de responder.
Assim como subestimamos a cognição animal por muito tempo, nós ainda não conseguimos ler a mente dos animais. "Não estou convencido de que (suicídio animal) seja uma questão que a ciência possa responder", afirma King. "Podemos analisar seu comportamento visível, como fazemos quando sofrem, mas não podemos saber se é algo intencional ou não."
Outros discordam. Afirmam que algumas pessoas tentam se matar, mas animais não, por diferenças nas habilidades cognitivas. A diferença-chave, afirma, é nossa habilidade de pensar bem à frente, no futuro.
Muitos animais podem fazer planejamentos. Alguns pássaros juntam alimentos para comer depois. Primatas como orangotangos e bonobos armazenam ferramentas para uso no futuro. Mas isso não demanda consiciência sobre o que significa estar vivo.
Planejar um suicídio demanda um entendimento detalhado sobre nosso lugar no mundo e uma habilidade para imaginar a própria ausência. Isso exige imaginação.
"Humanos têm a capacidade de imaginar cenários, refletir sobre eles e associá-los a narrativas mais amplas", afirma Thomas Suddendorf, psicólogo evolucionista na Universidade de Queensland, na Austrália.
A maioria de nós supera essas preocupações. Temos um viés otimista inato, que nos dá uma visão mais positiva sobre o futuro, mas isso não ocorre com quem tem depressão - para essas pessoas, o futuro parece sombrio.
Pessoas deprimidas apreciam verdadeiramente a realidade, diz Ajit Varki, da Universidade da Califórnia, que tem escrito sobre a singularidade humana e nossa capacidade de negar a morte.
"Uma das realidades é que você vai morrer." O resto de nós tem uma habilidade extraordinária para ignorar esta eventualidade, algo que Varki classifica como "um capricho evolucionário".
Varki sugere que todos os possíveis casos de suicídio animal possam ser explicados por outros meios. Animais choram, reconhecem seus mortos e têm medo de cadáveres, por exemplo, mas não temem a morte "como uma realidade".
"É um medo de situações perigosas que potencialmente podem levar à morte", avalia Varki.
Pensar assim faz mais sentido. Se animais negassem os riscos de morte como fazem muitos humanos, zebras iriam passear perto de leões, peixes nadariam ao lado de crocodilos e ratos encarariam cobras.
Se fossem tão autoconscientes como nós, talvez parassem de defender seus territórios ou buscar comida. Eles possuem uma resposta inata ao medo por uma boa razão: ficar vivo.
Somos o único animal capaz de entender e lidar com nossa própria mortalidade, diz Varki, precisamente porque somos essas criaturas otimistas com um nível sofisticado de autoconsciência.
"O que é suicídio?", questiona o pesquisador. "É induzir a própria mortalidade, mas como você pode induzi-la se não sabe que é mortal? É (portanto) bem lógico que o suicídio seja algo unicamente humano."

Reportagem de Melissa Hogenboom
fonte:http://www.bbc.com/portuguese/vert-earth-37082946#orb-banner
foto:http://ideas.ted.com/animal_madness/

12/07/2016

Mitos e verdades da ração canina e o impacto na saúde do bichinho


Além de mostrar que você é um tutor responsável, preocupar-se em dar uma boa alimentação para o seu animal vai resultar, em médio ou longo prazo, em menores despesas com veterinários e medicamentos. Sem contar a grande vantagem de ter em casa um bicho com bom funcionamento intestinal: conforto e bem-estar para eles e para nós também.
Hoje, há um enorme cardápio de opções para oferecer ao seu bichinho, por isso é importante saber escolher o que mais se aproxima do ideal para cada um em particular. As rações são fáceis de encontrar, atendem às necessidades dos bichinhos, são práticas e têm custo razoável.
Contudo persiste uma crença de que as rações industrializadas provocam doenças, inclusive câncer, em razão do excesso de conservantes químicos, mas veterinários especializados em nutrição animal discordam. Não há evidências científicas que comprovem a tal teoria. Rações de melhor qualidade passam por certificação rigorosa e utilizam conservantes como vitamina E e antioxidantes naturais, ou conservantes químicos em baixíssima quantidade. 
 

A ração não é a vilã

Segundo os especialistas, é comum ouvir que o número de casos de câncer entre os animais aumentou. Para eles, isso é atribuído à longevidade alcançada pelos bichos de estimação. Antes, os animais que chegavam aos sete anos já eram considerados idosos. Agora, espera-se que ultrapassem os 15. Com isso, cresceu também a incidência de doenças, o que não deve ser atribuído ao uso de rações.
 Na contramão, dietas caseiras sem balanceamento têm levado animais aos consultórios com deficiências nutricionais, que muitos veterinários sequer haviam atendido. Quando a opção do tutor for a alimentação natural, que bem feita pode ser benéfica, é necessário que o balanceamento do preparo seja feito por profissionais capacitados para compreender as necessidades específicas daquele bicho. 
 

Por dentro das rações

As rações recomendadas por profissionais são as chamadas premium e super premium. Elas reúnem carboidratos, gorduras, fibras, minerais e vitaminas. A proteína, que é um dos ítens importantes, deve compor cerca de 20% do produto. Também deve-se observar o extrato etéreo, que é a gordura da ração e um ingrediente caro, por isso, está presente em rações de melhor qualidade.
 
Para que o produto seja considerado bom, a ração deve conter em torno de 14% dessa gordura em sua composição. Assim como ocorre com os humanos, o teor de gordura é importante para garantir energia ao animal. Na embalagem, encontram-se os prebióticos como mananoligossarideo, inulina e frutooligossacarideos, que tornam o produto mais digestivo.
Já o exametafosfato de sódio ajuda a prevenir a formação da placa dentária. As rações com grande quantidade de fibras ou minerais são consideradas de pior qualidade, mas, dependendo da necessidade, são indicadas para ajudar no tratamento de animais obesos ou diabéticos. Portanto, é necessário ficar atento a cada bichinho. 
 

Avanços da indústria

O segmento viabiliza a criação de produtos cada vez mais específicos para os animais, de acordo com a espécie, raça, tamanho, idade e doenças. Até mesmo os alimentos classificados como de manutenção ou terapêuticos apresentam características variáveis para que os bichos respondam melhor à determinada sensibilidade, como predisposição para doenças de pele, por exemplo.
Os alimentos terapêuticos funcionam como coadjuvante no tratamento. Para os animais com problemas renais, foram desenvolvidos produtos com baixa quantidade de sódio e potássio. Do mesmo modo, existem produtos para os diabéticos ou com colesterol alto. As rações mais específicas contribuem para que a necessidade do medicamento seja reduzida. 
Ainda de acordo com os especialistas, o mais prático para uma boa alimentação é optar por rações de alta qualidade e ficar atento à quantidade oferecida, evitando o sobrepeso. Os tutores devem evitar produtos de baixa qualidade, que podem conter microtoxinas em sua composição, causando danos aos bichanos. 

Reportagem de Patricia Guimarães
fonte:http://estilo.uol.com.br/casa-e-decoracao/noticias/redacao/2016/07/12/mitos-e-verdades-da-racao-canina-e-o-impacto-na-saude-do-bichinho.htm
foto:http://www.cachorrogato.com.br/cachorros/tipos-racao-para-caes/

02/02/2016

Donos de gatos são mais neuróticos que donos de cães, diz estudo


Os donos gatos são "mais neuróticos" que os donos de cães. É o que mostra pesquisa liderada pela americana Katherine Jacobs Bao, do departamento de psicologia da Manhattanville College. Ao realizar uma série de questionários, a pesquisadora percebeu que os donos de cães se mostraram mais conscientes e significativamente menos neuróticos que os donos dos felinos. "Estudos como este são necessários para examinar as mudanças na relação entre a propriedade de animais de estimação e o bem-estar de seus donos ao longo do tempo. Desta forma, podemos ajudar a melhorar o bem-estar tanto dos animais quanto dos donos, e evitar que os 'pets' acabem em abrigos de adoção", informou a especialista. 
O estudo, apresentado na última semana na convenção da Society for Personality and Social Psychology(Sociedade para personalidade e psicologia social), em San Diego, apontou que a felicidade estava entre os grandes fatores de discrepância entre donos de gatos e cães. "Os proprietários de cães estavam mais felizes que os proprietários de gatos, o que pode ser parcialmente exemplificado pelas demonstrações de personalidade, emoção e satisfação", explicou o estudo. 
Questionário - Bao entrevistou 263 americanos (divididos igualmente entre sexo), entre a idade de 19 e 68 anos, por meio de um questionário online. As perguntas abordavam temas como propriedade, personalidade e bem-estar subjetivo. Os resultados mostraram que 64% dos participantes eram donos de animais de estimação; os outros 36% apontaram não ter nenhum animal domesticado. 
A pesquisa mostrou que, na comparação entre quem possui um animal de estimação (seja ele gato, cão, ave ou réptil) e quem não tem, estão mais satisfeitas com a vida as pessoas que convivem com algum "pet" em casa. No entanto, a mesma comparação não mostra grande diferença nos níveis de outras duas variáveis do estudo: o bem-estar e a felicidade. "Inicialmente, pensei que a felicidade estivesse associada a ter um animal de estimação, mas a pesquisa não mostrou muitas evidências neste sentido. Para o meu próximo estudo, estou planejando seguir os donos de animais em seu primeiro ano de propriedade de estimação, e ver se a felicidade muda ao longo do tempo. Talvez não exista diferenças entre aqueles que possuem animais de estimação e aqueles que não têm porque as pessoas se adaptaram, ou se acostumaram ao seu animal de estimação", disse a pesquisadora por e-mail. 
Gatos melhores que cães - Não é de hoje que a disputa entre os dois animais mais comuns de serem domesticados existe. No ano passado, pesquisadores da Universidade de Lausanne, na Suíça, e também da Universidade de São Paulo (USP), analisaram 2 000 fósseis de carnívoros que mostraram que, na competição por sobrevivência, os felinos são mais competentes. Mais que isso, os gatos são os responsáveis pela extinção de diversas espécies de cachorros pois, como são excelentes caçadores, vencem na disputa por alimentos.


fonte:http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/donos-de-caes-sao-menos-neuroticos-que-donos-de-gatos-diz-pesquisa
foto:http://www.thisismoney.co.uk/money/bills/article-2042014/How-does-cost-dog-cat.html

05/01/2015

Viver com animais de estimação beneficia autistas

Estudo mostra que cães, gatos e outros animais ajudam a melhorar o comportamento de crianças e adolescentes com o transtorno.



Conviver com animais de estimação em casa – seja cachorro, gato, coelho ou qualquer outro bicho – ajuda crianças e adolescentes com autismo a melhorarem a capacidade de se relacionarem com outras pessoas. É o que revela uma nova pesquisa da Universidade de Missouri, nos Estados Unidos, que foi publicada no periódico Journal of Autism and Developmental Disorders.
O estudo se baseou em entrevistas com os familiares de setenta crianças e adolescentes autistas de 8 a 18 anos. Cerca de 70% dessas famílias tinham cães em casa e 50% tinham gatos. Alguns participantes também criavam outros animais, como coelhos, roedores, pássaros e peixes.
Os pesquisadores perguntaram aos familiares dos jovens como era a interação social de cada um, como se eles costumavam se apresentar para desconhecidos, pedir informações ou responder a perguntas de outras pessoas. “Autistas normalmente encontram dificuldade com esse tipo de inteiração social”, diz a coordenadora do trabalho, Gretchen Carlisle, do Centro de Pesquisa sobre Relações entre Humanos e Animais da Universidade de Missouri. 
Segundo os resultados, conviver com qualquer bicho de estimação em casa promove uma melhora nesse sentido. Porém, os cães, especialmente os de menor tamanho, parecem ser os bichos que trazem maior benefício a crianças e adolescentes com o distúrbio.
“As crianças com autismo nem sempre conseguem se relacionar com outros indivíduos facilmente, mas ter um animal em casa pode fazer com que ela se sintam mais à vontade para conversar com outras pessoas sobre o seu bicho de estimação, por exemplo” diz Gretchen.

Seis provas de que ter um animal de estimação faz bem à saúde
Bebês
O efeito: Bebês que convivem com cães e gatos, mas especialmente com cachorros que passam mais tempo dentro do que fora de suas casas, são mais saudáveis e precisam tomar menos antibióticos do que crianças que não têm contato com esses animais. 
A prova: Entre 2002 e 2005, pesquisadores da Universidade da Finlândia Oriental decidiram acompanhar 397 crianças desde seu nascimento até elas completarem um ano de vida. O objetivo era saber se cães ou gatos em casa interferem de alguma maneira na saúde dos bebês. Um ano depois, a equipe descobriu que o contato com os animais, mas principalmente com cães, está relacionado a menos casos de infecções respiratórias em crianças e também a uma menor necessidade de o bebê tomar antibióticos. O maior efeito protetor foi observado entre crianças que conviviam com cães que passavam parte ou todo o tempo no interior das casas.

Mulheres grávidas


O efeito: Gestantes que têm um cachorro de estimação são mais propensas a atingir os níveis de atividade física recomendados para elas. Consequentemente, elas chegam mais perto do que as outras gestantes de ter uma gravidez saudável, evitando problemas relacionados ao excesso de peso.
A prova: Certa vez, cientistas da Universidade de Liverpool, Inglaterra, resolveram estudar os fatores que levam as gestantes a praticarem atividade física. Para isso, a equipe se baseou nos dados de mais de 11.000 mulheres que estavam na 18ª ou na 32ª semana de gravidez e levou em consideração uma série de informações sobre elas, como peso, altura, quanto tempo de lazer usufruíam por dia e se tinham algum animal de estimação. Aconclusão da análise revelou que as mulheres que tinham um cachorro apresentavam uma chance 50% maior de atingir a recomendação de 30 minutos de caminhada rápida ao dia. O estudo também descobriu que um simples passeio com o cão apenas uma vez por semana gera efeitos positivos na saúde da mulher grávida.

Pessoas com autismo



O efeito: A chegada de um animal de estimação na casa de uma pessoa autista faz com que ela passe a ter um melhor relacionamento com outras pessoas. 
A prova: Especialistas do Hospital de Brest, na França, acostumados a atender crianças e adultos com autismo, resolveram fazer um estudo para descobrir de que forma um animal de estimação pode impactar o comportamento desses pacientes. Depois de avaliarem 260 autistas – tanto adultos quanto crianças —, os pesquisadores concluíram que as pessoas com a síndrome que passam a a ter algum animal de estimação a partir dos 5 anos de idade apresentaram melhora em alguns aspectos específicos do comportamento social: elas se sentiam mais confortáveis e se mostravam mais solidárias quando se relacionavam com outras pessoas do que pacientes que nunca tiveram um animal. O efeito, embora tenha ocorrido, não foi tão forte nos casos em que o indivíduo conviveu com animais desde que nasceu.

Trabalhadores estressados




O efeito: Em empresas que permitem que os funcionários levem seus animais para o trabalho, há menos stress entre os trabalhadores.
A prova: Pesquisadores avaliaram, durante uma semana, o comportamento de funcionários de uma empresa americana chamada Replacements, Ltd., localizada na cidade de Greensboro, na Carolina do Norte. Durante essa semana, os funcionários, se assim desejassem, poderiam levar seus cães ao trabalho. De acordo com os resultados da avaliação, os funcionários que levaram seus cães para o trabalho pareceram sofrer menos stress durante o dia do que os que não levaram os animais para a empresa ou que não possuíam animais de estimação. Além disso, os mesmos funcionários se mostraram muito mais estressados nos dias em que deixaram seus cães em casa do que nos dias em que os levaram. 

Tímidos


O efeito: Ter um cão de estimação por perto torna as pessoas a serem mais sociáveis e pode ajudar a diminuir a timidez de certos indivíduos.
A prova: Um estudo feito na Universidade de Warwick, na Grã-Bretanha, analisou em dois momentos o comportamento de pessoas durante o dia. Em um dia, os participantes saíram e realizaram suas tarefas diárias sem a companhia de um cão e, no outro dia, saíram acompanhados do animal. Os pesquisadores observaram que estar com um cachorro aumenta a frequência com que as pessoas interagem com outras, especialmente com indivíduos desconhecidos. 

Bem estar


O efeito: Ter um animal de estimação, em comparação com não ter nenhum, melhora diversos aspectos do bem estar físico e mental do dono, como a sua condição física e a auto estima.
A prova: Pesquisadores das universidades de Miami e de Saint Louis, nos Estados Unidos, aplicaram um questionário em 217 adultos de 31 anos, em média, sobre personalidade, estilo de vida e bem estar. Segundo os autores, pessoas que tinham animais de estimação relataram ser mais felizes e saudáveis do que os que não tinham. Elas também mostraram ter uma auto estima maior, tendiam a ser menos solitárias e mais extrovertidas, além de apresentar melhores condições físicas.


fonte:http://veja.abril.com.br/noticia/saude/viver-com-animais-de-estimacao-beneficia-autistas
foto:http://veja.abril.com.br/noticia/saude/viver-com-animais-de-estimacao-beneficia-autistas

20/11/2014

Tendência de sexo entre espécies diferentes se agrava, dizem cientistas

Acasalamento entre espécies distintas pode ocorrer com cerca de 10% dos animais; pinguins são atacados por lobos marinhos.



Não é bonito, mas é um fato real: pesquisadores registraram vários exemplos de lobos marinhos antárticos tentando fazer sexo com pinguins-reis. Segundo os cientistas que publicaram suas mais recentes observações na revista Polar Biology, esta agressão entre espécies diferentes é uma tendência que está se agravando.
Os cientistas observaram este comportamento pela primeira vez há alguns anos, mas agora relatam que estes exemplos aparentemente ocorrem com maior frequência.
"À primeira vista, pensamos que o lobo marinho estivesse matando o pinguim", disse à BBC Nico de Bruyn, principal autor do recente estudo, em 2008. Mas o incidente, que durou 45 minutos, no fim não teve como ser confundido com uma tentativa de assassinato. De fato, o jovem lobo marinho tentava se acasalar com um pinguim de sexo desconhecido. 
Cientistas pensaram que se tratasse de um caso isolado, realizado como uma agressão, por confusão ou uma brincadeira desastrada. "Honestamente, não julgava que voltássemos a ver novos casos da mesma natureza do de 2006, e com certeza que isto aconteceria outras vezes", disse de Bruyn, pesquisador do Instituto de Pesquisas em Mamíferos da Universidade de Pretória.
Mas agora os cientistas já registraram quatro incidentes do gênero. Cada vez, um lobo marinho persegue, agarra e monta em um pinguim, depois tenta repetidamente fazer sexo com ele. Em uma ocasião, o pinguim perseguido foi morto e devorado após o ataque - desfecho mais observado entre as duas espécies.
O acasalamento entre espécies diferentes não é totalmente incomum, e alguns cientistas avaliam que ocorra com cerca de 10% dos animais. Entretanto, a grande maioria dos casos envolve animais muito semelhantes em composição genética e aparência, podendo dar origem a filhotes híbridos. Às vezes, estes acoplamentos decorrem de confusão de identidade, mas o acasalamento entre espécies diferentes e a hibridação também podem ser instrumentos evolutivos na competição entre espécies pela sobrevivência.
Não é o caso entre pinguins e lobos marinhos: os pinguins estão claramente em perigo, e é improvável que um lobo marinho confunda um pinguim com uma possível parceira fértil.
Pode ser ainda que os lobos marinhos estejam aprendendo este comportamento pela observação de membros de sua espécie, dizem os autores do estudo. Talvez estejam percebendo coletivamente que as aves são alvos fáceis ao procurarem dar vazão à frustração sexual provocada pelos picos sazonais da produção hormonal. Ou então, talvez as fêmeas da sua espécie dificilmente apareçam nestas praias, o que faria com que os jovens machos procurassem uma válvula de escape.
Em outras partes do mundo, as próprias focas podem ser alvos destes ataques. Em 2011, os pesquisadores informaram incidentes de lontras marinhas copulando com filhotes de focas (e então matando-os).

Reportagem de Rachel Feltman/ THE WASHINGTON POST
Tradução de Anna Capovilla
fonte:http://sustentabilidade.estadao.com.br/noticias/geral,tendencia-de-sexo-entre-especies-diferentes-se-agrava-dizem-cientistas,1595145
foto:http://g1.globo.com/natureza/noticia/2014/11/ataques-sexuais-de-lobos-marinhos-pinguins-impressionam-cientistas.html

31/03/2013

Por que os cães latem?


A ciência já descobriu que há três grupos diferentes de latidos, e que os cachorros podem, sim, tentar conversar com os donos.


Bebês aprendem a se comunicar por imitação. Ao prestar atenção nos pais, copiam a fala, alimentação e diversas reações. Brian Hare, antropólogo evolucionista americano e especialista em cognição animal, acredita que isso não seja exclusividade dos humanos. Segundo ele, os cachorros aprenderam a conviver com os homens da mesma maneira: imitando e reagindo às ações do dono. Foi assim, por exemplo, que eles aprenderam a latir mais e mais — entre os lobos, ancestrais do cão, o latido representa apenas 3% de toda sua vocalização.
Em seu novo livro The Genius of Dogs (O Gênio dos Cães, ainda sem edição em português), Hare reúne essa e outras descobertas sobre a inteligência do animal. Entre elas, estão as habilidades comunicativas do cão — milhares de anos de interação com os humanos levaram ao desenvolvimento de três grandes grupos de latidos: os de alerta, os para chamar a atenção e os para brincar. A sagacidade do melhor amigo do homem não para por aí. Pesquisas recentes relatam que os animais são ainda capazes de desenvolver novas nuances no latido — com altura, duração e frequências diferentes —, para se expressar de maneira mais eficaz.
A comunicação, no entanto, é apenas um dos modos pelos quais a inteligência canina se expressa. Há ainda cães que se destacam pelo ótimo raciocínio espacial e aqueles que são bons de memória, por exemplo. 
Linguagem canina — No que toca à comunicação, segundo Hare, a inteligência do animal está focada em estabelecer a comunicação com seu dono – assim como fazem os bebês humanos. Isso significa que o cão pode variar o latido, o olhar e até sua movimentação se perceber que está sendo compreendido — ou não. A ciência conseguiu identificar até o momento três grandes grupos de latidos. “As pessoas são particularmente boas em identificar um tipo de latido: aquele que o cachorro usa para estranhos”, diz Hare.
A diferença entre os três tipos de latido está na altura, duração e frequência com que cada um é feito. Em um estudo publicado no periódico Journal of Comparative Psychology, pesquisadores da Universidade da Califórnia descobriram com o uso de espectrogramas (representação visual da frequência de um som) que os latidos podem ser mais complexos do que se imaginava. De acordo com Alexandre Rossi, zootecnista e um dos principais especialistas em cognição de cachorros do Brasil, o latido que o cachorro usa contra estranhos é mais grave e segue, normalmente, em uma sequência curta. “Nesses latidos é como se houvesse uma mordida ao final”, diz. Quando o cão quer brincar, o latido costuma ser mais espaçado e mais agudo. Já o terceiro grupo, quando o cachorro quer chamar a atenção, se caracteriza por latidos nem tão graves, nem tão agudos, mas com mais espaço entre eles, do que os dois outros.
Em alguns casos, no entanto, o cachorro consegue criar outras variações de latidos. Como fazer um som mais agudo, mais lento ou até choramingar. Segundo Rossi, para desenvolver plenamente sua habilidade de se comunicar, no entanto, o cão precisa de estímulo. Então, apenas preste atenção no que o animal está querendo dizer. “Dizer que o cachorro tem diferentes tipos de latir não quer dizer que ele é inteligente”, diz Rossi. A inteligência estaria, na verdade, na capacidade do cão em aprender novas maneiras de latir para conseguir atenção. Em outras palavras, na sua flexibilidade — o contrário do condicionamento.
Essa flexibilidade pode ser vista, por exemplo, em atividades cotidianas. Como tem a percepção de saber se a pessoa está ou não prestando atenção nele, o cachorro pode extrapolar coisas que ele aprende que funciona. Pode ser o caso de quando o animal lambe o pote de comida apenas por estar com fome, e o dono acaba dando comida para ele. Se toda vez que mexer no seu pote, ele ganhar comida, o cachorro entende que o sinal funcional “Ele começa a nos treinar”, diz Rossi.
No caso de animais que vivem em apartamento e são proibidos de latir, a comunicação por gestos pode ser mais rica do que as sutilezas no latido. Nesses casos, é comum que o cachorro tente outras maneiras de ganhar atenção, como olhando repetidamente para o objeto que quer e para o dono, ou indo e vindo na direção do que lhe é de interesse ou ainda tocando com a pata. Além de tentar se expressar, o cão pode ainda entender o que está sendo dito.
Em suas pesquisas, Brian Hare já havia notado que os cães também conseguem entender os humanos. Além de identificar palavras (em alguns casos decorar centenas delas) e de inferir situações, eles sabem ainda fazer leitura corporal. Isso significa que ele sabe quando está sendo observado, consegue ter empatia e pode copiar ações do dono, aprendendo a resolver um problema espacial, por exemplo. Quando se aponta para alguma direção, seja com o pé, com a mão ou mesmo com a cabeça, o animal tem ainda inteligência suficiente para projetar o olhar em direção ao que está sendo apontado — e não manter o olhar no dedo da pessoa.
Inteligência — Fundado em março de 2013 por Hare, o Dognition é um projeto que pretende sistematizar o estudo sobre as habilidades dos cachorros. Nele, o cachorro passa por uma bateria de testes que identificam em quais situações sua cognição é mais apurada, e em quais ele não é muito esperto. Os testes são de raciocínio, memória, empatia, astúcia e comunicação. Ao fim da avaliação (que pode ser feita pela internet com o pagamento de uma taxa), o dono recebe um relatório com as habilidades do cão.
O projeto se propõe a levantar, pela primeira vez, um grande banco de dados comparativos entre raças, gêneros e peso. “Ainda não se tem dados suficiente sobre todas as raças para uma comparação entre elas, como qual a mais inteligente”, diz Hare. Nas avaliações, os cachorros passam por atividades simples. Um exemplo é o teste de memória. Nele, um pedaço de petisco é escondido atrás de um objeto, tudo à vista do animal. Passados mais de 10 segundos, o cão é solto e precisa se lembrar de onde o alimento está. Antes do teste, condições como reconhecimento pelo faro são eliminadas. Há cães que conseguem se lembrar... e outros que nem se lembram mais que havia um petisco.

Reportagem de Aretha Yarak
fonte:http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/por-que-os-caes-latem
foto:http://www.fanpop.com/clubs/dogs/images/1993801/title/puppy-3-wallpaper