28/01/2016

Juiz defende direito a aborto em casos de microcefalia com risco comprovado de morte

As consequências da epidemia de microcefalia, que atinge pelo menos 20 Estados brasileiros, além do Distrito Federal, vão além do cotidiano de mães, hospitais e clínicas de saúde de família, e chegam também aos tribunais.

À BBC Brasil, o juiz goiano Jesseir Coelho de Alcântara, que autorizou uma série de abortos legais em casos de anencefalia (mal que impede o desenvolvimento cerebral do feto) e outras doenças raras, disse que a interrupção da gravidez em casos de microcefalia com previsão médica de morte do bebê é "válida" e precisa ser avaliada "caso a caso".
"Se houver pedido por alguma gestante nesse caso de gravidez com microcefalia e zika, com comprovação médica de que esse bebê não vai nascer com vida, aí sim a gente autoriza o aborto", afirma o titular da 1ª Vara dos Crimes Dolosos Contra a Vida de Goiânia, que já permitiu interrupção de gestações em casos de síndromes de Edwards e de Body-Stalk, anomalias que inviabilizariam a sobrevida do bebê fora do útero.
A afirmação foi feita no momento em que Pernambuco, principal epicentro da doença no Brasil, registra aumento nas mortes de bebês com microcefalia associada ao zika vírus.
Mesmo em casos comprovados de morte do bebê, a interrupção da gravidez está longe de ser unanimidade no país e gera intenso debate entre juristas, ativistas e sociedade civil.
Formado por membros da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), da Federação Espírita Brasileira (FEB), do Fórum Evangélico Nacional de Ação Social e Política (FENASP), entre outros, o Movimento Brasil Sem Aborto afirma que interrupções em gestações de fetos com microcefalia ou outras má-formações são "inaceitáveis" sob qualquer aspecto.
Na opinião do juiz, entretanto, se o aborto é permitido por lei em casos de fetos anencefálicos, "cuja vida após o nascimento é inviável", também se justifica em "gestações em que o feto comprovadamente nascerá sem vida", devido à microcefalia.
"A anencefalia e a microcefalia severa, com morte no nascimento, são casos similares", argumenta o juiz Alcântara, por telefone. Ele afirma que, para que tomar a decisão, são necessários três laudos médicos, mais parecer favorável do Ministério Público.
Procurado, o Conselho Federal de Medicina disse discordar dessa visão. Em nota, a entidade afirma que "no caso de fetos com diagnóstico de microcefalia, em princípio, não há incompatibilidade com a vida."
Pouca informação
Há poucos dados oficiais sobre mortes de fetos e recém-nascidos microcefálicos no Brasil - e os que existem estão desatualizados.
Questionado sobre o tema, o Ministério da Saúde diz que só tem informações consolidadas sobre mortes de recém-nascidos com a doença em território nacional até 2014, período anterior à epidemia. A pasta diz que depende de informações enviadas pelos Estados para obter números mais atuais.
À BBC Brasil, o Conselho Federal de Medicina afirmou que "a interrupção antecipada da gestação deve ser definida à luz do que determinam o Código Penal do Brasil e o Supremo Tribunal Federal (STF). A incompatibilidade com a vida foi a essência para a fundamentação do STF, quando se manifestou favoravelmente pelo aborto de fetos anencéfalos."
No Código Penal, são previstas duas formas legais de aborto: em casos de risco de vida para a mãe ou em gestações resultantes de estupro. Em 2012, o STF admitiu uma terceira hipótese e a interrupção de gestações de fetos anencéfalos deixou de ser considerada crime.
Eugenia?
Nas redes sociais, em blogs e páginas religiosas, críticos do aborto afirmam que a interrupção de gestações por conta da microcefalia seria uma forma de "eugenia".
O termo se refere a técnicas que visam "melhorar qualidades físicas e morais de gerações futuras", segundo o dicionário Michaelis, e frequentemente é associado a políticas de controle social adotadas por Adolf Hitler durante o regime nazista alemão.
A professora de direito da Universidade de Brasília e especialista em bioética, a antropóloga Debora Diniz, vê "eugenia" nas políticas públicas que envolvem o controle de nascimentos: "Eugenia é quando o Estado pede que mulheres não engravidem, como foi feito", disse ela à BBC Brasil.
Em localidades como Colômbia, El Salvador, Equador e Jamaica, as autoridades pediram que mulheres não engravidassem, por medo da microcefalia ligada ao zika. No Brasil, em novembro, o diretor de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde chegou a recomendar que as mulheres adiassem seus planos de gravidez. Dias depois, voltou atrás.
"Quando o país pede que suas mulheres não engravidem, quando isso portanto é uma política pública, o estrago é muito maior que o resultado das escolhas individuais das mulheres", afirma Diniz. "Controlar liberdades da população é o pior caminho que o Estado pode seguir. A solução do problema não pode vir pelo controle dos úteros."
Forte crítica às políticas do ministério da Saúde para erradicação da doença, a antropóloga, que tem passagens como professora visitante nas universidades de Leeds (Reino Unido), Michigan (Estados Unidos), Cermes (França), entre outras, diz as mulheres não podem ser punidas pelo "ato de negligência do país em não ter controlado o mosquito Aedes aegypti", que transmite o zika vírus.
"Ou o Estado oferece as melhores condições e cuidado permanente aos recém-nascidos com microcefalia, ou permite que as mulheres possam fazer a escolha individual de interromper suas gestações", diz. "O aborto não é uma solução para esta tragédia, mas seria uma forma de proteger as mulheres vítimas da falta de políticas efetivas para erradicação da doença."

Reportagem de Ricardo Senra
fonte:http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/01/160121_microcefalia_aborto_zika_rs#orb-banner
foto:http://vivomaissaudavel.com.br/saude/clinica-geral/sete-formas-para-voce-se-prevenir-contra-o-zika-virus/

Judiciário orienta sobre reconhecimento tardio de paternidade


Quem tem mais de 18 anos e não possui o nome do pai na certidão de nascimento pode solicitar o reconhecimento tardio de paternidade em qualquer cartório de registro civil. A orientação é do Poder Judiciário, que fiscaliza e garante a emissão das certidões.
O processo pode ser iniciado pela mãe, pelo pai ou pelo filho — caso tenha 18 anos. Basta que o interessado tenha em mãos a primeira certidão e preencha o formulário padrão, indicando o nome do suposto pai. O cartório encaminhará o documento para o juiz da localidade onde o nascimento foi registrado, que investigará a veracidade da informação.

fonte:http://www.conjur.com.br/2016-jan-28/judiciario-orienta-reconhecimento-tardio-paternidade
foto:http://luizjuniorgoncalves.jusbrasil.com.br/artigos/136401636/investigacao-de-paternidade-dos-filhos-havidos-fora-do-casamento

Especialistas oferecem sugestões para a produção de conteúdo valioso


Hoje em dia, se escreve para dois públicos distintos: o público-alvo tradicional, formado, por exemplo, por clientes; a novidade são os mecanismos de busca da Internet, com destaque para o Google. Ambos têm uma característica comum: apreciam bons conteúdos.
Para o Google, o novo SEO (otimização de mecanismos de busca) é o conteúdo inédito e relevante. Para o público-alvo tradicional, provavelmente é a mesma coisa. Um conteúdo valioso tem de prestar as informações que a audiência está buscando e isso não se refere, necessariamente, às notícias que as publicações divulgam diariamente.
A notícia do dia a dia é um produto perecível. Dificilmente subsiste ao dia seguinte. Ao contrário, um conteúdo relevante para a um público específico tem maior longevidade. Como diz um dos especialistas, um cientista, é preciso se perguntar se o conteúdo ainda será relevante por um ano — ou talvez 10 anos. “Esse é meu teste de longevidade e relevância”, ele diz.
A firma Venngage pediu a 140 especialistas para definir, em poucas palavras, o que consideram um conteúdo valioso. Desse total, a firma selecionou 46, que foram divulgadas por várias publicações, entre as quais o site para profissionais do Direito The National Law Review.
Aqui estão 30 delas, das quais pelo menos uma ou duas poderá ser útil para cada um dos leitores da ConJur, que queira atrair e fidelizar leitores, que podem ser convertidos em clientes.
Conheça as sugestões:
 “O fator preponderante é relevância. Um grande conteúdo é produzido graças ao conhecimento de seu público-alvo, com a consequente criação de conteúdo que realmente tenha importância para ele”. Hana Abaza, vice-presidente de Marketing da Uberflip.
“O segredo para criar conteúdo que as pessoas realmente querem ler e compartilhar é torná-lo realmente valioso e irresistível. Que problemas você pode resolver para seu público-alvo?” Susan Payton, presidente da Egg Marketing PR.
“Em sempre me pergunto: esse conteúdo ainda será relevante em um ano? Que tal em 10 anos? Esse é o teste da longevidade e relevância”. Eugene Woo, cientista, cofundador da Venngage.
“Crie conteúdo altamente relevante, útil, informativo e interessante, que seja facilmente compartilhável e que responda as perguntas que as pessoas consideram relevantes”. Lee Odden, CEO do TopRank.
“Identifique e responda as principais perguntas de seus clientes e trate dos principais problemas que possam ter. Se você fornecer as melhores respostas consistentemente, você vai se classificar no topo das expectativas dos clientes”. Michael Brenner, CEO da Marketing Insider Group.
“Criar bom conteúdo é transmitir a seus clientes o que eles realmente querem saber, em vez de tentar vender a eles alguma coisa”. Lauren Moon, gerente de Conteúdo da Trello.
“Pesquise o que seus concorrentes estão fazendo e faça um pouco melhor. Torne seu conteúdo mais detalhado e com maior valor prático. E embale tudo com um design bonito”. Neil Patel, fundador do NeilPatel.com.
“Mesmo que eu me foque em tópicos que não são realmente novos, eu compartilho algumas dicas, ideias ou estratégias que são novas e que ajudam os clientes a pensar de uma perspectiva diferente”. Pratik Dholakiya, cofundador da E2M Solutions.
“Nossa principal estratégia é criar blogs, com cerca de mil palavras, que agreguem valor para nossos leitores e se torne uma fonte de informações, de forma que conseguimos que outros websites e blogs coloquem links para nossa página”. Jeff Bullas, CEO do JeffBullas.com
“Certifique-se de que seu conteúdo traz informações que as pessoas estão realmente buscando. Digite duas palavras-chaves no mecanismo de busca do Google e confira os resultados”. Alina Bradford, escritora colaboradora do CNET e escritora técnica da MTV.
 “A chave para criar conteúdo cativante é criar uma história convincente”. Chester Branch, Transmedia Architect at MediaShift.
“Uma ótima estratégia para criar um conteúdo valioso e contar histórias. Elas são mais memoráveis e permitem ao público-alvo conhecer melhor um dos mais importantes ativos da firma: seu pessoal”. Meryl Evans, especialista em conteúdo da Meryl.net
“A melhor maneira de criar um conteúdo sedutor é envolver seus clientes no processo de criação do conteúdo”. Cassandra Jowett, gerente de Conteúdo de Marketing da Intuitive.
“Sempre que possível, apresente a seus leitores dados, estudos de casos, exemplos reais e instruções passo a passo para que consigam fazer alguma coisa, de forma que, quando eles terminam de ler, já tenham um plano de ação na cabeça”. Siddarth Bharath, consultor de Marketing de Conteúdo da Thinkific.
“Não crie conteúdo só por criar. É melhor escrever um blog valioso por semana do que 10 blogs que não sirvam para nada”.
 “O novo SEO (Social Engine Optimization ou Otimização paa o Mecanismo Social) é a minha prioridade. Bom conteúdo é aquele que fornece valor a sua audiência”.  Andrew Davis, autor de Brandscaping.
“Minha fórmula tem duas partes. Uma,  escreva um conteúdo que resolva um problema real que os possíveis clientes possam ter.  Outra, torne a experiência de consumir esse conteúdo divertida”. Neal Schaffer,  palestrante sobre mídia social da Maximize Your Social.
“Costumo dizer que o melhor conteúdo é a conversação. E para que isso aconteça, você tem de ouvir e permitir a sua equipe que ajuste o conteúdo conforme necessário”. Ted Rubin,  estrategista de mídia social do TedRubin.com.
“Comece usando palavras-chave baseadas em perguntas dos clientes nos mecanismos de busca e dê prioridade às que tiverem maior volume”. Steve Wiideman, especialista em SEO do SEOSteve.com.
“Faça suas próprias pesquisas. Leia as postagens mais bem posicionadas, identifique os furos em seu conteúdo e o reescreva, sem esses furos. Grandes conteúdos podem vir de postagens bem-sucedidas, com falhas na informação”. Evan Lepage, marqueteiro de Conteúdo da Hootsuite.
“A maioria das pessoas busca por conteúdo que ofereça valor prático, seja divertido, inspirador e verossímil”. Nadya Khoja, diretor de Marketing da Venngage.
“Ao colocar seu conteúdo nos principais sites que cobrem seu espaço, você está mandando sinais claros aos usuários (e ao Google) de que você é uma das principais autoridades em seu espaço”. Eric Enge, CEO da Stone Temple Consulting Corporation.
 “Mapeie as perguntas que um possível cliente possa ter a cada etapa da contratação. Dê-lhes conteúdo que se situe na etapa em que estão no momento”. Brenda Stoltz, fundadora da Ariad Partners.
“Seja autêntico. Diga o que os outros não estão dizendo. Agregue valor à conversação”. Ryan Roover, fundador da ProductHunt.
“Contamos histórias e compartilhamos emoções. Crie conteúdo que conte experiências dos clientes e histórias dos empregados”. Scott Stratten, unmarketer na Unmarkeging.
“A qualidade da apresentação tem importância. Se você vai produzir conteúdo baseado em texto, certifique-se de que não seja apenas um bloco de texto. Torne-o atraente”. Jen Van Iderstyne, estrategista sênior da Overit.
“Minha percepção é a de que quando o conteúdo é realmente útil, quando as pessoas são estimuladas a fazer alguma coisa nova, há provavelmente muita emoção envolvida, que fazem com que as pessoas leiam, compartilhem e promovam a ideia”. Kevan Lee, redator de Conteúdo da Buffer.
“Dê suporte a suas informações com exemplos concretos, na forma de imagens, links para artigos e estudos de caso. Essa regra clássica de redação é verdadeira: em vez de contar, mostre”. Sara Mcguire, especialista em Conteúdo Criativo da Venngage.
“A verdade é que a Internet está cheia de bom conteúdo. Assim, seu conteúdo precisa ser melhor. Precisa trazer mais detalhes, ser mais útil, mais envolvente e a leitura deve ser agradável – isso é uma prioridade”. Adam Connell, fundador da BloggingWizard.
“Não bata a cabeça contra a parede, tentando abri-la a grandes ideias para produzir conteúdo. Simplesmente responda o que seus clientes querem saber. Ao fazer isso, você se estabelece como uma autoridade”. Stephen Fairley, CEO do The Rainmaker Institute.

Reportagem de João Ozorio de Melo
fonte:http://www.conjur.com.br/2016-jan-27/especialistas-dao-dicas-producao-conteudo-valioso
foto:http://www.ynusitadomarketingdigital.com.br/#!Personas-propostas-de-valor-e-conteúdo/c21vb/5602f7ce0cf2375d99da3f73

27/01/2016

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Brasileiros estão entre os maiores consumidores de ‘fast food’ do mundo


Na América do Sul, ninguém gasta mais em fast food do que os brasileiros. Aliás, segundo um estudo realizado pela EAE Business School, que analisa os hábitos de consumo nesse setor em 2014, apenas Estados Unidos (290,2 bilhões de reais), Japão (162,3 bilhões de reais) e China (130,2 bilhões de reais) estão à frente do Brasil (53,7 bilhões de reais) em gastos no setor.
De acordo com o levantamento, o gasto com fast food por habitante no Brasil em 2014 foi de 265 reais, e o consumo deve crescer em 30,88% até 2019 — uma das maiores expectativas entre os países estudados, junto com Espanha (48,61%) e China (23,99%). Os espanhóis, aliás, estão entre os europeus que menos gastam com fast food. Cada habitante investe em média 42,6 euros por ano (190 reais). Essa cifra os situa somente atrás dos italianos.
Apesar dos percalços, o McDonald's segue sendo o líder do setor em nível global, com 18.710 pontos de venda, seguido pelo KFC, com 11.798 estabelecimentos, e o Subway, com 10.109 restaurantes. Segundo a pesquisa, parte do sucesso da rede norte-americana está em seu novo enfoque no café da manhã e em suas campanhas de publicidade.
Para 2019, segundo o estudo, os mercados de fast food mais importantes por volume de gasto serão EUA, China e Japão, com um total de 74,7 bilhões de euros (331 bilhões de reais), 45,4 bilhões de euros (201 bilhões de reais) e 31.6 bilhões de euros (140 bilhões de reais), respectivamente. Esse estudo foi desenvolvido pela Strategic & Research Center da EAE Business School com base em dados procedentes do Euromonitor International, que analisa as tendências de mercado e do consumidor em mais de 80 países.


Reportagem de Dora Luz Romero
fonte:http://brasil.elpais.com/brasil/2016/01/21/economia/1453403379_213071.html
foto:http://www.nutrirenataesteves.com.br/comendo-fora-de-casa-8-dicas-importantes/

Por que o Brasil está procurando uma saída para o Pacífico

Mais um projeto para escoar produtos brasileiros pelo Pacífico está entre os temas que a presidente Dilma Rousseff deve ter levado ao encontro com o líder equatoriano, Rafael Correa, ontem, segundo autoridades brasileiras.

Trata-se da rota que liga o Norte do Brasil ao porto equatoriano de Manta – conhecido como eixo Manta-Manaus.
Nos últimos anos, foram elaborados diversos projetos para criar a infraestrutura necessária para que os produtos brasileiros possam cruzar para o outro lado da América do Sul. O que está mais avançado é a chamada rodovia interoceânica, que liga a fronteira do Brasil, no Acre, com três portos no Peru, passando pelos Andes e pela Amazônia peruana.
Em 2014, os presidentes do Brasil, Peru e China assinaram um memorando de entendimento, para construir a ferrovia transcontinental, ligando o Rio de Janeiro à costa peruana, mas o projeto ainda não saiu do papel.
O eixo multimodal Manta-Manaus, que é visto com ceticismo por alguns analistas, seria um corredor logístico unindo o porto equatoriano de Manta a Manaus por rios e estradas. Sua implementação exige a construção de portos fluviais e a dragagem do rio Napos, na Amazônia equatoriana.
O projeto foi incluído ainda nos anos 2000 no portfólio da Iniciativa para a Integração Regional Sul-Americana (IIRSA), embora em mais de uma década apenas algumas de suas obras tenham sido finalizadas.
"Esperamos que (nesse encontro bilateral) possa haver avanços na finalização do eixo multimodal Manta-Manaus", disse o subsecretário-geral do Itamaraty para a América do Sul, Paulo Estivallet, em entrevista coletiva para comentar a agenda da reunião entre Dilma e Correa.
Mas por que, afinal, o país estaria interessado em mais um projeto de ligação com o Pacífico?

Mais rápido do que pelo Panamá

Segundo Estivallet, "funcionando adequadamente", o eixo "Manta-Manaus" permitiria "o transporte (de produtos) com uma redução de até dez dias com relação ao transporte pelo Canal do Panamá, que é a atual rota para o Pacífico.
"Isso abre uma possibilidade importante não só para o comércio entre os dois países, mas também para a exportação de produtos brasileiros, principalmente da região Norte para o Pacifico, via esse porto no Equador", disse.
Segundo autoridades dos dois países, a ideia é que esse eixo também ajude a ativar o comércio pelas regiões em que passa.
"O Equador e o norte do Peru, por exemplo, podem vender ao Norte do Brasil produtos como frutas, cimento e outros, que hoje vêm do Nordeste a um preço maior", explicou uma fonte ligada ao Itamaraty.
"Isso interessa aos equatorianos porque ajudaria a dar um equilíbrio maior para o comércio local – atualmente exportamos para o Equador quatro ou cinco vezes mais do que importamos desse país."
Hoje, boa parte das ligações entre os países sul-americanos é pouco confiável como rota comercial. O comércio é feito principalmente por meio de barcos que contornam a costa brasileira e atravessam para o Pacífico pelo Canal do Panamá, o que é caro e leva muito tempo.
Por isso, os projetos de rotas que atravessam o território brasileiro ao de países vizinhos sempre foram vistos como uma alternativa para o acesso a mercados da Ásia e da própria América Latina – como o Equador – principalmente diante da sobrecarga dos portos mais tradicionais brasileiros, como o de Santos.

Críticas e ceticismo

Há quem critique esses projetos, porém, dizendo que não adianta o Brasil querer a abertura de estradas e hidrovias em países vizinhos se as conexões das grandes áreas produtoras e exportadoras com as fronteiras ainda são precárias.
Até em função da existência desses outros projetos de saída para o Pacífico, o economista e especialista em relações internacionais equatoriano Marco Romero é cético sobre a possibilidade uma finalização do eixo Manta-Manaus.
"O Brasil já tem esse outro projeto de acesso ao Pacífico pelo Peru, que está mais avançado, então seria mais fácil apostar nessa alternativa em um contexto de orçamento apertado", diz ele.
"A questão é que, se o eixo Manta-Manaus não andou em tempos de vacas gordas, quando os dois países tinham dinheiro para gastar, vai ser mais difícil que caminhe agora, quando o Brasil está em recessão e o governo equatoriano tem menos recursos em função da queda do petróleo. A história nos mostra que nas crises econômicas há retração e até crise de identidade nas iniciativas de integração."
Um dos temas "pendentes" no que diz respeito a esse projeto é que uma das obras que complementaria o eixo seria a ampliação e modernização do porto marítimo de Manta, cuja licitação foi ganha pela empresa brasileira Odebrecht em 2014 (com financiamento do BNDES), mas não avançou.
Segundo a imprensa equatoriana, o contrato para essa obra não foi firmado por falta de acordos sobre a questão econômica. Após divulgar que não assinaria o contrato, o Ministério do Transporte equatoriano anunciou uma redução no valor máximo a ser aplicado na fase inicial da obra – de US$ 180 para 160 milhões.
"Então esse é um dos temas que também poderiam estar na pauta (da reunião bilateral). O Brasil pode sugerir que o projeto seja retomado ainda que em uma escala um pouco menor", disse uma fonte próxima ao governo brasileiro.

Odebrecht e relações bilaterais

Nos últimos anos, o momento de maior tensão nas relações bilaterais foi criado pela expulsão da Odebrecht do Equador, em 2008, como lembra Michel Levi, coordenador da cátedra Brasil-Comunidade Andina da Universidade Andina Simón Bolívar.
Na época, a empresa foi acusada por Correa de responsabilidade pelas falhas estruturais da obra da hidrelétrica de São Francisco, que fizeram com que a usina tivesse de ser paralisada.
Correa também resolveu levar a arbitragem internacional termos do contrato do BNDES, que financiou a obra.
O processo foi decidido a favor do BNDES e a Odebrecht e Correa chegaram a um acordo que previa um pagamento de indenização ao governo equatoriano. Com o tempo, as relações se normalizaram - e já em 2012 o BNDES voltou ao país financiando outra hidrelétrica.
"Correa é impulsivo e acho que na época não mediu que as relações bilaterais pudessem ser abaladas desta maneira", opina Levi.
"Mas acho que interessou aos dois lados uma retomada. O Equador se beneficia de investimentos brasileiros e também do eixo Manta-Manaus. O Brasil tem interesse em uma série de áreas de negócios no país, como mineração."
Entre os outros temas de interesse do Brasil a serem tratados no encontro entre Dilma e Correa nesta terça-feira estão barreiras comerciais que afetam as exportações do país (em função da crise econômica o Equador impôs salvaguardas, ou taxas adicionais, a suas importações); integração energética; a cooperação em temas sociais e temas migratórios (o Equador tem ajudado o Brasil a combater grupos de coiotes que impulsionam a imigração ilegal na fronteira com o Acre).
Também, a possibilidade de se retomar a ligação aérea direta entre Brasil e Equador (há algumas semanas a companhia equatoriana Tame suspendeu o único voo direto entre São Paulo e Quito).
Já os equatorianos, segundo vem sendo divulgado por jornais do país, estariam interessados em atrair investimentos e reduzir as barreiras não tarifárias brasileiras a produtos como atum, camarão e conservas.
Para Romero, será difícil fazer um avanço significativo na área de comércio e investimento entre Brasil-Equador em um contexto de crise econômica.
Levi é mais otimista. Para ele "as crises também são oportunidades". "Nelas, você precisa se mexer para encontrar novas alternativas, achar nichos a serem explorados. E talvez uma forma de fazer isso seja destravando antigos projetos e impulsionando a relação com vizinhos", diz.


Reportagem de Ruth Costas
fonte:http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/01/160121_manta_manaus_reuniao_rc#orb-banner
foto:http://menrvatemplodosaber.blogspot.com.br/2014/05/america-aspectos-naturais.html

As nove áreas em que o Brasil é criticado em relatório global de Direitos Humanos

O Brasil foi citado no Relatório Mundial 2016 da organização Human Rights Watch – que compila abusos de Direitos Humanos em 90 países – pela violência policial e pela superlotação do sistema prisional.
A 26º edição do relatório foi lançada nesta quarta-feira em Istambul. O documento afirma essencialmente que vários governos do planeta reduziram a proteção aos direitos humanos em nome da segurança – e por medo da disseminação de ações terroristas fora do Oriente Médio.
Segundo a organização, os governos europeus têm fechado suas fronteiras para o fluxo massivo de refugiados fugindo principalmente do conflito sírio – deixando a responsabilidade de lidar com a questão para países vizinhos à Síria.
Algumas das consequências são a islamofobia e a estigmatização de comunidades de imigrantes. Segundo Maria Laura Canineu, diretora do escritório brasileiro da HRW, o Brasil adotou uma ação positiva na questão dos refugiados.
"O Brasil merece aplausos pela aceitação e pela abertura aos refugiados, principalmente sírios. Foram concedidos mais de 8 mil vistos humanitários. A questão agora é criar oportunidades de trabalho para eles", disse.
O Brasil porém recebeu destaque negativo devido ao alto número de pessoas assassinadas pela polícia – 3 mil em 2014 – e pela superlotação das cadeias, que supera sua capacidade de vagas em 61%. Segundo ela, no campo de abusos de violência na área de segurança pública, o Brasil enfrenta um dos piores cenários na comparação com os outros países.
"A situação (de violência policial) não melhora, só piora. Acreditamos que isso acontece devido a um fracasso generalizado das instituições em combater a impunidade", disse Canineu.
Segundo ela, a situação no ano passado foi agravada por esforços de grupos políticos em aprovar legislações que tentam "regredir" as conquistas na área de direitos humanos.
O documento da HRW critica o histórico do ano no país em 9 áreas sensíveis do ponto de vista dos direitos humanos. Leia abaixo os principais pontos.

Segurança Pública

A Human Rights Watch critica o Brasil especialmente em relação à violência policial e à superlotação dos presídios.
A organização alertou para o crescimento de 40% no número de pessoas assassinadas por forças de segurança no Brasil em 2014 (a estatística mais recente disponível na época da elaboração do documento). Segundo dados levantados pelo Fórum Nacional de Segurança Pública, foram cerca de 3 mil vítimas em todo o Brasil.
O relatório ressalta que parte dessas mortes são resultados de confrontos, onde a polícia usa a força de forma legítima. Contudo, uma outra parcela dos assassinatos são na realidade execuções extrajudiciais.
O documento também critica o envolvimento de policiais em casos de chacinas em diversos Estados do país.
Em relação aos presídios, a HRW sublinha que a superlotação e a falta de pessoal tornam impossível às autoridades controlar os presídios. O sistema prisional do país abriga atualmente cerca de 600 mil pessoas – um número 61% maior que a capacidade total.
Essa situação deixa os detentos "vulneráveis à violência e às facções criminosas, como documentado pela organização nos Estados de Pernambuco e do Maranhão."
A ONG elogia porém, experiências de alguns Estados, nos quais presos são levados rapidamente à presença de um juiz. Para a HRW, as audiências de custódia podem ajudar a diminuir a superlotação – reduzindo o número de presos provisórios – e os casos de tortura.
Direitos das crianças
A ONG criticou uma iniciativa da Câmara dos Deputados, que aprovou uma proposta de emenda constitucional que pode fazer com que adolescentes de 16 e 17 anos, acusados de crimes graves, sejam julgados e condenados como adultos. A PEC da maioridade penal ainda precisa de aprovação do Senado para entrar em vigor.

Liberdade de expressão e associação

A tramitação no Congresso de uma lei de combate ao terrorismo foi criticada pela HRW. Segundo a organização, ela "contém termos excessivamente genéricos e linguagem vaga" e pode ser usada para processar criminalmente manifestantes e membros de movimentos sociais.
A organização também critica os assassinatos de ao menos sete jornalistas e blogueiros em 2015.

Direitos reprodutivos

Como o aborto é ilegal no Brasil, a preocupação da HRW em relação ao tema diz respeito ao risco que as mulheres e adolescentes correm ao se submeterem a procedimentos clandestinos.
O aborto só é permitido no país em casos de estupro, anencefalia (casos em que o feto possui má formação congênita fatal) ou quando a vida da mãe está em risco.
A Câmara analisa proposta para derrubar essas exceções.

Orientação sexual

Segundo a HRW, a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos recebeu 522 denúncias de violência e discriminação contra gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros só na primeira metade de 2015.
O relatório cita um projeto de lei discutido no Congresso que define a família apenas como a união de um homem com uma mulher – embora tribunais de instâncias superiores tenham decidido favoravelmente ao casamento de pessoas de mesmo sexo.

Direitos trabalhistas

Na área do trabalho, a organização de direitos humanos aponta para a grande quantidade de casos de pessoas submetidas a condições de trabalho consideradas abusivas.
Ela incluiu em seu relatório levantamento do Ministério do Trabalho segundo o qual mais de 48 mil casos de trabalhadores sujeitos a trabalhos forçados, condições degradantes e condições análogas à escravidão foram documentados desde 2015.

Violência no campo

A HRW criticou assassinatos de indígenas e camponeses supostamente a mando de fazendeiros e criminosos envolvidos com madeireiras ilegais.
Como exemplos, a organização citou "violentos ataques" contra os índios guarani-kaiowá por parte de pessoas ligadas a fazendeiros no Mato Grosso do Sul. Esses índios lutam atualmente para reaver suas terras ancestrais. Um deles foi assassinado em uma ação ainda sob investigação.

Regime militar

O relatório final da Comissão Nacional da Verdade sobre violações de direitos humanos pelo regime militar que governou o país entre 1964 e 1985, divulgado no fim de 2014, também foi citado pela organização.
A HRW afirma que, embora 377 suspeitos de violações de direitos humanos tenham sido identificados, a Lei da Anistia, de 1979, impede que eles sejam levados à Justiça. A organização ressalta que casos isolados de tentativa de processar suspeitos estão temporariamente suspensos, a espera de uma eventual reavaliação da Lei da Anistia.

Política externa

A ONG classificou a atuação brasileira no Conselho de Direitos Humanos como "inconsistente". Isso porque o país teria apoiado decisões em favor dos direitos humanos em certas ocasiões e, em outras circunstâncias, se abstido de votar em questões semelhantes (especialmente envolvendo o no conflito da Síria).
O relatório elogiou porém a postura do Brasil em liderar a defesa do direito à privacidade na era digital.

fonte:http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/01/160126_relatorio_hrw_lk#orb-banner
foto:http://unisinos.br/blogs/ndh/2012/12/10/10-de-dezembro-dia-internacional-dos-direitos-humanos/

Paternidade socioafetiva habilita herdeira para fins previdenciários


O Direito Previdenciário não pode se distanciar da realidade já reconhecida pelo Direito Civil. Assim entendeu o Tribunal Regional Federal da 3ª Região ao permitir que uma filha adotiva solicite verba devida pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) a seu pai, em um processo judicial ainda em tramitação. Ela havia obtido na Justiça o reconhecimento da paternidade socioafetiva por decisão transitada em julgado e passou a pleitear a herança.
O pai havia ingressado com um processo judicial em 1990, pedindo aposentadoria por idade, e teve o direito reconhecido em sentença proferida em 1991, passando a receber o benefício. Porém, o INSS foi condenado a pagar as parcelas desde a citação e a verba atrasada estava em fase de execução quando ele morreu. Assim, sua filha requereu habilitação para receber os atrasados, o que foi atendido pelo magistrado de primeiro grau.
Contudo, o INSS recorreu ao TRF-3, alegando que deve haver o consentimento do pai para que o registro de filho não biológico possa ser feito por escritura pública. Sustentou ainda que o vínculo afetivo não prevalece sobre o biológico e que a paternidade afetiva "é fruto de mera construção jurisprudencial, não estando fixado em nossa legislação pátria". Além disso, afirmou que na certidão de óbito consta que o homem era solteiro e sem filhos.
A autarquia previdenciária também questionou o fato de não ter sido parte da ação judicial que, na Justiça estadual, reconheceu a paternidade socioafetiva entre a mulher e o falecido segurado.
Fonte do Direito
Ao analisar o agravo do INSS, a desembargadora federal Marisa Santos afirmou que, com o reconhecimento da paternidade socioafetiva, a garota é, portanto, herdeira, na forma dos artigos 1.596 e 1.829, I, do Código Civil. A magistrada declarou ainda que o argumento do INSS de que a filiação socioafetiva é "mera construção jurisprudencial" não se sustenta, porque a jurisprudência é fonte do Direito e o que foi por ela firmado produz os mesmos efeitos decorrentes das normas legais.

A desembargadora federal lembrou que foram as construções jurisprudenciais que levaram ao reconhecimento e adoção, até pela Constituição Federal, da união estável. “Assim também com a união homoafetiva, que, embora ainda não expressamente coberta pela legislação, já é largamente reconhecida pela sociedade civil e, via de consequência, pela jurisprudência. E é o que agora ocorre com a denominada filiação/paternidade/parentalidade socioafetiva”, completou.
Ela explicou que a doutrina civilista moderna tem no princípio da afetividade o fundamento de dar proteção jurídica a parentescos firmados para além da consanguinidade, do vínculo biológico que distinguia os "filhos naturais" dos filhos adotivos.
“A realidade social exige que a proteção jurídica se estenda àqueles que, com base no afeto e sem vínculo biológico, constituem famílias, até porque laços fundados no afeto podem ser muito mais resistentes às armadilhas da vida que laços fundados nos liames, estes sim, ‘meramente’ biológicos e facilmente esfacelados quando submetidos ao teste das divisões de patrimônio”, declarou.
Assim, ela destacou que o Direito Previdenciário não pode se distanciar da realidade já reconhecida pelo Direito Civil e nem pode ser interpretado como um regramento totalmente divorciado do sistema jurídico nacional. “É direito social que tem por fim dar proteção, não podendo excluir aqueles dos quais o segurado cuidou como se seus filhos biológicos fossem”, afirmou.
A magistrada destacou também que não há dúvidas sobre a condição de herdeira, uma vez que a decisão que assim a declarou transitou em julgado e que, inclusive, na certidão de nascimento já consta o nome de seu pai.
“Mesmo que assim não fosse, seria possível ao juiz da causa previdenciária reconhecer a filiação socioafetiva para fins de reconhecimento da condição de dependente, se fosse o caso, ou da condição de herdeiro, assim como o faz quando reconhece a existência de união estável para fins previdenciários”, afirmou a desembargadora. 


fonte:http://www.conjur.com.br/2016-jan-27/paternidade-socioafetiva-habilita-herdeira-inss
foto:https://www.epdonline.com.br/noticias/paternidade-socioafetiva-e-reconhecida-extrajudicialmente/1686