25/02/2015

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Desconhecido no Brasil, gás para aliviar dor do parto ganha força nos EUA

Bastante comum entre mulheres prestes a dar à luz em países como Suécia, Inglaterra e Canadá. Cada vez mais popular nos Estados Unidos. Praticamente desconhecido no Brasil.
Esse é o óxido nitroso, mais conhecido como gás hilariante ou gás do riso, que tem como um de seus usos aliviar as dores do parto.
Profissionais da saúde e mães entusiastas relatam os benefícios no uso do gás, como ser uma opção a mais para as mulheres em trabalho de parto, além de ser menos invasivo e com menos riscos que uma anestesia como a peridural.
Em países europeus e no Canadá, o uso do óxido nitroso é tão tradicional que na maioria das maternidades ele já está instalado no quarto. No caso de partos domiciliares, cilindros do gás são levados por parteiras (midwives) para as casas das grávidas.
Já nos Estados Unidos, após ficar anos "fora de moda" por questões culturais e financeiras, o óxido nitroso agora está voltando a ganhar força - e adeptas.
Até 2012, há registros de que menos de dez maternidades no país usavam o gás, segundo o órgão do governo americano Agency for Healthcare Research and Quality. A demanda pelo método foi crescendo e, no ano seguinte, uma empresa relançou o óxido.
Desde então, mais de 30 hospitais e casas de parto adotaram o sistema. No ano passado, a FDA (agência que regula remédios e alimentos) aprovou a licença de outro fabricante do produto, ampliando ainda mais o mercado.

Mulher no controle

Um dos que passou a oferecer o gás foi o hospital MedStar, em Washington. Segundo a obstetra Melissa Howard Fries, que dirige a maternidade do local, ele começou a ser usado há pouco mais de um ano e tem recebido ótima aprovação.
"O uso do gás é cada vez mais frequente. É menos invasivo, pode ser controlado pela mulher, já que ela é quem determina quando e quanto inalar", diz Melissa à BBC Brasil.
"De todas as grávidas que usam o gás, cerca de 30% optam em seguida pela peridural."
O número é menor do que a média nacional das americanas que optam por essa anestesia, que, segundo a Sociedade de Anestesistas dos EUA, é de 60%.

Sueca em BH

No Brasil, o uso do gás hilariante para aliviar as contrações do parto ainda é praticamente desconhecido, mas está começando a ser testado em um hospital carioca e em outro em Belo Horizonte.
"A ideia de usar o óxido nitroso aqui surgiu quando fomos visitar um hospital em Londres, para ver como a obstetrícia era tratada pelo sistema público britânico", conta João Batista de Castro Lima, diretor clínico do Hospital Sofia Feldman, em BH.
"Achamos interessante oferecer mais essa opção porque era a própria mulher que controlava e porque já usamos outros métodos aqui para aliviar a dor, como banheira, chuveiro e bola. Também tivemos uma paciente sueca aqui que nos falou maravilhas do gás, muito utilizado no país dela."
Ele explica que o gás foi usado durante alguns meses, em uma fase de teste, e que a resposta das mulheres foi bastante positiva. "Agora, vamos implementá-lo para valer e estamos em busca de equipamentos mais adequados, porque a máscara que estávamos usando deixava escapar um pouco do gás."

Falta de hábito

Segundo o anestesista Oscar Pires, que é presidente da Sociedade Brasileira de Anestesiologia, o fato de o gás hilariante ser praticamente desconhecido no país deve-se mais a uma questão cultural, por não haver o hábito, do que uma posição contrária de médicos ou outros profissionais.
"Não conheço ninguém que seja contra seu uso, até porque diversos estudos mostram que ele traz conforto às pacientes, que não traz problemas clínicos para o bebê e que não aumenta o índice de cesárea ou o do uso de fórceps, o que é ótimo", diz o médico, lembrando de alguns efeitos colaterais que podem ocorrer, como tontura (veja ao lado).
"Outra vantagem é que ele é eliminado rapidamente, em questão de minutos, do organismo, não fica no rim nem no fígado. Ou seja, é uma ótima alternativa para as pacientes que não querem a peridural ou que desejam esperar um pouco mais para tomá-la."
Para o anestesista, é preciso lembrar da importância de ter um profissional cuidando da analgesia da mulher - e outro do parto em si. Para ele, não há impedimento para que outros profissionais como uma obstetriz acompanhe o uso do gás.
"Mas há hoje um limbo, já que as faculdades contam com essa técnica em seus currículos", diz, lembrando que dentistas fazem um curso suplementar para receberem treinamento para usar o óxido nitroso.

Delícia x tontura

Brasileiras que usaram o gás hilariante em seus partos fora do país relataram à BBC Brasil como foi a experiência.
Elas pariram seus filhos em hospitais britânicos e tiveram reações diferentes ao óxido nitroso, que é conhecido por lá também como "gas and air" ou pelo nome de uma das marcas, Entonox, e é usado por mais da metade das grávidas, seja em maternidades ou em partos domiciliares.
Para a fotógrafa e doula Letícia Valverdes, que teve dois de seus três filhos em Bristol (Inglaterra), o gás foi a ajuda que ela precisava.
"No meu primeiro parto (na Inglaterra), eu não queria anestesia peridural, mas queria uma ajudinha. Então, usei o óxido nitroso e foi uma delícia, aliviou muito a dor", conta.
"No meu segundo filho, mal entrei na maternidade e já pedi gas and air. Meu terceiro filho eu tive no Brasil, então já sabia que não poderia contar com o gás. Usei bola e outros métodos para aliviar a dor, mas senti falta do gás. Acho que uma dica é não usá-lo logo de cara, esperar um pouco, porque se não no final o gás pode não dar conta da dor."
Já para a professora Daniela Yallouz Rodbande, mãe de duas filhas, só foi possível perceber o impacto do gás em seu segundo parto: "Eu tive minha primeira filha na Inglaterra e usei o gás lá. Confesso que na época achei que não tinha ajudado muito. Mas no parto da minha segunda filha, já no Brasil, vi que fez muita diferença, sim, que ele tirava o pico da dor. Na hora das contrações, pensava muito em como seria ótimo se tivesse um gás também!"
Já a jornalista Andreia Nobre e a parteira Suzan Correa tiveram tiveram problemas com o uso do gás.
"Aqui na Inglaterra, o gás é uma das primeiras opções de analgesia oferecidas e também muito pedida pelas mulheres. O feedback que recebemos varia muito", conta Suzan.
"Vejo mulheres que usam até o final (do nascimento) e não têm problemas ou efeitos colaterais nenhum e relatam que o Entonox foi essencial. Mas também vejo mulheres que não conseguem tolerar os efeitos colaterais, como náuseas, vômitos e tonturas. Eu particularmente não gostei, achei que me deixou grogue e sem noção dos acontecimentos, me causou muita náusea e eu parei de usar em menos de uma hora."
Andreia conta que, no primeiro parto, não gostou de usar o gás porque ele lhe deixou zonza. "Uma hora, perguntei para o meu marido que diabo era aquele programa em português na TV. É claro que o programa não era em português, eu que estava com tontura."
Mas relata que, no segundo parto, a experiência foi melhor: "Eu usei corretamente dessa vez. Ou seja, para me ajudar a respirar mais profundamente e aliviar a dor - e me ajudou muito. Apenas depois de algumas horas de trabalho de parto, pedi uma peridural."

Reportagem de Mariana Della Barba
fonte:http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2015/02/150219_gas_hilariante_mdb
* Entrevista sobre o uso do gás em Washington realizada durante uma viagem de estudos promovida pelo International Center for Journalists (ICFJ).
foto:http://www.bonde.com.br/?id_bonde=1-27--227-20140728

Em 10 anos, falta d'água atingirá 2,9 bilhões

Um relatório internacional divulgado ontem, 24, adverte que, em 15 anos, a demanda mundial por água doce será 40% superior à oferta. Os países mais deficitários serão os com menos recursos e populações jovens e em crescimento. O documento do Instituto de Água, Meio Ambiente e Saúde (INWEH) da Universidade das Nações Unidas, com sede no Canadá, prevê que em 10 anos 48 países - e uma população de 2,9 bilhões de pessoas - estarão classificados como “com escassez ou com estresse de água”.
De acordo com o relatório, “é provável que novos conflitos apareçam conforme se extrai mais de cada vez mais rios do mundo até o ponto de não chegarem ao mar”. Um dos principais problemas apontados é a corrupção no desenvolvimento de infraestruturas aquíferas e sanitárias. Estima-se que 30% do financiamento destinado a desenvolver recursos potáveis acabem sendo desviados para outros fins. “Em muitos lugares do mundo, a corrupção está provocando uma hemorragia de recursos financeiros que poderiam e deveriam estar disponíveis para eliminar a pobreza e apoiar os objetivos de Desenvolvimento Sustentável (da ONU), particularmente os relacionados à água.”
“A corrupção não é só um ato criminoso. No contexto do desenvolvimento sustentável poderia ser vista como crime contra a humanidade”, acrescentou o relatório, intitulado “Water in the World We Want”.
O diretor do INWEH, Zafar Adeel, declarou que “o impacto da corrupção na água é mais imediato e visível porque afeta as vidas e a saúde da população”. “Há uma relação direta entre a falta de condições de salubridade e água potável e as mortes infantis por diarreia em países em desenvolvimento.”
Os autores também consideram que as subvenções recebidas por setores como o energético e o agrícola devem ser dirigidas ao desenvolvimento de recursos potáveis. “A retirada de subsídios prejudiciais e improdutivos, incluídos os dados às companhias petrolíferas, assim como às de gás e carvão, liberaria o incrível valor de US$ 1,9 trilhão ao ano.”

fonte:http://sustentabilidade.estadao.com.br/noticias/geral,em-10-anos-falta-dagua-atingira-2-9-bilhoes,1639122
foto:http://www.rainhamaria.com.br/Pagina/15796/Sinal-dos-Tempos-Falta-de-agua-comeca-a-ser-sentida-no-Mundo

Estudante na Venezuela é morto em protesto contra Maduro

Um estudante de 14 anos foi morto com um tiro na cabeça durante um protesto contra o governo de Nicolás Maduro, em San Cristóbal, no interior da Venezuela.

Kluiver Roa foi baleado durante um confronto entre manifestantes e policiais. Ele teria sido levado ainda com vida ao hospital local, mas não resistiu.
O oficial que disparou contra o estudante foi detido.
A ministra de Interior e Justiça, Carmen Meléndez qualificou a ação como um ato "isolado". "É um fato individual que não representa o comportamento da nova polícia humanista", afirmou.
"Se aplicará todo o peso da a ele e aos responsáveis. Não há espaço para a impunidade", acrescentou.
Próxima à fronteira com a Colômbia, a cidade de San Cristóbal fica em Táchira - estado foi o epicentro das manifestações lideraras pela oposição que ocorreram há um ano e deixaram um saldo de 43 mortos.

Armas letais

O presidente Nicolás Maduro lamentou a morte do estudante e disse que com a prisão dos responsáveis "está se fazendo justiça".
Maduro afirmou que no país "está proibida a repressão armada", em uma declaração que contradiz a decisão do ministério da Defesa, publicada na semana passada, autorizando o uso de arma letal contra manifestantes em caso de protestos violentos.
O documento, criticado por organizações de direitos humanos, diz que, "diante de uma situação de risco mortal, o funcionário militar aplicará uso da força potencialmente mortal, com arma de fogo ou outra arma potencialmente mortal".
A nova medida adverte que todas as alterativas de "contenção física" devem ser descartadas antes do uso da força.
Opositores condenaram a ação das forças de segurança durante o protesto. "Basta de matar aos jovens de nossa pátria", escreveu em seu perfil no Twitter o governador Henrique Capriles, um dos ícones opositores.
A morte do estudante ocorre em um momento de tensão política no país. Na semana passada o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, foi detido por agentes do serviço de inteligência do Estado. Ele é acusado de participar de um suposto plano de golpe de Estado para derrocar a Maduro.
A oposição acusa ao governo de fechar o cerco contra seus dirigentes, de olho em fragilizar a coalisão antichavista, meses antes das eleições que devem definir a renovação do Congresso.
Maduro, por sua vez, afirma que não permitirá impunidade e que aplicará "mão de ferro" contra quem atuar contra a Constituição.

Brasil

A tensão em Caracas levou o governo brasileiro a emitir uma nota na qual demonstram "preocupação" em relação à situação política do país caribenho.
No comunicado, ao referir-se à prisão de Antonio Ledezma, o Itamaraty afirma que é motivo de "crescente atenção medidas tomadas nos últimos dias, que afetam diretamente partidos políticos e representantes democraticamente eleitos".
Da mesma forma, o governo ressalta preocupação a "iniciativas tendentes a abreviar o mandato presidencial", em referência ao chamado de renúncia do presidente, defendido pelo próprio Ledezma, pela ex-deputada Maria Corina Machado e pelo dirigente opositor Leopoldo López, preso há um ano sob acusação de incitação à violência. Lópes encabeçou a onda de protestos do ano passado que se arrastaram durante meses.
O Governo brasileiro disse que continuará contribuindo com o diálogo no país através da comissão de chanceleres da Unasul composta pelo Brasil, Colômbia e Equador.
O Governo brasileiro "insta" os atores políticos venezuelanos e os grupos sociais que o apoiam a evitar atos que possam dificultar a retomada do diálogo. "A finalidade última é ajudar a Venezuela, no marco da sua Constituição, a desenvolver as condições para que o país possa retomar o seu desenvolvimento econômico e social em um clima de paz e concórdia.

Reportagem de Claudia Jardim
fonte:http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2015/02/150224_jovem_morto_venezuela_cj#orb-banner
foto:http://www.gazetadopovo.com.br/mundo/multidao-toma-as-ruas-de-caracas-apos-detencao-de-oposicionista-venezuelano-etjy2w6kd9uxqoj9qpmr2cbim;jsessionid=4515196D1F092984BA1271FF25E2EF36

Bolívia torna obrigatório ‘hino ao mar’ em eventos e irrita Chile


Entre as várias controvérsias atuais entre a Bolívia e o Chile existe uma com ritmo. A Marcha Naval, que por ordem do Governo boliviano é executada obrigatoriamente nos atos oficiais. A marcha soou na posse do presidente Evo Morales e ofendeu a pequena delegação chilena que compareceu ao ato no final de janeiro. O líder da mesma, o magistrado Sergio Muñoz, queixou-se depois em seu país por ter sido obrigado a permanecer de pé enquanto o Congresso boliviano cantava que Antofagasta, a principal cidade do norte chileno, “irá novamente voltar à pátria”.
O decreto que instituiu a interpretação dessa marcha, também conhecida como Hino ao Litoral, foi aprovado por Morales em abril de 2011, dias depois de anunciar que apresentaria uma demanda contra o Chile na Corte Internacional de Haia, para obrigar este país a resolver a desavença bilateral que remonta à Guerra do Pacífico, na qual a Bolívia perdeu sua saída para o mar. O decreto cria também prêmios culturais destinados a estimular o “fervor patriótico” com o nome de Eduardo Abaroa, o maior herói boliviano da guerra.
“Por conta da demanda em Haia”, diz o historiador Pablo Michel, “a Bolívia vive um entusiasmo nacionalista comparável com o que sentiu em 1979, quando comemorou o centenário da Guerra do Pacífico”. Foi justamente nessa época que Edgardo de la Vega e Gastón Velasco compuseram o Hino ao Litoral. Velasco costumava dizer que “quem não odeia o Chile não é boliviano”.
Segundo a Chancelaria chilena, tanto o decreto como a canção servem à sua causa, já que a letra “manifesta o que verdadeiramente está por trás da demanda [boliviana em Haia], que não é outra coisa a não ser uma reivindicação ampla de territórios, o que afeta o Tratado de 1904”, argumentou o subsecretário das Relações Exteriores, Edgardo Riveros. Se o pedido boliviano for interpretado como um ataque a esse tratado de limites, o tribunal de Haia não terá jurisdição para tratar do assunto, e é justamente isso o que o Chile quer. Por essa razão, a marcha será incluída, disse Riveros, entre os “elementos probatórios” que este país apresentará à Corte.
A Bolívia talvez coloque entre seus próprios elementos probatórios uma entrevista em La Moneda, em 1971, entre o então presidente Salvador Allende e o escritor boliviano Néstor Taboada, na qual o primeiro teria dito: “A Bolívia retornará soberana às costas do Pacífico”. No domingo, o Governo boliviano publicou essa frase, junto com uma foto de Allende e Taboada, em uma página inteira do jornal chileno El Mercurio.
Essa publicação é explicada por um incidente anterior entre o presidente boliviano e o Chanceler chileno. Em 17 de fevereiro, Morales disse que “Allende era um verdadeiro socialista; não como agora, quando existem falsos socialistas no Chile”. Horas depois, Heraldo Muñoz tuitou: “Mas o Presidente Allende nunca negociou o mar e defendia o princípio do respeito aos tratados”. A página do El Mercurio foi a resposta boliviana a Muñoz.
O político allendista Mario Osses também contradisse Muñoz em um artigo publicado em La Paz no mesmo dia em que a surgiu a solicitação, no qual diz que esteve presente na entrevista entre Allende e Taboada e confirma a disposição do falecido dirigente chileno em um “acordo fraterno e pragmático” com a Bolívia.
Pode parecer uma insignificância, mas é importante para La Paz, porque assim como o Chile baseia sua estratégia jurídica em atribuir à Bolívia um ataque ao Tratado de 1904, a Bolívia baseia a sua nos oferecimentos para concedê-la uma saída soberana ao Pacífico, realizados pelas autoridades chilenas em diferentes momentos da história, o mais importante dos quais feito pelo ditador Augusto Pinochet. E Osses diz agora que, sobre isso, Allende e Pinochet “estavam absolutamente de acordo”.
Bolívia e o Chile apresentarão suas alegações orais a favor e contra a competência da Corte Internacional neste caso entre 4 e 8 de maio. Conforme a aproximação da data, os corpos diplomáticos dos dois países aproveitarão fatos como esses e cada ocasião que tiverem para “cantar as verdades”.

Reportagem de Fernando Molina
fonte:http://brasil.elpais.com/brasil/2015/02/23/internacional/1424727376_935994.html
foto:http://www.taringa.net/posts/info/13803100/Chile-y-Bolivia-Tratado-de-1904.html

24/02/2015

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O Museu do Amanhã no Rio de Janeiro


Um planeta profundamente transformado pela ação humana e pelos impactos gerados pelas mudanças climáticas, alterações na biodiversidade, crescimento populacional e avanços tecnológicos. Este será o cenário que o visitante vislumbrará ao adentrar o Museu do Amanhã, a ser inaugurado até junho de 2015, no Porto Maravilha, no Rio de Janeiro. Diferentemente de outros espaços e produtos que se arriscaram a esboçar o futuro, porém, o Museu do Amanhã pouco risco corre de tornar-se ultrapassado: será a primeira instituição de ciência do País com um acervo permanentemente atualizável. Sua expografia retratará o mundo sempre 50 anos à frente do momento da visita.
Isso quer dizer que uma visita na ocasião de sua inauguração, por exemplo, será diferente de uma feita alguns meses depois. Além disso, os ambientes audiovisuais e instalações interativas da instituição pretenderão dar conta do que será o futuro não sem antes mostrar como estes cenários estão ligados às decisões tomadas no presente. “A ideia central é de que o amanhã é hoje e o hoje é o lugar da ação. O museu tem o objetivo de engajar uma reflexão sobre a era do Antropoceno (período mais recente na história do planeta Terra), na qual o homem se tornou uma força planetária capaz de interferir em ecossistemas”, explica Luiz Alberto Oliveira, curador do projeto, que é uma iniciativa da prefeitura do Rio de Janeiro e da Fundação Roberto Marinho.
A atualização do conteúdo será feita de acordo com a divulgação de novos dados e pesquisas científicas. A ideia é que à medida que sejam divulgados possam ser incorporados ao percurso narrativo, modificando o acervo de possibilidades. “Trata-se de um museu de ciências que fala de tendências e cenários possíveis, que podem mudar de acordo com as ações que optamos por empreender hoje”, explica Oliveira. Para isso, o museu contará com a parceria de mais de 30 consultores de diversas áreas e instituições de ciência brasileiras e internacionais como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e o Massachusetts Institute of Techonology (MIT).
Com forte enfoque na questão da sustentabilidade, o próprio prédio que abrigará o museu trará algumas inovações. Desenhado pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava, o projeto prevê a utilização de recursos naturais do entorno e medidas para melhorar o desempenho em eficiência termoenergética, redução do consumo de água e emissões de gás carbônico. A água da Baía de Guanabara, por exemplo, será utilizada para refrigerar o interior do museu e também abastecer o espelho d’água e mais de 6 mil placas de células fotovoltaicas nas “asas” do museu – que se movimentarão de acordo com a posição do Sol – captarão energia solar para gerar 200 KW.
A exposição de longa duração será dividida em cinco grandes áreas – Cosmos, Terra, Antropoceno, Amanhã e Imaginação – que resultarão em 53 experiências diferentes. Em cada uma delas, o público terá acesso a um panorama geral sobre o tema e poderá aprofundá-lo se desejar. Outras atrações serão o “Laboratório das Atividades do Amanhã”, um espaço coletivo de experimentação e exibição de projetos e o “Observatório do Amanhã”, que irá reunir e catalogar as informações das últimas pesquisas científicas e tecnológicas.
Apesar de ser fundamentalmente um “museu do futuro”, a parte central do percurso narrativo será dedicada a pensar o hoje, tanto em relação às suas características, como seus possíveis sintomas. Neste contexto, totens gigantes com mais de 10 metros de altura trarão conteúdo audiovisual sobre as intervenções humanas no planeta. A ideia é que o material possa suscitar no visitante a consciência do papel que ele e cada um dos indivíduos desempenha dentro daquela realidade.
“Não estamos simplesmente querendo mostrar como a ciência funciona. Queremos aplicar a ciência para explorar os meios de construção do amanhã a partir de duas grandes diretrizes: a da sustentabilidade e a da convivência”, explica. No campo da sustentabilidade, as experiências vão levar o visitante a se perguntar ‘como queremos viver com o mundo e seus demais habitantes’. Já no campo da convivência, a questão será ‘como queremos viver uns com os outros?’. “Esperamos que as ponderações acerca dessas perguntas contribuam para tornar a experiência da visitação ainda mais rica e motivadora, contribuindo para a construção de um mundo mais colaborativo no plano individual e coletivo”, diz o curador.
Outra proposta é que o museu funcione como uma ferramenta de educação extraescolar. Para isso, deverá estabelecer uma rede de colaboração intensa com outras instituições de cultura, tecnologia e ciência como o vizinho Museu de Arte do Rio (MAR) e a rede Naves (ou Núcleos Avançados de Educação), iniciativas da prefeitura Rio de Janeiro e do Instituto Oi Futuro.
Sobre a garantia de acerto das previsões do futuro que serão ensaiadas pelo museu, Oliveira diz: “Só o que podemos apontar é a vigência, nas próximas décadas, de poderosas tendências que definirão as direções que a civilização contemporânea deverá seguir nas próximas décadas”. Em outras palavras, o que fará ou deixará de fazer parte do acervo do Museu do Amanhã está sendo definido hoje, a cada escolha que fazemos enquanto indivíduos ou sociedade.


Reportagem de Thais Paiva
fonte:http://www.cartanaescola.com.br/single/show/477
foto:http://www.portal2014.org.br/noticias/5844/PREFEITURA+CARIOCA+COMECA+OBRAS+DO+MUSEU+DO+AMANHA.html

Alemanha usa cegos para detectar câncer de mama

Exames para detectar câncer de mama estão sendo feitos por mulheres cegas na Alemanha. A ideia já existe há alguns anos, e uma pesquisa inédita sugere que pessoas cegas podem, de fato, detectar tumores mais cedo do que aquelas que enxergam.
Esta ideia simples, mas surpreendente, passou pela cabeça de um médico alemão uma manhã enquanto ele estava tomando banho: mulheres cegas poderiam fazer seu trabalho muito melhor do que ele?
"Três minutos é o tempo que eu tenho para fazer exames clínicos das mamas", diz o ginecologista baseado em Duisburg Frank Hoffmann.
"Isso não é suficiente para encontrar pequenos nódulos no tecido mamário, o que é crucial para detectar o câncer de mama cedo."
Pessoas treinadas para ler em braille tem o tato altamente desenvolvido. Por isso, Hoffmann supôs que as mulheres cegas e com deficiência visual seriam mais qualificadas do que qualquer outra pessoa para realizar exames de mama em seus pacientes.
A evidência agora é inequívoca, diz ele.
Em um estudo ainda não publicado, realizado com a Universidade de Essen, mulheres cegas conseguiram detectar quase um terço a mais de nódulos que outros ginecologistas.
"Mulheres que fazem autoexame podem sentir tumores de 2 cm ou maiores", diz Hoffmann.
"Os médicos costumam encontrar tumores entre um centímetro e dois centímetros, enquanto os examinadores cegos encontraram nódulos com tamanhos entre 6 mm e 8 mm. Isso faz uma diferença real. Esse é o tempo que um tumor leva para se espalhar pelo corpo."

Experiência

Na Alemanha e no Reino Unido, mamografias regulares são oferecidas apenas a mulheres com 50 anos ou mais - mas, em ambos os países, o câncer de mama é a maior causa de morte de mulheres entre 40 e 55 ano, e na Alemanha, a idade das mulheres afetadas está caindo.
Hoffmann diz que fundou sua organização, Discovering Hands, para salvar vidas pela detecção precoce. Ele desenvolveu um curso para treinar mulheres cegas para se tornarem examinadoras médicas táteis (MTEs, na sigla em inglês), e agora existem 17 trabalhando em clínicas em toda a Alemanha.
Uma delas, Filiz Demir, atende cerca de sete mulheres por dia, realizando exames que podem durar até 45 minutos - o que seria pouco usual para um ginecologista.
Há pouco mais de um ano, Demir trabalhava em uma agência de viagens. Mas, quando ela completou 35 anos, sua visão se deteriorou lentamente, e fazer seu trabalho tornou-se cada vez mais difícil. Ela pediu demissão e aprendeu braille, mas não conseguia sequer ser chamada para entrevistas de emprego.
"A cegueira era minha maior deficiência naquela época", diz ela.
"Agora, minha deficiência tornou-se minha força. Eu não sou dependente de ninguém e posso ajudar os outros. É um ótimo sentimento."
Curiosa para saber como Demir e suas colegas trabalham, eu decidi fazer um exame.
Usando tiras de fita marcadas com coordenadas em braille, o MTE faz uma "grade" sobre o peito. Ela examina lentamente por esta grade de modo que possa indicar a localização precisa se encontrar um nódulo.
Demir faz uma análise detalhada, mas os 30 minutos passam voando. É um ambiente descontraído e relaxante, nem um pouco desconfortável e há ampla oportunidade de fazer perguntas.
Depois de sete meses neste trabalho, Demir claramente se mostra aliviada por ter encontrado principalmente tumores benignos. Apenas algumas semanas atrás ela encontrou o primeiro maligno, que a balançou um pouco.
Mas é a minha vez de ser pega de surpresa quando ela remove as tiras em Braille e cuidadosamente me diz que encontrou algo.
Um nódulo de cada lado, na verdade.
Se eu fosse uma paciente regular na clínica, eu teria ido para a próxima sala para um ultrassom. Infelizmente, tive de levar essa informação para meu ginecologista em Berlim, onde fui encaminhada para um ultrassom e uma mamografia.
Depois de algumas semanas de espera por uma consulta, o ultrassom finalmente ficou pronto e não mostrou nada. O radiologista me disse que não fazia sentido fazer uma mamografia - e sugeriu que o examinador provavelmente só sentiu um pouco das minhas costelas.
O conselho de Hoffmann em situações do tipo é repetir o exame com o MTE algumas semanas mais tarde, na primeira metade do ciclo menstrual. Se um nódulo ainda puder ser detectado "a mamografia faz sentido", diz ele.
É exatamente esse ciclo de check-ups que podem levar a alarmes falsos, angústia e cirurgias desnecessárias, de acordo com o professor Gerd Gigerenzer, diretor do Instituto Max Planck para o Desenvolvimento Humano.
"Conheço muitas mulheres que ficaram assustados com alarmes falsos. Algumas fizeram biópsia, que não mostrou nada, mas vivem suas vidas de mamografia em mamografia."
Há pouco consenso sobre os benefícios dos programas de detecção de câncer de mama e se exames regulares realmente salvam vidas. Gigerenzer adverte explicitamente contra eles, e não se anima com a ideia de que agora é possível detectar nódulos menores.
"Quanto mais precisas forem as técnicas de diagnóstico, mais cânceres clinicamente irrelevantes serão detectados", diz ele.
"Isto pode levar a cirurgias e radioterapias desnecessárias. Neste caso, a detecção precoce só prejudica."
O método Discovering Hands, segundo ele, está fora de julgamento até que a equipe possa fornecer provas que comprovem que a técnica de fato reduz a mortalidade.
Um estudo sobre o assunto está previsto para ser concluído e publicado ainda este ano.

Paciente

Enquanto isso, uma das pacientes de Hoffmann, Heike Gothe, me diz que deve sua vida a uma dessas examinadoras.
Ainda tendo que lidar com a morte prematura de seu marido por doença, Gothe assumiu o comando do negócio da família, uma pequena empresa de exportação internacional de sucesso. Mas não demorou muito para que ela recebesse seu próprio diagnóstico.
"Eu tinha sentido um caroço no meu seio direito e fui ver o médico", diz Gothe.
"Eles confirmaram o que eu tinha encontrado e, em seguida detectaram um pequeno nódulo no lado esquerdo, com apenas 2 milímetros de tamanho. Ele nem sequer apareceu na ultrassonografia ou mamografia, apenas o MTE cego sentiu."
O encontro deste pequeno tumor pode ter salvado sua vida. Ambos os tumores foram diagnosticados como malignos, mas com quimioterapia e radioterapia, ela superou o câncer.
Gothe é uma batalhadora, mas ela credita sua energia e positividade a estes exames feitos por um MTE a cada seis meses. Segundo Gothe, é assim que ela consegue dormir à noite e tocar seu negócio.
"O medo aparece de vez em quando", diz Gothe. "E só consigo lidar com isso porque sei que estou em boas mãos."
Algumas companhias de seguros alemães também estão convencidas. Seis delas agora cobrem os custos para os seus pacientes fazerem esses exames clínicos das mamas.
Enquanto novos MTES ocupam cargos permanentes em clínicas por toda a Alemanha e na Áustria, o fundador do Discovering Hands, Frank Hoffmann, está em negociações com Israel e Colômbia. Ele vê oportunidades ainda mais longe.
"Estou convencido", diz ele, "de que, especialmente em países que não são tecnicamente tão avançados como a Alemanha, este modelo poderia melhorar a qualidade de normas médicas muito dramaticamente."

Reportagem de Abby D'Arcy
fonte:http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2015/02/150223_teste_cancer_mama_lab#orb-banner
foto:http://cobralc.com.br/convivendo-com-cancer-de-mama/