26/02/2013

A pele através da história


O ser humano é o único primata que possui uma quantidade tão pequena de pelos e tantos tons diferentes de pele. Entender como essa característica evoluiu pode ter implicações diretas na saúde da espécie hoje em dia.


A pele humana é uma evidência direta da evolução. A pequena quantidade de pelos e os múltiplos tons de pele foram características cuidadosamente selecionadas durante milhões de anos e representam mais do que traços cosméticos — eles são responsáveis pela sobrevivência da espécie. Hoje em dia, no entanto, essas mesmas adaptações podem conflitar com o estilo de vida moderno. “Toda essa variedade de tons de pele dentro de uma mesma espécie é incrível. Entender como isso se desenvolveu desde nossos antepassados pode ter profundas consequências para a nossa saúde hoje em dia”, diz Nina Jablonski, antropóloga da Universidade Estadual da Pensilvânia e autora do livro Living Color: The Biological and Social Meaning of Skin Color (Cores Vivas: Os Significados Biológicos e Sociais da Cor de Pele, inédito em português). No dia 16, ela participou do Encontro Anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência, em Boston, EUA, onde conversou com o site de VEJA.
Segundo as evidências mais recentes, o corpo dos antepassados humanos era repletos de pelos, como macacos. Eram caçadores-coletores que viviam nas zonas tropicais da África, onde os alimentos e a água eram abundantes, e o clima era ameno. Nestas condições, os pelos ajudavam a reter o calor corporal.
Há cerca de 2 milhões de anos, no entanto, a Terra foi atingida por uma série de mudanças climáticas, e as florestas locais não passaram incólumes. Os hominídeos da época começaram, então, a se locomover cada vez mais para conseguir suprimentos. Ao mesmo tempo, eles passaram a desenvolver um cérebro cada vez maior, o que seria essencial para o surgimento do Homo sapiens. O órgão, no entanto, era extremamente sensível a grandes temperaturas. A maior mobilidade e a sensibilidade ao calor se tornaram uma combinação perigosa. Assim, hominídeos com menor quantidade de pelos se tornaram mais aptos a sobreviver e a passar seus genes adiante — era a seleção natural em ação. “Começamos a perder nossos pelos para liberar melhor o calor do corpo”, diz Jablonski. Hoje, os humanos são os únicos primatas — e dos raros mamíferos — com poucos pelos no corpo.
No entanto, ao perderem os pelos, os hominídeos se tornaram extremamente vulneráveis ao sol da África tropical: sua pele era muito clara — como a dos chimpanzés. Ao absorver as grandes quantidades de raios ultravioleta que incidiam no local, eles podiam sofrer sérias queimaduras, desenvolver diversos tipos de câncer, além de perder vários nutrientes da pele. Um deles — o folato — é essencial para o desenvolvimento correto dos embriões e importante para o sucesso reprodutivo humano. Assim, a pele desses ancestrais foi ficando cada vez mais rica em melanina, um pigmento responsável por escurecer a pele e protegê-la dos raios ultravioleta. “Não há nenhuma relação genética entre a perda de pelo e a mudança da cor da pele. Eles apenas aconteceram em um período histórico próximo: um veio mitigar os efeitos do outro”, diz Nina Jablonski.
Explorando o planeta — Esses ancestrais humanos continuaram seu percurso natural de evolução, com cérebros cada vez maiores e postura cada vez mais ereta. Há 200.000 anos, sua anatomia tornou-se semelhante à do homem moderno, dando origem ao Homo sapiens. Mesmo após surgir como espécie, os seres humanos continuaram na África por mais de metade de sua história na Terra, carregando a pigmentação de pele perfeita para a incidência solar na região. No entanto, há 80.000 anos, os primeiros humanos começaram a deixar o continente rumo à Europa e à Ásia. Em sucessivas ondas de migração, passaram a encontrar novos ambientes, com latitudes e altitudes maiores — e menor incidência de raios ultravioleta.
O problema é que essa mesma radiação, que pode ser perigosa quando absorvida em excesso, também é essencial para a síntese de vitamina D no sangue humano. A falta dessa vitamina diminui a absorção de cálcio e deprime o sistema imunológico. Sua ausência crônica pode levar a problemas no parto, deformidades e até morte. Mais uma vez, a seleção natural começava a favorecer uma mudança na cor da pele: pessoas com menos pigmentação conseguiam produzir mais vitamina a partir do parco sol local, tornando-se mais aptas a sobreviver.
Segundo Nina Jablonski, a pele mais clara se desenvolveu três vezes de maneira isolada entre os ancestrais humanos. “Uma dessas vezes foi entre os Neandertais europeus, que, segundo estudos genéticos, tinham peles claras e cabelos ruivos. As outras duas foram entre os Homo sapiens europeus e os asiáticos”, diz. Há mais de uma década, a antropóloga publicou o primeiro estudo que mostrava as relações entre a incidência de raios ultravioleta no mundo e a distribuição das populações com diferentes tons de pele.
Cultura na pele — Durante dezenas de milênios, as diversas populações, com seus diversos tons de pele, continuaram a se desenvolver de maneira isolada ao redor do mundo. Quando esses povos voltaram a se encontrar, foi natural que a cor de pele alheia chamasse atenção. Segundo Jablonski, isso acontece porque os humanos são animais visuais. Mas, ela destaca, isso não quer dizer que eles estão geneticamente programados para o preconceito. Não existe nenhuma evidência de que os primeiros encontros entre populações de tons de pele diferente tenham sido afetados por essa predisposição. As relações entre Egito e Grécia antiga, por exemplo, podiam até ser violentas, mas a cor da pele não era vista como sinal de valor humano.
Foi somente com as grandes navegações que essa questão se tornou importante. Com o contato cada vez maior entre os povos, a cor da pele começou a ganhar enorme valor cultural. Biologicamente, a pigmentação é apenas o resultado da necessidade corporal de se adaptar ao ambiente. No entanto, nesse tempo ela passou a ser  entendida como sinal de hierarquia - inferioridade ou superioridade - entre as populações. Assim, mesmo sem ter nenhuma base científica, o argumento justificava a dominação econômica de populações inteiras, como a escravização das tribos africanas trazidas ao Brasil. 
Herança genética — Hoje, a viagens pelo mundo se dão de forma muito mais rápida e em quantidades muito maiores do que na época das grandes navegações. As populações urbanas se tornaram ainda mais variadas, com habitantes de todos os cantos do planeta. Essa convivência entre os diferentes povos ajudou a diminuir os preconceitos. No entanto, os tons de pele da população deixaram de estar associados à região do planeta onde habitavam, e isso começou a afetar a saúde. “Alteramos o equilíbrio que houve durante a evolução humana. Grande parte da população mundial vive longe de onde seus ancestrais viveram, com consequências previsíveis para sua saúde”, diz Nina Jablonski.
Os problemas podem ser sentidos tanto pelas populações de pele clara habitando regiões equatoriais, quanto por populações de pele mais escura em regiões de alta latitude. Além disso, quase 60% da humanidade vive em cidades, onde a exposição à luz do sol é mínima. “Durante 200.000 anos, nós passamos grande parte de nossos dias nos ambientes externos. A partir do último século, no entanto, começamos a gastar a maior parte do nosso tempo dentro das construções”, diz Nina, que conduz uma série de estudos para medir a quantidade de sol absorvida por diferentes populações ao redor do mundo e as consequências disso para sua saúde.
Os resultados iniciais de sua pesquisa são preocupantes. “Constatamos que a falta de radiação ultravioleta está levando a sérias deficiências na quantidade de vitamina D”, diz. Segundo a antropóloga, os cuidados necessários para se proteger do excesso de radiação ultravioleta já estão bem divulgados — usar protetor solar, evitar as horas de sol mais intenso —, mas o mesmo não é verdade para os efeitos deletérios da falta de vitamina D.
A pesquisadora diz que a ausência dessa vitamina pode ser parcialmente responsável por grande parte dos problemas de saúde que atingem minorias populacionais nos Estados Unidos e em outras partes do mundo, como problemas cardiovasculares, diabetes e câncer. “Ao diminuir as funções do sistema imunológico, isso pode tornar essas populações mais suscetíveis a gripes e resfriados, além de infecções mais sérias”, diz. Também existem evidências de que a deficiência crônica de vitamina D está levando a um aumento nos casos de depressão sazonais.
A solução para esses problemas é simples. Pessoas com pele mais escura vivendo em zonas temperadas, por exemplo, podem simplesmente decidir tomar mais sol, ou podem escolher repor a quantidade diária que lhe falta com suplementos de vitamina D. Para isso, no entanto, elas precisam conhecer as necessidades específicas de sua pele. É impossível voltar atrás da sociedade globalizada. Não existe como — e nem seria desejável — as diversas populações do mundo voltarem para seus locais de origem. Segundo Nina Jablonski, o melhor modo de superar o descompasso entre tom de pele e radiação solar é a partir do conhecimento sobre sua herança genética. Ao saber de onde veio sua pele, como ela adquiriu sua cor atual, é possível protegê-la dos efeitos da vida moderna.

Reportagem de Guilherme Rosa
fonte:http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/a-pele-atraves-da-historia
foto:http://teenager2009.blogspot.com.br/2011/05/sabia.html

Com ajuda da web, ateus ganham força no Brasil


Para fazer frente ao que chamam de influência de grupos religiosos na política, organizações de ateus brasileiros aumentam cada vez mais seu alcance usando a mobilização pelas redes sociais e eventos temáticos em todo o país. Os ateus ainda são uma minoria de cerca de 615 mil pessoas no Brasil, segundo dados do Censo de 2010. Na categoria "sem religião", que também inclui agnósticos, o número ultrapassa os 15 milhões, segundo o IBGE.
Nos últimos anos, novas associações têm sido criadas para reunir os não crentes em torno de questões como o combate ao preconceito e a defesa da laicidade do Estado brasileiro.
No mês de fevereiro, o 2º Encontro Nacional de Ateus, organizado por parceria entre as principais associações do país, reuniu ateus e agnósticos simultaneamente em 28 cidades de 25 Estados brasileiros, incluindo o Distrito Federal, com transmissões ao vivo de palestras e discussões. Em São Paulo, a edição de 2013 teve 750 pessoas, mais que o dobro do ano anterior.
Na capital paulista, o encontro teve palestras sobre assuntos como o ateísmo na filosofia francesa e sobre o Estado laico, este com o procurador regional dos direitos do cidadão de São Paulo, Jefferson Dias. Entre os palestrantes também estava um comediante que ganhou popularidade na internet satirizando pastores evangélicos.
Na página do evento no Facebook, cerca de 1.700 pessoas confirmavam a presença, mas o número menor de participantes reais não decepcionou os organizadores. "Quando a gente organiza eventos no Facebook, sabe que vem entre 40 e 60% (das pessoas). A gente ainda está anestesiado porque não pensava que poderia realizar isso e ter sucesso", disse Washington Alan, diretor jurídico da Sociedade Racionalista, organizadora do encontro, à BBC Brasil.

Ateísmo digital

O presidente da Sociedade Racionalista, Diego Lakatos, diz que o encontro começou como uma tentativa de confraternização entre ateus de todo o país. "Num primeiro momento, não estávamos tão interessados em promover discussões mais profundas. Foi uma coisa bem mais informal, no Parque Ibirapuera."
"Mas ao longo desse ano, alguns temas surgiram com mais força e se tornaram mais relevantes, como a defesa do Estado laico. Vemos a bancada evangélica tentando barrar discussões importantes na nossa sociedade de um ponto de vista religioso e achamos que isso é perigoso", afirma.
O primeiro encontro deu um impulso no número de adesões à Sociedade Racionalista pelo site, de acordo com Lakatos. Agora, cerca de 60 pessoas se filiam a cada mês. Este mesmo número também era o máximo arrebanhado pela Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (Atea), a maior do país, até sua entrada no Facebook, em 2010.
De acordo com o engenheiro Daniel Sottomaior, fundador da Atea, a criação de uma página no site mais do que dobrou o número de adesões – que já chega a 200 novos membros por mês. A Atea já tem cerca de 7.800 membros filiados e 230 mil fãs no Facebook – cerca de um terço do que corresponderia ao número de ateus calculado pelo IBGE.
"Ganhamos um impulso nas associações com a chegada do Face. Eu sempre fui contra porque a nossa associação é de ativismo no mundo real. Na minha longa experiência de ativismo online percebi que especialmente entre ateus as discussões tendem a gerar mais calor do que luz", diz Sottomaior.
Sottomaior diz que o objetivo da Atea é criar indignação em relação à discriminação de ateus e "fazer com que o Brasil, 120 anos depois da proclamação da República, se torne (de fato em) um Estado laico".
Congregar os ateus em uma organização atuante, no entanto, não é fácil. De acordo com ele, o maior desafio é a "indiferença dos ateus".
"Grande parte dos ateus tem uma independência intelectual tão forte que acaba sendo contraproducente a eles mesmos. Eu entendo que lutar contra o preconceito e a favor da laicidade deveriam ser causas caras não só aos ateus, mas a toda a sociedade", diz.

Alianças

O proselitismo, segundo Sottomaior, também tem que ficar de fora para conseguir mais mobilização dos associados. "Se nós nos voltássemos para isso teríamos um público menor, porque muitos ateus são visceralmente contra o proselitismo."
"Eu não entendo. Acho que todo grupo organizado tem não só o direito, mas é até esperado que ele pratique o proselitismo. O Greenpeace faz isso, os partidos políticos também", defende.
A ênfase nas leis e na discriminação, no entanto, não é o suficiente para que religiosos apoiem a causa, segundo Sottomaior. "Algumas pessoas religiosas entram em contato com a associação, mas é um número pequeno, muito menor do que as pessoas que mandam e-mails de ódio."
"Desde o começo venho tentando contactar minorias religiosas. Os maiores interessados nisso são os grupos religiosos afro-brasileiros, que também são afetados como nós pela discriminação e pela violação da laicidade. Que também é o caso dos homossexuais. Um dos grandes parceiros nossos sempre foi a ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais)", diz.
Ao contrário da Atea, a Liga Humanista Secular do Brasil (LiHS), criada em 2010, tem cerca de 3% de religiosos entre seus membros, e pouco mais de 500 filiados que não se declaram ateus. "Temos até mesmo um pastor de uma igreja evangélica inclusiva (a homossexuais) no Rio de Janeiro, que é colaborador", diz Åsa Dahlström Heuser, de 56 anos, atual presidente da associação.
A adesão de religiosos, segundo Heuser, tem a ver com o fato de que ateísmo é "secundário" na Liga. "Entendemos como benéfica a associação com pessoas religiosas de mente mais aberta. E existem muitas, na verdade. Combatemos as arbitrariedades cometidas por instituições religiosas", diz ela.
Heuser cita "restrições a homossexuais ou mulheres" impostas por algumas religiões como justificativa para a parceria entre a Liga e o movimento LGBT. "As organizações LGBT são as que têm mais força atualmente para se opor a essa bancada teocrática no Congresso", explica.
A LiHS tem cerca de 2.800 membros e mais de 17 mil fãs no Facebook, e é, segundo o seu site, voltada para "céticos, agnósticos, ateus, livres pensadores e secularistas". O fundador da organização, Eli Vieira, é o geneticista que ganhou fama na internet ao responder, com um vídeo no YouTube, à argumentação do pastor evangélico Silas Malafaia contra o homossexualismo.
O aumento da adesão, segundo ela, aconteceu a partir de setembro de 2012, depois da realização do primeiro Congresso Humanista. "A internet ajudou muito, mas os encontros reforçam a ideia de ações sociais. Para que não tenhamos um dia um governo que nos obrigue a fingir que temos uma religião, se a bancada teocrática conseguir impor suas ideias. É isso o que queremos evitar."

Reportagem de Camilla Costa
fonte:http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/02/130222_ateus_mobilizacao_cc.shtml#page-top
foto:http://inconscientecoletivo.net/ateus-fazem-campanha-para-mostrar-que-sao-vitimas-de-preconceito/



25/02/2013

Imagem do dia

Estudo aponta falhas nos concursos públicos


Um estudo da Direito Rio da Fundação Getulio Vargas e da Universidade Federal Fluminense apontam problemas nos concursos públicos federais. Entre eles, provas que não avaliam as experiências e o conhecimento do candidato e má gestão. As duas instituições propõem mudanças no processo de recrutamento para o serviço público.
O estudo mostra que o concurso tem perdido a principal finalidade para o qual foi criado, que é selecionar um profissional adequado para cargo na administração pública. "O concurso no Brasil tem cada vez mais se tornado um fim em si mesmo. Seleciona as pessoas que têm mais aptidão para fazer prova de concurso. Temos uma ineficiência de fiscalização de competências reais. E além disso, apesar de existirem mecanismos que possibilitam a demissão, como o estágio probatório, eles quase não são utilizados. 
Os dados vão além e apontam que os salários ofertados são estipulados conforme a complexidade do certame, e não com base no nível acadêmico ou na competência do candidato. Quanto mais difícil e maior o número de provas, maiores as remunerações. 
Para reverter esse cenário, o estudo propõe medidas como o fim das provas objetivas (múltipla escolha). De acordo com o levantamento, cerca de 97% das provas aplicadas em 698 seleções, entre 2001 e 2010, seguiam o modelo. A proposta é o uso de questões escritas discursivas que abordem situações reais a serem vivenciadas pelos futuros contratados. Além disso, defende a aplicação de prova prática nos casos em que a discursiva for insuficiente para avaliar a qualificação do candidato.
Outra proposta é impedir o candidato de se inscrever para o mesmo concurso mais de três vezes. O estudo constatou que acima de um terço dos inscritos não comparece ao certame. 
Os pesquisadores defendem três processos distintos de seleção dos servidores públicos. O primeiro, chamado recrutamento acadêmico, propõe a busca por jovens recém-formados, com o objetivo de que sejam capacitados para o exercício da futura função. As provas aplicadas a esses candidatos devem abordar os conhecimentos universitários e escolares, e a formação inicial será obrigatória.
O segundo, o recrutamento burocrático, visa à admissão de profissionais já inseridos na administração pública. Para participar, o candidato deve ter ao menos cinco anos de experiência. As provas serão sobre o ambiente do serviço público. Já o terceiro, o profissional, irá avaliar quem atua no mercado e tenha experiência mínima de dez anos. Nesse caso, o candidato é avaliado sobre conhecimentos de mercado e da administração pública.
Em relação às provas, a sugestão é criar uma empresa pública para gerir os concursos e elaborar os exames. O levantamento detectou a presença majoritária de sete institutos e centros responsáveis pela elaboração das provas, entre eles o Centro de Seleção e de Promoção de Eventos Universidade de Brasília (UnB), que detém a maior fatia do mercado.
A Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos (Anpac) estima movimento de mais de R$ 30 bilhões no setor. "É uma questão que tem que ser debatida. Devemos analisar se é mesmo necessária a criação de uma empresa pública ou se é necessário apenas regular o mercado de uma forma diferente", disse o coordenador de Negócios do Instituto de Desenvolvimento Educacional, Cultural e Assistencial Nacional (Idecan), Bruno Campos. O instituto também organiza seleções.
Para os pesquisadores, os três anos estabelecidos pela lei para o estágio probatório devem ser destinados rigorosamente para capacitação, sendo, no primeiro ano, com aulas presenciais, e nos demais, início do exercício do cargo com acompanhamento de um servidor experiente.
O ministério e os demais 20 parceiros da pesquisa irão analisar as propostas. Uma versão final do relatório deve sair até o dia 15 de abril. 

fonte:http://www.conjur.com.br/2013-fev-24/estudo-fgv-aponta-falhas-propoe-mudancas-concursos-publicos
foto:http://mais.al/concursos/2012/12/03/17231/20-6-mil-vagas-em-concursos-publicos

Espanha é condenada por impedir mãe de reduzir jornada


A Espanha foi condenada a pagar 16 mil euros (cerca de R$ 40 mil) para uma trabalhadora impedida de conciliar a vida de trabalho com a familiar. A Corte Europeia de Direitos Humanos considerou que a Justiça espanhola falhou ao não garantir à mulher o direito à redução da jornada de trabalho. Para o tribunal europeu, a trabalhadora foi vítima de discriminação sexual e, por isso, deve ser indenizada. A decisão ainda não é definitiva e pode ser modificada pela câmara principal de julgamentos da corte.
Embora a Corte Europeia de Direitos Humanos — que engloba os 47 países europeus — ainda não tenha jurisprudência formada sobre o direito de conciliar trabalho com filho, o assunto já está pacificado no âmbito da União Europeia e vale para os seus 27 países integrantes. É considerada contrária às regras da UE qualquer lei que, embora neutra, prejudique as mulheres. É o caso, por exemplo, de regras de trabalho que impeçam mães de trabalhar e cuidar dos seus filhos.
Na Espanha, há lei que garante aos pais de crianças menores de seis anos o direito à redução de jornada de trabalho. O homem ou a mulher responsável pela criação do filho pode pedir a redução para conciliar a vida familiar com a profissional. Ainda assim, esse direito foi negado para Raquel García Mateos, funcionária de um supermercado.
Em 2003, ela conseguiu a guarda de seu filho menor de seis anos e pediu a redução da jornada de trabalho. Diante da negativa, apelou à Justiça. Seu caso chegou até o Tribunal Constitucional da Espanha, que reconheceu a violação do direito de Raquel. O tribunal espanhol lembrou a jurisprudência da UE e considerou que impedir a diminuição das horas de trabalho prejudica especialmente as mulheres. Isso pode, portanto, ser considerado prática discriminatória em razão do sexo.
Na prática, a vitória no Tribunal Constitucional não significou nada para Raquel. A corte trabalhista de primeira instância se negou a aplicar a decisão superior e, quando finalmente o Tribunal Constitucional se pronunciou de novo, o filho de Raquel já tinha mais de seis anos e ela não tinha mais direito à redução do trabalho. Diante dessa situação, o tribunal espanhol se limitou a reconhecer a violação e explicou que a lei espanhola não prevê nenhuma indenização para esses casos.
Para a Corte Europeia de Direitos Humanos, a postura adotada pelo tribunal espanhol perpetuou a discriminação sexual. Os juízes explicaram que não basta que a Justiça local reconheça a violação de direito fundamental. Ela precisa agir. Quando já é tarde demais, deve fixar uma indenização para tentar reparar os danos sofridos pela vítima da violação. A corte europeia julgou que a Justiça da Espanha falhou e mandou o país indenizar a trabalhadora.
Clique aqui para ler a decisão em francês.

Reportagem de Aline Pinheiro
fonte:http://www.conjur.com.br/2013-fev-24/espanha-punida-impedir-mae-trabalhar-cuidar-filho
foto:http://www.familianutriben.com/archives/el-contacto-fisico-con-la-madre-mejora-la-adaptacion-del-bebe/

Receita libera hoje programa para declaração do IR 2012


A Receita Federal libera nesta segunda-feira (25), a partir das 8h, o programa para o preenchimento da declaração do Imposto de Renda 2013 (ano-base 2012). O download estará disponível aqui no UOL, e também na página da Receita na internet.
A entrega da declaração começa em 1º de março e termina em 30 de abril. A expectativa é receber mais de 26 milhões de declarações, segundo o supervisor nacional do IR, Joaquim Adir.

Quem deve declarar

Entre os que devem declarar, estão os que tiveram rendimentos tributáveis acima de R$ 24.556,65 ou rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte acima de R$ 40.000,00. Rendimento tributável, por exemplo, é o salário. Rendimento isento ou não tributável pode ser uma indenização trabalhista. Também é obrigado a apresentar o IR quem investiu em ações ou tinha bens acima de R$ 300 mil em 2012.

Prazo para entrega 

A entrega da declaração começa em 1º de março e termina em 30 de abril. A declaração pode ser entregue pela internet. Apesar de estar em desuso, a Receita permite também o envio por disquete, nas agências do Banco do Brasil ou da Caixa Econômica Federal.
Pela internet, a entrega pode ser feita até as 23h59min59seg de 30 de abril. Por disquete, o limite vai até o horário de expediente das agências bancárias, que varia conforme a cidade.
A multa para quem entrega a declaração fora do prazo é de 1% ao mês. O valor mínimo é de R$ 165,74, e o máximo é de 20% do imposto devido.

Está obrigado a declarar em 2013 o contribuinte que, em 2012, preencheu alguma das seguintes situações:

1 - recebeu rendimentos tributáveis (salários, por exemplo) acima de R$ 24.556,65;
2 - recebeu rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte (indenizações, por exemplo), acima de R$ 40.000,00;
3 - obteve ganho de capital ao vender bens ou direitos ou investiu em Bolsas;
4 - em caso de atividade rural:
a) obteve receita bruta acima de R$ 122.783,25;
b) vá compensar, no ano-base de 2012 (a que se refere o IR 2013) ou depois, prejuízos de anos anteriores ou do ano-base de 2012;
5 - teve, em 31 de dezembro, a posse ou a propriedade de bens ou direitos de valor total superior a R$ 300 mil;
6 - passou a morar no Brasil em qualquer mês e nesta condição se encontrava em 31 de dezembro;
7 - optou pela isenção do IR do ganho de capital na venda de imóveis residenciais, por ter aplicado o dinheiro na compra de outro imóvel residencial, em até 180 dias a partir venda do imóvel original.

Fica dispensado de fazer a declaração do Imposto de Renda o contribuinte que esteve numa das seguintes situações em 2012:

1 -  enquadrar-se apenas na hipótese prevista no item 5 (possuir bens acima de R$ 300 mil) e que, se viver em sociedade conjugal ou união estável, tenha os bens comuns declarados pelo outro cônjuge ou companheiro, desde que o valor total dos seus bens privativos não passe de R$ 300 mil;
2 - que se enquadrar em uma ou mais das hipóteses dos itens 1 a 7, caso conste como dependente em declaração de outra pessoa física, na qual tenham sido informados seus rendimentos, bens e direitos.
Se quiser, a pessoa, mesmo desobrigada, pode apresentar a declaração.

Regras para escolha do modelo simplificado ou completo

O contribuinte pode escolher o modelo completo ou o simplificado. Na opção pelo simplificado, é aplicado o desconto padrão de 20% (independentemente de gastos com saúde e educação, por exemplo). O limite para esse desconto de 20% é de R$ 14.542,60.
Não pode escolher pelo modelo simplificado o contribuinte que compensar prejuízo da atividade rural ou imposto pago no exterior.

Pagamento do imposto pode ser feito em 8 parcelas

Se a pessoa tiver imposto a pagar, pode dividir em até oito meses, desde que a parcela não seja menor que R$ 50,00. Imposto de valor menor que R$ 100,00 deve ser pago à vista.
A primeira cota ou cota única deve ser paga até o prazo final da declaração (30 de abril). As demais cotas são pagas até o último dia útil de cada mês, acrescidas de juros conforme a Selic, até o mês anterior ao do pagamento, e de 1% no mês do pagamento.

fonte:http://economia.uol.com.br/imposto-de-renda/noticias/redacao/2013/02/25/receita-libera-hoje-programa-para-declaracao-do-ir-2012.htm
foto:http://giroemipiau.com.br/2012/12/30/trabalhador-com-salario-de-ate-r-1-71078-nao-pagara-imposto-de-renda/


Dúvidas no meio da noite? Já existe o 'professor pré-pago'


A fórmula é a de um celular pré-pago. O cliente compra o cartão e raspa a parte indicada para ter acesso ao código. Letras e números são a senha para entrar no mundo virtual do Apoio Escolar 24 horas, que, entre os serviços oferecidos ao custo de 99 reais por ano, traz o do "professor web". Durante as manhãs, tardes, noites e madrugadas, docentes de diferentes disciplinas escolares estão a postos para atender as demandas dos alunos que deixaram para estudar na véspera da prova, que precisam entregar algum trabalho sobre um assunto com o qual têm pouca familiaridade ou que estão estudando e, em vez de ter de esperar a próxima aula no colégio, preferem tirar as dúvidas de forma quase instantânea via internet.
O Apoio Escolar 24 horas é um dos braços da empresa Escola 24 horas, que auxilia pelo mundo do computador meio milhão de pessoas, segundo a diretora de produtos do grupo, Luzia Alves. Algumas escolas firmaram convênios e os alunos têm livre acesso a esse complemento de informações, caso da rede de ensino Mopi, no Rio. “Às vezes, o professor tem horário e dia específico de ir à escola. O aluno não precisa acumular dúvida até o dia seguinte. Para algumas séries em que os estudantes estão desenvolvendo a autonomia, pedimos ao apoio que o professor web, ao ver que se trata de um aluno do Mopi, indique a leitura de alguns capítulos do livro em vez de dar a resposta de pronto”, explica o diretor do Mopi, Vinícius Canedo.
No pacote do apoio 24 horas estão incluídas aulas on-line - nas quais os professores, por cerca de uma hora, falam sobre um tema apropriado à série do estudante -, exercícios e material para consulta. Em caso de dúvidas, os professores de plantão respondem até 20 perguntas por mês de cada cadastrado. É rápido, e logo o comentário do docente chega. Não são respostas complexas e, algumas vezes, o português falha e os acentos somem.
O que o sucesso dos cursos de apoio via internet expõe, por outro lado, é a degradação do ensino presencial. Para Marco Silva, professor de educação on-line e de informática educativa da UERJ, a lógica do vestibular que persiste, apesar da implantação do Enem, tem transformado a sala de aula em um espaço superficial, onde, no fim das contas, os alunos percebem em casa, ao se deparar com o livro didático, que algumas informações ficaram por serem melhores explicadas.
Novo espaço - “Temos de pensar o porquê de as escolas oficiais estarem precárias a ponto de surgir esse espaço mercadológico chamado Escola 24 horas. Há degradação do ensino presencial. Isso é generalizado e atinge tanto as escolas públicas quanto as particulares. Tudo funciona em função do vestibular e do Enem, que são as causas das aulas fragmentadas”, explica. “Os professores trabalham na lógica das informações ligeiras, das aulas performáticas. Isso cria lacuna e aligeira o processo de aprendizagem. O resultado é a emergência dessas estratégias tapa-buraco”, argumenta Silva.
A Escola 24 horas tem picos de demanda no fim dos bimestres, quando as avaliações batem à porta ou quando as datas das provas de vestibular se aproximam. Nos anos 2000, a maioria dos usuários desse tipo de serviço era de escolas frequentadas por filhos da alta-roda carioca. Com a expansão da internet e da banda larga, esse perfil mudou. A maior parte dos alunos, agora, é das classes C, D e E, pertencentes à escola pública e com sérias lacunas em suas formações. Outro grupo relevante é o daqueles que não terminaram a escola e pretendem retomar os estudos para fazer o Enem.
Por uma questão “estratégica”, Luzia guarda em segredo o número de professores que trabalham para o Apoio Escolar. Diz apenas ser entre 50 e 100. “Eles trabalham em suas residências. Mas fazemos questão que tenha experiência em sala de aula. Tenho um professor por disciplina de plantão e bancos de respostas para as perguntas mais frequentes”, diz Luzia. No caso das escolas conveniadas, o tratamento é mais personalizado. Os professores de apoio sabem o livro didático do aluno e a linha pedagógica seguida na instituição de ensino. “Se for uma pergunta sobre reforma agrária e se tratar de uma escola progressista, teremos uma abordagem diferente, por exemplo”, explica.
Pontos de venda - Os cartões ‘pré-pagos’ estão espalhados por livrarias, supermercados e lojas do país. Em uma dessas, os pais de Monique Stefhany Ferreira, de 14 anos, compraram o acesso ao apoio virtual. “Às vezes, tenho vergonha de perguntar em sala e atrapalhar a aula. Na internet é mais prático. Aproveito para tirar minhas dúvidas, sobretudo em períodos de prova”, afirma Monique, de Mossoró, no Rio Grande do Norte, que usou do Apoio Escolar 24 horas para ingressar no Instituto Federal do Rio Grande do Norte.
Alunos, de forma geral, buscam facilidades. A internet pode ser um prato cheio. Saber usar ainda é desafiante na área da Educação. O método mais direto, que é o da pergunta e resposta - sem réplica e tréplica –, é rasteiro e não ensina o aluno a pensar e a buscar informações. Em compensação, se bem usada, abre um universo de possibilidades de aprendizagem. “Para que serve um lápis? Pode furar o olho de alguém ou fazer poesia. A internet é um mero instrumento. A vantagem dela é ser interativa. Mas se trata de um equipamento que você pode usar para copiar e colar ou para dar uma guinada na sua formação”, afirma Silva, da UERJ.

Reportagem de Cecília Ritto
fonte;http://veja.abril.com.br/noticia/educacao/duvidas-no-meio-da-noite-ja-existe-o-professor-pre-pago
foto:http://apgvn.blogspot.com.br/2010_04_01_archive.html