02/09/2016

Os animais cometem suicídio?

Em 1845, uma história curiosa apareceu nas páginas do Illustrated London News, um jornal da capital britânica.
Um cachorro preto, descrito como "fino, bonito e valioso", teria "se jogado na água", em uma provável tentativa de suicídio. Suas pernas e patas estavam "perfeitamente imóveis" - algo incomum para um cão em um rio.
Mais estranho ainda: após ser retirado da água, o cachorro "rapidamente correu para a água e tentou afundar mais uma vez".
O cão acabou morrendo.
A julgar pelos relatos da imprensa da época, ele estava longe de ser o único nessas tentativas. Pouco tempo depois, outros dois casos apareceram em jornais populares: um pato que teria se afogado de propósito e uma gata que se enforcou em um galho após seus filhotes morrerem.
O que há de verdade nesses episódios?
Sabemos que animais podem sofrer problemas de saúde mental como humanos: sobretudo estresse e depressão, mas animais realmente tentam suicídio?

Pergunta antiga

A questão não é nova: os gregos antigos também a consideravam. Há mais de 2 mil anos, Aristóteles citou um cavalo que se jogara num abismo após a revelação de que, como Édipo, ele teria se relacionado com a própria mãe, sem saber.
No século 2º d.C., o estudioso grego Claudius Aelian dedicou um livro inteiro ao tema. Citou 21 supostos casos de suicídio animais, incluindo um golfinho que se deixou capturar, diversos cães que morreram de fome após a morte dos donos e uma águia que "se sacrificou por combustão na pira de seu falecido dono".
Como o "cão bonito" que se afogou, a ideia de suicídio animal continuou popular no século 19. O psiquiatra William Lauder Lindsay disse que animais nessa condição sofriam de "melancolia suicida" e descreveu como poderiam ser "literalmente estimulados à fúria e paranoia" antes de um suicídio.
Naquela época, essas ideias eram acolhidas por grupos de direitos dos animais. Ativistas buscavam humanizar as emoções dos bichos, explica o historiador da medicina Duncan Wilson, da Universidade de Manchester, na Inglaterra, que analisou referências históricas ao suicídio animal em um artigo em 2014.
Os ativistas faziam isso, afirma o especialista, para mostrar que os animais "compartilhavam a capacidade de autoreflexão e intencionalidade, que incluía a possibilidade de tentar tirar a própria vida por sofrimento ou fúria."
Um exemplo: uma edição de 1875 da publicação científica Animal World trazia na capa um cervo selvagem saltando para um provável suicídio. O texto dizia que "um cervo selvagem, para não ser capturado por seus perseguidores, irá cair nas garras de uma morte terrível."

Ciência e cultura

Contudo, com o avanço da medicina no século 20, a atitude humana diante do suicídio se tornou mais científica, e esse tipo de retrato "heroico" de animais suicidas perdeu espaço.
O foco mudou para suicídios que afetariam populações maiores, como resultado de pressão social, diz Wilson. O suicídio se tornou algo como um mal social. Pegue os exemplos de lemingues que aparentemente marcharam para se jogar de penhascos ou encalhes coletivos de baleias.
Wilson não procurou responder se os animais realmente tentam suicídio. Em vez disso, sua pesquisa revelou que mudanças nas atitudes diante do suicídio humano se refletiram em nossas histórias sobre bichos.
Mas um outro pesquisador tentou encontrar essa resposta.
Antonio Petri, psiquiatra na Universidade de Cagliari, na Itália, revisou a literatura sobre suicidio animal e concluiu que histórias como as dos jornais do século 19 não devem nos iludir.
Ele analisou cerca de mil estudos publicados em 40 anos e não encontrou provas de que um animal selvagem conscientemente pratique suicídio. Casos como o do livro do grego Claudius Aelian são "fábulas antropomórficas (cuja forma aparente evoca seres humanos)", diz ele.
Pesquisadores hoje sabem que a morte coletiva de lemingues são um consequência triste de uma população densa de criaturas emigrando juntas ao mesmo tempo.
Nos casos em que um animal de estimação morre após o dono, isso se explica pela disrupção de um laço social, afirma Preti. O animal não toma uma decisão consciente de morrer - ele era tão acostumado ao dono que passa a não aceitar mais comida de ninguém.
"Pensar que um animal desse morreu de suicídio como uma pessoa é apenas uma projeção de um estilo de interpretação (romântica) humana."

Estresse animal

Esse exemplo chama a atenção a um fato importante: o estresse pode alterar o comportamento de um animal de modo a ameaçar sua vida.
Isso ocorreu no parque SeaWorld de Tenerife, na Espanha, em maio de 2016.
Um vídeo que se tornou viral mostra uma orca selvagem aparentemente tentando se manter fora do tanque por cerca de dez minutos. Dezenas de reportagens afirmaram que o mamífero tentara suicídio.
Sabemos que orcas se comportam de maneira diferente em cativeiro do que em liberdade, o que não surpreende, já que um tanque representa uma fração ínfima de um oceano.
Ambientes artificiais costumam estressar orcas, desencadeando comportamento repetitivos como ranger de dentes.
Quando essas situações ocorrem, afirma Barbara King, do William & Mary College (EUA), é importante entender quão profundamente esses animais vivenciam emoções. Isso pode revelar por que eles podem agir de maneira tão autodestrutiva.
"Até onde sei, a maioria desses casos tem algum tipo de intervenção humana, seja caça ou confinamento", afirma King, que já escreveu muito sobre sofrimento animal e suicídio.
Vários animais mantidos em condições traumáticas também vivenciam situações similiares ao estresse, transtorno de estresse pós-traumático e depressão.
Um urso mantido em uma fazenda na China sufocou seu filhote e depois se matou. Isso ocorreu depois de uma dolorosa injeção de um cateter no abdome do filhote para extrair bile, que às vezes é usada em remédios na medicina chinesa. Relatos na imprensa sugeriram que ele teria matado o filhote e cometido suicídio para evitar mais anos de tortura.
Esse talvez seja outro exemplo de um comportamento não-natural desencadeado pelo estresse e pelo confinamento por longo período. Também pode ser visto como reflexo de "um animal tentando fugir de seu cativeiro", diz Preti.

Destino conjunto

Outros animais que costumam ser citados como suicidas são baleias que encalham em conjunto.
A causa desses encalhes não é clara até hoje. Uma hipótese é que possam ser causados por um indivíduo doente buscando segurança em águas mais rasas. Como baleias formam grupos sociais, outros seguem esse indivíduo e também encalham. A ideia é conhecida como "hipótese do integrante doente", mas não é considerada suicídio.
Uma explicação ainda mais sutil sobre aquilo que parece ser comportamento autodestrutivo também pode ser facilmente levantada. Há certos parasitas que infestam o cérebro dos hospedeiros, causando atitudes incomuns que ajudam os parasitas a sobreviver. O hospedeiro costuma morrer nesses casos.
Por exemplo, o parasita Toxoplasma gondii infesta ratos e "desliga" o medo inato que possuem de gatos. Se o gato comer o rato, o parasita se reproduz. Um estudo de 2013 indicou que uma infecção por T. gondii acaba com esse medo de maneira permanente, mesmo se o parasita for eliminado.
Do mesmo modo, o fungo parasita Ophiocordyceps unilateralis pode controlar a mente de formigas, deixando-as como zumbis. Os insetos acabam sendo levados a morrer em locais mais propícios ao desenvolvimento desses fungos.
Há ainda o caso de aranhas que deixam os filhotes comê-las. Embora elas morram no processo, esse sacrifício não é um suicídio, mas um ato extremo de cuidado materno. A mãe aranha fornece seu próprio corpo como uma importante e nutritiva primeira refeição, que garante a sobrevivência do filhote.

Definindo suicídio

Para afirmar que tal comportamento não se enquadra como suicídio é preciso ter uma definição de suicídio. O ato cosuma ser definido como "ação de se matar intencionalmente ".
Sabemos que alguns animais se matam. A questão é saber se tiveram essa intenção. A mãe aranha, por exemplo, pode se comportar dessa forma para prover comida, não para morrer. A ursa pode ter agido por estresse, não com o propósito de matar a si e ao filhote.
Alguns especialistas acreditam que essa pergunta seja impossível de responder.
Assim como subestimamos a cognição animal por muito tempo, nós ainda não conseguimos ler a mente dos animais. "Não estou convencido de que (suicídio animal) seja uma questão que a ciência possa responder", afirma King. "Podemos analisar seu comportamento visível, como fazemos quando sofrem, mas não podemos saber se é algo intencional ou não."
Outros discordam. Afirmam que algumas pessoas tentam se matar, mas animais não, por diferenças nas habilidades cognitivas. A diferença-chave, afirma, é nossa habilidade de pensar bem à frente, no futuro.
Muitos animais podem fazer planejamentos. Alguns pássaros juntam alimentos para comer depois. Primatas como orangotangos e bonobos armazenam ferramentas para uso no futuro. Mas isso não demanda consiciência sobre o que significa estar vivo.
Planejar um suicídio demanda um entendimento detalhado sobre nosso lugar no mundo e uma habilidade para imaginar a própria ausência. Isso exige imaginação.
"Humanos têm a capacidade de imaginar cenários, refletir sobre eles e associá-los a narrativas mais amplas", afirma Thomas Suddendorf, psicólogo evolucionista na Universidade de Queensland, na Austrália.
A maioria de nós supera essas preocupações. Temos um viés otimista inato, que nos dá uma visão mais positiva sobre o futuro, mas isso não ocorre com quem tem depressão - para essas pessoas, o futuro parece sombrio.
Pessoas deprimidas apreciam verdadeiramente a realidade, diz Ajit Varki, da Universidade da Califórnia, que tem escrito sobre a singularidade humana e nossa capacidade de negar a morte.
"Uma das realidades é que você vai morrer." O resto de nós tem uma habilidade extraordinária para ignorar esta eventualidade, algo que Varki classifica como "um capricho evolucionário".
Varki sugere que todos os possíveis casos de suicídio animal possam ser explicados por outros meios. Animais choram, reconhecem seus mortos e têm medo de cadáveres, por exemplo, mas não temem a morte "como uma realidade".
"É um medo de situações perigosas que potencialmente podem levar à morte", avalia Varki.
Pensar assim faz mais sentido. Se animais negassem os riscos de morte como fazem muitos humanos, zebras iriam passear perto de leões, peixes nadariam ao lado de crocodilos e ratos encarariam cobras.
Se fossem tão autoconscientes como nós, talvez parassem de defender seus territórios ou buscar comida. Eles possuem uma resposta inata ao medo por uma boa razão: ficar vivo.
Somos o único animal capaz de entender e lidar com nossa própria mortalidade, diz Varki, precisamente porque somos essas criaturas otimistas com um nível sofisticado de autoconsciência.
"O que é suicídio?", questiona o pesquisador. "É induzir a própria mortalidade, mas como você pode induzi-la se não sabe que é mortal? É (portanto) bem lógico que o suicídio seja algo unicamente humano."

Reportagem de Melissa Hogenboom
fonte:http://www.bbc.com/portuguese/vert-earth-37082946#orb-banner
foto:http://ideas.ted.com/animal_madness/

Na volta às aulas, França ensina alunos desde o maternal a se esconder em caso de ataque

O início do ano letivo na França, em 1° de setembro, será marcado pelo forte reforço da segurança nos estabelecimentos de ensino. Simulações de atentados, inclusive para alunos do maternal, com o objetivo de ensinar crianças a se esconder ou escapar do local, são algumas das medidas adotadas pelo governo.
"O retorno às aulas será sob forte proteção no clima atual de altíssimo risco de ameaça terrorista", declarou o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve.
A proteção nas escolas do país já havia sido reforçada após os atentados de novembro de 2015 em Paris. O recente ataque em Nice, que matou 86 pessoas, e o assassinato de um padre na Normandia, ambos reivindicados pelo grupo autodenominado Estado Islâmico (EI), levaram o governo francês a implementar outras iniciativas.
"Tivemos de adaptar nossas ações para ter um nível de segurança cada vez mais elevado", ressaltou Cazeneuve.
As escolas francesas são um dos inúmeros alvos do Estado Islâmico. Sua revista de propaganda em francês, Dar-Al-Islam, divulgou, em novembro passado, orientações para combater e matar professores.
A simulação do "atentado-intrusão", como diz o governo, obrigatório em todos os estabelecimentos, levará em conta a idade dos alunos e será adaptado em função disso.
Segundo um guia realizado por autoridades educacionais, crianças com idade entre três e seis anos levariam até cinco minutos para se esconder sem fazer barulho.
Brincadeiras como "jogo do silêncio" ou da "estátua", em que os alunos só podem se mexer após autorização da professora, serão alguns dos métodos utilizados. As crianças no maternal também aprenderão a ligar para a polícia.
No total, três exercícios de segurança deverão ser realizados em cada escola durante o ano letivo.
O governo divulgou guias práticos sobre segurança para os diretores de estabelecimentos e pais de alunos.
O guia para pais de crianças do maternal e de classes de alfabetização especifica que o termo "atentado-intrusão" é utilizado apenas pelos adultos, ressaltando que não é necessário explicitar as razões da simulação de ataque para crianças com menos de sete anos.
Outra medida implementada, destinada aos adolescentes, é uma formação para primeiros socorros. O objetivo é que a totalidade de alunos na faixa de 14 a 15 anos (mais de 810 mil estudantes) saiba neste ano efetuar procedimentos de emergência, contra apenas 30% atualmente.
Nesta formação, serão abordados gestos de socorro no caso hemorragias, traumatismos ósseos, feridas graves, queimaduras, desmaios e paradas cardíacas, de acordo com o Ministério do Interior.

Policiamento

As medidas têm como objetivo a repetição de uma memória dolorosa para a França.
Em 2012, Mohamed Merah matou, em nome da jihad (guerra religiosa), um professor e três crianças em um ataque contra uma escola judaica em Toulouse, no oeste da França.
Os passeios e viagens escolares permanecem autorizados, mas devem ser comunicados antecipadamente às autoridades de ensino, que poderão decidir, junto com a polícia, o eventual cancelamento da atividade.
O policiamento também será mais ostensivo nas escolas e universidades. Mais de três mil reservistas da polícia militar serão mobilizados para o início do ano letivo.
"Uma atenção particular será dada aos arredores dos estabelecimentos de ensino. A segurança será reforçada com patrulhas móveis", afirma Cazeneuve.
Em Paris e suas periferias, como também nos Alpes Marítimos, cuja principal cidade é Nice, é proibido o estacionamento de veículos nas proximidades de escolas e colégios.
Os diretores de escolas e universidades também poderão contar com cerca de 2,4 mil policiais em delegacias ou batalhões militares, ligados diretamente à segurança na rede de ensino.
O Ministério da Educação anunciou um suplemento de 50 milhões de euros (cerca de R$ 200 milhões) com o objetivo de ajudar as prefeituras a realizar obras necessárias para reforçar a segurança dos estabelecimentos.
Professores e estudantes também estão sendo encorajados pelo governo a denunciar alunos que estariam enveredando pelo caminho da radicalização islâmica.
A iniciativa tem criado controvérsias entre professores e nas redes sociais, pois alguns veem a ação como uma delação.

Reportagem de Daniela Fernandes
fonte:http://www.bbc.com/portuguese/internacional-37224327#orb-banner
foto:http://www.newsweek.com/hollande-vows-france-will-destroy-isis-395255

Justiça suspende lei que obriga motorista a trafegar com farol aceso em rodovia


A Lei 13.290/2016, que obriga motoristas a andar com farol ligado durante o dia em rodovias, foi suspensa liminarmente pela Justiça nesta sexta-feira (2/9). Para o juiz Renato Borelli, da 20ª Vara Federal em Brasília, os condutores não podem ser penalizados pela falta de sinalização sobre a localização exata das rodovias.
A decisão atende pedido da Associação Nacional de Proteção Mútua aos Proprietários de Veículos Automotores (ADPVA). A entidade questionou a norma citando o caso específico de Brasília, onde existem várias rodovias dentro do perímetro urbano.
“Em cidades como Brasília, exemplificativamente, as ruas, avenidas, vias, estradas e rodovias penetram o perímetro urbano e se entrelaçam. Absolutamente impossível, mesmo para os que bem conhecem a capital da República, identificar quando começa uma via e termina uma rodovia estadual, de modo a se ter certeza quando exigível o farol acesso e quando dispensável", disse a entidade.
A lei foi sancionada pelo presidente interino Michel Temer no dia 24 de maio. A mudança teve origem em um projeto de lei apresentado pelo deputado federal Rubens Bueno (PPS-PR) e foi aprovada pelo Senado em abril. A multa para quem descumprisse a regra, considerada infração média, é de R$ 85,13, com a perda de quatro pontos na carteira de habilitação.
O objetivo da medida foi aumentar a segurança nas estradas, reduzindo o número de acidentes frontais. Segundo o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), estudos indicam que a presença de luzes acesas reduz entre 5% e 10% o número de colisões entre veículos durante o dia.

fonte:http://www.conjur.com.br/2016-set-02/justica-federal-suspende-lei-obriga-uso-farol-rodovias
foto:http://ultimosegundo.ig.com.br/igvigilante/transito/2016-07-08/farol-baixo.html

01/09/2016

Imagem do dia



Dropbox admite que 60 milhões de contas foram hackeadas: como saber se a sua está entre elas


Em um momento em que a segurança na internet está sendo questionada pelos especialistas, o gigante Dropbox acaba de reconhecer que seus serviços foram hackeados em 2012, mas só esta semana pediu para os usuários afetados trocarem suas senhas. No blog corporativo, a empresa minimiza o incidente ocorrido no passado: “Acreditamos que nenhuma conta foi acessada de forma irregular”, afirma a empresa. O impacto do roubo de identidades, no entanto, parece muito mais sério e pode ter afetado mais de 60 milhões de contas.
Na data do roubo das identidades, o Dropbox reconheceu que vazaram apenas endereços de e-mail de uma parte dos usuários, hoje sabe-se que os hackers também obtiveram um grande número de senhas. O Dropbox insiste que não há indícios de acessos não autorizados a seus clientes, ainda assim é muito recomendável que os usuários do serviço mudem suas senhas e aproveitem para adotar uma senha mais segura e empregar a verificação em duas etapas disponível na configuração do serviço.
Como saber se sua conta foi afetada
A empresa foi incrementando as medidas de segurança de seu serviço ao longo dos anos, mas o ‘furo’ que arrasta desde 2012 deixou milhões de contas desprotegidas. A sua foi afetada? Em princípio, como informam os porta-vozes do Dropbox, só quem recebeu um e-mail da empresa pedindo para trocar a senha foi afetado. Entretanto, quem quiser pode comprovar online se sua conta foi invadida, neste ou em outros serviços, por meio de um site criado por um especialista em segurança.
O que fazer se sua conta foi comprometida? O mais urgente, e a única coisa que se pode fazer, é mudar a senha no menu de configuração do Dropbox e assegurar-se de que a verificação em duas etapas está ativada. Outra recomendação é não usar a mesma senha em diferentes serviços para, pelo menos, limitar os danos no caso de roubo de identidades.
Há alguns meses, outros serviços como Linkedin e MySpace também confirmaram o roubo de milhões de senhas.
Reportagem de José Mendiola Zuriarrain
fonte;http://brasil.elpais.com/brasil/2016/08/31/tecnologia/1472642567_500051.html
foto:http://lopezdoriga.com/ciencia-tecnologia/dropbox-admite-60-millones-cuentas-fueron-hackeadas/

A derrota de Lula e do maior partido de esquerda da América Latina


Do alto da galeria que em dias normais é destinada ao público, Luiz Inácio Lula da Silva e o cantor Chico Buarque viam o destino do Partido dos Trabalhadores se desenhar no andar de baixo. Dilma Rousseff, a primeira mulher a presidir o Brasil, a primeira do PT, fazia diante de 81 senadores a última tentativa de salvar seu mandato. Chico sentava ao lado de Lula, que projetava o corpo para frente e esfregava, nervoso, sua barba grisalha com as mãos.
Com semblantes indignados, eles lembravam, de certa forma, outras duas figuras que há 36 anos entraram pelas portas do colégio Sion, em São Paulo, para às 11h30 de um domingo, 10 de fevereiro de 1980, fundarem aquele que décadas depois chegaria a ser o maior partido de esquerda da América Latina. Lula remetia ao seu passado de jovem e combativo sindicalista que enfrentou a ditadura. Chico fazia as vezes de Sérgio Buarque de Holanda, seu pai, autor de "Raízes do Brasil", que discorreu sobre a formação da sociedade brasileira. Na galeria em Brasília, cada qual defendia o legado de suas próprias raízes.
O depoimento de Rousseff era o ápice de uma crise que arrastou o partido com violência desde 2013, quando começaram os protestos de rua no país. Um mês antes dos atos, o partido estava em seu ápice. Pesquisas mostravam que a legenda era a preferida da população, quase sete em cada dez brasileiros acreditavam que o Governo da presidenta era "ótimo ou bom". O país estava prestes a sair do Mapa da Fome da ONU, graças às políticas sociais implementadas pelo partido. O humor no Brasil era otimista: a classe média aumentou; pobres chegaram às universidades com o subsídio federal; eletrodomésticos e carros vendiam feito água diante dos incentivos fiscais do Governo aos produtores.
Mas a maré virou rápido e de forma tão inexplicável que o PT demorou a entender o que estava acontecendo. A sociedade parecia presa a um peão que rodava com força e ninguém compreendia, naquele momento, de onde vinha o impulso. O partido que por décadas incendiou as ruas com seus protestos, agora via nascer uma massa que não parecia ter comando e o rejeitava. Eram pessoas com reivindicações tão diversas que, às vezes, se mostravam antagônicas: saúde e educação públicas de qualidade, pagar menos imposto. A raiva só fez crescer entre os brasileiros desde então, e foi canalizada para o partido, que ganhou a alcunha de "o mais corrupto do Brasil", pelo histórico da compra de votos de parlamentares em 2005 (o Mensalão) e, posteriormente, das investigações da Lava Jato, que envolveram nomes como o tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, e agora respingam em Lula. 
Em paralelo, a queda das commodities e a manutenção das políticas anticíclicas por mais tempo que o necessário viraram a economia a partir de 2014, mesmo ano em que Dilma era reeleita numa eleição renhida, vencendo o senador tucano Aécio Neves por 3 milhões de votos. De lá para cá, o roteiro que trouxe a mandatária para o banco político dos réus já é conhecido. Desemprego, inflação e a dívida pública cresceram, enquanto a popularidade de Rousseff e do PT despencaram. Protestos contra a legenda tomaram as ruas, inflamados a cada notícia que denunciava os desvios e a participação do partido no esquema da Petrobras. Em nada lembrava os anos dourados quando a gestão petista chegou a ter 80% de aprovação em 2010. O sonho de ficar 20 anos no poder virou um pesadelo.
Nos seis dias do julgamento no Senado, o PT, maior partido de esquerda da América Latina, foi passado a limpo ao lado de Rousseff. Os senadores discutiram sua falta de popularidade, alegando que o "impeachment saiu das ruas". Destacaram os cortes feitos em programas sociais por conta da crise, mas também criticaram que não se cortou mais para evitar mais problemas econômicos. Enfatizaram os erros na condução da economia que levaram à alta do preço do feijão. Mas todos ali sabiam que o maior erro do PT não foram esses. Foi a política, segundo eles. Para as ruas que hostilizaram o partido, porém, pesou o rótulo de partido corrupto. Entre os milhões que se elegeram e se desapontaram com a legenda, pesou o bolso.
Nos bastidores, Lula tentou nos últimos dois dias suas últimas cartadas. Reuniu-se fora do Congresso com senadores que acreditava que podiam mudar de voto. Mas nem esses parlamentares se convenciam que a base de Rousseff conseguiria evitar o impeachment e preferiram não se arriscar. A derrota sentenciou que o capital político da estrela petista já não é mais o mesmo.
Agora, o PT encara o fracasso de ter o seu quarto mandato abreviado e tenta salvar o legado de partido que ajudou a reduzir a desigualdade social. Ao mesmo tempo, enfrenta as urnas novamente nas eleições municipais deste ano. O partido terá pouco mais de um mês para agir e evitar uma derrota acachapante nas eleições para prefeitos, que serão um termômetro do quanto o partido perdeu com todo esse processo. Com as alianças partidárias bagunçadas pelo impeachment, lançará mais candidatos próprios a prefeito, mas terá menos força em muitos municípios pela falta de apoio dos antes aliados. O objetivo principal é evitar a todo custo a derrota de Fernando Haddad para a reeleição na Prefeitura de São Paulo, o que será um desafio, já que ele aparecia em quarto lugar na última pesquisa Datafolha.
Mas, agora, na oposição, o partido terá a chance de se reorganizar. Não precisará mais ser o autor dos cortes orçamentários severos necessários diante da crise econômica. E poderá voltar a defender muitas de suas bandeiras que foram deixadas pelo caminho, com a chegada no poder e a necessidade de agradar grupos distintos. Será a chance de se reconstruir e de tentar reconquistar seus eleitores, que não se mobilizam mais nem em momentos cruciais, como se viu nas vésperas do impeachment.  Nos bastidores do Congresso, há os que acreditem que o impeachment já foi o fundo do poço. Agora, munido da bandeira de "vítima de um golpe", o partido, por mais paradoxal que pareça, poderia renascer.
Reportagem de T.B.
fonte:http://brasil.elpais.com/brasil/2016/08/31/politica/1472598986_104233.html
foto:https://pensabrasil.com/o-fim-do-pt-o-partido-se-autoassassinou-esta-em-fase-terminal-afirma-ex-ministro-de-lula/

'Perdi o emprego. E agora?' De mudar de carreira a abrir um negócio, saiba o que fazer

Os momentos depois de uma demissão trazem muitas dúvidas: foi minha culpa? Não sou bom o suficiente? Poderia ter mudado algo? Uma das angustiantes, no entanto, fala do futuro: o que fazer agora?
No segundo trimestre deste ano, o índice de desemprego no Brasil chegou a 11,3%, segundo o IBGE divulgou nesta quarta-feira (17). Nos primeiros três meses de 2016, a taxa foi de 10,9%.
Quem está desempregado pensa se deve voltar a estudar - fazer um mestrado, por exemplo -, mudar de área, abrir um negócio ou aceitar uma vaga que pague menos.
A BBC Brasil consultou especialistas em carreira para analisar cada uma dessas questões e apontar o que é preciso considerar antes de tomar uma decisão.
Segundo os entrevistados, ao escolher qualquer caminho, é preciso deixar de lado o desespero e refletir sobre suas habilidades, defeitos e desejos, além das necessidades do mercado. Quais são suas qualidades? No que deve melhorar? E do que o mercado precisa hoje?
"A primeira coisa é se convencer de que é uma situação passageira. Aproveite esse momento para pensar na sua carreira. Se está desempregado, foi algo conjuntural ou pessoal? Como tem sido sua trajetória até aqui? Você precisa se entender", diz Márcia Damia, administradora e vice-coordenadora do Escritório de Desenvolvimento de Carreiras da USP.
Para isso, dizem os especialistas, vale colocar tudo no papel, buscar livros sobre o assunto e até fazer testes de aptidão na internet. Procurar ajuda profissional é outra opção.
Planejar as finanças também é necessário, para saber se o dinheiro guardado permite arriscar ou exige um novo emprego rápido.
Leia abaixo as dicas dos entrevistados para quatro possibilidades que passam pela cabeça de quem foi demitido.

Voltar a estudar?

Vou estudar exatamente para quê? Antes de investir na formação, quem perdeu o emprego deve se fazer essa pergunta, diz o professor de Economia da PUC-SP Leonardo Trevisan.
Ele explica que cada curso vai dar um retorno diferente e é preciso alinhá-los com os seus objetivos.
O mestrado, por exemplo, tem uma finalidade mais acadêmica. Ele é indicado para pessoas que querem pesquisar uma área do conhecimento ou que têm aspirações docentes.
Já as especializações e MBAs são voltados para o mercado e podem trazer bons contatos profissionais.
"Um mestrado não é melhor nem pior que os outros. Não há uma única receita para todos", diz Trevisan.
Além disso, não adianta um desempregado estudar um tema que considera importante, mas que odeia, ou que não vai usar, diz a administradora Marcia Dama, do Escritório de Desenvolvimento de Carreiras da USP. "Deve-se pensar: o mercado está precisando disso? No que vai me ajudar?"
Para quem não tem ensino superior, o professor Joel Dutra, Coordenador do Programa de Estudos em Gestão de Pessoas da FIA (Fundação Instituto de Administração), sugere cursos técnicos. Ele explica que, sem faculdade, é difícil alguém entrar em outro ramo de atividade, então precisa melhorar no seu.
No entanto, a decisão de se dedicar apenas aos estudos exige cuidado, diz Leonardo Trevisan. Ficar fora do mercado pode ser prejudicial.
"Se invisto só na educação, quando o mercado reaquecer, vou estar fora dele. Preciso me perguntar: o setor para o qual estou me preparando vai pedir (no futuro) mais gente bem formada ou com experiência?"
Os especialistas lembram que mestrados e especializações não são as únicas alternativas: cursos curtos (e gratuitos) e até trabalhos voluntários podem oferecer novas habilidades.

Mudar de carreira?

Se trocar de emprego é como mudar de roupa, escolher outra carreira é mudar de pele.
A analogia do professor Leonardo Trevisan, do departamento de Economia da PUC-SP, serve para mostrar que entrar numa área completamente nova é uma decisão complexa. É preciso começar do zero e há efeitos na vida pessoal.
Portanto, antes de mudar, saiba se o setor desejado está indo bem.
"Se alguém me disser que quer trabalhar com petróleo, vou dizer: 'meu filho, olha o preço do barril'. É inviável, não importa o quanto você goste."
Para fazer a transição, o professor Joel Cunha, da FIA, diz que o melhor é apostar numa especialização. Começar outra faculdade não seria a escolha mais inteligente.
"Não vejo o mercado valorizando duas graduações."
Ele dá um exemplo: alguém que se formou em bioquímica e não encontra emprego, pode fazer uma pós-graduação em administração e buscar emprego no setor farmacêutico. Assim, não desperdiça o conhecimento que já tem e abre mais portas.
Apesar da dica, Cunha desaconselha mudanças de carreira durante a crise. Na recessão, diz, a lógica da empresa é contratar pessoas que se estejam o mais próximo de suas necessidades. Ou seja, com a formação e experiências ideais. Não seria boa hora para novatos.

Abrir o próprio negócio?

Gostar de cozinhar ou não querer ter um chefe não são, por si só, bons motivos para abrir um restaurante.
Em vez disso, alguém que queira começar seu próprio negócio deve gostar de resolver problemas, estar disposto a estudar empreendedorismo e não ter vergonha de fazer contatos.
"É preciso perguntar que tipo de problema esse restaurante vai resolver para o meu público. Vai ser uma alimentação rápida para quem trabalha na região?", exemplifica o professor de empreendedorismo do Insper Marcelo Nakagawa.
Segundo ele, negócios que não suprem necessidades específicas não se sustentam. "Que problema um cupcake resolve?", questiona.
Para Nakagawa, o interessado em abrir um negócio também deve estudar muito e fazer um planejamento detalhado.
"Cada vez mais é um terreno para profissionais. Às vezes as pessoas estão desempregadas e veem isso como uma tábua de salvação, mas não é assim."
O professor indica os cursos do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) sobre empreendedorismo e aulas online para começar a entender o planejamento de cada setor. E destaca a importância de conversar com empresários da mesma área, até para entender o dia a dia do trabalho.
Se não estiver disposto a dar esses passos, tire a ideia da cabeça, aconselha Nakagawa.
"Você pode perder o dinheiro que juntou. Não é uma decisão para ser tomada no  desespero."

Ganhar menos?

O dinheiro está curto e é preciso voltar a trabalhar o quanto antes?
Então deixe as pessoas saberem que você está disponível.
A dica é da professora Tania Casado, coordenadora do Escritório de Desenvolvimento de Carreira da USP.
Ela diz que procurar conhecidos de vários círculos é uma das melhores formas de encontrar vagas.
"As pessoas têm dificuldade de pedir uma oportunidade. Se fico desempregado, vou procurar todo mundo que conheço. Como você vai receber uma oferta se não sabem que você está desempregado?"
Casado alerta sobre as empresas de recolocação profissional, que podem queimar o candidato ao disparar centenas de currículos sem critério aparente.
"Antes de contratar, faça uma reunião para saber exatamente o que elas vão fazer."
Ao buscar trabalho, orienta Joel Dutra, professor da FIA (Fundação Instituto de Administração), escolha funções mais desafiadoras, mesmo que paguem menos.
Se inscrever para um cargo parecido, mas inferior ao que você exercia, pode pegar mal no seu currículo.
Segundo Dutra, parece que você retrocedeu e depois vai precisar recuperar esse patamar. Por outro lado, escolher um posto em um outro setor é mais desafiador e oferece uma experiência diferente.
"Algo que te exige muito menos gera frustração e não agrega (conhecimento)."

Reportagem de Ingrid Fagundez
fonte:http://www.bbc.com/portuguese/brasil-37102767#orb-banner
foto:http://wadebearden.com/im-ready-talk-losing-job/

'Doping da beleza': Os riscos do uso constante de anabolizantes para tentar atingir o 'corpo perfeito'

Entre as afinidades do casal Camilla e Rafael, juntos há cinco anos, uma delas é determinante para o sucesso do relacionamento: eles têm em comum a meta de fortalecer e definir seus corpos e fazem de tudo para que isso aconteça.
Aos 21 anos, os estudantes de administração e educação física - ela e ele, respectivamente - recorrem a uma alimentação regrada, atividade física diária e também a ciclos de anabolizantes - um método de injeção de hormônios que causa hipertrofia muscular.
Ele faz o tratamento com ajuda médica e aplica a si mesmo uma dose pequena de esteroides por semana. Ela pesquisa sozinha informações na internet e pede que o namorado faça a aplicação em seu corpo.
Camilla Gabriel da Silva sonha em ter curvas e músculos, e para alcançar o resultado desejado passou a usar doses de Oxandrolona e Stanozolol, substâncias que compra em sites e lojas dedicadas ao gênero na internet.
"Pesquiso muito, procuro saber o que pode causar no meu corpo e se não são anabolizantes falsos", explica Camilla.

'Look bombado'

"A primeira vez que usei foi há dois anos e não fez muito resultado. Só tomar, não malhar e não se alimentar bem não ajuda, é preciso fazer o pacote todo", emenda a morada de Inhaúma, bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro, que admira o padrão "bombado" das saradas de academia.
Já Rafael recebe as orientações para uso de anabolizante diretamente do seu médico, o qual visita com regularidade há quatro meses, desde que começou um tratamento para ficar mais forte. Em pouco tempo ele passou e se sentir mais bem disposto, ter um desempenho melhor na musculação e ficou menos cansado nos treinos da academia.
"Falam tanto do uso de hormônios, mas ninguém critica o moleque de 16 anos que sai todo final de semana para beber dilacerando o próprio fígado. Se forem comprovar, as lesões de uma má alimentação são muito maiores", opina Rafael do Nascimento, de 21 anos e futuro fisiculturista.
Ele engrossa o caldo dos defensores dos esteroides que lotam academias de ginástica e procuram médicos que topem receitá-los ilegalmente, já que a reposição hormonal é proibida para fins estéticos.

Crescimento alarmante

E o fenômeno não é isolado. Dados do mercado de anabolizantes revelam que o número de usuários não para de crescer. Só nos Estados Unidos cerca de 3 milhões de homens fora do ambiente esportivo usam esteroides, de acordo com levantamento de agosto de 2015.
Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), no Brasil, um em cada 16 estudantes adolescentes já fez uso desse tipo de hormônio. É um número alarmante, de um submundo que envolve vendas em academias, laboratórios caseiros piratas, produtos falsificados no mercado e o consumo sem orientação médica.
"Não existe dose segura de anabolizante. Você só tem indicação de reposição hormonal quando há uma deficiência comprovada e diagnosticada. Se você está oferecendo hormônio a mais do que já produz (no corpo), você irá necessariamente suprimir a produção endógena", explica a endocrinologista Cynthia Valério, membro da SBEM.
Vira e mexe ela lida com esses casos no consultório e precisa explicar aos pacientes que o método, além de inseguro, é ilegal, e, portanto, não os realiza.
Usuários ávidos por anabolizantes costumam entoar a frase que "quem cresce naturalmente é planta" e é assim que justificam, na maioria das vezes, a utilização do método.
Porém, ignoram riscos de efeitos colaterais sérios, como tumores no fígado, impotência sexual, infarto, arritmias, derrame cerebral e até mesmo a morte. Apesar de não viciar, o uso contínuo de esteroides pode trazer uma grande dependência, nesse caso a emocional. Ela é retroalimentada pelo bem-estar provocado através dos efeitos estéticos rápidos que o anabolizante causa.
Em alguns casos, o usuário fica cada vez mais forte e não consegue notar o exagero de músculos. A esse transtorno dá-se o nome de vigorexia.
"A grande diferença entre quem sofre de vigorexia e pessoas que somente querem ficar muito fortes é a distorção da imagem corporal. O vigoréxico se enxerga de forma distorcida e sempre menos forte do que é, além de ter comportamentos obssessivos: todo tempo livre e pensamentos são voltados a ficar mais forte, prejudicando a vida social, afetiva e até mesmo profissional", explica a psicóloga Daniela Faertes, especialista em mudança de comportamento.

'Consequências irreversíveis'

Um empresário de 36 anos que preferiu não se identificar e será citado nessa reportagem como Luis da Silva usa desde 2003, em ciclos, os anabolizantes Durateston, Deca Durabolin e Hemogenin. Ele viu a sua vida social melhorar consideravelmente depois que passou a "tomar bomba", como ele mesmo diz.
"Você passa a se sentir bem pra caramba, a mulherada passa a te olhar", explica Luis da Silva.
Luis faz parte de uma legião de usuários de anabolizantes que realiza um verdadeiro doping da beleza.
O método é o caminho mais curto para atingir padrões físicos que seriam conquistados em um tempo natural maior apenas com exercícios físicos e dieta balanceada; ou nunca conquistados, por uma falta de pré-disposição do seu biotipo físico.
"Há que se conscientizar as pessoas sobre o mal que essas substâncias causam à saúde, provocando efeitos colaterais que trazem consequências irreversíveis e podem até levar à morte", explica Rogério Sampaio, secretário nacional da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD). "O uso de anabolizantes por frequentadores de academias é bastante preocupante."
Um dos personal trainners mais requisitados do país, o preparador físico Chico Salgado tem uma cartela estrelada de clientes, além de uma academia própria onde ensina diversos tipos de lutas para seus alunos. Ele costuma dizer que não adianta querer mudar o corpo rapidamente só para se preparar para uma data especial: é preciso conquistar a forma dos sonhos aos poucos e, o principal, mantê-la.
"Tudo que vem fácil, vai fácil. Eu sou muito contra o uso de anabolizantes até pelo alto risco de câncer", diz Salgado, entre uma aula de luta e outra, por telefone.
Casos mal sucedidos de uso de anabolizantes não faltam para contar a história. Um caso recente é o do cantor baiano Netinho, que há dois anos teve um sangramento no fígado causado pelo uso excessivo de anabolizantes e foi internado às pressas.
Procurado para esta reportagem, ele não quis dar entrevistas, mas sua assessora de imprensa disse por e-mail: "Ele só voltará a falar sobre esse assunto no momento do lançamento do livro que está escrevendo, chamado Nada como viver!".

Reportagem de Carla Knoplech
fonte:http://www.bbc.com/portuguese/geral-37171466#orb-banner
foto:http://profmarciobueno.blogspot.com.br/2012/05/o-perigo-dos-anabolizantes.html