06/06/2011

Justiça aceita denúncia contra estudante que tuitou “nordestino não é gente”

Infelizmente começamos a semana com uma notícia 
sobre um ato de racismo.




A Justiça Federal de São Paulo aceitou a denúncia, por crime de racismo, contra a estudante de direito Mayara Petruso. A universitária insultou nordestinos no Twitter, ao postar "Nordestisto (sic) não é gente. Faça um favor a Sp: mate um nordestino afogado!", no dia 31 de outubro de 2010. A denúncia foi oferecida pela Procuradoria da República de São Paulo. A estudante postou a frase após se irritar com o resultado do segundo turno das eleições para Presidente da República, que levou Dilma Rousseff (PT) ao cargo. A mensagem de Mayara foi criticada por milhares de internautas, que levaram o assunto ao Trending Topics do microblog.
No caso de Mayara, a punição pode ser maior que a pena estipulada para crimes de racismo praticados fora das redes sociais, já que a mídia social difunde a mensagem para um público muito maior. A pena prevista é de 2 a 5 anos de prisão e multa.
Segundo o jornal O Globo, o processo correu em sigilo até chegar a Justiça Federal de São Paulo, enquanto o Ministério Público Federal (MPF) comprovava a autencidade do perfil da estudante.




fonte:http://www.comunique-se.com.br/index.asp?p=Conteudo/NewsShow.asp&p2=idnot%3D58877%26Editoria%3D1193%26Op2%3D1%26Op3%3D0%26pid%3D43335165241%26fnt%3Dfntnl
foto:blogln.ning.com

05/06/2011

Corte de cursos de Direito gera processos judiciais

Editorial do jornal O Estado de S. Paulo deste sábado (4/6)




Menos de um mês após ter sido criada pelo Ministério da Educação (MEC) para aliviar a carga de trabalho da Secretaria de Ensino Superior (Sesu), assegurando o cumprimento da legislação federal pelas instituições públicas confessionais e particulares de ensino superior e fiscalizando a educação superior presencial e a distância, bem como a educação profissional e tecnológica, a Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior tomou duas importantes decisões relativas aos cursos jurídicos.
A nova Secretaria obrigou 136 cursos a cortar 10.912 vagas nos próximos vestibulares. Os cortes variam entre 15% e 65% do total de vagas ofertadas por faculdades de direito particulares que receberam as notas mais baixas e os piores conceitos no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) e no Indicador de Diferença entre os Desempenhos Observado e Esperado (IDD).
E, como forma de estímulo às 33 faculdades privadas mais bem avaliadas pelo MEC  que, além dos resultados do Enade e do IDD, leva em conta a proporção de professores com mestrado e doutorado, o regime de trabalho docente, a organização didático-pedagógica da instituição e a opinião dos alunos , foram autorizadas pela Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior a criar 4.214 novas vagas. Há um ano o MEC não autorizava a abertura de novas vagas na área de direito.
As duas decisões têm caráter transitório. Se as 136 faculdades mal avaliadas conseguirem melhorar a qualidade de seus cursos de graduação, o corte de vagas será suspenso. Se nas duas próximas avaliações os cursos permanecerem com os conceitos 1 e 2, numa escala de 1 a 5, os cortes de vagas serão mantidos. O mesmo pode ocorrer com as 33 instituições que foram autorizadas a criar 4.214 novas vagas. Se caírem no ranking das avaliações do ensino superior, elas serão obrigadas a "devolver" essas vagas. A intenção do MEC é estabelecer um máximo de 100 vagas no primeiro ano de cada novo curso jurídico, para garantir a qualidade do ensino. Para os técnicos e avaliadores do Ministério e para a Comissão de Ensino do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), quanto maior é o número de alunos de um curso de direito, mais baixa tende a ser sua qualidade.
Com essas decisões, a Secretaria exibe uma estratégia nova, que pune as instituições universitárias mal avaliadas sem, contudo, fechar os cursos por elas mantidos. Entre 2007 e 2010, o MEC fechou três cursos de graduação em Direito. Medida bastante drástica, o fechamento de cursos prejudica os estudantes, gera um sem-número de processos judiciais e desestimula as entidades mantenedoras dos piores cursos a formular novos projetos pedagógicos e investir na capacitação de seu corpo docente.
Pela nova estratégia, a Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior quer substituir as vagas das escolas de má qualidade por outras em escolas de melhor qualidade. A nova estratégia também tem a vantagem de permitir ao MEC reduzir a oferta de vagas nos cursos de graduação considerados saturados  ou seja, com número excessivo de alunos. E é esse o caso da área de direito. Com mais de 1,1 mil faculdades públicas, confessionais e privadas em funcionamento, a área de direito tem 651.730 alunos  o que representa cerca de 11% do total de matrículas nos cursos de graduação do País. É por causa da má qualidade do ensino oferecido por muitos cursos e do alto número de bacharéis por eles formados que os exames de habilitação da OAB, em muitos Estados, batem recordes sucessivos de reprovação.
Além da área de direito, os cursos de pedagogia e de medicina já foram objeto dos processos de "supervisão especial" do MEC. Agora, segundo os técnicos da Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior, não há previsão de novas supervisões nessas áreas. Mas, dependendo dos resultados das medidas impostas aos cursos jurídicos, a ideia é estendê-las progressivamente a todas as demais áreas, quando for necessário.


fonte:http://www.conjur.com.br/2011-jun-04/fechamento-cursos-direito-gera-inumeros-processos-judiciais
foto:zonadamatamg.com.br

Desembargador sugere construção de mini-presídios



Embora não estejamos seguros quanto a quebra do elo entre as facções criminosas, pensamos que a sugestão do desembargador Willian Campos contribui de forma significativa com o processo de ressocialização do preso. A construção de mini-presídios nos municípios facilita a convivência do preso com a família, auxiliando no processo de humanização no espaço do presídio e no cumprimento da pena.  





A municipalização dos presídios quebraria o elo entre as facções criminosas e novos e antigos detentos que chegam ao sistema prisional, além de representar um caminho para a ressocialização dos presos e o desafogamento das penitenciárias estaduais. É o que defende o desembargador Willian Campos, do Tribunal de Justiça de São Paulo, que encaminhou a proposta ao governador do estado Geraldo Alckmin.
O desembargador propõe a construção de pequenos presídios por comarca. As vagas seriam destinadas a presos que cometessem crimes ou comprovassem morar na região. Os mini-presídios seriam construídos com verbas do Estado, em terreno cedido pela prefeitura. A administração seria de competência do prefeito, por meio de convênio celebrado entre estado, município e o Tribunal de Justiça.
Willian Campos defende a gestão dos mini-presídios a cargo de um consórcio público, de acordo com as regras da Lei 11.107/05. O consórcio teria competência, por exemplo, para criar cargos de agentes penitenciários municipais, desde que fossem respeitadas as atribuições do Conselho Penitenciário, prevista na Lei de Execuções Penais.
O controle do presídio seria dividido entre o comandante local do Batalhão da Polícia Militar e o delegado de Polícia. O juiz de execuções criminais seria o responsável pela internação e remoção de presos, como também pela administração e controle das penas e promoções.
“O grande problema hoje é que só dispomos de presídios federais e estaduais, instalados aleatoriamente em município de livre escolha do Executivo”, diz o desembargador. Para ele, essa maneira unilateral de escolha traz insatisfação à população local pelo fato do presídio abrigar presos de outras cidades, o que acaba por tornar-se pólo de atração das famílias dos detentos que se instalam no local.
“Nas condições da proposta não haveria rejeição da população, pois o presídio estaria atendendo a necessidade da região, sem pessoas de fora”, diz Willian Campos. Ainda de acordo com o desembargador, o estado seria beneficiado, desafogando os atuais presídios o que traria maior tranquilidade social. O desembargador sustenta que os detentos atendidos nos mini-presídios não teriam mais contato com as facções criminosas como acontece hoje, o que causaria o aumento do índice de reabilitação.
“Seria um trabalho inédito que envolveria a prefeitura e as empresas no trabalho de ressocialização. Estas se sentiriam mais seguras em contratar um detento que fosse beneficiado por um tipo especial de acompanhamento.” 


Texto de Fernando Porfírio
(http://www.conjur.com.br/2011-jun-04/desembargador-sugere-construcao-mini-presidios-municipios-sp)
foto:prof-romazzini.blogspot.com

Fórum da Reforma Eleitoral reúne poderes

Anote na agenda:



Nos próximos dias 15, 16 e 17 de junho acontecerá o primeiro Fórum Nacional da Reforma Eleitoral, em Vitória (ES). O evento reunirá autoridades políticas e legislativas, como o ministro do Supremo Tribunal Federal José Dias Toffoli, o presidente do Senado José Sarney, o vice-presidente da República, Michel Temer, o presidente do Superior Tribunal Eleitoral Ricardo Lewandowisk, e o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcante.
Na ocasião, serão debatidos temas importantes para o avanço na legislação eleitoral, como obrigatoriedade do voto, financiamento de campanha, Lei da Ficha Limpa, reforma política e riscos da judicialização política, o papel da Justiça eleitoral na reforma, inclusão das populações excluídas, e leis de iniciativa popular.
A obrigatoriedade do voto será discutida pelo presidente da OAB. Ophir Cavalcante defende um plebiscito para consultar a população sobre o tema.
A forma de financiamento de campanha será comentada pela ministra do Superior Tribunal de Justiça e corregedora do Tribunal Superior Eleitora, Nancy Andrighi. Atualmente, o Brasil adota o sistema misto, com doações públicas ou privadas.
Hoje em dia, existem comissões da Reforma Política na Câmara e no Senado Federal, e também em quase todas as câmaras legislativas dos Estados, incluindo Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo.
A programação completa do evento pode ser encontrada pelos interessados no site http://www.reformaja.org.br/programacao/.



foto: cassionl.blogspot.com

04/06/2011

Pequeno agricultor pode acabar com a fome no mundo



“O pequeno agricultor tem um papel fundamental no combate à fome no mundo.” É o que afirma Frank Mechielsen, especialista em agricultura da Oxfam-Novib na Holanda. Essa organização internacional de ajuda humanitária lançou a campanha 'Cresça', cujo objetivo é combater a fome no mundo. Em 1º de junho, diversas atividades lúdicas foram realizadas em mais de 40 países para chamar a atenção da sociedade ao problema.




Atualmente, de acordo com a Oxfam, uma em cada sete pessoas vai dormir de barriga vazia. Este e outros números estão no relatório “Cultivando um futuro melhor”, lançado pela Oxfam essa semana. De acordo com o documento, o preço dos gêneros alimentícios deve aumentar em até 180% nos próximos 20 anos se o atual modelo de produção e comercialização de alimentos continuarem existindo.

Causas
Desde 2008, o número de pessoas que passam fome no mundo voltou a subir devido ao aumento dos preços de gêneros alimentícios básicos para a dieta de milhares de pessoas, como o milho e o arroz.

De acordo com Frank Mechielsen, uma das principais razões para o aumento da pobreza é o escasso investimento dado aos pequenos agricultores. Investir na pequena agricultura significa automaticamente combater a pobreza já que cerca de 80% das pessoas que passam fome no mundo vivem em áreas rurais.
Outro fator nomeado pela Oxfam para que o preço dos alimentos continue subindo é o uso da biomassa. Estima-se que os países ricos gastaram pelo menos 13 bilhões de dólares por ano com combustíveis à base de produtos agrícolas. O aumento na demanda por esse tipo de combustível foi o responsável por 30% do aumento dos preços dos alimentos em 2008. A Oxfam sugere o fim ao apoio financeiro ao biocombustível.
O efeito estufa também é nomeado pela organização como responsável pelo aumento da fome no mundo. “Continua se emitindo muitos gases de efeito estufa, o que significa aumento de temperaturas no mundo. Temperaturas altas influenciam negativamente a colheita”, diz Mechielsen.

Novo sistema de produção
Apesar dos dados negativos, o especialista em agricultura da Oxfam acredita ser possível inverter essa situação: “Há alimentos suficiente para que todos no mundo comam, o problema é a divisão. Nos países ricos há 1 bilhão de pessoas acima do peso, enquanto nos países pobres 1 bilhão de pessoas passam fome. Nos países ricos, muita comida vai parar no lixo e esse sistema precisa mudar.”

A campanha de combate a fome da Oxfam tem como objetivo mudar o sistema de produção e distribuição de alimentos: “Para mudar esse sistema temos de trabalhar junto ao governo e empresas. As grandes empresas se beneficiam do sistema de produção de alimentos e não querem modificá-lo. No entanto, até para a própria manutenção dos seus lucros, essas empresas vão ter de começar a investir no pequeno agricultor, como é o caso da Unilever, que já vem fazendo isso.”
Personalidades como o ex-presidente brasileiro, Luís Inácio Lula da Silva, o ator Gael Garcia Bernal e a cantora Angélique Kidjo apóiam a campanha Crescer.


fonte:http://www.rnw.nl/portugues/article/pequeno-agricultor-pode-acabar-com-a-fome-no-mundo
foto: cidadaodomundo.weblog.com.pt

Crise alimentar tem raízes financeiras

O índice da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) que monitora, desde 1990, os preços internacionais de alimentos chegou a um recorde em fevereiro deste ano, alcançando 236 pontos. Em março, ele voltou a cair, após oito meses de altas. A queda foi de 2,3% em relação ao mês anterior, mas o índice ainda está 37% acima do nível de março de 2010.

No mundo do jornalismo atual, uma notícia desse teor pode parecer algo abstrata e sem sentido, mas bilhões de pessoas em todos os continentes têm percebido em sua vida cotidiana, nos últimos anos, os efeitos de uma alta generalizada nos preços da comida.
Aqui e ali, são esboçadas explicações suspeitas, como quebras de safra em determinadas regiões, flutuações do preço do petróleo e até o aquecimento global. Frequentemente, o deus Mercado é culpado por essa inflação. Mas, o que realmente está acontecendo? Para entender melhor o fenômeno, procuramos Walter Belik, professor do Instituto de Economia da Universidade de Campinas.
Belik pertence a uma linhagem de intelectuais que não goza de grande prestígio nestes tempos de hegemonia do mercado financeiro. Ele se dedica a pensar a alimentação humana e a idéia de segurança alimentar. A inspiração vem do brasileiro Josué de Castro, a cuja obra faz constante menção o trabalho dele e seus parceiros – gente como José Graziano da Silva, hoje representante regional da FAO para a América Latina. Dez anos atrás, junto com Graziano, Belik coordenou o projeto Fome Zero, adotado como parte do programa de governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
Na entrevista a seguir, Belik defende a tese de que não faltam alimentos no mundo – o verdadeiro problema que tem gerado a alta dos preços é, segundo ele, a inação dos governos nacionais, nos últimos anos, permitindo que se perdesse de vista a necessidade de monitorar preços e manter estoques, a fim de não prejudicar a vida de bilhões. 
Desinformémonos – Vivemos uma “crise alimentar mundial”?
Walter Belik – Concordo em termos, porque essa expressão tem sido usada pelos dois lados, temos que tomar um pouco de cuidado. Muita gente quer dizer que há uma crise de oferta, mas não há. O que há é uma crise provocada pela alta dos preços dos alimentos, então isso impacta na demanda, você tem populações que não conseguem consumir em função da alta dos preços dos alimentos.
Você tem várias motivações para puxar essa bandeira da “crise dos alimentos” pelo lado da oferta, que acho que é importante retomar. Essa ideia acabou dando muito combustível para aqueles que levantam uma teoria que é quase um neomalthusianismo, de que existe uma incapacidade do mundo de garantir a oferta de alimentos – por vários fatores, como o crescimento da demanda, por exemplo. Dizem: a China está crescendo 13% ao ano. Enquanto os chineses se subalimentavam conseguíamos equacionar o problema, mas agora que a China começa a crescer, isso complica Dizem o mesmo incluindo o Brasil, a Índia, países em desenvolvimento em geral.
Existe uma outra vertente que, junto com os ambientalistas (que, na minha opinião, ingenuamente entram nessa discussão), diz que o problema é com os biocombustíveis, que estão deslocando a produção agrícola e consequentemente fazendo faltar alimento. Neste caso, é uma meia verdade.
Há quem diga, ainda, que estamos precisando de uma nova revolução tecnológica, porque vai faltar alimento, precisamos melhorar a produtividade, porque está caindo etc. Quem defende essas posições é o pessoal dos transgênicos. Dizem que precisamos de um novo paradigma tecnológico, a transgenia, que não adianta mais seguir nos passos da revolução verde (melhoramento genético, dignificação da agricultura). É uma vertente complicada e é preciso pensar um pouco antes de defender essas coisas.
Então, há várias vertentes que tentam atacar a questão pelo lado da oferta, dizendo que não vai ter alimento. O que está por trás desta ideia? A ideia de que os governos têm que dar mais subsídio, têm que fechar seus mercados, não podem deixar exportar livremente, senão falta alimento, têm que investir mais na agricultura. É um viés fisiocrático, ruralista, de querer mostrar que a agricultura precisa ser mais prestigiada, e isso é muito perigoso. 
Não faltam alimentos no mundo
Os preços subiram muito rapidamente em função de outros fatores, que não têm a ver com falta de oferta. Muito pelo contrário, existe uma oferta que vem crescendo de forma bastante constante ao longo do tempo. Inclusive em 2008 [ano em que os preços dos alimentos chegaram a pico histórico, agora novamente atingido], que não foi um ano ruim para a agricultura, houve apenas alguma frustração de safra em alguns países: a seca na Austrália, o problema do açúcar na Índia, o da soja na Argentina, alguns problemas na Rússia, algumas frustrações, mas é absolutamente normal que todo ano algum país do mundo tenha um problema de frustração de safra.
Vemos, então, que não é um problema de falta de oferta, é um problema de que os preços estão sendo puxados por outros fatores, que estão além da produção agrícola. Essa alta dos alimentos está levando a que um grande contingente da população não consiga consumir, e aí nós estamos falando de países que já vinham sofrendo problemas econômicos – países africanos, alguns países da Ásia (Paquistão, Bangladesh, Mianmar), todos bastante complicados do ponto de vista de poder aquisitivo. Então, existe um problema de demanda, que faz com que a gente possa dizer que existe uma crise do alimento, sim. 
Então, por que os preços dos alimentos estão subindo?
Visto isso, o que está pressionando a alta dos preços dos alimentos? Em primeiro lugar, um certo nervosismo do mercado em função da crise financeira, principalmente, além de alguns problemas geopolíticos que fazem com que o preço do petróleo continue subindo (aliás, o petróleo hoje está a US$ 105 e está subindo violentamente em função dos conflitos políticos nos países árabes, mas, em 2008, estava a US$ 75,8, já tinha subido no momento anterior).
Há, sobretudo, esse problema da especulação com commodities, que faz com que os alimentos virem ativos. A comida entra na roda financeira como qualquer outro ativo e perde o status de alimento, de uso, passa a ser só um elemento de troca.
Em segundo lugar, o que eu acho mais grave, os países abriram mão de formar estoques reguladores. Antigamente, quando se começava a pressionar muito a alta dos preços, os estoques reguladores entravam para minimizar essa alta, os países lançavam mão dos estoques, colocavam no mercado e seguravam a alta. Então, se é um problema sazonal, de quebra de safra, tudo bem, há estoques reguladores que entram. Agora, os países abriram mão de ter isso.
Por quê? Em função de 15 anos de neoliberalismo. Para que formar estoques reguladores? Do ponto de vista neoliberal, estoques reguladores, em primeiro lugar, são uma forma de intervenção do Estado nos mercados, então o Estado não pode gastar dinheiro comprando produtos agrícolas. Mesmo porque, num cenário de abertura comercial, de queda de barreiras, se o preço aumenta em um país, esse consumidor, esse comprador desse país, pode comprar no país vizinho, uma vez que estamos vivendo uma perspectiva de integração de mercados, de globalização.
Todo esse ideário se mostrou uma bobagem, porque os países não acumularam estoques e, na primeira crise que aconteceu, quem necessitava de alimentos para consumo alimentar teve que comprar os alimentos nos países vizinhos a preços de mercado, repassando esse preço para o mercado interno.
Especulação financeira
Tirando essa questão de os países não acumularem estoques, não há nenhum motivo real que justifique uma crise, não existe escassez. Ao contrário do que muitos defendem, de que a crise é porque está faltando alimento, não é isso, não está faltando alimento. Mesmo os países que cresceram rapidamente, como a China, aumentaram sua produção agrícola de uma forma muito grande. Então, esses países estão dando conta da coisa. Aliás, quando você compara a produtividade da agricultura, o rendimento agrícola, e os aumentos de áreas, todos continuam crescendo a taxas superiores ao aumento da população. O que acontece é que os rendimentos [dos trabalhadores] não estão crescendo a taxas cada vez maiores, mas sim a taxas talvez cada vez menores, mas ainda muito acima do crescimento da população.
O Milho
O México abdicou de ter uma soberania alimentar em nível nacional. No momento em que foi feito o Nafta, o México, que não tinha competitividade para produzir milho e não tinha capacidade para atender a toda a população, acabou abrindo as fronteiras de uma forma totalmente indiscriminada para o milho norte americano. O que aconteceu com a questão do biocombustível? Só o anúncio do Bush de que iria multiplicar por 4 ou 5 a produção de etanol do milho para mistura na gasolina já provocou uma alta enorme no preço do milho no México – porque com essa integração de mercado você cria um sistema de vasos comunicantes.
E, quando a crise estourou, não só o México deixou de receber milho, como uma parte da produção mexicana foi desviada para atender à demanda norte americana. E aí se comenta muito sobre o fato de que basicamente o milho utilizado para ração e para produção de etanol seria o milho amarelo, e o milho para tortilha seria o milho branco. Esse milho branco, um produto absolutamente alimentar, cujos rendimentos industriais são baixos, começou a ser utilizado para produção de etanol e para especulação. É um exemplo acabado dessa situação de falta de estoques reguladores, falta de um padrão de intervenções mais consistentes que garanta a alimentação da população. Não aconteceu só com o México, foi com a Guatemala, Honduras, vários países da América Central.
Revoltas Árabes
Sim, há o aumento de preços da comida, a inflação é um componente importante na insatisfação popular, mas a coisa começou a se manifestar muito mais em função da crise financeira, que fez crescer o endividamento desses países, provocando corte de gastos públicos, desemprego. Agora, nessas situações desses países, o suprimento de alimentos começa a ficar complicado. Isso acontece em todo momento de agitação social, o preço do alimento sobe.
O futuro
Todo mundo concorda que essa crise não é passageira, é uma crise que vai perdurar durante mais alguns anos. Há uma tendência de altas dos preços dos alimentos que, ainda estão muito colados à questão das outras commodities. Acho que vamos ter de conviver com isso ao longo dos próximos anos. De certa forma, o alimento ainda é barato, houve um barateamento generalizado dos alimentos. Isso talvez comece a reverter. Talvez o alimento, como um bem necessário para a saúde da população, comece a ser um pouco mais valorizado.
É curioso, por exemplo, que, agora na reunião do G20, o Sarkozy propôs um maior controle no preço dos alimentos, inclusive [com formação de] estoques. Houve uma grita generalizada. É uma posição correta. O mundo todo, quando acabou a 2a Guerra Mundial, viveu uma crise de alimentos, porque essa guerra abalou a economia de uma forma muito profunda, a Europa ficou arrasada, não tinha como produzir alimento, e os EUA estavam vindo de um esforço de guerra. Então, propôs-se um controle mundial sobre os alimentos, haveria um banco mundial de alimentos, países seriam financiados para produzir, haveria uma série de medidas de incentivo aos países para que houvesse um equilíbrio no seu consumo e oferta. Isso não foi aprovado.
Hoje, o que se está propondo é um pouco isso: ora, por que não se resolve o problema dos países africanos, por exemplo, que são importadores líquidos de alimentos? Por que não se investe pesadamente na oferta de alimentos desses países? No G20, agora, não há um consenso sobre isso, nem vai haver. A posição do Brasil, por exemplo, é um pouco a do ministro da Agricultura [oriundo da direita ruralista], que, outro dia em uma entrevista disse: “Agora que o preço dos países dos alimentos está bom, que o agricultor está se dando bem, os países ricos querem controlar o preço, que história é essa?” Então, não há consenso e nem vai haver no curto prazo.
Enquanto não se resolver esse tipo de coisa, a crise vai durar. Vai durar enquanto não houver um programa de recuperação desses países pobres, para que possam produzir, enquanto não houver um programa mundial de estoque, uma espécie de banco de alimentos de estoques reguladores, que venham a salvar. O Programa Mundial de Alimentos da ONU tenta fazer isso, mas com doações de excedentes – ou seja, é algo extremamente tímido e depende da caridade dos EUA e de outros países ricos. Então, é preciso uma institucionalidade internacional que possa dar conta disso tudo.
Só que os países não conseguem chegar num consenso, assim como não conseguiram chegar com relação à crise financeira internacional. No caso dos alimentos é ainda mais complicado, porque alimento envolve países pobres, que não têm força política.
Combate à pobreza x segurança alimentar
O Fome Zero tem uma proposta bastante abrangente de resolver o problema da segurança alimentar (inclui itens como merenda escolar, apoio à agricultura familiar etc.), e o governo Lula avançou bastante no combate à pobreza, via transferência de renda, que era uma linha de menor resistência. Avançou-se bastante no programa Bolsa Família, que cobre 12 milhões de famílias abaixo da linha da pobreza. A pobreza tem uma aderência com a questão da segurança alimentar, mas não são a mesma coisa. O problema de insegurança alimentar extrapola a pobreza, mesmo porque a segurança alimentar pressupõe uma estabilidade. O programa Bolsa Família visa amenizar as condições de pobreza das pessoas, mas ele está agora em um processo de rediscussão, no sentido de garantir que se possa permitir a superação da pobreza, não apenas amenizá-la. 
Quando o dinheiro vira problema
A gente está questionando bastante esse padrão alimentar que está se estabelecendo a partir do Bolsa Família. Várias pesquisas do governo mostram que os beneficiários gastam entre 70 e 80% da renda com alimento – muito bem, mas vamos ver que alimentos que estão sendo consumidos, em muitos casos é alimento não saudável, alimento industrializado. Muitos dizem: “Eles também têm direito a tomar coca-cola”. Tudo bem, eles têm direito, mas não e função do Estado transferir renda para que eles tomem coca-cola.
Fazer transferência de renda para uma comunidade indígena, por exemplo, pode ser uma violência. Eu lembro quando começamos a trabalhar com o Programa Fome Zero, estive em algumas áreas indígenas, e se criticava muito o programa de cesta básica, que existia antigamente, quando a cesta básica era dada às famílias indígenas e não tinha nada a ver com a alimentação daquela família. Aprendemos com essas experiências, isso já não se faz mais, mas por outro lado ainda estamos no começo de poder trabalhar melhor um programa alimentar para essas famílias. Todos os programas alimentares teriam que ter esse componente da produção local, da pesca, e como você vai incentivar? Tem uma série de questões que vão ter que ser tratadas e equacionadas caso a caso.


Texto de Caue Seigne Ameni
fonte:http://ponto.outraspalavras.net/2011/05/02/crise-alimentar-raizes-financeiras/
foto: projetoaliga.blogspot.com

A ONU reconhece emergência alimentar

Escolhemos três reportagens muitos esclarecedores sobre o mesmo tema: a alimentação humana. Uma questão debatida constantemente nos veículos de comunicação e que sempre está na pauta das reuniões internacionais dos governos. No entanto, nada disso altera a realidade. Milhões de pessoas continuam morrendo de fome, buscando seus alimentos nos lixões ou dos restos que encontram nas ruas.Na mesma proporção cresce a produção agrícola e nunca se plantou e colheu tantos grãos como na atualidade. Então por que ainda existe a fome, por que tanta gente não tem acesso aos alimentos?



O Programa Mundial de Alimentação, das Nações Unidas (WFP, em inglês), considerado a maior agência humanitária do mundo, lançou, durante a Páscoa, um apelo eloqüente aos países que lhe destinam fundos. Precisa de 500 milhões de dólares suplementares, em seu orçamento, para 2008. Do contrário, será obrigado a cortar as rações de 90 milhões de pessoas, em 80 nações a que presta assistência.
O pedido, também dirigido a doadores individuais, é motivado por uma alta espantosa nos preços dos alimentos, em todo o mundo. Só em 2007, a elevação foi de 40%, e a tendência altista vem desde 2004, segundo cálculos da FAO, outra agência da ONU. Embora possa, a médio prazo, favorecer os trabalhadores no campo (onde se concentram três quartos dos habitantes mais empobrecidos do planeta), o movimento está provocando emergência alimentar. Acredita-se que poderá ser mais grave que a do início dos anos 70 — a maior do pós-II Guerra.
Dois fatores estão estimulando a alta dos preços. O primeiro é a mudança nos hábitos alimentares de centenas de milhões de pessoas, principalmente na Ásia. O consumo médio de carne dos chineses saltou, nos últimos vinte anos, de 20 para 50 quilos ao ano. Alterações semelhantes estão em curso na Índia e no sul e sudeste da Ásia. Isso provoca um enorme aumento do consumo de alimentos. São necessários três quilos de cereais para produzir um quilo de carne de porco — e oito quilos, para um de carne de boi.
Do ponto de vista mais imediato, o vilão são os combustíveis vegetais — especialmente o milho, cuja eficácia para movimentar motores é paupérrima. Ainda assim, subsidiado nos Estados Unidos por fortes incentivos monetários aos produtores e por altas taxa sobre a importação (de etanol de cana, por exemplo), o milho cultivado para álcool está roubando espaço de todos os cereais destinados à alimentação humana e animal.
As conseqüências políticas da alta de preços são profundas. Países como o Brasil poderão ganhar acesso a grandes mercados de álcool de cana. Para evitar que isso gere devastação ambiental e concentração de riquezas, terão de adotar medidas que redistribuam os ganhos dos grandes produtores, e impeçam a devastação de ecossistemas como a Amazônia, o Pantanal e o cerrado. Outra tentação perigosa são os alimentos transgênicos. Diante da escassez de comida, será preciso apresentar alternativas que tornem desnecessário seu cultivo.


Texto de Antonio Martins
fonte:http://ponto.outraspalavras.net/2008/03/24/a-onu-reconhece-emergencia-alimentar/
foto: dilmanarede.com.br

03/06/2011

Com spear phishing, fraude com e-mail se esconde atrás de um rosto amistoso

Mais um perigo ronda nossos emails. Todo cuidado ainda é pouco!





A maioria das pessoas sabe ignorar a abertura do e-mail de um príncipe nigeriano, oferecendo riquezas em troca de um número de conta bancária. Isso é um golpe, claro aos olhos.
Mas e se o e-mail parece vir de um colega de outra sala? E tudo o que ele pede é que você acrescente alguns dados pessoais ao banco de dados da empresa?
Esse é o “spear phishing”, uma forma de fraude que está se proliferando rapidamente e que possui um rosto familiar: mensagens que parecem ser de colegas de trabalho, amigos ou parentes, personalizadas para enganar você a baixar sua guarda online. E está se transformando em um grande problema, segundo empresas de tecnologia e peritos em segurança de computadores.
Na quarta-feira, o Google revelou que descobriu e impediu um esforço para uso dessas táticas para o roubo de centenas de senhas do Gmail e monitoramento das contas de pessoas proeminentes, incluindo altos funcionários do governo. A secretária de Estado americana, Hillary Rodham Clinton, disse na quinta-feira que o FBI investigaria a afirmação do Google de que a campanha se originou na China.
Essas táticas também foram usadas em um ataque contra uma empresa chamada RSA Security, que peritos em segurança disseram que pode ter dado aos hackers as ferramentas para uma invasão séria no mês passado na Lockheed Martin, a maior fornecedora militar do mundo.
Os peritos em segurança dizem que esses esforços são muito diferentes das tentativas comuns de phishing, que envolvem espalhar pela Internet milhões de e-mails que parecem ser, digamos, do Citibank, na esperança de fisgar alguns poucos clientes desavisados do Citibank. O spear phishing envolve o envio de propostas altamente direcionadas, que podem parecer autênticas porque parecem vir de uma fonte confiável e conter mensagens plausíveis.
Assim, o golpe se torna mais difícil de ser detectado pelo recebedor.
“É uma tática realmente suja, porque é bastante personalizada”, disse Bruce Schneier, diretor chefe de tecnologia de segurança da empresa britânica BT Group. “É um e-mail de sua mãe dizendo que ela precisa de seu número do Seguro Social para o testamento que ela está preparando.”
Schneier disse que os ataques se parecem mais com um golpe tradicional do que com uma invasão tecnicamente sofisticada.
“Isso é um hackeamento da pessoa”, ele disse. “Não é um hackeamento do computador.”
A Symantec, a empresa de segurança de computadores, disse que interceptou cerca de 85 ataques direcionados por dia em março, incluindo esforços para roubo de informação pessoal por meio de phishing ou com links para software maligno, que poderia expor arquivos corporativos. O único mês com mais ataques foi março de 2009, quando houve um aumento que coincidiu com a cúpula do G20.
Os alvos mais comuns segundo a Symantec foram órgãos do governo e altos gerentes e executivos; o phishing de peixes tão grandes costuma ser chamado de “whaling” (caça à baleia).
Empresas manufatureiras foram alvo de 15,9% dos ataques, em comparação a 8% contra o setor financeiro e 6,1% contra empresas de tecnologia, disse a Symantec. Os hackers que visam corporações geralmente estão à procura de novos projetos de produtos e podem se concentrar nos engenheiros de uma empresa fornecedora das forças armadas, por exemplo, para obter dados que podem vender no mercado negro.
Enrique Salem, o presidente-executivo da Symantec, deu o exemplo de um e-mail enviado para o chefe de uma empresa, que parece vir da Receita Federal. A mensagem questiona as implicações fiscais de uma aquisição, e o presidente-executivo encaminha a mensagem para outros dentro da empresa. Alguém abre o anexo, dando ao atacante acesso à rede interna da empresa.
“Trata-se de fazer você fazer algo que comprometa o sistema”, disse Salem.
No caso dos ataques ao Gmail, o Google disse que eles parecem ter vindo de Jinan, China, e visavam usuários como ativistas políticos chineses, pessoal militar, jornalistas e autoridades sul-coreanas.
O Ministério das Relações Exteriores da China disse na quinta-feira que o governo não teve envolvimento nos ataques, e que se opõe consistentemente “a atividades criminosas que causem danos à Internet e redes de computadores, incluindo o hackeamento, reprimindo essas atividades de acordo com a lei”.
Não está claro como os atacantes obtiveram os endereços do Gmail que usaram, apesar de que podem ter sido encontrados dentro de outras contas comprometidas, incluindo contas corporativas e do governo cujos endereços frequentemente são mais fáceis de deduzir.
Os atacantes podem esperar encontrar e-mail ligado ao trabalho nas contas pessoais do Gmail das vítimas.Mila Parkour, uma pesquisadora independente de segurança que ajudou a alertar o Google sobre os ataques, disse que percebeu a campanha quando uma das vítimas permitiu que ela examinasse algumas das mensagens suspeitas.
Isso a levou a descobrir uma tela de login falsa do Gmail, mas convincente, que os atacantes usavam para enganar as vítimas a digitarem suas senhas. Ela disse que as mensagens indicavam que as tentativas de phishing começaram pelo menos um ano antes dela tomar conhecimento –no início de 2010. “Eu achei interessante porque eles fizeram isso por muito tempo”, disse Parkour.Ela disse que também viu telas que imitavam páginas de login de portais de Internet de sistemas de e-mail corporativo.
Empresas e indivíduos podem adotar medidas para impedir esses ataques. Por exemplo, o Google encoraja as pessoas a usarem um processo de dois passos, que envia um código especial para seu celular quando fazem o login no Gmail. O Departamento de Defesa pede ao seu pessoal que use uma “assinatura digital” em seus e-mails, que verifica a identidade.
Mas a vantagem está do lado dos atacantes, dado que suas falsificações podem ser realistas e, portanto, irresistíveis, segundo o tenente coronel Gregory Conti, um perito em segurança de computadores de West Point. Ele disse que um motivo para o problema estar ficando difícil de deter é o fato das pessoas que enviam as mensagens usarem a Internet, especificamente redes sociais como o Facebook, para obter o máximo de informação pessoal sobre os alvos potenciais.
“O que há de errado com esses e-mails é muito, muito sutil”, ele disse, acrescentando: “Eles chegam sem erros, frequentemente usando o jargão apropriado ou as siglas de um determinado escritório ou organização.”
A forma de deter esses esforços não é clara, disse Conti: “É um problema aberto”.
Entre as vítimas do spear phishing estão pessoas que supervisionam a segurança corporativa, disse Larry Ponemon, presidente do Ponemon Institute, uma empresa de pesquisa em Traverse City, Michigan, que se concentra na segurança de dados. Ele deu o exemplo de um executivo de tecnologia de segurança, que recebeu um e-mail que parecia ser do departamento de recursos humanos de seu empregador, pedindo informações pessoais para realização do pagamento.
Schneier, do BT, disse não acreditar que exista uma solução fácil e universal para o problema, assim como não há para roubo de carro. Ele disse que a natureza pessoal dos ataques os torna muito sedutores.“Bem-vindo ao mundo. Você não pode detê-lo”, ele disse. “Conviva com isso.”



 
Reportagem de Matt Richtel e Verne G. Kopytoff (John Markoff contribuiu com reportagem) publicado no jornal The New York Times (http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/nytimes/2011/06/03/com-spear-phishing-fraude-com-e-mail-se-esconde-atras-de-um-rosto-amistoso.jhtm)

Tradução: George El Khouri Andolfato
foto: portaxp.net