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29/10/2016

Estudo mostra como o celular afeta o sono dos adolescentes


Smartphones e celulares têm causado um enorme estrago nos padrões de sono dos adolescentes, segundo um estudo da Universidade de Montreal, no Canadá.
O trabalho, publicado na revista científica Sleep Health, mostrou que quanto mais os jovens usam o aparelho eletrônicos durante o dia, especialmente antes de dormir, pior a qualidade do sono deles.
Mais de 1.200 estudantes de 14 a 16 anos preencheram diários ao longo de um ano para registrar quantas vezes ao dia eles costumavam passar em frente ao computador, bem como o tempo gasto com outras atividades sedentárias, como ver TV, fazer lição de casa ou falar no telefone. Eles também responderam a questionários sobre sono.
Os adolescentes que usavam computadores ou jogavam videogames por mais de duas horas ao dia dormiam 17 e 11 minutos a menos que os outros jovens, respectivamente.
Um em cada três estudantes tinha o hábito de usar eletrônicos por mais de duas horas diárias, e esses eram mais propensos que os outros a dormir menos de oito horas por noite. Vale lembrar que, na adolescência, é recomendável dormir até mais do que isso.
Os participantes que falavam ao menos duas horas diárias no telefone também tinham uma tendência três vezes maior a descansar menos de oito horas por dia. Eles, assim como os jovens que ficavam mais no computador, relataram mais sonolência durante o dia
Os estudantes que assistiam a duas ou mais horas de TV por dia, por sua vez, apresentavam metade da probabilidade de dormir menos que oito horas em relação aos outros.
Os autores lembrar que dormir bem não só é importante para o crescimento, como também para evitar problemas de atenção, depressão e ganho de peso.

Reportagem de Jairo Bouer
fonte:http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2016/10/28/estudo-mostra-como-o-celular-afeta-o-sono-dos-adolescentes/
foto:http://www.techenet.com/2012/08/oriente-e-proteja-seus-filhos-na-internet/

20/07/2015

'Escolas do crime': quase todos os centros de internação de menores têm problemas


Na virada da última quinta para sexta-feira da semana passada, um dos quatro adolescentes que estupraram e assassinaram uma garota de 17 anos no interior do Piauí -- outras três meninas, submetidas às mesmas sevícias, sobreviveram -- foi brutalmente assassinado por seus comparsas. Os quatro estavam internados em um centro socioeducativo na capital do estado, Teresina, o que levantou questões sobre as condições desses locais para manter jovens criminosos.
Um levantamento de VEJA nas capitais de 17 dos 26 estados brasileiros mostra que a situação é crítica. De 94 centros de internação nessas cidades, 79 são alvos de medidas de adequação do Ministério Público. São problemas que vão desde falta de vagas ou de aulas de ensino até questões mais graves, como condições insalubres de higiene, insegurança e superlotação grave.
Em São Paulo, que responde por pouco mais de um terço desses centros, a situação ainda é um pouco melhor do que no restante do país. Todos os 37 locais precisam de alguma adequação, mas apenas dois estão sob ameaça de interdição. No restante do país, de cada dez centros de internação, quatro já foram interditados pela Justiça ou estão sob ameaça dessa medida.
"Nestes locais, alguns jovens não estudam sequer uma hora de aula por semana e, possivelmente, os de melhor comportamento são selecionados para as aulas. Por causa da superlotação, há até caso de sala de aula transformada em dormitório", critica o promotor Luciano Tonet, da vara da infância da e da juventude do Ceará, onde três centros estão parcialmente interditados.
A maioria das instituições no Brasil não tem nenhum projeto pedagógico, não fornece aulas regulares e não tem qualquer oficina profissionalizante. Quando o Conselho Nacional de Justiça inspecionou os centros de Maceió há dois anos, as aulas ocorriam de uma a duas vezes por semana, quando tanto. "Tudo é executado de forma muito amadora", diz a juíza Marina Gurgel, que integrou o CNJ.
A questão se torna ainda mais grave diante da possibilidade de que os jovens criminosos passem até dez anos dentro dessas instituições, ao contrário dos atuais três anos de prazo máximo. A medida, aprovada na semana passada no Senado Federal, ainda precisa passar na Câmara e ser sancionada pela presidente Dilma Rousseff, mas é um passo importante para adequar a legislação brasileira, uma das mais lenientes do mundo com infratores menores de idade.
As condições precárias dos centros socioeducativos acabam sendo ainda mais perniciosas do que as péssimas condições das prisões quando se considera que os jovens têm maior capacidade de recuperação, dizem especialistas. "Jovens infratores são diferentes de criminosos adultos. Há um período na adolescência em que os jovens têm maior propensão a tomar decisões precipitadas e menor capacidade de olhar para o futuro quando em situações emocionais extremas. Isso indica que alguns deles se envolvem em crimes não porque tem um caráter depravado, mas, em parte, porque são adolescentes", diz o psiquiatra americano Edward Mulvey, que acompanhou a carreira criminosa de mais de 1 300 jovens infratores ao longo de sete anos.
Essa característica não isenta os jovens de seus crimes, pelo contrário. Mas apenas com centros de internação adequados eles poderão sair de lá melhores do que entraram, e não piores. As prisões brasileiras, que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, já comparou a "masmorras medievais", são verdadeiras "universidades do crime". Os centros socioeducativos precisam melhorar muito, para não se tornar "escolas do crime".



Reportagem de Kalleo Coura
fonte:http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/escolas-do-crime-quase-todos-os-centros-de-internacao-de-menores-tem-problemas
foto:http://www.meionorte.com/noticias/senado-aprova-aumento-do-tempo-de-internacao-aos-menores-infratores-274841

09/02/2015

O fim da indiferença diante da exploração sexual infantil

Na República Dominicana, a prostituição de adolescentes foi ignorada durante anos pelas autoridades locais.

Quando sai à rua para encontrar clientes, Gabriela Flores tem mais dificuldade do que alguns anos atrás. “Procuram carne fresca”, lamenta. Não é que queiram jovens – ela tem 23 anos. Muitos andam atrás de adolescentes. Outros buscam diretamente meninas. Isso ocorre em Boca Chica, uma zona turística decadente da República Dominicana, um dos destinos emergentes para o turismo sexual infantil.
A menos de 40 quilômetros da capital do país caribenho, Boca Chica é provavelmente um dos municípios onde a exploração de menores é mais conhecida. Embora não seja evidente, pode-se encontrá-la nas ruas, onde as garotas rivalizam com Flores em busca de clientes. Ou de forma mais sutil. Existe toda uma rede de intermediários na praia, oferecendo ao turista “o que ele quiser”. São “conseguidores”, que podem ir das massagistas legalizadas, que durante as fricções nas costas recomendam “algo mais”, até as pessoas que fazem tranças, que aproveitam seu catálogo de penteados para oferecer as garotas que aparecem nas fotografias. Se o turista aceitar, chamam ummotoconcho (uma espécie de mototaxista-mensageiro) para que busque a menor ou a leve a um motel. Uma rede em que cada um fica com uma comissão de quem não tem problema em pagar para ir para a cama com uma menor, como explica Jessica Rosario, da associação Caminante, que há 20 anos, em parceria com o Unicef, luta contra esse problema e procura oferecer ajuda às crianças e aos adolescentes explorados.
Isso ocorre em parte porque, nas palavras de Marleny Guante, procuradora da infância e adolescência de Boca Chica, “muitos dominicanos consideram normal que um menor vá com um estrangeiro”. “Há até alguns policiais que não veem isso como algo ilícito, por isso não fazem nada quando a situação ocorre diante deles. É necessária uma conscientização que comece na escola”, afirma Guante.
A impunidade é quase total. Não só para os clientes, como também para quem explora os menores. Até a segunda década deste século, praticamente não se lutava contra esse flagelo: entre 2003 e 2011 houve apenas três condenações em toda a República Dominicana por exploração sexual de menores. Lentamente, a situação está começando a mudar. A Procuradoria especializada no combate ao tráfico de pessoas começou a trabalhar seriamente contra a prostituição infantil, liderada pelo procurador Jonathan Baró. Em 2014 houve quatro condenações, mais que no período de oito anos citado. E 54 pessoas estão sendo processadas. As cifras, como reconhece o próprio Baró, não são nada em comparação com o tráfico sexual infantil: “É uma realidade muito difícil de controlar. As garotas se encontram desamparadas e vêm de situações muito complicadas. A gravidez adolescente [muito frequente na República Dominicana, onde quase 25% das mulheres são mães antes dos 18 anos] é um exemplo: as garotas são expulsas de suas casas e frequentemente são vítimas do tráfico de pessoas ou vão até mesmo voluntariamente a bordéis ou às ruas para se prostituir”.
Até apenas dois anos atrás não havia uma unidade especializada em combater esses delitos. Agora, cinco agentes – para um país de 10 milhões de habitantes – os investigam em conjunto com a Procuradoria de Baró. “Precisamos de profissionais muito preparados e especializados. Por um lado, habilitamos um telefone de denúncia para trabalhar a partir daí. Mas também estamos começando a pôr em prática outras estratégias com ajuda externa, como ‘iscas’ que se fazem passar por turistas. Graças a isso, há um mês resgatamos da exploração 16 menores de uma comunidade. Detivemos seis pessoas”, explica o procurador.
Antes da Procuradoria, as tentativas de combater a prostituição infantil eram muito tímidas. O que se conhecia como Politur, uma polícia turística que há pouco mais de um ano se transformou em um corpo militarizado e trocou de nome para Cestur, era uma das poucas ligações entre esses menores e o Estado. Mas, segundo Rosario, a Politur estava muito mais preocupada com o bem-estar dos visitantes do que com o das próprias crianças. “Era uma polícia mal paga e mal formada que não tinha consciência da gravidade desse delito. Era difícil que um menor recorresse a ela, porque sabia que era mais provável sofrer uma chantagem do que receber ajuda”, relata a funcionária da Caminante. O Ministério do Turismo não deu sua versão da situação, apesar dos numerosos pedidos do EL PAÍS. Segundo Rosario, a nova Cestur também não realiza um trabalho ideal, ainda são mantidas velhas práticas e corruptelas locais que não ajudam na luta contra a prostituição infantil, mas pelo menos os comandos têm vontade de colaborar.
A Caminante é um dos principais apoios para os menores que caem na prostituição. Ela os assessora, educa e ajuda a sair desse mundo, embora não seja um caminho fácil, porque em muitas ocasiões os menores não têm para onde ir – nem de onde tirar dinheiro quando deixam as ruas.
Foi à Caminante que Gabriela Flores recorreu anos atrás. Embora ela já não seja uma criança e, em tese, tenha abandonado a prostituição, quando é indagada, reconhece que “de vez em quando” sai às ruas para procurar algum cliente. “Preciso do dinheiro para alimentar meus filhos”, justifica. Aos 23 anos, tem quatro, algo que na República Dominicana é comum. Trabalha em casa como cabeleireira, mas afirma que às vezes o dinheiro não é suficiente. Além desse emprego, retomou os estudos primários. Quer concluí-los para ter acesso ao ensino médio e, depois, cursar direito. Quando era criança, não pôde terminar o ensino básico porque a mulher que cuidava dela – uma senhora com quem seus pais a deixaram porque não podiam mantê-la – morreu quando ela estava com 14 anos. Foi aí que Flores foi para as ruas. “Uma amiga e eu começamos a nos deitar com turistas para ganhar dinheiro. De todas as nacionalidades. Cada dia fazíamos três ou quatro serviços”, conta. Cobravam entre 1.500 e 3.000 pesos (95 e 190 reais). Em um mês, juntavam cerca de 100.000 pesos (aproximadamente 6.300 reais), dez vezes o salário mínimo do país. Mas não economizavam, viviam cada dia: “Comprávamos roupa, tolices... Não nos preocupávamos com o futuro”, reconhece.

Agora sim ela faz isso. Preocupa-se com o seu e o de seus filhos. O mais velho, de seis anos, foi o que a motivou a sair da prostituição e recorrer à Caminante. Hoje ela não sabe se lhes dirá algum dia a que se dedicou (e a que ainda se dedica às vezes). “Talvez seja melhor que saibam por mim do que por outra pessoa”, reflete.
Sua história é um padrão que se repete em muitos casos de menores prostituídos. Famílias desestruturadas, dinheiro que parece fácil e falta de alternativas. Segundo Baró, uma das coisas mais difíceis de fazer quando os menores são libertados da exploração é evitar que retornem para as ruas. “É comum que passem por casas de acolhida temporária, não sejam localizados de forma permanente e em pouco tempo voltem a cair nas redes desse negócio”, reconhece.
A falta de meios do Estado para combater essa situação é um fator-chave para que ela não melhore. Algumas empresas estabelecidas na ilha concentram boa parte de sua responsabilidade social corporativa na tentativa de acabar com esse problema. A empresa espanhola Meliá Hotels International, que conta com vários complexos turísticos na República Dominicana, fomenta todo tipo de atividades para recolher e doar fundos que têm como destino final a luta contra a prostituição: de espetáculos nos resorts, nos quais já atuaram artistas como David Bisbal, até o chamado “check-in solidário”, pelo qual se cobra um dólar adicional da primeira estadia no hotel, além de doações diretas de empregados. “Além disso, aqui falamos muito sobre o trabalho que fazemos, e os hóspedes costumam dar mais dinheiro”, explica um funcionário do hotel.
Além da sensibilização e da arrecadação de fundos, a empresa está trabalhando em um projeto para dar emprego aos menores que saiam da prostituição. Rafael Torres, gerente dos resorts Paradisus de Punta Cana, explica que vão começar treinando alguns para incorporá-los à sua equipe, algo que com o tempo deve se transformar em um trabalho sistemático. “Além de ajudar esses jovens de forma concreta, queremos servir de exemplo para que as empresas vejam que é possível contribuir para a luta contra a exploração sexual de forma muito ativa”, explica.
Os hotéis de sua empresa começaram há anos com o mais básico que podiam fazer para combater o problema, treinando seus funcionários em protocolos de segurança e identificação de comportamentos suspeitos para comunicá-los à Procuradoria. Em suas instalações é totalmente proibido que um adulto entre acompanhado de um menor se não forem parentes – para evitar isso, funcionários solicitam escrupulosamente que todos os que entram mostrem um documento de identidade. Cada vez é menos frequente que alguém tente entrar nessas condições, mas ainda ocorre.
A área em que está esse hotel, uma das mais luxuosas de Punta Cana, tem pouco a ver com Boca Chica. Nem o tipo de turista nem o ambiente das ruas e praias fazem pensar que nessa área o turismo sexual infantil seja frequente, ao contrário do que ocorre no outro cenário. A prostituição nos arredores, porém, é muito comum, tanto em locais habilitados para isso como em outros lugares, como um lava-rápido de carros que funciona como um bar ao ar livre, no qual o garçom oferece garotas aos clientes. Também é muito frequente que, em bares comuns, mulheres se aproximem dos turistas oferecendo sexo em troca de “um presente”. Tanto estas como as dos prostíbulos ou dos lava-rápidos são jovens, mas não se poderia dizer com certeza se alguma tem menos de 18 anos. E todas negam. Assim, por precaução ou por falta de demanda, não parece que o sexo infantil seja uma “atração” turística nessa área. “Mas também há casos. Em certas ruas se podem ver garotas ou garotos menores, que são mais comuns do que a gente pensa, prostituindo-se”, assinala Torres.
Diferentemente do que se poderia imaginar, o cliente dessa atividade não costuma ser um pedófilo. “Simplesmente se deparam com a disponibilidade dessas crianças e se aproveitam disso”, afirma Selma Fernández, responsável pelo Programa de Prevenção da Exploração Sexual Comercial Infantil da rede Ecpat International.
A conscientização entre os turistas também é, portanto, crucial. Mais de 1.000 integrantes do setor no mundo todo (companhias aéreas, agentes de viagem, hotéis, etc.) assinaram um Código de Conduta para tentar erradicar essas práticas. Mas é mais fácil conscientizar a comunidade local do que todos os estrangeiros que vão para esses destinos. Raúl Valette, presidente da associação de comerciantes de Boca Chica, trabalha há dois anos nisso. Segundo fontes do Unicef, no início ele resistia muito e não queria nem mencionar o assunto por causa da má imagem que poderia dar à área. Hoje Valette procura reduzir a importância do problema – “não é tão generalizado como a gente pensa, são exceções” –, mas também reconhece a necessidade de agir para acabar com ele. “É um trabalho de toda a sociedade, incluindo os sindicatos e os motoconchos”. Valette concorda com a procuradora Guante: “É o fortalecimento da comunidade o que realmente pode acabar com a exploração sexual infantil”.
É muito incomum que as próprias vítimas denunciem a exploração. Suas famílias também não costumam ir à polícia, seja porque não existem ou porque lucram com esse negócio. Os turistas que pagam por sexo com menores, obviamente, também ficam em silêncio. E quem vai desfrutar de uma semana de descanso à sombra de uma palmeira raramente se envolve se vê alguma conduta suspeita. Assim, está nas mãos dos próprios dominicanos e de suas autoridades acabar com essa prática criminosa. Depois de muito tempo de indiferença, pelo menos parece que eles começaram a trabalhar.

Reportagem de Pablo Linde
fonte:http://brasil.elpais.com/brasil/2015/01/19/internacional/1421667926_483170.html
foto:https://moralyluces.wordpress.com/2011/08/page/5/

26/11/2014

Locais vulneráveis à exploração sexual infantil nas estradas aumentam, diz PRF

Os locais considerados vulneráveis à exploração sexual infantil nas estradas brasileiras aumentaram de 1.820 pontos mapeados em 2009/2010 para 1.969 em 2013/2014. Apesar disso, houve uma redução de 40% nos pontos considerados críticos, onde estão reunidos muitas variáveis de vulnerabilidade. Em 2009/2010, foram identificados 924 pontos, e hoje são 566 os locais considerados críticos. 
Os dados foram levantados pelo projeto Mapear, da Polícia Rodoviária Federal (PRF), que identifica os pontos de risco para a população infantojuvenil nas rodovias do país. Os pontos críticos são aqueles onde se conjugam fatores como falta de iluminação, ausência de vigilância, local de parada de veículos, consumo de bebidas alcoólicas e prostituição de adultos.
De acordo com Márcia Vieira, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Polícia Rodoviária Federal, o resultado é importante porque demonstra que o trabalho realizado em cooperação com órgãos como a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, a organização Childhood Brasil e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) tem o efeito de melhorar os ambientes nas estradas, a fim de coibir a exploração sexual infantil. "Essa redução reflete a parceria dos trabalhos da Polícia Rodoviária Federal com outros órgãos para o aprimoramento de medidas que possibilitem uma infância plena para as crianças do país!", disse.
Dos 1969 pontos mapeados neste último levantamento, 56 por cento deles são considerados críticos (566) ou de alto risco (538) para a prática de exploração infantil e outras vulnerabilidades, somando 1104 pontos espalhados em apenas 470 municípios brasileiros. De acordo com a pesquisa divulgada, a Bahia aparece como o estado com o maior número de pontos críticos ou de alto risco mapeados (62), seguido de Minas Gerais (53), Pará (53) e Goiás (36). Esses estados apresentam ainda o maior número de municípios com pontos críticos ou de alto risco, sendo o primeiro Minas Gerais, com nove municípios, Bahia e Pará com  sete e Goiás com cinco municípios.
A novidade em 2014 é que foram incluídos fatores importantes para o entendimento dessa realidade, como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), composto por indicadores de educação, longevidade e renda, mostrando que os agentes envolvidos na prática de exploração de vulneráveis não se limitam apenas aos abusadores, e passam também por fatores socioeconômicos. Chama atenção, por exemplo, o fato de que 90,43% desses 470 municípios em situação de risco crítico ou alto possuem o IDHM (educação) entre médio e muito baixo. Nessas localidades, há aproximadamente 120.150 mil crianças e adolescentes até 14 anos não alfabetizadas e 527.635 desses jovens evadidos da escola.
Os dados apontam ainda  que dentro de um universo de 4.220.975 indivíduos de 0 a 14 anos nesses municípios, 1.103.107 deles, ou 26,13% vivem em famílias pobres ou de extrema pobreza, com renda per capita de R$ 57,81.  Dessas, 259.058 estão dentro da população economicamente ativa,ou seja, estão trabalhando, trabalharam no mês anterior à pesquisa ou estão procurando emprego. São dados importantes, por sugerir que essas crianças e adolescentes podem ter uma relação com a exploração sexual nesses municípios que apresentam alta quantidade de pontos considerados críticos.
Para Ana Maria Drummond. diretora da organização pela proteção à infância Childhood, esses dados representam apenas a ponta do iceberg, mas significam um importante resultado no combate à privação do direito à infância dessas crianças. "Ainda há muito que ser feito, e buscamos parcerias para trabalhar os dados que Polícia Rodoviária Federal disponibiliza", disse. A organização trabalha com uma campanha que conta com a adesão de empresas privadas de transporte terrestre rodoviários, o Programa na Mão Certa, que sensibiliza as empresas a educar seus funcionários para servirem de multiplicadores na questão da responsabilidade e cuidados com as crianças. "Percebemos que eles, do mesmo modo que podem ser os agressores, podem também, muitas vezes, ajudar no trabalho de prevenção e denunciar essa prática aos órgãos competentes", conclui.
O projeto, que atualmente está presente em rodovias federais, acabou interiorizando essa prática de combate à exploração sexual infantil para as rodovias estaduais, como foi identificado no estado de Pernambuco, pioneiro nesse trabalho. De acordo com a tenente-coronel da PRF de Pernambuco, Érica Melcop, esse trabalho nos estados deve ser incentivado. "Dentre os vários desafios enfrentados contra esse tipo de agressão, não podemos esquecer o de transferir o trabalho também para as polícias rodoviárias estaduais. Percebemos essa prática mais presente no estado, então nosso trabalho foi o de sensibilizar nossos agentes sobre a importância dessa medida", disse.
Desde a criação do projeto, em 2005, 4.321 crianças e adolescentes já foram retiradas de situação de vulnerabilidade, das quais 188 até agosto deste ano. Ainda segundo o relatório,  69%  das vítimas são meninas, 22% transgêneros e 9%,  meninos.

fonte:http://www.jb.com.br/pais/noticias/2014/11/25/locais-vulneraveis-a-exploracao-sexual-infantil-nas-estradas-aumentam-diz-prf/
foto:http://www.jorgeschneider.com.br/serie-de-acoes-combate-exploracao-sexual-de-criancas/