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06/06/2017

Por que os EUA agora exigem informações sobre perfis em redes de quem quer entrar no país

A partir de hoje (06/06), se você quiser viajar aos Estados Unidos é possível que as autoridades peçam seu nome de usuário no Facebook junto à sua solicitação de visto.
É que o governo de Donald Trump aprovou um novo questionário a ser respondido por solicitantes de visto para visitar o país.
O questionário, parte de um esforço para intensificar o controle e escrutínio de quem entra nos EUA, inclui perguntas sobre o perfil do solicitante no Facebook, Twitter e outras redes sociais e seu histórico no uso destas redes nos últimos cinco anos.
Segundo os novos procedimentos, os funcionários consulares estão autorizados a pedir endereço de e-mail, todos os números dos passaportes anteriores, números de telefone e até 15 anos de informação biográfica, incluindo empregos e destinos ou outros detalhes de viagens realizadas durante esse período.
Todos esses dados poderão se solicitados quando "um controle mais rigoroso em relação à segurança nacional for necessário", disse um funcionário do Departamento de Estado à agência de notícias Reuters.
Os críticos a esse sistema dizem que os processos de concessão de visto serão muito mais longos e pouco eficientes, já que as autoridades terão de reunir dados pessoais que muitas vezes acabam sendo irrelevantes.
Isso poderia render atrasos consideráveis e desmotivar profissionais qualificados e estudantes a tentar entrar no país. "Tememos que, com essas medidas, estudantes internacionais, acadêmicos e cientistas desistam de vir aos Estados Unidos", escreveu um grupo formado por 50 instituições educativas do país em uma carta ao Departamento de Estado.
"Se as pessoas tiverem a impressão de que será complicado conseguir um visto, elas não vão querer vir", disse ao jornal FirstPost Andrea Pietrzyk, conselheira de estudantes internacionais da Faculdade de Lewis-Clarck State College em Lewiston, Idaho.
O trâmite de visto para um turista pode levar entre semanas e meses; para autorização de trabalho, o tempo de espera pode durar anos.
Babak Yousefzadeh, jurista com base em San Francisco e presidente do Colégio de Advogados Iraquianos-americanos (IABA, na sigla em inglês), disse à agência de notícias Reuters que as novas perguntas darão um "poder arbitrário" aos EUA para escolher quem consegue ou não o visto.
E questiona a necessidade de endurecer a concessão de visto, tendo em vista que "os Estados Unidos tem um dos processos de solicitação de visto mais rigorosos do mundo".
A informação é voluntária, mas o questionário avisa aos solicitantes que "os indivíduos que não proporcionarem toda a informação solicitada pode ter o visto negado".

'Identificação de ameaças'

Segundo dados oficiais, 10 milhões de vistos americanos foram emitidos em 2016 no mundo inteiro.
Uma das promessas da campanha de Trump era reforçar a segurança e proteção das fronteiras.
O governo americano usa esse argumento para justificar suas mudanças recentes no visto H-1B para profissionais qualificados, as novas diretrizes para deportar pessoas sem documentação e o endurecimento do processo de visto para entrar no país.
Em março deste ano, quando já se sabia que o novo questionário seria introduzido, o Departamento de Estado enviou à BBC Mundo o seguinte comunicado:
"Imediatamente tomamos medidas para fortalecer ainda mais nossos procedimentos já fortes de monitoramento e investigação, que incluem reconhecimento facial e digital e um acompanhamento antiterrorista interinstitucional com o objetivo de identificar com maior eficácia as pessoas que poderiam representar uma ameaça para os Estados Unidos".
Os serviços de controle de imigração do país já vinham pedindo, desde dezembro passado, informações sobre uso de redes sociais para viajantes usando o Programa de Extensão de Visto, que autoriza a entrada aos EUA sem necessidade de visto para cidadãos de 38 países, entre eles Espanha, Chile e Reino Unido.
Porém o novo questionário - em vigor desde 23 de maio - vai mais além e afetará os solicitantes de qualquer país.

fonte:http://www.bbc.com/portuguese/internacional-40171350#orb-banner
foto:http://agenciapomar.com.br/redes-sociais-para-empresas/

30/05/2017

Instagram é considerada a pior rede social para saúde mental dos jovens, segundo pesquisa

O Instagram foi considerada a pior rede social no que concerne seu impacto sobre a saúde mental dos jovens, segundo uma pesquisa do Reino Unido.
Na enquete, 1.479 pessoas com idades entre 14 e 24 anos avaliaram aplicativos populares em quesitos como ansiedade, depressão, solidão, bullying e imagem corporal.
Organizações de saúde mental pediram às empresas que mantém os aplicativos a aumentar a segurança dos usuários.
Em resposta, o Instagram disse que uma de suas maiores prioridades é manter a plataforma como um lugar "seguro e solidário" para os jovens.
O estudo, da Sociedade Real para Saúde Pública (RSPH, na sigla em inglês) na Grã-Bretanha, sugere que as plataformas avisem, através de um pop-up, toda vez que houver uso excessivamente intenso das redes sociais, e que identifiquem usuários com problemas de saúde mental.
O Instagram diz que oferece ferramentas e informações sobre como lidar com bullying e avisa os usuários sobre conteúdos específicos de algumas páginas.
A pesquisa afirmou que "as redes sociais podem estar alimentando uma crise de saúde mental" entre jovens.
No entanto, ela também pode ser usada para o bem, segundo o estudo. O Instagram, por exemplo, teve um efeito positivo em termos de autoexpressão e autoidentidade, segundo a pesquisa.
Cerca de 90% dos jovens usam redes sociais - mais do que qualquer outra faixa etária -, o que os torna especialmente vulneráveis a seus efeitos, apesar de não estar exatamente claro quais seriam estes no momento.

'Depressão profunda'

Isla é uma jovem de 20 e poucos anos. Ela ficou "viciada" em redes sociais durante a adolescência quando estava passando por um momento difícil de sua vida.
"As comunidades online me fizeram sentir incluída, como se a minha existência valesse a pena", diz. "Mas eu comecei a negligenciar minhas amizades na 'vida real' e passava todo o meu tempo online conversando com meus amigos lá".
"Eu passei por uma depressão profunda quando tinha 16 anos, ela durou meses e foi terrível. Durante esse período, as redes sociais me fizeram sentir pior, eu constantemente me comparava com outras pessoas e isso fazia eu me sentir mal", conta a jovem.
"Quando eu tinha 19 anos, tive outro episódio de depressão profunda. Eu entrava nas redes sociais, via meus amigos fazendo várias coisas e me odiava por não conseguir fazê-las ou me sentia mal por não ser uma pessoa tão boa quanto eles".
As redes sociais também tiveram um efeito positivo na vida de Isla. "Eu bloguei muito sobre saúde mental, sou bem aberta em relação a isso e tive boas conversas com as pessoas sobre o assunto."
"Eu acho que me dá uma plataforma pra falar sobre isso. Conversar com as pessoas é algo imperativo para a minha saúde. Eu ainda sou amiga de pessoas que conheci na internet há cinco, seis anos e até encontrei algumas delas pessoalmente", diz.
A pesquisa online fez uma série de perguntas sobre o impacto das redes YouTube, Instagram, Snapchat, Facebook e Twitter em termos de saúde e bem-estar. Os participantes da pesquisa deveriam avaliar cada plataforma em 14 tópicos relacionados aos temas.
Com base nessas avaliações, o YouTube foi a rede com o impacto mais positivo em termos de saúde mental, seguido por Twitter e Facebook. Snapchat e Instagram tiveram as piores pontuações.

'Faroeste'

"É interessante ver Instagram e Snapchat nas piores posições para saúde mental e bem-estar - ambas as plataformas são bastante focadas em imagem e parecem causar sentimentos de inadequação e ansiedade nos jovens", diz Shirley Cramer, executiva-chefe da RSPH.
Com base nessas descobertas, especialistas em saúde pública estão pedindo para que as plataformas de redes sociais introduzam uma série de checagens e medidas para melhorar a saúde mental, incluindo:
  • Avisos de que as pessoas estão fazendo uso excessivo das redes sociais (apoiada por 70% dos jovens que participaram da pesquisa);
  • A identificação, por parte das plataformas, de usuários com problemas de saúde mental (pelo conteúdo de postagens) seguida de "indicações discretas sobre como eles podem conseguir apoio";
  • Sinalização de quando as fotos foram digitalmente manipuladas - por exemplo, marcas de roupa, celebridades e outras organizações publicitárias poderiam utilizar um pequeno ícone nas fotos alteradas digitalmente.
Tom Madders, da organização de saúde mental YoungMinds, disse que as recomendações podem ajudar muitos jovens. "Aumentar a segurança nas redes sociais é um passo importante que pedimos para Instagram e outras redes tomarem", disse.
"Mas também é importante reconhecer que simplesmente 'proteger' jovens de alguns conteúdos jamais será a solução total".
Ele disse que os jovens precisam entender os riscos de como eles se comportam na internet e devem aprender como reagir a "conteúdos nocivos que escapam dos filtros".
Michelle Napchan, chefe das políticas do Instagram, disse que "manter a solidariedade e segurança do Instagram como um local onde as pessoas se sintam à vontade para se expressar é a nossa maior prioridade - especialmente em relação aos jovens".
"Todos os dias, pessoas em todas as partes do mundo usam o Instagram para compartilhar sua própria jornada de saúde mental e conseguir apoio no Instagram quando e onde eles precisarem".
"É por isso que trabalhamos em parceria com especialistas para dar às pessoas as informações e ferramentas que elas precisam para usar o aplicativo, inclusive sobre como denunciar conteúdo, conseguir apoio para um amigo que lhes preocupa ou contatar diretamente um especialista para pedir conselhos sobre como lidar com um problema".

fonte:http://www.bbc.com/portuguese/geral-40092022#orb-banner
foto:https://www.tecmundo.com.br/instagram

06/03/2017

Redes sociais aumentam sensação de solidão, diz estudo

Rede sociais estão fazendo com que nos sintamos mais solitários, aponta um estudo realizado por psicólogos americanos.
A pesquisa, publicada no Periódico Americano de Medicina Preventiva, aponta que acessar sites como Twitter, Facebook e Snapchat por mais de duas horas por dia dobra a probabilidade de alguém se sentir isolado.
Os cientistas argumentam que a exposição a representações idealizadas da vida de outras pessoas também faz com que sintamos inveja delas.
"Não sabemos o que veio antes - o uso de redes sociais ou a sensação de isolamento social", diz a coautora do estudo Elizabeth Miller, professora de Pediatria da Universidade de Pittsburgh.
"É possível que jovens adultos que se sentiam isolados socialmente recorreram às redes sociais. Mas pode ser que o uso cada vez mais intenso de mídia social levou eles a se sentirem isolados do mundo real."

Interações

Quase 2 mil adultos com idades entre 19 e 32 anos foram entrevistados quanto a seu uso de redes como Twitter, Facebook, Instagram, Pinterest, Snapchat e Tumblr.
O estudo sugere que quanto mais tempo uma pessoa fica online, menos tempo ela tem para interações no mundo real.
A navegação pelas redes sociais também pode despertar sentimentos de exclusão - inveja, por exemplo -, como quando se vê fotos de amigos se divertindo em eventos para os quais não se foi convidado.
"É importante estudar isso, porque há uma epidemia de problemas mentais e de isolamento social entre jovens adultos", afirma Brian Primack, da Escola de Medicina da Universidade de Pittsburgh.
"Somos criaturas sociais, mas a vida moderna tende a nos isolar em vez de nos aproximar. Apesar das redes sociais aparentemente criarem oportunidades de socialização, o estudo aponta que elas não têm o efeito que esperamos."

fonte:http://www.bbc.com/portuguese/geral-39178058#orb-banner
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11/01/2017

Redes sociais validam o ódio das pessoas, diz psicanalista

Nas redes sociais, é possível expressar o seu ódio, dar a ele uma dimensão pública, receber aplausos de seus amigos e seguidores e se sentir, de alguma forma, validado.
Além disso, a linha entre uma ameaça virtual e uma ação criminosa é tênue, como ocorreu no caso da chacina ocorrida em Campinas (SP) no começo do ano, quando um homem matou a ex-mulher, o filho e outras dez pessoas durante uma festa de Ano Novo.
Essa é avaliação que o psicanalista Contardo Calligaris, doutor em psicologia clínica e autor de diversos livros, faz sobre a disseminação dos discursos de ódio nas redes sociais, que para ele deveria ser "perseguida". "Deveríamos ter limites claros ao que é o campo da liberdade de expressão, que é intocável, e o momento em que aquilo se torna uma ameaça."
Em entrevista à BBC Brasil, ele ressalta que as redes também trazem efeitos muitos positivos, refuta discursos de que o mundo está mais violento e fala de sua esperança de que os brasileiros se tornem "cidadãos melhores". Confira os principais trechos:
BBC Brasil - Temos observado casos de violência brutal - chacinas como a de Campinas, a morte de um ambulante espancado em uma estação de metrô, atentados, matanças. Vivemos uma época de mais intolerância ou apenas sabemos mais sobre ela?
Contardo Calligaris - Eu tendo sempre a diminuir os gritos de horror, que são plenamente justificados, mas tendo a diminuí-los porque a sensação de que estamos em um mundo mais violento no médio e longo prazo é sempre falsa. Estamos em um mundo infinitamente menos violento do que era dois séculos atrás, por exemplo - essa é a progressão. Mas claro, é um gráfico que sobe e desce.
Nos casos recentes, um é diferente do outro. Uma coisa é o espancamento de um ambulante que tentou ajudar as travestis, de populações particularmente expostas à violência coletiva - aqui realmente se trata de um crime de ódio, de ódio à diferença.
Quase sempre são crimes inspirados pelo horror e medo de poder se identificar com a vítima - a sensação de que "eu mato o morador de rua ou a travesti que eu poderia vir a ser e de tal forma eu nunca virei a ser essa mesma pessoa". É a base fundamental de muitos comportamentos racistas, de extermínio de diferentes.
Esse é um tipo de mecanismo de violência, mas outro é o caso da boate em Istambul, por exemplo, que é o desejo de "destruir o local onde os "ocidentais se reúnem para suas festas de infiéis porque não quero ser tentado por isso e mato a minha própria tentação de cair na gandaia".
E outro tipo ainda é o episódio de Campinas, que é o que me dá mais pena - aqui tem uma coisa que a imprensa deveria sublinhar muito para que seja ouvida, que é uma história absolutamente anunciada.
Houve, ao longo de cinco anos, vários boletins de ocorrência, a mulher não consentiu com as medidas restritivas que poderiam fazer a diferença. E aí você vai me dizer, "mas a polícia e a Justiça não fariam nada, só iriam à casa do suspeito", mas isso sim já faria a diferença.
Alguém deveria ter orientado a mulher sobre a possibilidade disso acontecer, mesmo sendo o pai de seu filho. As estatísticas dizem que quando você tem quatro ou cinco boletins de ocorrência depois da separação, as chances são grandes de você ter episódios de violência.
BBC Brasil - A descrença que a gente vê nesse caso - de que o homem não seria capaz de fazer algo concretamente - também observamos nos casos dos comentários raivosos das redes sociais. Especialmente depois desse caso, mas em tantos outros, em muitos dos argumentos que a gente já leu na internet, muito desse discurso do ódio está explícito. Será que isso é um alerta de que esse discurso estaria passando para o ato e se concretizando na vida real?
Calligaris - Nas redes sociais, é possível expressar o seu ódio, dar a ele uma dimensão pública, receber aplausos pelos seus amigos e seguidores, e se sentir de alguma coisa validado. Ou seja, as redes sociais produzem uma espécie de validação do seu ódio que era muito mais difícil antes de elas existirem e se tornarem tão importantes na vida das pessoas.
Isso não tem remédio porque não podemos voltar atrás, e essa é certamente a parte menos interessante das redes sociais, que em contrapartida têm efeitos sociais muito positivos.
É uma coisa um pouco ridícula ouvir isso de um psicanalista, mas eu acho que o discurso de ódio nas redes sociais é algo que deveria ser perseguido, deveríamos ter limites claros ao que é o campo da liberdade de expressão, que é intocável, e o momento em que aquilo se torna uma ameaça e deveria receber imediatamente a atenção da polícia e do Judiciário.
Existe uma linha tênue de passagem entre a ameaça na rede social, a confirmação que ela recebe do discurso de quatro, cinco, ou mil malucos nos comentários - pessoas que vão ter respondido, no caso de Campinas, por exemplo, "vai lá e mata mesmo aquela 'vadia'" - e a possibilidade de ação criminosa.
Ele é um louco, no sentido geral e num sentido clínico certamente poderíamos especificar melhor. De toda forma, todos nós somos capazes de pensar a forma como essa panela de pressão foi se construindo.
BBC Brasil - Assim como as redes sociais têm essa ambiguidade - um lado positivo e outro negativo - o nosso mundo e nossa sociedade parece caminhar um pouco da mesma forma, dando dois passos para frente e um para trás. Por exemplo, na questão de gêneros, temos uma fluidez maior, mas muitos ataques contra gays e trans. Como fica o indivíduo nesse período em que parece que temos duas realidades: uma abertura maior com relação a alguns assuntos e um preconceito rigoroso sobre eles?
Calligaris - As redes sociais proporcionaram, por um lado, coisas que eram impensáveis anos atrás. Por exemplo, tem um ódio coletivo que se manifesta contra a comunidade trans, alimentado por figuras sinistras que comandam até igrejas, e isso é alimentado, apesar de poder ser caracterizado como um crime de incitação ao ódio.
Mas, por outro lado, alguém que não se reconhecia no seu corpo, uma trans que morava no interior do Mato Grosso e achava que era um monstro, único do tipo e destinada a uma vida escondida, de repente descobre que tem pessoas como ela pelo mundo afora, e grupos, e pessoas dispostas a escutar, a dar conselhos. Isso é o outro efeito positivo das redes.
Agora é verdade que fundamentalmente as redes sociais são construídas no modelo da sociedade contemporânea, ou seja, você vale o apreço que você produz. Ou no caso, o número de "likes" que suas postagens conseguem receber.
Isso aconteceria mesmo que as redes sociais não existissem. Ou seja, na sociedade contemporânea, você não vale os seus diplomas ou nem mesmo o que é a sua história - o que importa é quem e quantos gostam de você. Assim é o funcionamento da sociedade contemporânea, gostemos dele ou não.
Agora, o problema é que, quando você vive, se alimenta do apreço dos outros, é muito fácil se enredar em formações de grupo absolutamente espantosas.
Então o discurso de ódio, por exemplo, se alimenta porque é uma coisa "maravilhosa": você constitui, pelas redes sociais, um imenso grupo de pessoas que pensam absolutamente a mesma coisa que você - o que é trágico porque frequentar e trocar mensagens com quem diz "é isso mesmo, meu irmão" é de um tédio mortal.
BBC Brasil - E isso tem a ver com as bolhas informacionais e com algoritmos que "pensam por nós" e reforçam esse comportamento...
Calligaris - Sim... eu acho que deveríamos ler aquilo com o qual não concordamos, não só o que concordamos. Eu, como colunista, penso isso. Para que ler algo que você sabe que vai concordar?
BBC Brasil - Falando sobre esse reforço de ideias ainda e sobre avanços e atrasos, há o que parece ser um incômodo sobre a conquista de direitos dos outros - e aqui falo especificamente sobre a mulher. A psicanálise explica por que essa conquista incomoda tanto alguns grupos da sociedade?
Calligaris - O que mais me surpreende é, por um lado, a tremenda insegurança de quem se ofende com os direitos de uma maioria oprimida.
Essa inquietação tem uma força ideológica muito mais ao redor de pessoas que sobrevivem ou acham que sobrevivem graças a precárias posições de vantagem.
Tem um monte de homens um pouco perdidos porque ficou cada vez menos claro o que é esperado deles. Também não sabemos mais como defini-lo - ele já não é o provedor. Essas são mudanças lentas.
BBC Brasil - Você falou sobre a vantagem - isso é sempre identificado com o brasileiro, de forma geral, aquele que sempre quer levar vantagem em tudo, o malandro. Mas temos um revés disso com grandes políticos e empreiteiros sendo presos, a corrupção mais combatida, que pode mostrar que "não vale mais tanto a pena". Isso pode mudar esse comportamento de apontar ou dedo e não olhar para si, nunca pensar na sua própria responsabilidade?
Calligaris - Essa é a grande esperança, embora eu não acredite que ela vai mudar a qualidade ética da nossa classe política tradicional. A Lava Jato tem esse aspecto de dilúvio universal nas casas das pessoas, mas não estou vendo os efeitos disso ainda.
Mas, do ponto de vista do cidadão comum, tenho uma pequena esperança de que isso mude um pouco a regra de querer levar vantagem em tudo, aproxime da gente a ideia de que em pequenas operações da vida cotidiana possamos ser tão corruptos no sentido de confundir o público e privado e de tornarmos a convivência publica uma coisa tão problemática. E ao compreender isso, podemos nos tornar cidadãos melhores.

Reportagem de Néli Pereira
fonte:http://www.bbc.com/portuguese/brasil-38563773#orb-banner
foto:http://jornalggn.com.br/tag/blogs/odio-nas-redes-sociais

23/12/2016

Excesso de Facebook no Natal deixa pessoas deprimidas, diz pesquisa

Passar muito tempo no Facebook durante o Natal - vendo fotos de famílias "perfeitas" e de amigos curtindo o recesso de fim de ano ─ tende a deixar as pessoas mais deprimidas, revelou uma nova pesquisa.
O estudo, realizado pela Universidade de Copenhague, na Dinamarca, sugere que o uso excessivo das redes sociais pode desencadear sentimentos de inveja.
A pesquisa alerta, principalmente, para o efeito negativo de ficar bisbilhotando a vida dos outros sem manter relações de amizade com ninguém.
O estudo, que entrevistou mais de 1,3 mil pessoas, a maioria mulheres, diz que o "uso regular de redes sociais como o Facebook pode afetar negativamente o seu bem-estar emocional e sua satisfação com a vida".

'Comparações irreais'

Os pesquisadores alertam para a inveja e a "deterioração do humor" ao passar longos períodos bisbilhotando o que os outros estão fazendo nas redes sociais, um comportamento que leva a "comparações irreais".
Engajar-se ativamente em uma conversa e envolver-se com pessoas nas redes sociais foram descritas como experiências "muito mais positivas", indica o estudo, publicado na revista científica Cyberpsychology, Behaviour and Social Networking.
Outra forma para melhorar o bem-estar, diz o estudo, é abdicar das redes sociais por uma semana.

fonte:http://www.bbc.com/portuguese/geral-38403363#orb-banner
foto:http://www.ovencedordigital.com/como-utilizar-as-redes-sociais-para-ter-sucesso-com-marketing-digital/

03/09/2016

Filtros e cores no Instagram podem revelar indícios de depressão, diz estudo

Seja um registro de uma paisagem, de um animal de estimação fofo ou de um prato de comida perfeito, muitas fotos no Instagram dão a impressão de que a vida é bela e perfeita.
Mas segundo uma nova pesquisa sobre imagens publicadas na rede social, elas podem também revelar se uma pessoa está deprimida.
Publicar fotos com tons azuis, cinzas ou cores escuras ou ainda com o filtro "Inkwell", que transforma fotos coloridas em imagens em preto e branco, são algumas das pistas de que alguém pode estar passando por essa situação, de acordo com a pesquisa feita na Universidade Harvard, nos Estados Unidos.
Os pesquisadores acreditam que o aplicativo pode ser uma nova forma de detectar os primeiros sinais de problemas mentais.
Mas a cultura de se gabar dos bons momentos nas redes sociais não seria também parte do problema?
Um outro estudo, feito por duas universidades alemãs, mostrou que acompanhar as publicações de outras pessoas no Facebook pode despertar sentimentos como inveja e resentimento em muitos usuários - as fotos de férias seriam um dos principais gatilho disso.
Mas, segundo a jornalista Jessica Winter, o "Facebook não é o principal estraga prazeres da festa da mídia social - esse título cabe ao Instagram". Na rede social voltada para a fotografia, diz, é ainda mais forte a tendência de publicarmos fotos belas e perfeitas de nós mesmos ou de situações que vivemos.
A comediante Juliette Burton já enfrentou problemas como dismorfia corporal, depressão e ansiedade e concorda que as mídias sociais podem ser um agravante. "Dizem que uma foto vale mais do que mil palavras, mas isso não é tudo", diz ela.
"Você não sabe o que está por trás daquela coleção de fotos. As redes sociais são uma nova forma de expressão da nossa personalidade, de quem somos, mas ainda estamos aprendendo o que isso significa."
"Pela minha experiência, a mídia social é ruim quando tudo parece falso e uma competição. É muito raro ver pessoas postando sobre coisas ruims. Quando o fazem, é para pedir ajuda. Se você passando por um período difícil, sem conseguir sair da cama, não são momentos assim que você quer ver."

Consolo nas redes

Por outro lado, as redes sociais podem ser também uma forma de obter algum consolo, diz a jornalista e escritora britânica Bryony Gordon. Ela criou um grupo de apoio para quem sofre de problemas mentais após lutar contra um transtorno obsessivo compulsivo, depressão e bulimia.
"Sentia-me completamente sozinha, assim como toda pessoa que tem uma doença mental - porque a doença mental nos faz sentir como aberrações. Só ao escrever sobre isso é que percebi que era totalmente normal se sentir mal."
Ela publicou uma mensagem no Twitter convidando outras pessoas na mesma situação para um encontro, e 20 compareceram. Agora, muitos encontros depois, conta, há uma verdadeira rede de pessoas marcando novos encontros, até mesmo em outros países.
"Por meio das redes sociais, conheci muitas pessoas novas, e isso me deu um grande apoio. Não deveria ser a única forma de buscar ajuda, mas é um ponto de partida para nos fazer perceber que não estamos sozinhos."
Juliette concorda. "Hoje em dia, as pessoas querem falar mais sobre doenças mentais. Mesmo que você não sofra disso, saber como tratar do assunto é um passo muito positivo."

Reportagem de Emma Atkinson
fonte:http://www.bbc.com/portuguese/geral-37227570#orb-banner
foto:http://virgula.uol.com.br/geek/pequena-e-importante-mudanca-pode-finalmente-estar-chegando-ao-instagram/

23/08/2016

Como as redes sociais mudaram a forma de lidar com o luto e a morte

As redes sociais estão modificando as formas de luto e o diálogo sobre a morteno âmbito público. Duas sociólogas da Universidade de Washington estudaram a maneira como os usuários interagem nas redes sociais com os perfis de pessoas que já morreram. Elas concluíram que essas plataformas, e particularmente o Twitter, ampliaram os círculos em que o luto transcorre, criando um espaço público antes inexistente, no qual ocorre um debate entre pessoas que nem conhecem o falecido. Esse novo espaço estaria num meio termo entre a esfera privada e a pública. Na análise delas, o Facebook representaria a esfera privada, e o Twitter ocuparia esse novo terceiro espaço.
Nina Cesare e Jennifer Branstad analisaram 39 perfis do Twitter de pessoas falecidas e as compararam com outros, do Facebook, para estudar as conversas e o comportamento das pessoas diante da morte. Elas descobriram que no Twitter os perfis dos mortos servem a propósitos muito diferentes do que se vê no Facebook ou em qualquer outra rede social. “O Twitter foi mais usado para discutir, debater e inclusive condenar ou canonizar o falecido. No Facebook, por outro lado, os perfis dos falecidos eram usados mais para mostrar sua dor de um modo mais íntimo, com mensagens muito mais profundas”, diz Cesare.
Dessa forma, o Facebook é entendido mais como um prolongamento do âmbito privado, onde dizemos nossos sentimentos da maneira como os expressamos às pessoas próximas. A novidade, portanto, vem do Twitter. As pesquisadoras descobriram em sua análise quatro tipos de tuítes fúnebres. A primeira categoria eram mensagens diretas ao morto, com lembranças de histórias comuns, a fim de manter laços com ele. O segundo tipo são mensagens íntimas, como o reconhecimento da ausência ou simples condolências. O terceiro tipo eram reflexões sobre a vida e a morte. E uma quarta categoria incluía críticas ao falecido ou ao seu estilo de vida.
Tal comportamento reflete a própria natureza do Twitter, segundo as pesquisadoras. “No Twitter, podemos tuitar sem ter seguidores, os perfis são curtos e públicos. As mensagens de 140 caracteres fazem que estes reflitam mais pensamentos concisos do que reflexões profundas”, conta Branstad. Essas características condicionam a forma pela qual usamos o Twitter, com uma atmosfera muito menos pessoal que o Facebook, propícia para que se aborde a morte de uma forma muito mais ampla. “E, ao ser mais impessoal, as pessoas se animam mais a participar quando alguém morre, mesmo que não conheçam o morto”, diz a socióloga.
No Facebook, as interações são diferentes. Normalmente os usuários se conhecem na vida real, publicam fotos pessoais e podem escolher quem vê seus perfis. “Uma mensagem no mural do Facebook de alguém que morreu é como estar na casa dessa pessoa e falar com a família. Compartilha-se a dor num círculo íntimo”, afirma Branstad. No Twitter, por outro lado, encontramos pessoas que não estariam nessa casa, que estão fora desse círculo, mas que podem comentar e falar da pessoa, e inclusive especular sobre a causa da sua morte. “Esse espaço não existia antes, ou pelo menos não em público”, diz Branstad.
Em todas as culturas sempre existiram tradições sobre a morte, mas no século XX e no mundo ocidental, os ritos foram relegados ao interior das casas e às funerárias. “O luto era algo que se sofria na intimidade. As redes sociais em geral reverteram isso e trouxeram novamente a morte ao âmbito público”, explica Cesare. E o Twitter em particular ampliou o conceito sobre o quanto alguém pode se envolver na conversação quando alguém morre, de acordo com o estudo das sociólogas.
“Há 20 anos a morte era muito mais privada. A capacidade do Twitter para abrir a comunidade ao luto e retirá-lo da esfera íntima é uma grande contribuição. E a criação desse espaço onde as pessoas podem se reunir e falar sobre a morte é algo novo”, conclui Cesare. O estudo foi publicado para a conferência anual da Associação Americana de Sociologia de 2016.


Reportagem de Marya González Nieto
fonte:http://brasil.elpais.com/brasil/2016/08/19/tecnologia/1471622152_106143.html
foto:https://psitalk.org/2014/11/19/luto-e-redes-sociais/

11/08/2016

Como apagar suas conversas no WhastApp sem deixar rastros

Jonathan Zdziarski, especialista em segurança digital do sistema iOS, desencadeou uma pequena tempestade ao fazer um comentário sobre o WhatsApp, um dos serviços de mensagens mais populares do mundo, com mais de 1 bilhão de usuários ativos por mês.
"Lamento amigos, mas enquanto os especialistas dizem que a criptografia funciona no WhatsApp, parece que a versão mais recente do app deixa um rastro forense de todas as suas conversas, inclusive depois que você as apagou, limpou ou arquivou... Mesmo se você escolher 'apagar todas as conversas'. Na verdade, a única forma de apagá-las parece ser apagar o app completamente."
A preservação da privacidade é um dos aspectos mais importantes para serviços de mensagem como o WhatsApp. Há pouco tempo, o aplicativo era considerado um dos menos seguros.
Mas, em abril, o WhatsApp introduziu uma mudança semanas depois que o FBI pediu à Apple acesso a dados de um iPhone em um caso que estava investigando.
"Temos o orgulho de anunciar que conseguimos um desenvolvimento tecnológico que faz com que o WhatsApp se transforme em líder na proteção de sua comunicação particular: a criptografia de ponta a ponta", informou a empresa na época da implantação da criptografia.
"Nem o WhatsApp e nem terceiros podem ler ou escutar as mensagens e chamadas", dizia uma mensagem que os usuários do app começaram a receber.
Diante da investigação de Zdziarski, muitas pessoas disseram que a criptografia do WhatsApp era um "mito" ou até uma "mentira".
Até agora, o app não respondeu às alegações de Zdziarski.
Masa, afinal, quem está certo?

'Reconstrução' da mensagem

Zdziarski afirma que o WhatsApp "não parece estar tentando preservar dados intencionalmente".
Mas, segundo sua pesquisa, feita em iPhones - sua especialidade -, "o registro não é eliminado nem apagado da base de dados, o que deixa um artefato forense que pode ser recuperado e reconstruído em sua forma original".
Na prática, isto significa que os rastros da mensagem ficam no telefone.
"A comunicação efêmera não é efêmera no disco", alertou o especialista.
Por isso "as autoridades podem, potencialmente, emitir uma ordem exigindo que a Apple obtenha seus registros de conversas, que podem incluir mensagens apagadas", mas salvas na nuvem. Ou até reconstruir estas mensagens a partir da informação encontrada no telefone.
E este problema não é exclusivo do WhatsApp.
"Em tese a criptografia total, seja relativa a aplicativos de mensagens ou outro tipo de comunicação, é completamente segura e capaz de proteger a segurança de quem está usando", explicou à BBC Mundo Lee Munson, pesquisador de segurança do site Comparitech.com.
"No entanto, na prática, o problema é que a criptografia total só é uma frase para descrever operações matemáticas complexas muito difíceis de decifrar (...). Mas a possibilidade de conseguir isso aumenta com o tempo."
As mensagens que ficam no telefone ou no computador são as que representam o maior risco, de acordo com Richard Cassidy, especialista em cibersegurança na empresa Alert Logic.
"Sem entrar na questão das pessoas que podem ter acesso ao seu telefone ou computador usando técnicas maliciosas, se você apagar as conversas, vai deixar rastros que podem ser recuperados com as ferramentas de busca corretas", disse.
O especialista esclarece que a criptografia tornará tudo mais difícil, mas não impossível. E, infelizmente, as soluções para os telefones são comparativamente menos eficazes do que as voltadas para computadores.

Solução perfeita?

Tudo indica que não existe uma solução perfeita para este problema.
Lee Munso diz que a solução do WhatsApp em matéria de segurança, a princípio, "é suficientemente boa para o consumidor típico".
"Quem está preocupado deve garantir que seus equipamentos sejam suficientemente seguros. Isto significa senhas fortes e evitar sistemas de autenticação que se baseiem em aspectos biométricos", recomendou.
Zdziarki tem algumas recomendações para os donos de iPhone. Uma delas é usar o iTunes para estabelecer uma senha de backup grande e complexa.
Outra é desabilitar os backups na nuvem.
E, de vez em quando, delete o WhatsApp do telefone e o reinstale para limpar a base de dados.
"Esta parece ser a única forma de apagar os registros e recomeçar", disse o especialista.
No entanto, é bom não confiar totalmente nem nestas medidas.
"As pessoas que usam este tipo de app devem entender que qualquer criptografia pode ser decifrada", alertou Stephen Gates, chefe de investigação de inteligência da empresa NSFOCUS.
"Não existe criptografia à prova de balas, apenas 'criptografia mais forte'."

Reportagem de Yolanda Valery
fonte:http://www.bbc.com/portuguese/geral-36968241
foto:http://blog.futurecom.com.br/brasil-e-o-segundo-pais-que-mais-usa-whatsapp-2/