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17/05/2017

As pessoas que sabem a cor de que você irá gostar em 2019

Varejistas coreanos não se incomodam se você tirar muitas fotos de suas lojas, conta Jane Monnington Boddy.
Para ela, isso é ótimo. Antes de visitar a Ásia, no mês passado, ela comprou um iPhone 7 com o máximo de memória disponível.
Não era para selfies nem para fotos de pontos turísticos, mas para registrar o que pessoas estavam comprando, usando, assistindo e fazendo.
Jane trabalha na WGSN, empresa de Londres que oferece informações sobre tendências atuais e futuras de moda, design interior e estilo de vida.
"Saiba o que vem a seguir" é o slogan da firma.
Como diretora de cor, a missão específica de Jane é saber precisamente quais tons serão mais procuradas no futuro.
Em sua viagem, ela visitou a Fashion Week de Seul, a mostra de arte Art Basel Hong Kong e muitas outras exposições.
Cuidadosamente, reuniu informações em fotos, vídeos e anotações.
Viagens regulares desse tipo e a experiência no setor ajudam a profissional de 45 anos a deduzir quais serão as próximas cores da moda.
"Eu penso sobre o uso que vi das cores e sobre o que é popular, e considero isso ao apontar para onde estamos indo no futuro."
Ela participa duas vezes por ano do encontro de tendências da empresa, onde membros da empresa em vários países do mundo - como Brasil, Estados Unidos e China - se reúnem para compartilhar informações.
"No final você acha que sua cabeça vai explodir", diz ela.
Mas são esses encontros que formam a base das previsões semestrais da empresa.
Jane atualmente trabalha nas previsões da WGSN sobre as cores da primavera/verão de 2019 no Hemisfério Norte. Serão anunciadas em junho, dando tempo para que empresas possam organizar a produção.
Uma das tendências que ela acompanhou de perto foi a da cor rosa. Vista no passado como uma cor para meninas, agora tornou-se popular entre homens e mulheres.
"Leva muito tempo até que uma cor caia no gosto de massas e traga muito dinheiro para comerciantes", diz a profissional.
Deduzir qual cor será popular no futuro pode parecer uma atividade de nicho, mas é um negócio grande.
Todas as indústrias ao redor do mundo usam cores. Produtores de carros, aspiradores de pó, telefones, escovas de dente, máquinas de café e outros utensílios domésticos - todos têm que escolher cores para seus produtos.
Acertar na escolha pode ajudar a impulsionar as vendas. Os iPhones da Apple, as batedeiras da KitchenAid, os fones de ouvido da Beats, a loja de roupas e acessórios Kate Spade e a Cambridge Satchel Company (que fabrica artigos de couro) - todos usam cores para se destacar em relação aos competidores.
Algumas empresas já registraram até a cor que usam em seus logotipos, para se proteger de possíveis imitações.
O amarelo dos post-its da empresa 3M, por exemplo, foi registrado.
"Para vender qualquer coisa, você primeiro precisa chamar a atenção de alguém. Cores ajudam a esclarecer a identidade de um produto", diz Laurie Pressman, vice-presidente do Pantone Color Institute, que presta serviços de consultoria em cores e previsões de tendências para marcas e produtos.
"As cores que são populares refletem o que está acontecendo social e culturalmente", acrescenta.
O crescimento da economia do compartilhamento, em que pessoas alugam camas, carros e outros bens diretamente uns dos outros, significa que cores mais leves, como azul pálido, podem entrar na moda.
"Compartilhar significa leveza, você não quer se sentir sobrecarregado, então não procura uma paleta de cores pesada."
Cores como marrom, associada à terra e à sujeira no passado - e agora mais ligada a produtos como café e chocolate - refletem o crescimento dessas indústrias, considera a executiva.
A Pantone é conhecida por suas padronizações de cores, que associam cada tom a um número de padronização.
Esses números permitem que firmas possam especificar a seus fornecedores o tom exato de cor que querem.
A Pantone também fornece informações a fabricantes, para que possam reproduzir a mesma cor de maneira consistente em diferentes tipos de materiais.
"Ter certeza de que as cores possam ser alcançadas facilmente é criticamente importante", explicou Pressman. O nome da cor também importa.
"Sopa de ervilha" quase foi escolhida como a cor de 2017 da firma no lugar de "Folhagem", mas Pressman disse que a denominação não teria criado a sensação correta.
"Cada cor transmite sua própria mensagem e significado", disse.

Cor e sentimento

Mas uma cor pode realmente fazer com que você sinta algo?
Estudos recentes apontaram que times de hóquei sobre o gelo que usam cores mais escuras na parte de cima do uniforme têm maior probabilidade de serem punidos por faltas agressivas. Uma conclusão possível é que os juízes têm preconceito inconsciente contra cores mais escuras, associando-as à ideia de "ovelha negra" e mau comportamento.
Outro estudo concluiu que o uso do vermelho pode aumentar a probabilidade de vencer uma competição.
Mas é difícil encontrar estudos científicos de grande escala que mostrem uma ligação direta entre uma cor e comportamento. Isso acontece porque nossas percepções de cores são subjetivas - diferem de acordo com suas próprias experiências e cultura.
Na China, vermelho é uma cor associada a alegria ou sorte, mas no Reino unido é tipicamente ligada a raiva ou poder.
No entanto, ao menos na percepção das pessoas, algumas cores estão associadas a sentimentos específicos. Olhar para uma cor clara como amarelo pode nos alegrar, mesmo que a sensação seja fugaz, enquanto azul é visto como uma cor que acalma e reconforta.
Mark Woodman, consultor e ex-presidente do Grupo Marketing de Cor (CMG), empresa americana de previsão de tendências, afirma que o volume de recursos que as empresas investem em descobrir a cor certa para seus produtos comprova a importância desse trabalho.
Ele fez consultoria de cor para fabricantes de tinta, empresas de equipamentos médicos, fabricantes de porcelana e até para uma empresa que produz o material picado usado no interior de caixas e sacolas de presente.
"Cores têm de se conectar com o zeitgeist (espírito do tempo) do momento e é isso que nos esforçamos para discernir", disse.
Ele indica que "um grande movimento de cinza" começou a emergir após a crise financeira global de 2008.
Da mesma maneira, nas eleições presidenciais americanas de 2012, Estados que ainda estavam indecisos na disputa começaram a ser retratados como roxos pela mídia - uma mistura do azul dos democratas com o vermelho dos republicanos. O resultado foi que a cor se tornou mais popular.
"As cores têm de fazer sentido para o ambiente", conclui.

Reportagem de Katie Hope
fonte:http://www.bbc.com/portuguese/internacional-39892262#orb-banner
foto:http://marketingemoda.com/paleta-de-cores-da-moda-2016-pantone/

16/03/2016

Roupa anti-mosquito contra o zika

Marca para gestantes lança linha de roupas com citronela e aumenta as vendas em 30%.




Não é só o Estado que anda mobilizado para combater a epidemia de zika vírus no Brasil – que vive sua maior crise de saúde pública desde os anos 80, quando teve de enfrentar a emergência mundial da Aids. Amparada pela ciência, a iniciativa privada busca soluções para proteger a população do Aedes Aegypti e, de quebra, ainda gera negócios em um momento de recessão econômica. É o caso da marca paranaense para gestantes Megadose, que lançou na última quinta-feira, 10 de março, uma linha de roupas com repelente, a MGDO Cares.
Como um bebedouro no deserto, a iniciativa tem atraído grávidas apavoradas com o risco de se infectar com o vírus, transmitido pelo catastrófico mosquito – ao qual se atribui em grande parte o aumento global dos casos de microcefalia em recém-nascidos. E nasceu de uma ideia simples: por que não aproveitar a roupa para se proteger das picadas, acrescentando a ela citronela – eficaz na repelência dos mosquitos e abundante no país? Só faltava descobrir a tecnologia que garantisse a adesão e a permanência da substância nas peças, apesar do uso e das lavagens.transmitido pelo catastrófico mosquito – ao qual se atribui em grande parte o aumento global dos casos de microcefalia em recém-nascidos. E nasceu de uma ideia simples: por que não aproveitar a roupa para se proteger das picadas, acrescentando a ela citronela – eficaz na repelência dos mosquitos e abundante no país? Só faltava descobrir a tecnologia que garantisse a adesão e a permanência da substância nas peças, apesar do uso e das lavagens.
Qual não foi a alegria de João Ricardo Esteves, diretor da Megadose, com sede em Cianorte, ao saber que ela já existia. “Estávamos instigados com o medo das gestantes por causa do zika. Fizemos uma força-tarefa e descobrimos uma empresa que criou um processo em que a cápsula [de citronela] é inserida na fibra do tecido. Fomos atrás também de fornecedores de citronela e dos tecidos adequados e criamos a coleção em tempo recorde”, conta o executivo, que assinou contratos temporários de exclusividade com os novos parceiros e viu suas vendas crescerem de 20 a 30% na rede de 1.000 multimarcas em que está presente em apenas 20 dias.
A empresa em questão é a Nanovetores, de Florianópolis, que detém conhecimento exclusivo na área de encapsulação de ativos. Basicamente, o que ela faz é encapsular micropartículas de vitaminas, óleos essenciais e outras substâncias como – agora – a citronela, para evitar que esses elementos percam eficácia ao ter contato com o ar, a luz e a pele. O recurso, possível graças à nanotecnologia, existe há três anos no Brasil, e há dois foi utilizado pela marca de roupas Malwee em peças que liberam hidratante no corpo das pessoas, conforme são usadas. É a chamada "roupa funcionalizada", uma conquista revolucionária da indumentária, já muito difundida na Europa, onde as mulheres podem comprar, por exemplo, meia-calça com creme anticelulite nas farmácias, mas que passou um pouco desapercebida no Brasil.
“O repelente é a problemática do momento. Com certeza, essa tecnologia irá se difundir no país, tanto para o combate ao Aedes Aegypti com a citronela, como no caso dos hidratantes”, afirma Betina Zanetti Ramos, farmacêutica e diretora da Nanovetores. Betina explica que a grande vantagem de usar repelente no “anteparo têxtil” é potencializar, com um aumento de 60% na eficácia contra os mosquitos, o uso de repelente na pele, que ela considera indispensável. “Com o repelente tópico a proteção é garantida”, explica.
Aplicada diretamente no corpo, como se faz com a típica loção de praia, a citronela – cujos óleos essenciais são extremamente voláteis – tem efeito de 20 a 30 minutos. Se a base do produto for um creme, essa duração passa a ser de três a quatro horas – o que significa que ele deve ser aplicado periodicamente, seja como for. No tecido, que mantém um leve aroma típico da planta, ela pode resistir mais ou menos à lavadora, dependendo do tipo, mas a especialista garante de 20 a 30 lavagens.
O setor têxtil comemora a oportunidade, acreditando também no “compromisso social”– como define Betina Zanetti Ramos, da Nanovetores – que há por trás dela. A Megadose, de olho especialmente no mercado sul-americano com uma plataforma de e-commerce criada especialmente para atender a região, não está sozinha na empreitada. Outra empresa paranaense, a GBaby, vende roupinhas com repelente para crianças, e anda estudando como ampliar a produção. Os pedidos dos 2.500 pontos de venda nacionais que comercializam a marca já ultrapassaram a capacidade de produção da fábrica (20.000 peças ao mês). Assim como o Aedes Aegypti, cresce a lista de espera para que eles sejam atendidos.


Reportagem de Camila Moraes
fonte:http://brasil.elpais.com/brasil/2016/03/14/politica/1457980360_213150.html
foto: Divulgação