02/12/2015

Raiva: uma doença do passado que mata dezenas de pessoas no Haiti

No dia em que completava 12 anos de idade, Sierva María de Todos los Ángeles foi mordida por um cachorro com raiva. Assim começa uma das mais belas histórias do prêmio Nobel de Literatura Gabriel García Márquez, Do Amor e outros Demônios, que descreve como a pobre jovem vê os seus dias passarem em meio à dor e à intolerância na Cartagena do Vice-reinado, quando não havia cura para essa doença e ela era associada à “possessão pelo demônio”.
Passados vários séculos, e apesar de se acreditar que já estivesse erradicada, a célebre “doença da raiva” que aterrorizava os latino-americanos no passado continua presente na região. 70% das mortes por raiva na região ocorrem no Haiti. Outros países com casos notificados são a Bolívia, a República Dominicana, a Guatemala e o Brasil.
No restante do continente americano, a doença foi erradicada quase totalmente desde os anos 80 e as regiões do mundo que mais sofrem atualmente são a África e a Ásia, onde ocorrem 95% das mortes de pessoas causadas pela mordida de cães e outros animais, segundo a Organização Mundial da Saúde.
O controle da enfermidade foi possível graças ao que os especialistas consideram a medida mais efetiva para conter a raiva: vacinar os cães. Apesar de ser transmitida por outros animais, a proximidade dos cães com as populações humanas os torna os principais transmissores da doença.

Meio milhão de cães

“A raiva é um problema sério de saúde pública no Haiti”, afirma Caroline Plante, especialista do Banco Mundial. Ela explica que nem todas as mortes decorrentes da raiva transmitida por cães, nesse país, são notificadas. Estima-se que haja 200 mortes por ano.
O maior problema, sem dúvida, são os cães. Por isso, o Governo haitiano realizou uma campanha de vacinação dos animais, aprovada pelo Banco Mundial. A meta é vacinar 500.000 cães. Vacinar pelo menos 70% da população canina seria suficiente para diminuir os casos de raiva, como já ocorreu em outros países.
“Muitos fatores sociais, culturais e econômicos contribuíram para a propagação da raiva no Haiti, incluindo a tensão na área financeira decorrente da reconstrução depois do terremoto e a subsequente epidemia de cólera”, afirma Plante. Mas a iniciativa do Governo poderia salvar vidas, diz a especialista, especialmente as crianças menores.

Raiva e pobreza

“Na América Latina e no Caribe, a raiva está relacionada muitas vezes com a pobreza, e é vista como uma doença que recebe a devida atenção”, diz Plante. A organização internacional de saúde dos animais afirma que “a raiva é um grande problema de saúde pública que atinge desproporcionalmente as comunidades rurais e pobres”.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, há dois tipos de sintomas da raiva nos humanos: o tipo “furiosa”, em que as pessoas demonstram hiperatividade e que pode resultar em uma parada cardíaca; e a raiva “paralítica”, que paralisa lentamente os músculos das pessoas e pode levar ao coma.
A boa notícia é que a vacinação dos cães pode ajudar a prevenir o contágio. A morte de humanos também pode ser prevenida com um tratamento da ferida aplicado rapidamente e com vacinas.

Reportagem de Isabelle Schaeffer, produtora online do Banco Mundial
fonte:http://brasil.elpais.com/brasil/2015/11/30/internacional/1448897973_160068.html
foto:http://uipi.com.br/noticias/geral/2015/04/20/depois-de-21-anos-ms-registra-caso-de-raiva-humana/

Quem compra imóvel por contrato de gaveta não pode mover ação

Quem adquire imóvel por meio do chamado contrato de gaveta não tem legitimidade para requerer a revisão de cláusulas ou qualquer um dos direitos do mutuário original. Com esse entendimento, a 5ª Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (RJ e ES) manteve a decisão de primeira instância que negou o pedido de um homem para anular a ação extrajudicial movida pela Caixa Econômica Federal que resultou no leilão do imóvel que comprara nessa condição.
O autor adquiriu o imóvel de um mutuário do Sistema Financeiro de Habitação sem a anuência do banco. Para o colegiado, quem adquire imóvel financiado por meio de cessão de direitos e obrigações, sem o conhecimento da instituição financeira, torna-se um cessionário ou gaveteiro e é parte totalmente desconhecida para esse agente financeiro. Por isso, não tem legitimidade ativa para requerer a revisão das condições ajustadas ou pleitear, em nome próprio, direito que seria do mutuário original.
O desembargador Marcus Abraham, que relatou o caso, destacou que o cessionário só tem legitimidade ativa quando o contrato originário possui a cobertura do Fundo de Compensação de Variações Salariais (FCVS) e o contrato de cessão foi firmado até 25 de outubro de 1996. “São condições cumulativas. No caso dos autos, o contrato não possui a cobertura do FCVS, o que de pronto afasta a legitimidade do autor, ainda que a promessa de compra e venda tenha sido firmada em 26 de fevereiro de 1993”, destacou.
Segundo o relator, a alegação do autor de que pagou todas as parcelas do prazo regulamentar do contrato, mas que não teria apresentado os recibos porque não fora notificado da dívida que levou à execução do imóvel, não é causa de anulação da cobrança pela Caixa. É que o agente financeiro tem a obrigação de notificar o mutuário original, e não o cessionário ou um possível ocupante do imóvel, mesmo nos casos dos chamados contratos de gaveta.
“Por certo, a Lei 10.150/2000 alterou os critérios para a formalização da transferência de financiamentos, mas isso não implica que reconheceu incondicionalmente toda e qualquer subrrogação”, afirmou o relator. 


fonte:http://www.conjur.com.br/2015-dez-01/quem-compra-imovel-contrato-gaveta-nao-mover-acao
foto:http://www.imoveisbrasiliadf.com.br/vale-a-pena-comprar-imoveis-na-planta/

Lei de Acesso à Informação no Judiciário é regulamentada

O texto que regulamenta a Lei de Acesso à Informação (Lei 12.527/2011) em todos os órgãos do Judiciário brasileiro foi aprovado pelo Plenário do Conselho Nacional de Justiça por maioria de votos na última terça-feira (1º/12), durante a 222ª Sessão Ordinária. Os tribunais e conselhos terão 120 dias, a partir da publicação da resolução, para colocar as novas normas em vigor.
A votação do tema foi retomada depois de cinco meses, com a apresentação do voto-vista do conselheiro Bruno Ronchetti, que sucedeu a conselheira Deborah Ciocci, responsável pela suspensão da análise em junho de 2015. Ronchetti se manifestou favorável ao voto do então relator, Gilberto Valente, propondo algumas alterações ao texto.
As proposituras foram acolhidas pelo atual relator, conselheiro Arnaldo Hossepian, sucessor de Valente. A resolução tem efeitos sobre dados, processados ou não, que podem ser usados para produção e transmissão de conhecimento, contidos em qualquer meio, suporte ou formato.
“Com essa aprovação, demos um grande passo na garantia da transparência e da publicidade da gestão pública”, comemorou o presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal, ministro Ricardo Lewandowski.
Longa discussão
O debate sobre como seria a inserção do Judiciário nos parâmetros estabelecidos pela Lei de Acesso à Informação se estendeu por três anos. Uma das maiores preocupações dos integrantes da Justiça brasileira era o acesso indiscriminado às informações sob análise das cortes. Devido a isso, comissões foram instituídas para tratar do tema.

No Supremo Tribunal Federal, o grupo foi formado pelo presidente da corte, Ricardo Lewandowski, o ministro Marco Aurélio e o ministro aposentado Joaquim Barbosa. No Superior Tribunal de Justiça, um comitê gestor formado pelo diretor-geral e secretários deliberou sobre o tema.
Em maio de 2012, uma comissão geral, composta de representantes dos tribunais superiores e de conselhos superiores de Justiça, foi anunciada para apresentar suas conclusões. À época, o tema principal era a criação de parâmetros gerais para classificação de documentos.
Transparência ativa e passiva
Com a legislação formalizada, as informações de interesse geral que são produzidas pelos órgãos do Poder Judiciário ou estão sob custódia dessas instituições devem ser prestadas por meio de sites dos tribunais e conselhos.

As páginas na internet deverão conter um campo chamado “Transparência”, onde devem ser alojados dados sobre a programação e execução orçamentária; tabela de lotação de pessoal de todas as unidades; estruturas remuneratórias; remuneração e proventos recebidos por todos os membros e servidores ativos, inativos, pensionistas e colaboradores do órgão; e relação de membros e servidores afastados para exercício de funções em outros órgãos da administração pública.
Em casos envolvendo informações parcialmente sigilosas ou pessoais, é assegurado o acesso à parte não sigilosa, que deve ser fornecida por meio de cópia com ocultação da parte sob sigilo. Quando a ocultação não for possível, o documento solicitado deverá ser fornecido mediante certidão ou extrato.
A medida busca garantir que o contexto da informação original não seja alterado devido à parcialidade do sigilo. A negativa de acesso às informações solicitadas, quando não houver fundamentação da decisão, fará com que o responsável pela resposta esteja sujeito a medidas disciplinares.
Lei 12.527/2011





fonte:http://www.conjur.com.br/2015-dez-01/lei-acesso-informacao-judiciario-regulamentada
foto:http://jopbj.blogspot.com.br/2015_05_01_archive.html

01/12/2015

Imagem do dia



Operação encontra 11 pessoas em situação de trabalho escravo em obra olímpica

Baratas, mofo, lixo acumulado, falta de higiene, fios desencapados, camas num espaço apertado e sem ventilação. Você dormiria num lugar desses? Foi de um alojamento assim que 11 operários da construção civil foram resgatados, em condições degradantes, consideradas similares às do trabalho escravo, num condomínio residencial em Jacarepaguá (zona oeste) que será usado na Olimpíada 2016.

A operação de resgate foi encerrada na última sexta-feira pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel e Combate ao Trabalho Escravo do Ministério do Trabalho e Emprego, em conjunto com o Ministério Público do Trabalho e a Defensoria Pública da União.
O Verdant Valley Residence é de responsabilidade da construtora Living Amparo Empreendimentos Imobiliários, do grupo Cyrela. Segundo o site do empreendimento, o local será cedido ao Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos Rio 2016 para ser usado para acomodações de mídia.
Será parte da chamada Vila de Mídia, que abrigará os jornalistas que vierem cobrir o evento. Os operários tinham sido contratados por empresas terceirizadas, subcontratadas pela Living para fazer o revestimento da fachada.
De acordo com o Código Penal, o trabalho análogo ao escravo pode ser caracterizado por um desses quatro itens, sozinhos ou em conjunto: trabalho forçado, jornada exaustiva, condições degradantes e privação do direito de ir e vir. No caso do alojamento flagrado pelos fiscais, as condições degradantes motivaram o fechamento do local.
Segundo os relatos dos participantes da operação, os 11 operários se amontoavam em uma casa de dois quartos, cozinha, sala e banheiro. Havia apenas um banheiro, sem chuveiro. A descarga não funcionava. Para tomar banho, os operários tinham de ficar colados à parede, pois a água caía direto de um buraco.
Seis pessoas dormiam em três beliches num quarto; duas em outro, muito pequeno, sem ventilação e coberto de mofo, e as demais em colchonetes na sala.
Não havia local para refeição, e os operários comiam no chão ou sobre a cama. O lixo se amontoava pela cozinha, usada também como depósito de roupa suja. Os trabalhadores bebiam água da torneira, armazenada em galões.
"O lugar era um caos. Baratas por todos os lados, 11 pessoas na mesma casa, duas delas dormindo em um quartinho tomado pelo mofo. Um lugar insalubre. O representante da construtora responsável pela obra tentou minimizar, e perguntei a ele: o senhor dormiria num lugar assim? Ele me disse então que não. Ninguém dormiria, não é digno", disse à BBC Brasil a procuradora do Ministério Público do Trabalho Guadalupe Louro Turos Couto, que participou da operação.
A maioria dos 11 trabalhadores era de outros Estados. Um pedreiro capixaba, que pediu para se identificar apenas como M., estava no emprego havia um ano e quatro meses. Tinha carteira assinada e disse que o salário era pago em dia.
Segundo M., operários já haviam pedido que os encarregados do alojamento melhorassem as condições de higiene. "Mas diziam que a gente podia ser mandado embora se reclamasse muito", conta.

'Problema comum'

O coordenador do Grupo Especial de Fiscalização Móvel, André Wagner Dourado Santos, disse que é comum encontrar irregularidades em alojamentos de trabalhadores da construção civil.
Muitas vezes, a empresa é apenas autuada e se compromete a corrigir o problema. Mas, no caso do alojamento de Jacarepaguá, segundo Santos, havia um conjunto de problemas e praticamente tudo estava em desacordo com a lei.
O alojamento foi interditado, e os trabalhadores, transferidos para uma pousada. "Era um lugar insalubre, indigno, com baratas e risco de transmissão de doenças", disse Santos.
A Norma Regulamentadora (NR) 18 do Ministério do Trabalho, que trata especificamente da construção civil, estabelece que os alojamentos precisam ter, por exemplo, espaço mínimo entre as camas, ventilação e local para refeição.
Cabe ao empregador, por lei, garantir serviço de lavanderia e limpeza - o que derruba qualquer argumentação que tentasse atribuir aos operários a responsabilidade pela sujeira do local.
Santos disse que a Living, como encarregada da obra, responde pelas irregularidades e que uma das empresas do grupo, a Caçapava, foi autuada pelo flagrante. A Living, junto com as empresas terceirizadas TNO Engenharia em Revestimentos e AGL Construtora, assinou um Termo de Ajustamento de Conduta comprometendo-se a solucionar os problemas.
Os trabalhadores foram dispensados e receberam as verbas referentes à rescisão - férias, 13º salário, Fundo de Garantia e multa de 40%, além de três meses seguro-desemprego no valor de um salário mínimo. Todos os operários receberam R$ 20 mil a título de indenização por danos morais.
Cinco trabalhadores preferiram voltar a seus Estados de origem, e a empresa pagou as passagens. Um deles quis continuar no emprego e voltará ao trabalho, mas em outro alojamento.
O Ministério Público do Trabalho iniciará ação civil pública para requerer dano moral coletivo pelos prejuízos causados à sociedade com o uso do trabalho em condições análogas ao escravo e questionar a contratação de empresas terceirizadas para atividades-fim, ou seja, o trabalho de construção.
Outro trabalhador, o pernambucano Luiz Paulo de Souza, de 39 anos, disse que chegou ao Rio em janeiro, vindo de Lagoa dos Gatos, em Pernambuco. Um amigo havia indicado a obra em Jacarepaguá e ele foi contratado por R$ 1.280 mensais como auxiliar de pedreiro. Disse que recebia o pagamento em dia, mas que o problema eram as más condições do alojamento.
"A gente que comprava material de limpeza. Nunca soube que a obrigação era do patrão, fazem questão de manter a gente na ignorância", afirmou. Quando falou à BBC Brasil, Souza estava dentro do ônibus de volta para sua cidade natal. Com o dinheiro, pretende terminar sua casa e abrir um pequeno negócio.

'Ainda me surpreende'

Em nota, a assessoria do grupo Cyrela, que responde pela Living, informou apenas que a Living mantém "procedimentos rigorosos em suas relações trabalhistas, obedecendo integralmente às leis vigentes, inclusive no que se refere às condições de trabalho de profissionais contratados por prestadoras de serviço que atuam em suas obras".
A nota informa ainda que a Living solicitou ajustes às suas prestadoras de serviço, sob pena de cancelamento dos contratos, e que tomou as providências legais cabíveis, dando suporte e assistência aos empregados.
Tanto a procuradora Guadalupe Couto como André Santos, coordenador do grupo de fiscalização, disseram ter se surpreendido com as condições degradantes do alojamento. "Não consigo deixar de me indignar", afirmou Guadalupe Couto.
Acostumado a viajar pelo país para coibir casos de exploração de trabalhadores, Santos se disse chocado. "É incrível que isso ainda aconteça, e não estou falando do interior do Brasil. Foi numa cidade grande como o Rio, uma cidade que vai receber as Olimpíadas. Isso ainda me surpreende".

Reportagem de Fernanda da Escóssia
fonte:http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/11/151130_rio_trabalho_escravo_fe_hb#orb-banner
foto:MPT/RJ

Queda de 3,2% do PIB até setembro confirma o pessimismo no Brasil


A divulgação do PIB do terceiro trimestre nesta terça-feira confirmou o quadro que já se percebe nas ruas do Brasil: a economia continua andando em marcha a ré, e registrou queda de 1,7% no terceiro trimestre deste ano, em relação ao trimestre anterior. Na comparação com o período de julho a setembro de 2014 a queda é ainda mais evidente, marcando um recuo 4,5%. De janeiro a setembro, o PIB já caiu 3,2%, confirmando as projeções mais pessimistas do mercado para este ano.
Até o fim do ano passado, o consumo das famílias crescia sem parar, desde o final de 2003. Sem demanda, as empresas também congelaram investimentos, o que deve dificultar a retomada do crescimento no ano que vem. A Formação Bruta de Capital Fixo, medida utilizada para mensurar o capital investido pelo setor privado, caiu 15,0% no terceiro trimestre em relação ao ano passado, a maior da série histórica iniciada em 1996.
Até mesmo a agricultura, que sempre fez o contraponto ao desempenho negativo dos demais setores, registrou retração de 2,4%. A indústria, por outro lado, caiu 1,3% em comparação ao trimestre anterior, e 6,7% em relação ao ano passado. A construção civil, que está parada desde o ano passado com a redução dos investimentos do Governo e diretamente afetada pelas investigações da Lava Jato,acentuou o quadro de recessão, com um recuo de 6,3% em comparação ao ano passado.
Em valores correntes, o PIB no terceiro trimestre do ano alcançou 1,481 trilhão de reais. A perda de ritmo econômico, neste ano, é fruto de uma combinação de fatores, que vão da alta de preços e um crédito mais caro já que a taxa de juros se mantém elevada exatamente para reduzir a inflação. O IPCA, índice oficial da inflação, soma, até outubro, 8,52%, o maior patamar desde 1996. Para completar, o mercado de trabalho esfriou: o país perdeu, até outubro, 818.918 postos de emprego,  segundo dados do Cadastro Geral do Ministério do Trabalho.
Diante desse quadro, o consumo das famílias brasileiras, que por um longo período impulsionou o crescimento da economia, voltou a recuar pelo terceiro trimestre consecutivo. O corte de gastos dos brasileiros resultou numa queda de 4,5% em relação ao ano passado, segundo dos dados do IBGE divulgados nesta segunda.
No setor externo, as notícias também não foram boas. Mesmo com a forte valorização do dólar ante o real, o que deixa as exportações muito mais vantajosas, as vendas de bens e serviços para o exterior caiu 1,1%. As importações seguiram a mesma tendência e recuaram 6,9%, no terceiro trimestre. Em relação ao mesmo período do ano passado o tombo foi ainda mais acentuado, registrando queda de 20%.
A taxa de investimento no terceiro trimestre foi de 18,1% do PIB, inferior à do mesmo período do ano passado que atingiu 20,2%. A taxa de poupança também encolheu, passou de 17,2%  no ano passado, para de 15,0% neste terceiro trimestre.
O cenário para o futuro se mantém nebuloso diante da crise política que não para de ganhar novas nuances. Com a popularidade em baixa, a presidenta Dilma Rousseff passou o ano tentando aprovar projetos para garantir austeridade e colocar as contas públicas em dia, depois de estourar os gastos público no ano passado. O Congresso, porém, jogou pesado contra Dilma, que teve de gastar energia para defender-se de um processo de impeachment.
Sem apoio, a presidenta chegou ao final de 2015 tendo de publicar um decreto para congelar11 bilhões de reais em gastos do Governo. Com menos recursos, o setor público, responsável por quase um terço do PIB, torna-se um agente que também inibe investimentos e aumenta a sensação de recessão no país.
O setor de construção, que tem peso importante nos investimentos, vive um situação peculiar com as principais empresas do ramo implicadas no processo de investigações da Lava Jato. Odebrecht e Andrade Gutierrez, por exemplo, estão às voltas com a prisão de seus principais executivos e enfrentam dificuldades financeiras com a restrição ao crédito e a falta de perspectivas depois de serem surpreendidos pelas ações do Ministério Público.
Segundo a pesquisa Focus, do Banco Central, que levanta as projeções de mais de 100 instituições financeiras do país, a expectativa do PIB para 2016 é de uma queda de 2%. Não por acaso, o FMI já projeta que o Brasil deve cair para nona posição no ranking global de economias, depois de ter flertado chegar ao quinto posto nos anos dourados da era petista no poder.

Reportagem de Carla Jiménez e Heloísa Mendonça
fonte:http://brasil.elpais.com/brasil/2015/12/01/economia/1448969108_596064.html
foto:http://www.culturamix.com/dinheiro/economia/economia-brasileira-cresce-4

Lei de cotas não se aplica ao Ministério Público da União, diz TRF da 4ª Região (RS, SC e PR)


O sistema de reserva de vagas para negros em concursos públicos não se aplica a todos os entes da administração pública. Assim entendeu o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (RS, SC e PR) ao negar liminar a um concorrente que pretendia ser convocado para a segunda fase do processo seletivo para o cargo de técnico administrativo do Ministério Público da União.
O morador da região metropolitana de Porto Alegre foi reprovado no concurso do MPU e acionou a Justiça argumentando que, se a Lei 12.990/2014, que estabelece 20% de cotas para negros em concursos públicos do Executivo federal tivesse sido observada, ele estaria entre os classificados para a próxima fase do processo seletivo.
O pedido foi negado porque a corte federal de primeira instância havia entendido que o MPU não é órgão do Executivo federal, levando o autor a recorrer no TRF-4, que manteve a decisão por unanimidade. A relatora do processo, desembargadora federal Vivian Josete Pantaleão Caminha, ressaltou o fato de o MPU não constar na relação de entes que são englobados pela lei de cotas.
“O sistema de reserva de vagas para negros não se aplica indistintamente a todos os entes públicos. O rol das entidades às quais a lei se aplica é taxativo, não estando o MPU entre elas”, disse Vivian Caminha. “O Ministério Público possui autonomia funcional e administrativa, sendo necessária a edição de lei de sua própria iniciativa para a regulamentação de tal matéria”, concluiu.

fonte:http://www.conjur.com.br/2015-dez-01/lei-cotas-nao-aplica-ministerio-publico-uniao
foto:https://acidblacknerd.wordpress.com/2013/05/28/10-motivos-para-ser-contra-as-cotas-para-gays-na-universidades-publicas/

Cortes na Justiça Eleitoral impedem eleição com urna eletrônica em 2016, diz TSE


Os cortes impostos pelo governo federal ao Poder Judiciário colocam em risco o uso pleno das urnas eletrônicas nas eleições de 2016. Sem poder mexer em R$ 428,7 milhões previstos em seu orçamento, o Tribunal Superior Eleitoral afirma que o contingenciamento “inviabilizará” o uso do sistema eletrônico no próximo ano, segundo portaria publicada ontem (30/11) no Diário Oficial da União.
A assessoria de imprensa do TSE afirma que o corte prejudicaria o uso integral das urnas em todo o país, pois parte dos equipamentos costuma ser renovada periodicamente. Assim, algumas regiões teriam de recorrer às cédulas de papel, enquanto outras manteriam o sistema atual.
Segundo o ministro Dias Toffoli, presidente da corte, a falta de dinheiro em caixa prejudicará a aquisição e a manutenção de equipamentos necessários para a execução do pleito do próximo ano, prejudicando inclusive licitação já em andamento. Em nota, ele afirmou que a medida causará “dano irreversível e irreparável”, pois qualquer demora atrasará o trabalho dos cartórios eleitorais brasileiros.
Toffoli diz que o bloqueio no orçamento “compromete severamente” vários projetos do TSE e dos tribunais regionais eleitorais. Mas ainda haveria alternativa se o Congresso aprovar o Projeto de Lei do Executivo 5/15, que altera a meta de resultado primário deste ano e autoriza o governo a fechar 2015 com deficit primário de até R$ 119,9 bilhões.
O ministro afirma que, junto com o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Ricardo Lewandowski, vai “envidar todos os esforços no Congresso Nacional para que as verbas devidas sejam autorizadas, a fim de se garantir a normalidade das eleições do ano que vem”.     
Problema em comum
A portaria ainda é assinada pela direção dos outros órgãos ligados ao Judiciário com orçamentos administrados pela União, que também ficarão impedidos e emprenhar e movimentar parte do dinheiro previsto. No total, serão contingenciados R$ 1,7 bilhão.

O Supremo Tribunal Federal ficará sem R$ 53,2 milhões, enquanto o Superior Tribunal de Justiça sofrerá cortes de R$ 73,3 milhões. No Conselho Nacional de Justiça, ficarão no papel R$ 131,1 milhões.
PORTARIA CONJUNTA Nº 3, DE 27 DE NOVEMBRO DE 2015
O Presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça, O Presidente do Tribunal Superior Eleitoral, A Vice-Presidente do Superior Tribunal de Justiça e do Conselho da Justiça Federal, No Exercício da Presidência, O Presidente do Tribunal Superior do Trabalho e do Conselho Superior da Justiça do Trabalho, O Presidente do Superior Tribunal Militar e O Presidente do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no artigo 9º da Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000, e no artigo 52, caput e parágrafos 1º e 3º da Lei nº 13.080, de 2 de janeiro de 2015 e Ofício Interministerial nº 387/SE/MP/MF, de 20 de novembro de 2015, resolvem:
Art. 1º Ficam indisponíveis para empenho e movimentação financeira os valores constantes do Anexo a esta Portaria, consignados aos Órgãos do Poder Judiciário da União na Lei n° 13.115, de 20 de abril de 2015.
Art. 2º O contingenciamento imposto à Justiça Eleitoral inviabilizará as eleições de 2016 por meio eletrônico.
Art. 3º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.
Min. RICARDO LEWANDOWSKI
Presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça

Min. DIAS TOFFOLI
Presidente do Tribunal Superior Eleitoral

Min. LAURITA VAZ
Vice-Presidente do Superior Tribunal de Justiça e do Conselho da Justiça Federal no exercício da Presidência

Min. ANTONIO JOSÉ DE BARROS LEVENHAGEN
Presidente do Tribunal Superior do Trabalho e do Conselho Superior da Justiça do Trabalho

Min. WILLIAM DE OLIVEIRA BARROS
Presidente do Superior Tribunal Militar

Des. GETÚLIO DE MORAES OLIVEIRA
Presidente do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios

LIMITE INDISPONÍVEL PARA EMPENHO E MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA
Supremo Tribunal Federal           R$ 53.220.494
Superior Tribunal de Justiça       R$ 73.286.271
Justiça Federal                    R$ 55.064.139
Justiça Militar da União           R$ 14.873.546
Justiça Eleitoral                  R$ 428.739.416
Justiça do Trabalho                R$ 423.393.109
Justiça do DF e Territórios        R$ 63.020.117
Conselho Nacional de Justiça       R$ 131.165.703


Reportagem de Felipe Luchete
fonte:http://www.conjur.com.br/2015-nov-30/corte-justica-eleitoral-impede-eleicao-eletronica-2016
foto:http://www.estrategiaspoliticas.com.br/5-slogans-que-os-eleitores-vao-rejeitar-nas-eleicoes-de-2016/