02/06/2014

Bares e restaurantes violam com frequência direito dos consumidores

Artigo de Arthur Rollo, advogado e doutor em direito pela PUC-SP.


Três práticas bastante comuns nos bares e restaurantes violam os direitos dos consumidores, quais sejam: o fornecimento de couvert sem a solicitação do consumidor, a cobrança de couvert artístico sem a prévia informação e a cobrança obrigatória de 10% no valor total da conta.
O couvert mais simples costuma ser o pão com manteiga. No entanto, muitos restaurantes possuem opções mais sofisticadas com patês, azeitonas, etc.. Na prática, o couvert pode significar bastante no valor final da conta, notadamente levando-se em consideração que a cobrança costuma ser por pessoa. Ainda que alguém da mesa não consuma o valor acaba sendo cobrado, o que é ilegal.
A prática abusiva dos restaurantes em relação ao couvert consiste no seu fornecimento sem a prévia solicitação do consumidor e sem que o consumidor seja previamente informado do seu preço e da forma de cobrança.
Produtos entregues ao consumidor sem sua solicitação prévia equiparam-se a amostras grátis e dispensam o pagamento, nos termos do artigo 39, III e parágrafo único do Código de Defesa do Consumidor. No Estado de São Paulo existe lei específica nesse sentido. Produto entregue para o consumidor sem que ele tenha solicitado configura mera cortesia, que dispensa o pagamento. Os bares e restaurantes devem primeiro informar o preço do couvert e só devem levá-lo à mesa mediante prévia solicitação do consumidor.
O couvert artístico, valor referente à remuneração dos músicos que tocam nos bares e restaurantes, pode ser cobrado dos consumidores desde que haja informação prévia. Na porta do bar ou restaurante deve ter a informação ostensiva do valor que será cobrado, por pessoa, a título de couvert artístico, de forma a conferir ao consumidor que não quiser pagar a opção de buscar outro estabelecimento.
No tocante ao acréscimo de 10% no valor total da conta dos bares e restaurantes, a título de remuneração dos garçons, a prática abusiva consiste na sua imposição.
O consumidor só é obrigado a pagar o valor discriminado no cardápio, que constitui oferta nos termos do artigo 30 do CDC. Ainda que esse mencione que sobre o valor total da refeição incidirá a cobrança de dez por cento, referente à taxa de serviço, trata-se de prática abusiva, já que não cabe ao consumidor ficar calculando qual será o valor a ser pago mediante o acréscimo desse percentual. O preço das comidas e das bebidas deve constar de forma clara no cardápio.
O pior é que esses mesmos estabelecimentos, que colocam a cobrança do serviço como obrigatória, emitem nota fiscal sem considerar o valor adicional cobrado. Ora, se o serviço é obrigatório e se o consumidor não tem opção outra a não ser pagar, a nota fiscal deve levar em conta todo o valor cobrado, configurando a exclusão de parte dele, em tese, o crime de sonegação fiscal.
Deve-se distinguir a gorjeta, que é opcional para o consumidor, do serviço do garçom cobrado na conta. O preço a ser pago pelo serviço dos garçons e demais profissionais que trabalham nos restaurantes deve ser embutido no preço das refeições e, consequentemente, lançado integralmente no valor da nota fiscal. Já a gorjeta, por configurar mera doação direta ao garçom, não deve ser discriminada na conta.
Quando o valor do serviço já está embutido no preço do produto, a cobrança de taxa de serviço configura duplicidade de cobranças.
Alguns países, inclusive, cobram preços diferenciados pela comida servida no restaurante e levada para consumo em casa, o que é bastante razoável, levando-se em conta que a primeira demandará o serviço do garçom, que tem um custo para o restaurante.
O sistema correto é aquele adotado nos Estados Unidos, onde é costume dar gorjeta correspondente a 15% do valor total da conta. O consumidor só está obrigado a pagar o valor correspondente às bebidas e comidas consumidas, podendo deixar de gorjeta o valor que bem entender, inclusive não dar nada. O valor eventualmente doado será embolsado imediatamente pelo garçom que serviu a mesa, não ingressando no cofre dos restaurantes.
No Brasil bares e restaurantes obrigam os consumidores a pagar os dez por cento, que deveriam ser facultativos, e embolsam indevidamente parte desse valor e revertem outra parte, ainda, para os demais profissionais que trabalham no restaurante, ou seja, cozinheiros, auxiliares de cozinha, lavadores de pratos, manobristas, etc.. Muito embora o valor ingresse no caixa do restaurante, a nota fiscal emitida deixa de incluir o valor cobrado a título de serviço.
O consumidor só está obrigado a pagar pelo que pediu e diante de informação clara e ostensiva. No tocante ao serviço de garçom, a gratificação configura mera opção do consumidor que, se quiser, poderá optar apenas pelo pagamento do valor total da conta, que já deve englobar a remuneração de todos os prestadores de serviços do bar ou do restaurante.

fonte:http://www.conjur.com.br/2014-jun-01/arthur-rollo-bares-restaurantes-violam-direito-consumidores
foto:http://blogzegera.blogspot.com.br/2010_04_17_archive.html

Agência Nacional de Segurança dos EUA coleta milhões de imagens de rostos de pessoas na Internet

Os Estados Unidos utilizam as fotos e os vídeos em programas de reconhecimento facial com fins de inteligência.


A novela sobre os longos tentáculos da Agencia Nacional de Segurançasegue em alta. A NSA intercepta milhões de imagens de rostos de pessoas que circulam por Internet e que utiliza para programas de reconhecimento facial com fins de inteligência, segundo publicou ontem o diário The New York Times a partir de documentos de 2011 obtidos pelo ex-analista da agência Edward Snowden. Trata-se do primeiro vazamento desde que na última quarta-feira a rede NBC divulgasse a primeira entrevista concedida por Snowden a um canal de televisão, na qual se considerou um patriota por revelar a espionagem em massa dos Estados Unidos.
Há alguns meses o jornal The Guardian publicou que a NSA e sua equivalente britânica interceptava imagens de usuários do Yahoo! feitas desde as câmeras frontais de computadores. A informação do Times vai bem mais longe e revela uma prática muito estendida nos últimos quatro anos em enquadramento dos esforços da NSA de tirar proveito do enorme fluxo de fotografias que circulam em e-mails, mensagens de texto, redes sociais ou videoconferências; e que considera similar a outros métodos de espionagem, como a interceptação de telefonemas telefônicas.
Em 2011 a agência interceptava “milhões de imagens ao dia”, incluindo cerca de 55.000 de reconhecimento facial de qualidade, que geram um “tremendo potencial”, segundo um documento filtrado, que destaca a oportunidade que contribuiu para conhecer a vida diária e a biografia de determinados indivíduos. O jornal revela que a maioria das imagens corresponderiam a cidadãos estrangeiros obtidas através da Internet, satélites e cabos.
Mesmo assim, não se conhece o número total de fotografias reunidas pela NSA, que ficam registradas em um programa diferente da obtenção do telefonema, incluídas as conversas telefônicas que estão autorizadas na conhecida como Seção 215, a disposição da Lei Patriótica. A reforma do programa de recompilação em massa de telefonemas telefônicos está sendo objeto de debate no Capitólio após o presidente norte-americano,Barack Obama, prometer limitar seu alcance.
A lei norte-americana não estabelece uma proteção específica de privacidade às imagens faciais e segundo os especialistas existe uma lacuna legal significativa. Um porta-voz da NSA citado pelo jornal disse que a agência precisaria da aprovação dos tribunais para obter fotografias de norte-americanos, ao se considerar um conteúdo de comunicação e como já ocorre com os grampos telefônicos e de e-mails. Mas as comunicações entre norte-americanos e cidadãos no exterior poderiam ser consideradas uma exceção.
A agência governamental intensificou seu projeto de identificação facial depois de dois atentados frustrados contra os Estados Unidos em 2009 e 2010, o de um homem que explodiu uma bomba que levava escondido a bordo de um avião que voava a Detroit e a frustrada detonação de um artefato em um carro na Times Square em Nova York.
Segundo o diário, a NSA tem a capacidade de cruzar imagens registradas em diferentes bancos de dados. Por exemplo, fotografias faciais que intercepta de videoconferências através de Internet com imagens do registro de terroristas mais procurados pelos EUA, informação de passageiros de linhas aéreas e fotografias das carteiras de identidade de cidadãos estrangeiros registrados em bancos de dados internacionais. Tudo isso permite identificar um determinado indivíduo embora mude de aspecto físico.
A NSA, de acordo com os documentos filtrados pelo Times, estava tendo acesso a bancos de dados oficiais no Paquistão, Irã e Arábia Saudita para completar ainda mais sua capacidade de espionagem nesses países. Por exemplo, conseguiu localizar um campo de treinamento de milicianos no Paquistão ao comparar fotografias obtidas por satélites de espionagem com imagens pessoais no exterior interceptadas pelos EUA.
O porta-voz assegurou que a agência não tem acesso às fotografias das carteiras de motoristas e os passaportes de cidadãos norte-americanos, mas evitou comentar se tem acesso ao banco de dados do departamento de Estado de fotografias de cidadãos estrangeiros que solicitaram um visto de residência nos EUA. Também não quis analisar se a NSA obtém imagens de norte-americanos através de redes sociais na Internet, como o Facebook.

Reportagem de Joan Faus
fonte:http://brasil.elpais.com/brasil/2014/06/01/internacional/1401645808_137669.html
foto:http://www.aldeiagaulesa.net/2013/07/espionagem-americana-se-espalhou-pela.html#.U4xK23JdWAE

Chefe de segurança da Fifa teme manipulação de resultados na Copa


A dez dias do início da Copa do Mundo, a notícia da investigação sobre uma possível manipulação do resultado do amistoso entre Nigéria e Escócia não poderia ter chegado em pior momento.
A partida, disputada na quarta-feira passada em Londres, terminou com um empate de 2 x 2. Um dia antes, a agência nacional de crimes britânica (NCA, na sigla em inglês) havia informado a Fifa sobre uma possível tentativa de manipular o jogo.
A integridade do futebol já se encontra sob alerta por conta de outras revelações recentes. Apesar disso, a Copa do Mundo em si mantém-se distante de escândalos desse tipo.
Pode ser que manipuladores de partidas se sintam intimidados com o torneio, visto por milhões de pessoas em todo o planeta e com a Fifa em estado de alerta. Mas, não é bem assim, diz o chefe de segurança da Fifa, Ralf Mutschke.
Ex-executivo da Interpol, Mutschke diz não poder dar à Copa um certificado de garantia, e que já identificou as partidas nas quais o risco é maior.
Segundo ele, certas equipes e grupos foram identificados como vulneráveis à manipulação. A última rodada de jogos das fases de grupos, com equipes que já não têm chances de classificação, é a mais perigosa.
As partidas amistosas, de preparação para a Copa, também estão ameaçadas. Manipuladores já teriam se aproximado de jogadores e árbitros. O foco preferido será o maior número de gols em uma partida.
Nos últimos dois anos, Mutschke e sua equipe se prepararam para evitar que as partidas da Copa sejam vítimas de armações.
"Não esperamos que aqueles que manipulam partidas viagem ao Brasil e batam na porta do hotel dos jogadores ou árbitros, mas sim que haja aproximação a uns e outros", diz.
Como parte da campanha contra a manipulação, cada partida terá uma classificação para algum potencial ilícito, determinada pelo trabalho de inteligência e os antecedentes.
As apostas que preocupam
Há mais possibilidades de aqueles que buscam manipular as partidas tentem influenciar resultados em duas modalidades de apostas: o chamado handicap asiático e o de mais ou menos gols.
Mais de 99% das apostas na Ásia se realizam nestas duas modalidades.
"Diria que estou mais preocupado com estes dois tipos de apostas", disse Mutschke.
"O resultado da partida é uma possibilidade, mas é muito mais difícil organizar, já que são necessários muitos jogadores. Com o handicap asiático ou o mais ou menos, você pode precisar apenas do árbitro ou um ou dois jogadores", disse.
O chamado hadicap asiático é uma forma de aposta na qual os times são classificados de acordo com sua forma atual, que determina uma vantagem sobre o adversário. Os times mais fortes têm que vencer por um número maior de gols para que a aposta feita numa vitória deles seja considerada vencedora.
O sistema foi criado na Indonésia e se popularizou por todo o continente asiático
Conversas
Assim que chegarem ao Brasil, Mutschke e sua equipe devem conversar com os responsáveis pelas seleções e com os árbitros encarregados das partidas.
"Tivemos sessões de treinamento com os árbitros em Zurique. Também vamos nos encontrar antes do início no Rio e visitaremos as equipes e os jogadores e faremos com eles o que chamamos de sessões de segurança", disse o chefe de segurança da Fifa.
Mutschke disse que haverá um diretor que coordenará as medidas com um sistema de alertas da Fifa (EWS, na sigla em inglês), que controla os padrões de apostas.
E o que acontece quando os canais de informação indicarem algo ilegal ou, durante uma partida, o EWS alertar os investigadores para a ocorrência de algo ilícito?
"Teremos um oficial no estádio que atuará se eu decidir", disse Mutschke. "Isso dependerá da informação obtida e a resposta requerida".
"Ele poderá apenas supervisionar a situação de jogadores, árbitros ou outros. Poderá se aproximar das pessoas durante o intervalo ou diretamente depois da partida. Também pode utilizar uma equipe técnica para identificar possíveis 'manipuladores' no estádio".
Chris Eaton, antecessor de Mutschke na Fifa, acredita que o nível de ameaça na Copa do Mundo é "baixo", mas disse que os criminosos poderiam se sentir tentados pelos enormes benefícios.
"É um (valor) baixo pela magnitude do evento", disse Eaton. "Isso dissuade os manipuladores. É mais fácil para eles atuar nas ligas europeias menores ou amistosos internacionais".
"No entanto, o montante apostado na Copa do Mundo será de muitos bilhões de dólares e grupos criminosos não deverão deixar passar essa oportunidade.
Espera-se que o mercado de apostas na Ásia gere cerca de US$1 bilhão por partida.
Em comparação, a indústria de apostas reguladas no Reino Unido estima volume semelhante para todo o torneio.



fonte:http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2014/06/02/chefe-de-seguranca-da-fifa-teme-manipulacao-de-resultados-na-copa.htm
foto:http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-554965071-camisas-personalizadas-copa-2014-_JM

01/06/2014

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Pessoas desconfiadas têm risco maior de apresentar demência, diz estudo

Pesquisa mostra que a doença é três vezes mais prevalente em pessoas com níveis mais altos de desconfiança.


Pessoas que pensam que as demais agem somente por interesses egoístas são mais propensas a desenvolver demência. Essa conclusão foi publicada na última quarta-feira em um estudo da revista Neurology.  Outras pesquisas já haviam associado essa desconfiança a problemas de saúde, tais como doenças cardíacas, mas essa é a primeira vez que cientistas relacionam o comportamento e a demência. "Nossos resultados se somam às evidências de que a visão que se tem sobre a vida e a personalidade podem impactar a saúde", afirma Anna-Maija Tolppanen, pesquisadora da Universidade do Leste da Finlândia e principal autora do estudo. "Entender como um traço de personalidade tal como a descrença está relacionado ao risco de demência pode nos dar um conhecimento importante para reduzir os riscos dessa doença."

Os cientistas submeteram 1 449 pessoas, com idade média de 71 anos, a testes para o diagnóstico de demência e a um questionário que media o nível de desconfiança. Eles perguntaram, por exemplo, se os participantes estavam de acordo com declarações como "acho que a maioria das pessoas mente para tirar vantagens", ou "é mais seguro não confiar em ninguém". Com base na pontuação de cada teste, os voluntários foram classificados em três grupos com nível baixo, moderado e alto de desconfiança. Oito anos mais tarde, os pesquisadores aplicaram o teste de demência novamente, desta vez em 622 participantes. Nesse período, 46 pessoas foram diagnosticadas com demência.

Uma vez que os pesquisadores fizeram os ajustes estatísticos por outros fatores que podem afetar o risco de demência, a exemplo de tabagismo e pressão sanguínea e colesterol elevados, as pessoas com alto nível de desconfiança eram três vezes mais propensas a manifestar a doença do que aquelas com nível baixo. Do total de 164 pessoas com pontuação alta de desconfiança, catorze desenvolveram demência, comparadas a nove entre as 212 pessoas que tiveram baixo nível.

fonte:http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/pessoas-desconfiadas-tem-risco-maior-de-apresentar-demencia-diz-estudo
foto:http://clodoaldobastos.blogspot.com.br/2010/09/duvida-e-desconfianca.html

Cultura tem papel essencial para profissionais da área jurídica

Artigo de Vladimir Passos de Freitas, desembargador federal aposentado do TRF 4ª Região, onde foi presidente, e professor doutor de Direito Ambiental da PUC-PR.


O tema foi escolhido de propósito. É dedicado aos estudantes e profissionais do Direito que ainda não perderam suas ilusões. Aos que resistem ao massacrante noticiário sobre violência, manifestações a qualquer dia e hora, greves simultâneas de todas as categorias, flechada de índio na polícia e notícias de corrupção de toda ordem, culminando com a de deputado estadual que estaria  envolvido com o crime organizado e com patrimônio invejável. Os leitores merecem uma coluna menos deprimente do que as notícias da mídia impressa ou eletrônica.
 A coluna deste domingo será sobre a importância da cultura para o profissional do Direito. E terá por palco a cidade de São Paulo, onde me encontro para uma atividade acadêmica. São Paulo, a cidade que é grande em tudo, e que, se tem muitos problemas, tem também uma invejável oferta de cultura. Aproveitá-la é um privilégio de quem tem disponibilidade.
Com o guia do jornal Folha de S.Paulo, de todas as sextas-feiras, começo. E o faço pela ópera “Carmen”, de Bizet, baseada na novela de Prosper Mérimée, em exibição no Teatro Municipal.  Ópera nada mais é do que um gênero teatral que apresenta uma composição dramática, acompanhada de música instrumental e canto, com presença ou não de diálogo falado. “Carmen” tem ligação com o Direito Penal, no registro da prática de contrabando, conduta repudiada pelo Estado por razões econômicas e tributárias, mas aceita pela sociedade, que não vê no contrabandista um verdadeiro criminoso.
Melhor ainda seria a ópera “Otello”, de Giuseppe Verdi, baseada em obra de Shakespeare, onde o ciúme, alimentado pelo invejoso Yago, corrói a alma de Otello, levando-o a matar a bela Desdêmona.  Nossas varas de Família estão sempre cheias de dramas motivados pelo ciúme, Desdêmonas e Otellos modernos digladiam-se nos Tribunais. Um bom advogado de família precisa entender o ciúme, sentimento inato ao ser humano, para bem conduzir os casos que lhe são submetidos. Da mesma forma o juiz, para julgar.
No cinema, o destaque pode ficar com “Heli”, filme mexicano dirigido por Amat Escalante, premiado como melhor diretor no Festival de Cannes de 2013. Aborda realisticamente a questão do tráfico de drogas no México e toda a violência envolvida, que não poupa ninguém. Trata também da corrupção e impunidade necessárias para manter o tráfico. No Brasil a gravidade ainda não chegou a tal ponto, mas o risco é grande e o filme é um bom alerta.
O teatro não fica atrás. A obra “Ana”, de David Turner, dirigida por Márcia Mendonça, apresenta as reflexões de Ana Bolena, rainha da Inglaterra de 1533 a 1536 e segunda esposa de Henrique VIII, sobre sua condenação à morte, por acusações de adultério e bruxaria. As intrigas palacianas, ontem e hoje, lá como cá, desembocam muitas vezes na Justiça. Destaca-se, ainda, “Quanto custa”, de Bertolt Brecht, que envolve assassinatos, traições, contratos e interesses comerciais escusos. São caminhos, por vezes, semelhantes às ligações econômicas no Brasil.
“Maldito Benefício”, no Teatro Leonardo Cortez, mostra os dramas de um aposentado que recebe um benefício previdenciário que poderá solucionar os problemas financeiros de um filho. Uma doença mortal impede-o de ter acesso ao dinheiro e daí surgem disputas moralmente reprováveis, que são conhecidas daqueles que militam nas varas e juizados especiais previdenciários.
Música também é cultura. O espetáculo “Bibi, histórias e canções”,  no Teatro Shopping Frei Caneca, retrata 7 décadas de música da melhor qualidade, na  interpretação de Bibi Ferreira. Chitãozinho e Chororó, no Sheraton São Paulo Hotel,  levam ao público a música sertaneja, com os anseios e os dramas vividos pela população interiorana. Guilherme Arantes, no Terra da Garoa, não deixará de cantar o clássico “Planeta Água”, música com forte proximidade ao Direito Ambiental, reforçada nestes tempos de represas secas e ameaças de racionamento.  Cada um no seu estilo, todos representam e são importantes para a cultura popular brasileira.
Museus são fonte de conhecimento. No Museu de Arte Moderna (MAM), a exposição “Poder Provisório” narra, através de fotografias, os momentos marcantes da ditadura militar até as manifestações populares ocorridas em 2013. O que pretende a mostra é levar à reflexão sobre o poder. O Museu da Imigração, em prédio de 1887 de nome Hospedaria do Brás, transmite aos descendentes de italianos, japoneses, alemães, poloneses e tantos outros povos que contribuem para o engrandecimento deste país, o caminho percorrido e as dificuldades passadas por seus ascendentes. Em junho e julho a entrada é gratuita.
Espaços culturais também são destaque. Em tempos de movimentos pela liberalização da maconha, a mostra “A história da cannabis: uma planta proibida”, na Matilha Cultural, propõe uma reflexão sobre o tema sob aspectos variados, como a medicina e a economia, abastecendo o profissional do Direito para discussões teóricas e práticas.
Comida é cultura e faz parte do Direito. Nossa Constituição protege o patrimônio cultural imaterial e nele se incluem os pratos típicos do Brasil. O acarajé da Bahia foi um dos primeiros a ter reconhecida tal condição. Restaurantes não faltam em São Paulo e um bom exemplo é o “Brasil a Gosto”, que tem receitas de todo o país. O Bar Brahma, com a mais genuína música brasileira e na esquina imortalizada na música “Ronda”, de Enzo de Almeida Passos, Ipiranga com São João, também é representativo.
Juiz, promotor, policial, advogado ou outra profissão jurídica qualquer, um bom profissional não pode prescindir de uma boa cultura geral. Não entenderá os dramas da humanidade, que acabam desfilando nos tribunais, se não tiver noções dos fenômenos ocorridos em outras épocas ou em outros países. Por exemplo, não entenderá o que pretendem os membros doblack bloc, se não souber o que é anarquismo.
Tudo isto sem falar na boa ou má impressão que alguém pode causar, dependendo de seus conhecimentos. Imagine-se um jovem professor de Direito, encarregado de ciceronear um professor italiano que fará palestra em sua universidade. Se não tiver um leque de assuntos para tornar aqueles momentos agradáveis, se seu tema ficar confinado ao frio da estação ou sobre o excesso de veículos no trânsito de sua cidade, certamente sua amizade não irá além daquele dia. E ele perderá uma boa oportunidade de ter um ilustre amigo no exterior.
Depois de tudo que foi dito, alguém poderá afirmar: “mas eu moro longe, não tenho acesso a isso tudo”.  A resposta não me convence. Primeiro, porque muitas capitais e grandes cidades brasileiras possuem uma rica vida cultural. Já vi excelentes espetáculos no Rio, Curitiba, Porto Alegre, Recife,  São Luis, Santos e outras tantas. Segundo, porque, perto de uma pequena cidade, sempre há uma média onde tem algo de bom. Na cidade de Umuarama (PR), em 1970, assisti a Agnaldo Timóteo, com seu vozeirão sonoro. Em pequenas cidades onde vivi, não perdi oportunidades de assistir a manifestações folclóricas, como a “Festa do Divino”, danças como “Moçambique” e “Cateretê” e cantores em circos. No Rio Grande do Sul assisti a grandes espetáculos de música, legítima expressão da cultura gaúcha. Além disso tudo, atualmente a internet também possibilita cinema e espetáculos fantásticos. Em suma, é mais uma questão de querer do que de poder.
Por isso tudo, aos jovens que alimentam sonhos de crescimento, àqueles e àquelas que perdem dias e noites em cursos de pós-graduação, que, mesmo calejados pelos anos, persistem em querer apenas bem exercer sua profissão,  que, em suma, não abrem mão de seus sonhos, fica o registro: procurem o crescimento como pessoas, com uma rica cultura geral. Evidentemente, além da cultura jurídica.

fonte:http://www.conjur.com.br/2014-jun-01/cultura-papel-essencial-profissionais-area-juridica
foto:http://elteatrojales.blogspot.com.br/

Uma nova alternativa para preservar a fertilidade frente ao câncer de mama


A forma de lidar com o câncer já não se baseia apenas em combater a doença. Há cada vez mais estudos e investigações orientados para melhorar a qualidade de vida dos pacientes que sobrevivem. Em todas as esferas. Incluindo, por exemplo, a da fertilidade. Agora, um grupo de investigadores americanos descobriu que a administração de um hormônio juntamente com a quimioterapia nas mulheres com câncer de mama triplo negativo pode ajudá-las a prevenir a menopausa precoce, um dos efeitos colaterais desse tratamento oncológico. Esta nova opção poderia ser mais uma alternativa – já se utiliza muito o congelamento de tecido ovárico ou a vitrificação de ovócitos – para ajudar as mulheres que tiveram câncer a ser mães.
A investigação, liderada por uma equipe da Clínica Cleveland (Ohio), mostra que aquelas mulheres que receberam junto à quimioterapia a goserelina, um medicamento injetável que já se usa para o tratamento de câncer de mama ou próstata, tiveram um risco 64% menor de desenvolver uma falha ovárica prematura em comparação com as que não a receberam. Apenas 8% delas tiveram esse problema, em comparação com 22% das que não receberam goserelina, segundo os resultados apresentados este sábado no Congresso Anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, que está sendo realizado em Chicago.
O estudo, que foi selecionado como um dos avanços do dia pela organização do congresso, do qual o EL PAÍS participa a convite da Boehringer Ingelheim, dirige-se a combater um dos efeitos da quimioterapia: a menopausa precoce. Os testes realizados com 257 mulheres pré-menopáusicas com câncer de mama mostram que aquelas que receberam goserelina tiveram 50% mais probabilidades de engravidar do que as que receberam placebo. E o medicamento teve outro efeito positivo: quem o recebeu juntamente com a quimioterapia teve o dobro de possibilidades de seguir com vida depois de quatro anos. Um resultado do qual ainda não é possível tirar conclusões, afirmou Ache Moore, responsável pela investigação, já que o estudo não tinha sido projetado para isso. “Fazem falta mais estudos para aprofundar esses dados”, assinalou.
O que a goserelina – que também é usada para regular o momento da ovulação em tratamentos de fertilidade – faz é interromper a atividade dos ovários. Inativos, com o ciclo menstrual paralisado, sofrem menos danos com a quimioterapia do que se estivessem ativos. “O que se produz de alguma forma é uma menopausa temporária para evitar a permanente”, explicou Moore em entrevista coletiva.
Os resultados obtidos com esse medicamento, destacou Clifford Hudis, presidente da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, são importantes. A partir deles, seria possível ampliar seu uso para mulheres jovens com outros tumores, não só aquelas com câncer de mama triplo negativo. “Preservar a fertilidade é uma preocupação comum entre as mulheres jovens diagnosticadas com câncer, e estas descobertas podem significar uma opção simples e nova”, ressaltou Moore.

Reportagem de María R. Sahuquillo
fonte:http://brasil.elpais.com/brasil/2014/05/31/sociedad/1401559840_383514.html
foto:http://www.drpetta.com.br/blog/

Aluguel caro pressiona deficit habitacional nas metrópoles

A disparada dos preços dos aluguéis está agravando a carência de moradias nos grandes centros urbanos do Brasil. Um estudo inédito da Fundação João Pinheiro, obtido pela BBC Brasil, revela que o deficit habitacional cresceu 10% entre 2011 e 2012 nas nove metrópoles monitoradas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Hoje, são 1,8 milhão de famílias sem residência adequada nessas regiões.
O deficit habitacional é calculado segundo fatores como o total de casas compartilhadas por mais de uma família e as residências com mais de três moradores em média por cômodo. O principal componente do indicador, no entanto, é o peso do aluguel no orçamento familiar.
Se o quadro é negativo nas metrópoles, no restante do país, os números são mais alentadores. No mesmo período, o deficit habitacional recuou 1,6% na contagem nacional, com a redução dos números de residências consideradas precárias e de casas compartilhadas.
Mas ainda há 5,8 milhões de famílias brasileiras sem moradia adequada e o aluguel mais caro - problema que atinge principalmente as grandes cidades - é o principal vilão dessa história.
A situação é pior em São Paulo onde o deficit habitacional cresceu expressivos 18,2% em apenas um ano e 700 mil famílias vivem em residências consideradas inadequadas. A cidade é hoje palco de protestos constantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), organização que defende a regulação dos preços dos aluguéis pelo Estado.
Os números foram compilados pela Fundação João Pinheiro, instituto mineiro que há anos estuda o tema em parceria com o Ministério das Cidades.
A análise é feita a partir dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), realizada anualmente pelo IBGE. Além de considerar os resultados agregados dos estados, a Pnad detalha também informações das nove maiores regiões metropolitanas do país – São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Salvador, Fortaleza, Porto Alegre, Curitiba e Belém.
Belo Horizonte (29%) e Curitiba (26%) foram as regiões com maior crescimento do deficit habitacional. No Rio de Janeiro, o crescimento foi de 10,5%, e em Fortaleza, de 14%.
Ao calcular a carência habitacional do país, pesquisadores tradicionalmente consideram quatro categorias:
1) Habitações precárias, como locais sem saneamento ou que apresentam riscos;
2) Coabitação familiar, ou seja, quando mais de uma família divide a mesma residência por falta de opção;
3) Gasto excessivo com moradia, que ocorre quando mais de 30% da renda de famílias pobres é comprometida com o aluguel;
4) Excesso de moradores em domicílios alugados, que é registrado quando, em média, mais de três pessoas compartilham um mesmo dormitório na casa.

Aluguel e renda

Apenas famílias com renda total de até três salários mínimos são consideradas na análise do “gasto excessivo com moradia”, explica a pesquisadora da fundação, Raquel Viana. Segundo Viana, o comprometimento de mais de 30% da renda dessas famílias com aluguel significa que não sobram recursos suficientes para custear outros gastos essenciais, como alimentação, transporte e saúde.
De janeiro de 2008 até abril de 2014, o valor médio do aluguel subiu 97% em São Paulo e 144% no Rio de Janeiro, por exemplo, segundo o índice Fipe-Zap.
“O aluguel cresceu mais do que a renda da população. É um reflexo do aquecimento da economia e de grandes eventos como a Copa do Mundo”, disse Viana.
O número de famílias pobres que usavam mais de 30% da sua renda para pagar aluguel em 2012 em todo país era de 2,66 milhões, uma alta de 11% ante 2011 e de 35% ante 2007.
“É um aumento expressivo para um período de cinco anos”, afirma Vicente Correia Lima Neto, pesquisador do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) que também é especializado no tema.
O deficit habitacional como um todo no país em 2012 era 5% menor que o de 2007. Um estudo mais detalhado que permite comparar dados de 2012 e 2007 de estados e regiões metropolitanas ainda será divulgado pela Fundação João Pinheiro.

Menos qualidade de vida

Guilherme Boulos, um dos líderes do MTST, diz que o aumento do aluguel força as famílias a se mudarem para regiões cada vez mais distantes do centro das cidades, onde a oferta de serviços públicos é ainda menor. Outro problema, afirma ele, é que essa mudança aumenta o tempo perdido no deslocamento dessas pessoas para o trabalho.
“O aluguel muito caro causa uma piora geral na qualidade de vida. É isso que está impulsionando as ocupações no país todo. Ocupar é a única alternativa ao aluguel abusivo”, afirma.
As maiores ocupações de terrenos ociosos pelo MTST estão em São Paulo: atualmente, 8 mil pessoas participam da Nova Palestina (zona sul), e outras 4 mil da Copa do Povo, que fica em Itaquera (zona oeste), bairro que abrigará a abertura da Copa do Mundo.
“As pessoas estão sendo expulsas para longe. Se já era ruim viver em Itaquera, é ainda pior em Ferraz de Vasconcelos”, acrescenta, referindo-se a um município na região metropolitana de São Paulo.
O MTST defende a adoção de uma lei que limite o reajuste do aluguel à inflação. Atualmente, os valores costumam ser reajustados pelo IGP-M a cada ano, mas, quando vence o contrato, que em geral é de 30 meses no Brasil, não há limite para o aumento do preço. O que regula o aluguel no país hoje é o livre mercado, ou seja, a “lei da oferta e da demanda”.

Minha Casa, Minha Vida

Boulos diz que o principal programa de habitação do governo federal, o "Minha Casa, Minha Vida", não resolve o problema da população mais pobre porque, como os terrenos estão muito caros, as construtoras que participam do programa destinam apenas áreas muito afastadas para habitações voltadas para o público de menor renda.
A professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP Paula Santoro diz que a política habitacional do governo acaba alimentando o encarecimento dos aluguéis, porque estes tendem a acompanhar o preço dos imóveis.
O aumento do crédito habitacional e a ampliação do limite do valor do imóvel que pode ser comprado com recursos do FGTS acabam viabilizando que casas e apartamentos sejam negociados por valores cada vez maiores, afirma.
Para romper este ciclo, diz Santoro, os governos deveriam mudar o foco da política habitacional, incentivando o aluguel social. Ela defende que as prefeituras tenham imóveis próprios que sejam alugados para famílias de baixa renda por preços subsidiados. Isso é adotado em países europeus, como Portugal e Alemanha, diz, embora ressalte que a crise econômica tem deteriorado essas políticas no velho continente.
“A política atual [do Brasil] é uma política econômica de estímulo à construção civil e ao emprego, mas não uma política habitacional”, critica.
Lima Neto, do Ipea, também defende o aluguel social, focado na baixa renda. Na sua avaliação, não é necessário fazer um controle do aluguel generalizado, como propõe o MTST, o que atingiria todas as classes de renda.
“A solução da moradia não é necessariamente dar um lote. Mas o problema é que existe uma cultura patrimonialista muito forte no Brasil. O brasileiro quer ter posse da sua casa”, ressalta.
A presidente Dilma Rousseff disse em dezembro de 2013 que 1,4 milhão de residências haviam sido entregues à população pelo "Minha Casa, Minha Vida". Outras duas milhões de moradias foram contratadas pelo governo federal, por meio do programa, segundo ela.
A BBC Brasil entrou em contato na segunda-feira com o Ministério das Cidades para que o governo se manifestasse sobre o assunto, mas não houve retorno até o fechamento desta reportagem.

Reportagem de Mariana Schreiber
fonte:http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/05/140527_deficit_habitacional_ms.shtml
foto:http://www.robsonleite.com.br/deficit-habitacional-e-reforma-urbana/