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28/06/2017

Como os EUA estão 'inundando' o Oriente Médio de armas

Não foi à toa que o presidente americano, Donald Trump, visitou a Arábia Saudita em sua primeira turnê oficial como presidente dos Estados Unidos.
A viagem consolidou um acordo de venda de armas para Riad avaliado em US$ 110 bilhões. Os sauditas receberão dos EUA, durante os próximos dez anos, tanques, aviões de combate, barcos de guerra e mísseis de precisão guiados.
Apesar das várias críticas ao seu histórico de repressão, violação de direitos humanos e das mulheres e por financiar mesquitas e escolas islâmicas que difundem visões fundamentalistas do islamismo mundo afora, a Arábia Saudita é um dos principais parceiros dos EUA no Oriente Médio - e, segundo a instituição americana Council on Foreign Relations, o maior importador de armas do país.

Aumento

Uma análise do Instituto Internacional de Estudos para a Paz de Estocolmo (Sipri), indica que, nos últimos quatro anos (2012-2016), as importações de armas por nações do Oriente Médio aumentaram 86%.
"A Arábia Saudita foi o segundo maior importador de armas do mundo entre 2012 e 2016 (atrás da Índia), com um aumento de 212% desde o período de 2007-2011", diz o estudo.
No mesmo período, segundo o Sipri, os EUA foram o maior exportador de armas do planeta.
"Suas exportações aumentaram 21% comparado ao período de 2001-2011. Quase a metade destas exportações foram para o Oriente Médio."
Se é certo que este aumento ocorreu durante a presidência de Barack Obama, seu governo também impôs certas restrições à venda de armas a determinados países por conta de preocupações com direitos humanos.
Em 2017, no entanto, o governo Trump começou a revogar estas restrições.
Em março, o Departamento de Estado suspendeu um bloqueio imposto por Obama à venda de armas para o Bahrein, depois de acusações de abusos contra grupos de oposição ligados à maioria xiita no país.
A decisão permitirá, agora, a venda de aviões de combate F-16 e de outras armas ao Bahrein, como parte de um pacote avaliado em cerca de 2,7 bilhões.
A base da Quinta Frota da Marinha dos Estados Unidos, que patrulha o estratégico Golfo Pérsico, fica no Bahrein.

Preocupações

No início do mês de junho, houve tentativas no Senado americano de bloquear um pacote de US$ 500 milhões em mísseis guiados para a Arábia Saudita, por causa de preocupações com a campanha militar saudita na guerra do Iêmen.
Todas as facções envolvidas neste conflito - que começou em 2014, já matou mais de 10 mil pessoas e afundou grande parte do país em uma escassez generalizada de alimentos - foram acusadas de cometer abusos de direitos humanos e crimes de guerra.
Muitos senadores se opunham à venda de armas à Arábia Saudita pelo seu papel no conflito. O país lança ataques aéreos contra rebeldes houthi - que controlam a maior parte do Iêmen - dizendo estar "defendendo o governo legítimo" do presidente, Abdrabbuh Mansour Hadi.
A venda, no entanto, foi aprovada por uma estreita margem no Senado americano.
O Catar também é outro grande importador de armamentos. Segundo o Sipri, nos últimos anos, "as importações de armas do Catar aumentaram 245%".
Na semana passada, o secretário americano de Defesa, James Mattis, assinou um acordo de US$ 12 bilhões para a venda de 36 aviões de combate F-15 ao Catar.

Situação 'confusa'

O acordo ocorreu no momento em que Arábia Saudita lidera, junto com outros países da região, um duro bloqueio econômico e diplomático contra o vizinho Catar, por supostamente "apoiar a terroristas".
O presidente Donald Trump elogiou a ação.
"Dizem que vão adotar uma linha dura contra o financiamento do extremismo e todas as referências apontam para o Catar. Talvez este seja o começo do fim do horror do terrorismo", escreveu Trump no Twitter.
Já o democrata Ted Lieu disse, em uma audiência no Congresso, que "é muito confuso para os líderes mundiais e os membros do Congresso quando a Casa Branca faz duas coisas exatamente opostas" em relação ao Catar.
Cabe lembrar que o Catar abriga a maior base militar americana no Oriente Médio, a base aérea Al-Udeid, que foi essencial para missões militares e de contraterrorismo dos Estados Unidos e de seus aliados no Afeganistão, no Iraque e na Síria.

Principal mercado

Tudo parece indicar que o Oriente Médio, uma região submersa em numerosos conflitos, continuará sendo um dos principais importadores de armas do mundo.
E os Estados Unidos, seu principal fornecedor.
"Durante os últimos cinco anos, um dos principais mercados de armas dos Estados Unidos foram as nações do Oriente Médio, especialmente a Arábia Saudita", disse à BBC Pieter Wezeman, pesquisador do Sipri.
"E mesmo que Obama tenha imposto algumas restrições, no total, essas restrições foram quase invisíveis."
"Tudo parece indicar que agora, com Trump, será inclusive mais fácil adquirir armas dos EUA do que era antes - para países como Arábia Saudita, Bahrein e vários outros na região", conclui.

Estratégia

A pergunta é: será que Donald Trump tem uma estratégia para o Oriente Médio, para além da venda de armas?
Segundo a correspondente da BBC no Departamento de Estado, Barbara Plett Usher, em Washington se fala de uma "aparente desconexão entre o desejo de vender mais armas para a região e uma estratégia articulada para pôr fim aos conflitos ali".
Pieter Wezeman afirma que Trump não parece ter uma estratégia mais abrangente do que "vender armas para criar empregos nos Estados Unidos".
"Ele parece ter jogado fora qualquer preocupação com direitos humanos", diz.
"E parece extremamente disposto a fornecer qualquer tipo de armas que os países do Oriente Médio queiram e principalmente qualquer tipo de armas que eles possam pagar."
Alguns analistas dizem que essa aparente falta de estratégia poderia representar um risco em uma região extremamente armada e envolvida em diversos conflitos.
Eles levantam, por exemplo, a possibilidade de que aliados sunitas da Arábia Saudita utilizem essas armas para atacar seu principal inimigo na região: o Irã.
"Estamos vendo que essas armas não estão sendo importadas apenas para exibição. Países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar as estão usando em grande escala no Iêmen, na Líbia e na Síria", diz Wezeman.
O risco, segundo o pesquisador, é colocar uma grande quantidade de armas sofisticadas "em uma região onde não existe nenhum sistema de controle de armas e onde ninguém quer sentar à mesa para discutir o assunto."

fonte:http://www.bbc.com/portuguese/internacional-40413265#orb-banner
foto:http://geoconceicao.blogspot.com.br/2010/09/oriente-medio.html

06/08/2015

Arsenal nuclear existente hoje é suficiente para armar cada país com 85 bombas atômicas

Os 9 detentores das 16 mil ogivas estão modernizando seus arsenais e não há indícios de que possam abrir mão do programa nuclear num futuro próximo.


Em 1945, ainda no contexto da 2ª Guerra Mundial, os Estados Unidos lançaram a bomba “Little Boy” (pequeno garoto) sobre Hiroshima, resultando na morte de cerca de 140 mil civis japoneses. Passados 70 anos, apesar dos tratados de desarmamento nuclear, a quantidade de armas deste tipo existente, mais de 16 mil, seria suficiente para armar todos os países do mundo com 85 ogivas — ou o equivalente ao arsenal nuclear de Israel, como indica o último Boletim dos Cientistas Atômicos, publicado ano passado.
Hiroshima foi o primeiro alvo de uma bomba nuclear na história. Três dias depois, a também japonesa Nagasaki teria o mesmo tratamento, alvo da ogiva norte-americana “Fat Man” (Homem Gordo). O saldo total de mortos decorrentes dos dois ataques ultrapassa os 200 mil civis japoneses. Após os bombardeios, ocorreram mais de 2.000 detonações de bombas nucleares em testes e demonstrações, nenhuma delas foi em outra guerra.
O uso das bombas impulsionou a corrida armamentista entre Estados Unidos e a URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) durante o período conhecido como Guerra Fria (1945-1991). Não por acaso, hoje Rússia e os EUA detêm 93% das armas nucleares de todo o mundo.
A quantidade de ogivas prontas para o uso sob a posse de Washington e Moscou é aproximadamente 25 vezes superior à da França, que detém o terceiro maior arsenal. E, se permanecer no mesmo ritmo de crescimento, os dois arsenais que crescem mais rapidamente, Paquistão e Índia, poderiam levar 760 anos para atingir os dois países no topo da lista.

Gastos
De acordo com a ONG Global Zero, que defende um mundo sem armas nucleares, nesta década (entre 2010 e 2020), os governos ao redor do mundo gastarão em torno de US$ 1 trilhão em armas nucleares.
A mesma organização aponta que os nove países gastaram, em 2011, aproximadamente US$ 100 bilhões de dólares em programas nucleares — sendo que somente os Estados Unidos gastaram US$ 61,3 bilhões —. O estudo considera ainda que, em uma estimativa conservadora, o custo representa 9% do total de investimentos militares a cada ano.
Em tom crítico, a ONG pontua que os gestores precisam fazer escolhas, “sobretudo em tempos de crise”, e que preferem realizar cortes em “educação, saúde, segurança pública e outros serviços essenciais”, mas não em armas nucleares.
Não-Proliferação
São nove os países que possuem reconhecidamente armas nucleares: Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França, República Popular da China, Índia, Paquistão e Coreia do Norte e Israel.
Mas, somente os cinco países integrantes do TNP (Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares), e que também são os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU — Estados Unidos, Rússia, França, Reino Unido e China — possuem mais de 98% das armas nucleares do mundo, como aponta o estudo citado.
Assim, apesar do aumento de armamento em países fora do TNP, a responsabilidade pela redução das armas de destruição em massa é predominantemente do chamado grupo dos cinco, diz o estudo científico.
O trabalho, realizado por Hans M. Kristensen e Robert S. Norris, ambos da Federação de Cientistas Norte-Americanos, conclui que o TNP está diante de um dilema. "Após décadas de redução dos níveis das ogivas nucleares após a Guerra Fria, esta tendência parece ter diminuído e todos os Estados com armamento nuclear estão ocupados modernizando seus arsenais nucleares. Não há indicações de que alguma das potências esteja planejando desistir das armas nucleares em um futuro previsível. Ao contrário, todas falam da importância das armas nucleares para a segurança nacional”, aponta.

Reportagem de Vanessa Martina Silva
fonte:http://operamundi.uol.com.br/conteudo/reportagens/41250/arsenal+nuclear+existente+hoje+e+suficiente+para+armar+cada+pais+com+85+bombas+atomicas.shtml
foto:http://hid0141.blogspot.com.br/2013/09/bomba-atomica-quase-explodiu-na.html

13/07/2015

Vinte anos após Srebrenica, Bósnia ainda luta por reparações e para superar diferenças


“Quando os sinos desta igreja pararem de tocar, você vai ouvir o chamado para a prece vindo daquela mesquita ali. Não é lindo?”, os olhos de Miki brilham na noite de Sarajevo quando fala de sua cidade natal, a “Jerusalém da Europa”. Ali passou todos os seus quase 70 anos, inclusive quando a cidade sofreu o mais longo cerco da história da guerra moderna, no começo dos anos noventa, durante o desmembramento da Iugoslávia.
“As pessoas achavam que eram mais rápidas do que as balas. Às vezes corriam para atravessar a rua, porque sabiam que os snipers estavam ali em cima [do prédio]. Mas não chegavam ao lado de lá”, relembra.
Como a maioria dos bósnios com mais de 20 anos, Miki prefere não falar dos tempos da Guerra da Bósnia, embora as memórias sempre perpassem a conversa, mesmo quando o assunto é outro. É que o 11 de julho está chagando, explica, “e todos os anos é a mesma coisa”. Há 20 anos, a data entrou irrevogavelmente para o calendário europeu como sendo o início do pior massacre desde a Segunda Guerra Mundial.
Nas proximidades da pequena cidade de Srebrenica, 120 km ao norte de Sarajevo, mais de 8 mil homens e garotos bósnios, a maioria de origem mulçumana, foram mortos por forças militares sérvio-bósnias, sob o comando do general Radko Mladic, em menos de duas semanas. Muitos faziam parte do grupo de civis que era mantido dentro de uma fábrica protegida por um batalhão holandês de capacetes azuis e que foram obrigados a deixar o local pelos próprios representantes da ONU, quando o Exército bósnio da Sérvia apertou o cerco.
Símbolo dos atos de limpeza étnica perpetrados pela Sérvia de Slobodan Milosevic e da negligência da Europa, os acontecimentos de Srebrenica ainda reverberam com força em um país que luta por reparações de guerra e pela sua própria coexistência pacífica. Neste ano, a efeméride foi marcada por uma marcha de milhares de pessoas que refizeram o caminho de 80 km entre a zona livre e o local do genocídio, percorrido pelos sobreviventes. Um comboio com caixões de 136 vítimas recentemente identificadas seguiu para Srebrenica no último sábado (11/07). Elas serão enterradas junto às outras 6.241 que estão no memorial do massacre.
Na última quinta-feira (09/07), o Conselho de Segurança da ONU votou uma resolução que classificaria o massacre de Srebrenica como genocídio. No entanto, a Rússia, aliada da Sérvia, vetou o texto redigido por britânicos, chamando-o de "não-construtivo, de confronto e politicamente motivado".
Para o sobrevivente de Srebrenica Nedzad Avdic, 37 anos, a resolução seria de grande importância em termos de reparação e educação das futuras gerações. “É importante não só para os meus filhos, mas também para os filhos deles, para as crianças da Europa, para as crianças da guerra”, comenta.
Diferenças
Além de buscar reparações de guerra, a Bósnia-Herzegóvina luta pela sua própria coexistência, em meio a um caldeirão étnico-religioso e de divisões políticas. Não há um, mas três presidentes no país, que se revezam no cargo a cada oito meses. Cada um é eleito pelo grupo étnico que representa: bósnios mulçumanos (bosniácos), sérvios (cristãos ortodoxos) ou croatas (católicos).
O país é composto por duas entidades autônomas: a Bósnia-Herzegóvina e a República Sérvia, ao norte. Srebrenica fica na segunda, onde, não raro, ouvem-se discursos que negam o massacre. “Não foi bem assim”, diz, em tom ofendido, um jovem músico de 23 anos, quando perguntado sobre o tema. “Meu pai estava no Exército e perdeu muitos amigos. Isso é propaganda dos Estados Unidos”, completa.
Sintoma de que as feridas não foram totalmente fechadas, o atual primeiro-ministro da Sérvia, Aleksandar Vucic, foi alvo de fortes vaias — e atingido, inclusive, por uma pedra — quando deixava ontem a cerimônia em homenagem às vítimas do massacre, em Srebrenica.
Uma das cidades mais penalizadas pela Guerra da Bósnia, Mostar, no sul (Herzegóvina) é um símbolo dessas divisões e, principalmente, da superação delas. As águas esmeraldas do rio Neretva cortam a cidade ao meio, separando o lado croata e suas igrejas católicas daquele muçulmano, repleto de imponentes mesquitas.
Os moradores de uma e de outra parte cruzam para o lado oposto sem o menor problema e sao unânimes em dizer que não há conflitos. “Talvez no futebol, quando as criancas formam os times, pode ter alguma provocação, mas ninguém briga. Está todo mundo por aqui com esta história de guerra e a verdade é que somos todos iguais”, comenta um comerciante local, de 58 anos, enquanto rega as flores do seu jardim. Quase contíguo a ele, no centro de Mostar, está um parque que foi transformado em cemitério durante os tempos da guerra e que recebeu os corpos de muitos de seus amigos.
Moradora de Sarajevo, Sabrina Bolic, 35 anos, concorda que não há embates físicos na Bósnia-Herzegóvina de hoje, mas ressalta que ainda há muitas diferençaas, como a existência de escolas separadas para bosniácos e para sérvios. “Vocês que são estrangeiros não percebem, mas nós sabemos se nosso vizinho é sérvio, se é bósnio, e o que isso significa”, diz.

Reportagem de Kívia Costa | Sarajevo (Bósnia-Herzegóvina)
fonte:http://operamundi.uol.com.br/conteudo/reportagens/40994/vinte+anos+apos+srebrenica+bosnia+ainda+luta+por+reparacoes+e+para+superar+diferencas.shtml
foto:http://veja.abril.com.br/noticia/mundo/vinte-anos-apos-massacre-de-srebrenica-bosnia-segue-dividida/

11/07/2015

Como a tese de "guerra moral" de Israel caiu por terra

Sólido e devastador relatório da ONU desmonta os argumentos sionistas para as atrocidades em Gaza.


Escaldada pela experiência da comissão da ONU presidida por Richard Goldstone sobre a guerra em Gaza de janeiro de 2009, a comissão sobre o conflito de 2014, comandada pela jurista e ex-desembargadora estadunidense Mary McGowan Davis, tomou muito mais cuidado em buscar provas, fundamentar acusações e evitar ilações desnecessárias, apesar da falta de cooperação de Israel, que não permitiu à comissão visitar Gaza ou falar com vítimas de ataques de foguetes palestinos.
A conclusão dos três meses de trabalho da comissão é semelhante à de 2009, porém mais sólida: Israel e o Hamas cometeram crimes de guerra, mas aqueles dos israelenses foram mais extensos e sua responsabilidade é maior. A vice-chanceler Tzipi Hotovely criticou a “hipocrisia” das Nações Unidas em comparar Tel-Aviv com países que há muito não têm quaisquer direitos humanos básicos, mas isso é parte da questão. Israel alega merecer consideração especial dos EUA e do Ocidente por ser a “única democracia do Oriente Médio” e ter “o exército mais moral do mundo”. Esse discurso não lhe permite  portar-se com seus inimigos como a ditadura de Bashar al-Assad.
O Hamas foi responsabilizado pela morte de seis civis israelenses e um tailandês, ferimentos em 1,6 mil (inclusive 22 crianças), execução de 21 palestinos suspeitos de espionar para Israel e ameaça à população civil israelense ao redor de Gaza com a construção de túneis e o disparo indiscriminado de foguetes. Seria difícil a Israel confrontar a organização, entrincheirada em um território superpovoado como Gaza, sem danos colaterais a civis. Mas o relatório deixa claro que, ao contrário das alegações do governo de Benjamin Netanyahu, não houve esforço sério para evitá-los. Métodos muito mais terroristas e mortíferos que os do inimigo foram mantidos, apesar das críticas feitas desde o início da luta que durou 50 dias. “Quisemos enfatizar que o uso de explosivos em bairros densamente povoados é problemático e tem de mudar”, disse McGowan. “Não é ok jogar uma bomba de 1 tonelada no meio de um bairro.”
Além de ataques a prédios habitados, Israel destruiu bairros inteiros depois de exigir a saída dos moradores. perto de 28% da população de 1,8 milhão teve de fugir e 18 mil casas foram destruídas. Dos 2.205 palestinos mortos, 1.462 foram civis, 742 dos quais no interior de suas moradias. Isso inclui 557 crianças, mais do que as 368 vítimas infantis da guerra civil da Síria durante todos os 12 meses de 2014 (mas algo menos que as 710 mortes de menores de 15 anos no Afeganistão e 679 no Iraque no mesmo ano). Outras 4.249 crianças foram feridas e ao menos mil (de um levantamento sobre 2.955 atingidas) permanentemente incapacitadas. Houve 142 famílias com três ou mais integrantes mortos por bombardeios. 
O relatório não insistiu nos ataques de Israel a mesquitas, hospitais e escolas, em parte por não serem fatos novos, em parte por admitir implicitamente a versão de Israel de que o Hamas os usou como bases de ataques com foguetes a seu território, mas tomou nota da destruição de 30% das escolas e 50% dos jardins de infância e assinalou a extensão sem precedentes da destruição intencional de residências civis. A alegação de Tel-Aviv de ter avisado dos bombardeios com antecedência de minutos, por meio de telefonemas ou da prática de “bater na porta” com ataques iniciais de baixa intensidade, foi menosprezada pela comissão por ser ineficaz e não absolver o Exército de responsabilidade.
“O fato de Israel não ter revisado sua prática de ataques aéreos, mesmo depois de seus efeitos terríveis sobre os civis serem óbvios, levanta a questão sobre se isso foi parte de uma política mais ampla aprovada tacitamente, no mínimo, nos mais altos níveis do governo”, apontou a comissão, cobrando não só investigação, como indiciamento e punição dos responsáveis. Condenou em particular o arquivamento de um inquérito sobre a morte de quatro crianças ao brincarem em uma praia de Gaza em 16 de julho, sem interrogar as testemunhas. McGowan citou o caso como exemplo da incapacidade do Exército israelense de investigar a si mesmo.
Por mais que Israel queira ignorar o relatório, não poderá fugir das consequências. Para começar, ele abre caminho para processos contra autoridades israelenses no exterior, caminho aberto à Palestina desde sua admissão como integrante do Tribunal Penal de Haia, em abril de 2015, e torna cada vez mais problemáticas suas viagens ao exterior. De maneira mais ampla, é um sintoma claro de que o sionismo perde o controle da narrativa a seu respeito, ao menos fora das fronteiras do país.
A credibilidade do governo israelense na mídia, e mesmo entre aliados, não é mais o que era. O próprio Departamento de Estado dos EUA citou as estimativas de mortes de civis, mulheres e crianças palestinos da ONU em seu relatório sobre terrorismo de 19 de junho e não as de Israel, ao contrário do que fizera após a guerra de 2009. Deu caráter oficial a um novo e poderoso argumento para o movimento de boicote, desinvestimento e sanções (BDS) a Israel, que em junho o primeiro-ministro Netanyahu citou pela primeira vez como uma ameaça existencial comparável ao Irã ou ao Hezbollah. Nos EUA, o movimento ainda é simbólico, apesar do amplo apoio entre estudantes universitários, mas a União Europeia aplica sanções reais contra produtos e investimentos nos territórios ocupados e a China proibiu o uso de suas empresas e trabalhadores nessas áreas. O investimento externo caiu 46% entre 2013 e 2014. Israel começa a ser visto como o era a África do Sul do apartheidem suas últimas décadas.
O Estado judeu recusa ouvir e promove uma propaganda que só prega aos convertidos, inclusive uma animação para ridicularizar os jornalistas estrangeiros em Gaza como idiotas e um livro do ex-embaixador Michael Oren para acusar Obama de trair Israel. Ao mesmo tempo, gera mais fatos concretos contra si mesmo. Não bastasse a morte e destruição em Gaza, a suspensão das negociações de paz e ministros que pedem abertamente a anexação de territórios palestinos, Israel maltrata e persegue refugiados e migrantes africanos, discrimina e reprime judeus negros, seu primeiro-ministro conclamou o voto judeu contra a “ameaça” dos cidadãos de origem árabe e seu vice-ministro do Interior, Yaron Mazuz, diz aos deputados árabes – cujos pais e avós viviam no país antes da migração sionista – estão lá de favor e deviam renunciar à cidadania por acusar o Exército de crimes de guerra.
Mais que o primeiro-ministro ou a chancelaria, com sua rejeição à consideração séria de negociações de paz e reconhecimento do Estado Palestino, é símbolo da ex-general e nova ministra da Cultura Miri Regev, que em entrevista a uma revista feminina reclamou daqueles cujos trabalhos deveria apoiar. “Artistas são um bando de ingratos que pensam saber tudo, de hipócritas que envenenam a vida. Não me sinto à vontade trabalhando com o mundo cultural.” Nestes dois meses de gestão, cortou verbas para um teatro por apresentar a peça sobre um palestino que matou um soldado israelense e ameaçou cancelar subvenções a uma companhia de teatro infantil na qual atuam crianças judias e palestinas por esta se recusar a se apresentar em colônias judaicas na Cisjordânia ocupada.
Igualmente sintomático do clima cultural tóxico foi o incêndio e depredação, por fundamentalistas judeus, da Igreja da Multiplicação de Pães e Peixes, templo beneditino construído no lugar do suposto milagre de Jesus às margens do Mar da Galileia. As paredes foram também pichadas com uma frase de condenação à adoração de ídolos digna do Estado Islâmico. Alguns jovens foram detidos para interrogatório, mas liberados sem acusações. 
Enquanto isso, a Rand Corporation, uma das consultorias mais ouvidas por Washington, adverte que Israel, cujo PIB é hoje de 290 bilhões de dólares, perderá 250 bilhões na próxima década se não fizer a paz, que lhe traria mais de 120 bilhões. Um estudo do próprio Ministério da Fazenda de Tel-Aviv, chefiado por Moshe Kahlon, aponta o risco de falência nacional, como resultado do crescimento da população judia haredim (religiosos ultraortodoxos que se dedicam à religião e não trabalham) e da população árabe marginalizada e excluída. Mesmo sem contar os territórios ocupados, esses dois grupos somarão metade da população em 2059. Antes disso, os judeus mais prósperos e produtivos, ou simplesmente mais ricos, poderão emigrar para fugir da carga fiscal crescente e da dívida pública insustentável. 
Somem-se a isso a instabilidade do Egito, o risco iminente de fundamentalistas se apoderarem da Síria e as mudanças econômicas, culturais, demográficas e geopolíticas que tendem a tornar Israel e o Golfo Pérsico menos vitais para Washington e o lobby sionista menos decisivo nas eleições estadunidenses. Não deveria ser preciso lembrar às lideranças israelenses que mesmo uma eventual vitória republicana em 2016 não garantirá um futuro para seu país se este não aprender a conviver com seus vizinhos, a começar pela Palestina.

Reportagem de Antonio Luiz M. C. Costa
fonte:http://www.cartacapital.com.br/revista/856/guerra-moral-conte-outra-7832.html
foto:http://www.80grados.net/desafios-teologicos-y-hermeneuticos-del-conflicto-palestino-israeli/

09/05/2015

70 anos após fim da guerra, estupro coletivo de alemãs ainda é episódio pouco conhecido

O papel da União Soviética na derrota da Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial, há 70 anos, é visto como uma das grandes glórias da história recente da Rússia e de seu passado comunista.
Mas existe um lado sombrio e pouco conhecido nessa história: os estupros em massa cometidos no final da guerra por soldados soviéticos contra mulheres alemãs.
Alguns leitores poderão achar esta história perturbadora.
O sol se põe sobre o Treptower Park, nos arredores de Berlim, e eu observo uma estátua que faz um desenho dramático contra o horizonte. Com 12 metros de altura, ela mostra um soldado soviético segurando uma espada numa mão e uma menina alemã na outra, pisando sobre uma suástica quebrada.
A estátua marca um lugar onde estão enterrados 5 mil dos 80 mil soldados do Exército Vermelho mortos na Batalha por Berlim entre 16 de abril e 2 de maio de 1945.
A proporção colossal do monumento reflete o sacrifício destes soldados. No entanto, para alguns, a estátua poderia ser chamada de Túmulo do Estuprador Desconhecido.
Existem registros de que os soldados de Stálin atacaram um número bastante alto de mulheres na Alemanha e, em particular, na capital alemã, mas isto era raramente mencionado no país depois da guerra e o assunto ainda é tabu na Rússia de hoje.
A imprensa russa rejeita o tema regularmente e diz tratar-se de um "mito espalhado pelo Ocidente".

Diário de um tenente

Uma das muitas fontes de informação sobre estes estupros é o diário mantido por um jovem oficial soviético judeu, Vladimir Gelfand, um tenente vindo da região central da Ucrânia, que, de 1941 ao fim da Guerra, pôs no papel seus relatos, apesar de os soviéticos terem proibido diários de militares.
Os manuscritos – que nunca foram publicados – mostram como a situação era difícil nos batalhões: alimentação pobre, piolhos, antissemitismo e soldados roubando botas uns dos outros.
Em fevereiro de 1945, Gelfand estava perto da represa do rio Oder, preparando-se para a entrada em Berlim. Em seu diário, ele descreve como seus camaradas cercaram e dominaram um batalhão de mulheres militares.
"As alemãs capturadas disseram que estavam vingando seus maridos mortos. Elas devem ser destruídas sem piedade. Nossos soldados sugeriram esfaqueamento das genitais, mas eu apenas as executaria", escreveu.
Uma das passagens mais reveladoras do diário de Gelfand é a do dia 25 de abril, quando ele narra a chegada a Berlim. Ele estava andando de bicicleta perto do rio Spree, a primeira vez que andou de bicicleta, quando cruzou com um grupo de mulheres alemãs carregando malas e pacotes. Em seu alemão ruim, ele perguntou para onde estavam indo e a razão de terem saído de casa.
"Com horror em seus rostos, elas me disseram o que tinha acontecido na primeira noite da chegada do Exército Vermelho", escreveu.
"'Eles cutucaram aqui a noite toda', explicou a bela garota alemã, levantando a saia. 'Eles eram velhos, alguns estavam cobertos de espinhas e todos eles montaram em mim e me cutucaram – não menos do que 20 homens'. Ela começou a chorar."
"'Eles estupraram minha filha na minha frente e eles ainda podem voltar e estuprá-la de novo', disse a pobre mãe. Este pensamento deixou todas aterrorizadas."
"'Fique aqui', a garota, de repente, se atirou em cima de mim, 'durma comigo! Você pode fazer o que quiser comigo, mas só você!'"

Proibição

Àquela altura, já se sabia de horrores cometidos por soldados alemães na invasão da União Soviética. O próprio Gelfand tinha ouvido essas histórias.
"Ele passou por tantos vilarejos nos quais os nazistas tinham matado todos, mesmo crianças pequenas. E ele viu provas de estupro", disse o filho do soldado, Vitaly Gelfand.
As Forças Armadas alemãs estavam longe da imagem de força disciplinada "ariana" que não se interessaria em ter relações sexuais com Untermenschen(povos inferiores, em alemão).
Tanto que, segundo Oleg Budnitsky, historiador da Escola Superior de Economia de Moscou, os comandantes nazistas, preocupados com o alto número de doenças venéreas entre seus soldados, estabeleceram uma cadeia de bordéis militares nos territórios ocupados.
É difícil encontrar provas de como os soldados alemães tratavam as mulheres russas, muitas vítimas não sobreviveram. Mas no Museu Alemão-Russo de Berlim, o diretor, Jorg Morre, mostra uma foto feita na Crimeia, parte do álbum pessoal de um soldado alemão, feito durante a guerra.
"Parece que ela foi morta no estupro ou após o estupro. A saia está puxada para cima e as mãos estão na frente do rosto. É uma foto chocante. Tivemos discussões no museu sobre se deveríamos mostras as fotos – isto é guerra, isto é violência sexual sob a política alemã na União Soviética. Estamos mostrando a guerra. Não falando sobre, mas mostrando", disse.
Enquanto o Exército Vermelho avançava, cartazes estimulavam os soldados soviéticos a mostrarem sua raiva: "Soldado: Você agora está em solo alemão. A hora da vingança chegou!".

Pesquisa

Enquanto pesquisava para o livro que lançou em 2002 sobre a queda de Berlim, o historiador Antony Beevor encontrou, no arquivo estatal da Federação Russa, documentos que detalham a violência sexual. Eles tinham sido enviados pela então polícia secreta, a NKVD, para o chefe desta polícia, Lavrentiy Beria, no final de 1944.
"Eles foram passados para Stálin. Você pode até ver se eles foram lidos ou não – e eles relatam estupros em massa no leste da Prússia e a forma como as mulheres alemãs tentavam matar os filhos e se matar, para evitar os estupros", disse.
Outro diário escrito durante a guerra, deste vez o da noiva de um soldado alemão ausente, mostra que algumas mulheres se adaptaram a estas circunstâncias horríveis para tentar sobreviver.
O diário, anônimo, começou a ser escrito no dia 20 de abril de 1945, dez dias antes do suicídio de Hitler. Como no diário de Gelfand, a honestidade é brutal, o poder de observação é grande e há até demonstrações ocasionais de humor.
Se descrevendo como uma "loira pálida que está sempre com o mesmo casaco de inverno", a autora do diário descreve a vida dos vizinhos no abrigo contra bombas logo abaixo do prédio de apartamentos onde ela morava em Berlim, incluindo "um jovem em calças cinzas e óculos de armação de chifre que, em uma observação mais atenta, é, na verdade, uma jovem", e três irmãs mais velhas, "espremidas, juntas, como um grande pudim".
Enquanto aguardam a chegada do Exército Vermelho, elas fazem piada dizendo "melhor um russo em cima do que um ianque sobre nossas cabeças". Estupro é considerado melhor do que ser pulverizada por bombas. Mas quando os soldados chegam ao porão onde elas moram, as mulheres imploram para a autora do diário usar suas habilidades no idioma russo para reclamar ao comando soviético.
Ela consegue encontrar um oficial no ambiente caótico da cidade, mas ele não toma providência alguma, apesar do decreto de Stálin proibindo a violência contra civis. "Vai acontecer de qualquer jeito", diz.
Ao tentar voltar para seu apartamento, a autora do diário é estuprada no corredor e quase estrangulada; as mulheres que vivem no porão não abrem as portas durante o estupro, apenas depois que tudo acaba.
"Minhas meias estão caídas em cima dos meus sapatos, ainda estou segurando o que sobrou da minha cinta-liga. Começo a gritar 'Suas porcas! Eles me estupraram duas vezes aqui e vocês me deixaram largada como lixo!'"
Com o passar do tempo, ela percebe que precisa achar um "lobo-chefe" que ponha fim aos estupros da "alcateia". A relação entre agressor e vítima fica menos violenta, mais ambígua. Ela divide a cama com um oficial mais importante, vindo de Leningrado, com quem ela conversa sobre literatura e o sentido da vida.
"Não posso falar, de maneira nenhuma, que o major está me estuprando. Estou fazendo isto por bacon, manteiga, açúcar, velas, carne enlatada.... Além do mais, gosto do major e, quanto menos ele quer de mim como homem, mais gosto dele como pessoa", escreveu.
Muitas de suas vizinhas fizeram acordos parecidos com os conquistadores.
Este diário só foi publicado em 1959, depois da morte da autora, com o título Uma Mulher em Berlim, e foi criticado por "macular a honra das mulheres alemãs".

Filme

Setenta anos depois do fim da guerra, pesquisas ainda revelam a dimensão da violência sexual sofrida pelas alemãs nas mãos não apenas dos soviéticos, mas também de americanos, dos britânicos e dos franceses.
Em 2008, o diário da berlinense foi transformado em um filme, chamado deAnonyma, com uma atriz alemã conhecida, Nina Hoss. O filme teve um efeito catártico na Alemanha e estimulou muitas mulheres a falarem sobre suas experiências.
Entre elas estava Ingeborg Bullert, hoje com 90 anos. Ela mora em Hamburgo, no norte da Alemanha. Em 1945, ela tinha 20 anos, sonhava em ser atriz e vivia com a mãe em Berlim.
Quando o ataque soviético começou, ela se refugiou no porão do prédio – assim como a mulher no diário.
"De repente havia tanques em nossa rua e, em toda parte, corpos de soldados russos e alemães", disse.
Durante uma pausa nos ataques aéreos, Ingeborg saiu do porão para pegar um pedaço de fio no apartamento, para montar um pavio para uma lâmpada.
"De repente, havia dois soldados soviéticos apontando revólveres para mim. Um deles me obrigou a me expor e me estuprou, então eles trocaram de lugar e o outro me estuprou. Pensei que ia morrer, que eles iam me matar."
Ingeborg passou décadas sem falar sobre o crime.
Os estupros afetaram mulheres em toda Berlim. Ingeborg lembra que as mulheres entre 15 e 55 anos tinham que fazer exames para doenças sexualmente transmissíveis.
"Você precisava do atestado médico para conseguir os cupons de comida e lembro que todos os médicos faziam estes atestados e que as salas de espera estavam cheias de mulheres."

Número

Ninguém sabe exatamente quantas mulheres foram vítimas de violência sexual de combatentes estrangeiros na Alemanha. O número mais citado estima em 100 mil as mulheres estupradas apenas em Berlim – e em dois milhões no território alemão.
Há documentos que expõem um alto número de pedidos de aborto – contra a lei na época –, devido à "situação especial".
É provável que nunca se saiba o número real. Tribunais militares soviéticos e outras fontes continuam secretas.
O Parlamento russo aprovou recentemente uma lei que afirma que qualquer pessoa que deprecie a história da Rússia na Segunda Guerra Mundial pode ter que pagar multas ou ser preso por até cinco anos.
Uma jovem historiadora da Universidade de Humanidades de Moscou, Vera Dubina, só descobriu sobre os estupros depois de ir para Berlim devido a uma bolsa de estudos. Ela escreveu um estudo sobre o assunto, mas enfrentou dificuldades para publicá-lo.
Vitaly Gelfand, filho do autor do diário, Vladimir Gelfand, não nega que muitos soldados soviéticos demonstraram bravura e sacrifício durante a guerra, mas, segundo ele, esta não é a única história.
Recentemente, Vitaly deu uma entrevista em uma rádio russa que desencadeou uma onda de "trollagem" antissemita em redes sociais. Muitos disseram que o diário é falso e que Vitaly deveria emigrar para Israel.
Mesmo assim, Vitaly espera que o diário seja publicado na Rússia ainda neste ano. Partes dele já foram traduzidas para o alemão e para o sueco.
"Se as pessoas não querem saber a verdade, estão apenas se iludindo. O mundo todo entende (que ocorreram estupros), a Rússia entende e as pessoas por trás das novas leis sobre difamar o passado, até elas entendem. Não podemos avançar sem olhar para o passado", disse.

Reportagem de Lucy Ash
fonte:http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2015/05/150508_estupro_berlim_segunda_guerra_fn#orb-banner
foto:http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/tema-livre/fotos-historicas-imperdiveis-as-primeiras-e-reveladoras-fotografias-do-bunker-onde-hitler-se-suicidou/