05/12/2015

'Cidade mais poluída do mundo', Nova Déli vai restringir trânsito de carros particulares


O governo de Nova Déli, capital da Índia, anunciou ontem (04/12) que veículos particulares poderão circular nas ruas da cidade apenas em dias alternados, dependendo do número das placas. A medida, válida a partir de janeiro de 2016, visa diminuir os níveis de poluição do ar na cidade.
“Particularmente no inverno, quando a poluição está alta, implementaremos por um tempo a operação de veículos pares e ímpares”, declarou KK Sharma, secretário-chefe do governo de Nova Déli. Por estar localizada no hemisfério norte, o inverno na Índia ocorre de dezembro a março.
O anúncio ocorreu um dia após um tribunal local criticar a qualidade do ar, inclusive se referindo a Nova Déli como uma “câmara de gás”. A decisão, que valerá para os veículos registrados em outros Estados que entrem na cidade, não afetará os ônibus e táxis. Em contrapartida, o transporte público será expandido, afirmou o secretário-chefe.
De acordo com dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) de 2014, a capital indiana é a cidade mais poluída do planeta, com as partículas mais agressivas – que possuem dimensões minúsculas e, portanto, conseguem penetrar nos pulmões e entrar na corrente sanguínea – até 30 vezes acima do recomendado pela OMS.
“Os altos e alarmantes níveis de poluição em Nova Déli sugeririam a necessidade de se tomar medidas urgentes, como fechar as escolas”, afirmou Sunil Dahiya, membro da organização ambientalista Greenpeace Índia. Na última quinta-feira (03/12), a ONG pediu que as escolas da capital fossem fechadas temporariamente, argumentando que a baixa qualidade do ar é perigosa para crianças mesmo em ambientes fechados.
Também com a intenção de diminuir os níveis de poluição do ar, a Índia irá retirar de circulação caminhões com mais de 15 anos e estuda maneiras de testar as emissões de gases dos veículos.

fonte:http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/42517/cidade+mais+poluida+do+mundo+nova+deli+vai+restringir+transito+de+carros+particulares.shtml
foto:http://greensavers.sapo.pt/2015/02/28/india-poluicao-atmosferica-pode-reduzir-esperanca-media-de-vida-de-660-milhoes-de-pessoas/

Os conflitos alimentados pela disputa por petróleo no mundo

A disputa por petróleo voltou ao centro das atenções mundiais depois que a Rússia acusou a Turquia de derrubar um avião russo para supostamente proteger suprimentos que vem adquirindo do grupo extremista autodenominado "Estado Islâmico".
Mas não é a primeira vez que a matéria-prima ─ bem como outros combustíveis fósseis ─ está na origem de conflitos ao redor do mundo.
Confira abaixo alguns deles.
Síria e Iraque 2011 – presente
O petróleo é uma das peças centrais no conflito envolvendo o grupo autodenominado "Estado Islâmico" no Iraque e na Síria.
Vender a matéria-prima é uma fonte de recursos importante para os extremistas, algo estimado em US$ 2 milhões (R$ 7,5 milhões) por dia.
O "Estado Islâmico" controla a maioria das regiões produtoras de petróleo na Síria e também capturou campos de petróleo em Mossul (norte do Iraque) na medida em que foi expandindo seus domínios.
O petróleo é vendido a vários compradores, incluindo o próprio governo sírio, e a intermediários que, por sua vez, vendem a matéria-prima na fronteira com a Turquia.
É esse comércio que a Rússia acusa a Turquia de querer proteger quando derrubou o caça Sukhoi 24. A Turquia, por sua vez, nega comprar petróleo do "Estado Islâmico".
Invasão do Iraque
Em 2002, o vice-primeiro-ministro do Iraque, Tariq Aziz, disse que as ameaças de ação militar contra o país envolviam o petróleo, uma percepção comum no mundo árabe naquele momento.
O Iraque possui grandes reservas, e muitos especialistas afirmam que a matéria-prima foi certamente um fator importante, senão a principal razão, para a escalada de violência no país.
Em 2002, a revista britânica The Economist escreveu que, embora a alegação para a invasão do Iraque tenham sido as supostas armas de destruição em massa detidas pelo então regime do de Saddam Hussein, a abertura das enormes reservas de petróleo do país ao capital estrangeiro também teria motivado a ofensiva americana.
Outro fator, segundo a publicação, seria a suspeita de que Saddam também usava a renda obtida por meio da venda do óleo para financiar a expansão de sua influência estratégica na região.
O então vice-presidente americano Dick Cheney, alertando sobre as ambições do Iraque, disse em agosto de 2002: "Saddam Hussein busca dominar o Oriente Médio inteiro e tomar controle de uma grande parcela dos suprimentos de energia do mundo".
1ª Guerra do Golfo
"Não ao sangue por petróleo" foi um slogan antiguerra comum nos meses que antecederam o conflito, em 1991.
Mas o papel da matéria-prima na 1ª Guerra do Golfo foi inegável.
O conflito teve origem após a invasão do Kuwait pelo Iraque. Saddam considerava o pequeno país do Golfo Pérsico, rico em petróleo, uma província iraquiana.
A intervenção liderada pelos Estados Unidos foi em grande parte motivada pela necessidade de assegurar o petróleo do Kuwait e também impedir que Saddam expandisse seu controle sobre a matéria-prima.

Golpe de Estado no Irã (1953)

O petróleo também teve papel importante no golpe de Estado de 1953 no Irã ─ organizado pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido.
Os dois países tentaram derrubar um primeiro-ministro eleito, Mohammed Mossadegh, e substitui-lo por Mohammad Reza Pahlavi, cujo reinado terminou quando fundamentalistas iranianos chegaram ao poder, em 1979.
O principal "erro" de Mossadegh foi ter nacionalizado a companhia de petróleo anglo-iraniana, precursora da British Petroleum (hoje BP) e controlada à época pelo governo britânico.
2ª Guerra Mundial
A 2ª Guerra Mundial é normalmente considerada uma guerra contra o nazifascismo, mas o petróleo exerceu forte influência no conflito.
O ataque japonês a Pearl Harbor tem origem, pelo menos em parte, na decisão dos Estados Unidos de limitar as exportações de petróleo para o Japão em 1941, em resposta à invasão japonesa da China.
O Japão dependia quase totalmente de petróleo importado, principalmente dos Estados Unidos, e precisava da matéria-prima para a sua frota naval.
Já na Europa, o Azerbaijão, país rico em petróleo e então parte da União Soviética, era um dos alvos da incursão alemã rumo ao leste, em 1941.
Foi por causa dessa ofensiva que os alemães acabaram cercados e derrotados em Stalingrado, um divisor de águas na guerra.

fonte:http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/12/151203_conflitos_mundiais_petroleo_lgb_gch#orb-banner
foto:http://www.agracadaquimica.com.br/index.php?&ds=1&acao=quimica/ms2&i=5&id=378

SP tem 1ª suspeita de microcefalia por zika

O Estado de São Paulo registrou o primeiro caso suspeito de microcefalia relacionado ao zika cuja transmissão do vírus teria ocorrido dentro do território paulista. A suspeita surgiu porque a gestante não tem histórico de viagem para o Nordeste ou outros Estados atingidos pela doença.


A criança nasceu há cerca de um mês em uma maternidade de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, com perímetro cefálico de cerca de 28 centímetros. O bebê foi posteriormente avaliado por uma equipe do Hospital São Paulo, vinculado à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que verificou indícios de microcefalia relacionada ao zika. “No caso da infecção pelo vírus, além do perímetro cefálico reduzido, temos diversas calcificações e uma superfície cerebral mais lisa, e o padrão de imagem do cérebro dessa criança é muito compatível com esse quadro. É um caso de microcefalia com alta probabilidade de ter relação com o zika”, diz Marcelo Masruha, médico do setor de neurologia infantil da Unifesp e um dos profissionais que examinaram a criança.
Masruha afirma que a mãe do bebê relatou ter tido, no primeiro trimestre da gravidez, sintomas de zika, como febre e manchas pelo corpo. “Soubemos que o hospital em Guarulhos notificou o caso de microcefalia à vigilância epidemiológica e, quando a criança chegou até nós, no dia 24 de novembro, fizemos uma nova notificação pelo Hospital São Paulo. Não entendo por que esse caso ainda não entrou para as estatísticas do Ministério da Saúde”, observa o médico, que também é presidente da Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil.
No último boletim epidemiológico de microcefalia, divulgado pelo ministério na terça-feira, não havia casos suspeitos do problema no Estado de São Paulo. A Secretaria Municipal de Saúde de Guarulhos confirmou o registro de um caso de microcefalia, mas afirmou que ainda não é possível confirmar se há relação com o zika vírus. Já o Ministério da Saúde afirmou que recebe as notificações por meio das secretarias estaduais e, até o fechamento do último boletim, no dia 28 de novembro, não havia recebido nenhum caso de São Paulo. A secretaria estadual, por sua vez, informou que só trabalha com casos confirmados.
Antes desse relato, o Estado só apresentou casos de microcefalia associados ao zika em bebês cujas mães passaram parte da gravidez em cidades nordestinas. Foram dois casos do tipo na capital paulista. Uma das gestantes engravidou em Pernambuco e lá ficou durante os primeiros meses da gestação. A segunda chegou da Paraíba.
Segundo Masruha, há um terceiro caso suspeito na capital, de uma gestante que passou pelo Rio Grande do Norte. A criança nasceu com perímetro cefálico de 26 centímetros. 
Emergência. Nesta sexta, o governo da Paraíba decretou emergência por causa do vírus. O mesmo já foi feito por Pernambuco e Rio Grande do Norte. Em todo o País, já foram notificados 1.248 casos de microcefalia com suspeita de relação com o zika vírus.


Reportagem de Fabiana Cambricoli
fonte:http://saude.estadao.com.br/noticias/geral,sp-tem-1-suspeita-de-microcefalia-por-zika,10000003943

04/12/2015

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Quase tudo em ruínas

Artigo de Fernando Gabeira, jornalista e escritor.


Agora que tudo está em ruínas, exceto algumas instituições que resistem, não me preocupo em parecer pessimista. Quando anexei às listas das crises o grave momento ambiental, algumas pessoas ironizaram: el Niño? Naquele momento falava apenas da seca, da tensão hídrica, das queimadas e enchentes. Depois disso veio o desastre de Mariana, revelando o descaso do governo e das empresas que, não se contentando em levar a montanha, transformam o Doce num rio de lama.
No fim de semana compreendi ainda outra dimensão da crise. O Brasil, segundo especialistas, vive uma situação única no mundo: três epidemias produzidas pelo Aedes Aegypti (dengue, chikungunya e o zika vírus). O zika está sendo apontado como o responsável pelo crescimento dos casos de microcefalia. Sabe-se relativamente pouco sobre ele. E é preciso aprender com urgência. O dr. Artur Timerman, presidente da Sociedade Brasileira de Dengue e Arboviroses, considera a situação tão complexa como nos primeiros momentos da epidemia de aids.
Agora que está tudo em ruínas, restam os passos das instituições que funcionam, o prende aqui, prende lá, delata ou não delata, atmosfera de cena final, polícia nos calcanhares. Lembra-me a triste cena final do filme Cinzas e Diamantes, de Andrzej Wajda. A Polônia trocava um invasor, os nazistas, por outro, os comunistas: momento singular. No entanto, há algo de uma tristeza universal na Polonaise desafinada e no passeio do jovem casal por uma cripta semidestruída pelos bombardeios.
Aqui, a cena não é de filme de guerra, ocupação militar, mas de um thriller policial em que a quadrilha descoberta vai sendo presa progressivamente. Enquanto isso, não há governo para responder ao desemprego, empobrecimento, epidemias, mar de lama e ao sofrimento cotidiano dos brasileiros.
As cenas finais são eletrizantes e a ausência de um roteirista tornou o filme político ainda mais atraente. Mas perto da hora de acender a luz os cinemas se preparam, abrem as cortinas e já se pode ver, de dentro, como é sombria a noite lá fora.
Quase todos concordam com a gravidade da crise, nunca antes neste país o governo errou tanto, corrompeu tão disciplinadamente a vida política, corroeu tanto os alicerces da jovem democracia, engrandecida com a luta pelas diretas. Naquele momento, a bandeira das diretas tinha conotação positiva, era a esperança que nos movia. Muitos acham que só ela nos move. Mas diante das circunstâncias ameaçadoras é o instinto de sobrevivência que nos pode mover: o Brasil está se desintegrando.
Hoje a esperança só pode ser construída na luta pela sobrevivência. Chegou a hora de conversarmos por baixo, uma vez que do sistema político não vem resposta. Naturalmente, saindo do pequeno universo, abrindo-se para as diferentes posições no campo dos que querem a mudança. Nada que ver com conversa de ex-presidentes ou com essa história de que oposição e governo têm de se entender.
O governo tem de entender que chegou sua hora, pois é o grande bloqueio no caminho da esperança. Não é possível que, no auge de uma crise econômica, epidemias e desastre ambiental, o País aceite ser governado por uma quadrilha de políticos e empresários.
Às vezes me lembro do tempo do exílio, quando sonhava com um passaporte brasileiro. Agora é como se tivesse perdido o passaporte simbólico e de certa maneira voltasse à margem.
Vivemos momento em que quase tudo está em ruínas, como se fôssemos uma multidão de pessoas sem papel. O foco nas cenas de desmonte policial é importante. O voto direto dos senadores não seria aprovado, no caso Delcídio, não fora a vigilância da sociedade.
No entanto, a gravidade da situação pede muito mais. Há um momento em que você se sente órfão dos políticos do País. Mas logo em seguida percebe que é preciso caminhar sem eles. Hora de conversar na planície.
Não descarto a importância de um núcleo parlamentar que nos ajude a mandar para as Bermudas o triângulo Dilma, Renan, Cunha. Mas as grandes questões continuam: como recuperar a economia, como voltar a crescer de forma sustentável, como reposicionar o Brasil no mundo, distanciando-nos dos atrasados bolivarianos?
Uma das muitas maneiras de ver os limites do crescimento irracional é o próprio desastre em Mariana, a agressão ao Rio Doce. A essência desse crescimento é o depois de nós, o dilúvio. Às vezes o dilúvio se antecipa, como no distrito de Bento Rodrigues, e fica mais fácil compreender a gigantesca armadilha que legamos às novas gerações. É preciso uma conversa geral e irrestrita entre todos os que querem mudar, tirando da frente os obstáculos encalhados em Brasília.
Não se trata de estender o dedo como naquele cartaz do Tio Sam, dizendo: o País precisa de você. Na verdade, o caminho é mostrar que você precisa do País; se ele continuar se enterrando, alguns sonhos e perspectivas individuais se enterram também.
Compreendo as pessoas que temem a derrubada do governo e seus aliados porque não sabem precisamente o que virá adiante. Não sei se isto as conforta, mas o descobrimento do Novo Mundo foi feito com mapas equivocados e imprecisos. A fantasia dos navegantes estava povoada de monstros e prodígios, no entanto, acabaram sendo recompensados por se terem movido.
O desafio de agora é menor do que lançar-se nos mares desconhecidos. Os mapas nascem de um amplo diálogo e, mesmo se não forem cientificamente precisos, podem nos recompensar pela movida.
Desde o princípio, o impeachment era uma solução lógica, mas incômoda. Muita gente preferiu ficar com um governo porque ele foi eleito. Não importa se a campanha usou dinheiro do petrolão, Pasadena, não importam as mentiras, a incapacidade de Dilma. Ela foi eleita. Tem um diploma. E vamos dançar nas ruínas contemplando o luminoso diploma, cultuando sua composição gráfica, a fita colorida.
Muitos povos já se perderam no êxtase religioso como resposta a uma crise profunda. Mas os deuses eram mais fortes, o sol, a fecundidade, a morte. Estamos acorrentados a um diploma.



fonte:http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,quase-tudo-em-ruinas,10000003850
foto:http://lebloghistoria.blogspot.com.br/2011/10/charges-sobre-democracia-no-brasil.html

Brasil cria 1º remédio a partir de organismo vivo contra efeito de quimioterapia

Uma droga de produção inédita no Brasil, que reduz os efeitos colaterais do tratamento de câncer, deve chegar ao mercado no ano que vem, depois de ter sido aprovado há pouco mais de um mês pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
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O Fiprima (filgrastim) é o primeiro medicamento biossimilar inteiramente desenvolvido no Brasil - e o primeiro da América Latina. Biossimilares são parecidos a medicamentos biológicos, que por sua vez são produzidos a partir de um organismo vivo, e não apenas por meio da manipulação química de sais em laboratório. Isso torna o seu desenvolvimento muito mais complexo.
Para se ter uma ideia, em todo o mundo existem apenas 20 biossimilares registrados, incluindo o produto brasileiro, que são considerados uma nova fronteira para a indústria farmacêutica global.
A nova droga é uma versão de um medicamento biológico originalmente desenvolvido pela Roche, cuja patente expirou no início dos anos 2000.
Ela é indicada para pacientes que apresentam o sistema imunológico comprometido pela realização de tratamento quimioterápico. O medicamento permite o restabelecimento da imunidade, evitando o surgimento de doenças infecciosas oportunistas.
O novo biossimilar foi desenvolvido pela Eurofarma. Por meio de um acordo de transferência de tecnologia, será produzido pela Fiocruz e distribuído gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Com a produção própria, o Ministério da Saúde diz esperar economizar R$ 9,3 milhões por cinco anos.

Glóbulos brancos

O remédio é fundamental para os pacientes submetidos a tratamentos quimioterápicos e que acabam apresentando uma contagem muito baixa de neutrófilos - glóbulos brancos que ajudam no combate às infecções.
Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), mais de 12 milhões de pessoas são diagnosticadas com câncer em todo o mundo a cada ano. Apenas no Brasil, o Inca estima 580 mil novos casos em 2015.
A aprovação do remédio foi publicada no último dia 20 de outubro no Diário Oficial da União. O desenvolvimento do biossimilar contou com financiamento de R$ 12 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e levou dez anos para ser concluído.

Organismo vivo

Remédios biológicos como o Fiprima são muito mais complexos do que os remédios tradicionais justamente porque não são sintéticos. Ou seja, não dependem apenas de uma manipulação de substâncias químicas em laboratório para serem produzidos.
Os remédios biológicos são em geral proteínas produzidas por um organismo vivo - que pode ser uma bactéria, uma levedura ou uma célula de mamífero. Os cientistas alteram geneticamente esses organismos vivos para que passem a produzir exatamente aquela substância de que precisam e nada mais. Eles cultivam, então, os organismos para que se transformem em "fábricas" de proteínas.
"Os primeiros remédios biológicos surgiram nos anos 80", explica a vice-presidente da Eurofarma, Martha Pena.
"Quando parecia que a indústria farmacêutica tinha começado a ficar limitada, que tínhamos resolvido parte das doenças e que outras, simplesmente, não conseguiríamos resolver, surgiu essa nova tecnologia que nos permitiu interferir em mecanismos biológicos, receptores de células, algumas formas de vírus."
Tanto é assim, diz Martha Pena, que a Filgastrima foi um dos primeiros medicamentos biológicos desenvolvidos no mundo e, só agora, foi possível criar uma cópia. No caso, o Fiprima.
A farmacêutica tem hoje uma parceria em andamento com o Instituo Bio-Manguinhos, via Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), que garante o abastecimento do mercado público e a transferência de tecnologia. Segundo Martha, o mercado privado deve absorver 50% das vendas do biossimilar e o governo, a outra metade.
"O processo de transferência (de tecnologia) prevê a incorporação das diversas etapas de produção paulatinamente", explicou o diretor de Bio-Manguinhos/Fiocruz, Artur Couto.
"Neste caso, podemos dizer que o início dos processos se dá imediatamente a obtenção do registro por parte da Fiocruz, o que tem prazo para ocorrer até 12 meses após a assinatura do contrato. Estamos trabalhando para ter o contrato assinado ainda no primeiro semestre de 2016."

fonte:http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/12/151203_brasil_remedio_cancer_rm#orb-banner
foto:http://www.guiadafarmacia.com.br/component/tags/tag/2261-fiprima

Médicos cubanos precisarão de autorização para sair do país

Os médicos cubanos não poderão mais viajar livremente para o exterior a partir de 7 de dezembro. O Governo anunciou na terça-feira uma medida que obriga todos esses profissionais a apresentarem uma solicitação prévia se quiserem sair da ilha. A norma significa um passo atrás nas liberdades dadas aos médicos e ocorre num momento de crise migratória, em que pelo menos 4.000 cubanos se encontram retidos na América Central à espera de algum dia chegar aos Estados Unidos.
Neste ano, Cuba oferece alternadamente bondades e maldades aos seus médicos. Em outubro, tomou a histórica decisão de conceder anistia aos médicos que tivessem desertado para os Estados Unidos sob o amparo do Programa de Indulto Profissional a Médicos Cubanos, criado no Governo Bush. Ao anunciar a anistia, como parte do degelo das relações com WashingtonRaúl Castro prometeu o regresso sem represálias e com emprego garantido para os profissionais médicos que tivesse abandonado a ilha. Mas agora, para evitar novos casos dessa fuga de cérebros, obriga os médicos a comparecerem ao Ministério da Saúde se quiserem viajar por motivos pessoais, devendo esperar a tramitação dessa autorização.
O comunicado, publicado no jornal Granma, ressalta que essa nova disposição não significa a proibição das viagens, “e sim que serão analisadas as datas de saída do país, levando em conta a substituição de cada profissional”, para garantir a “qualidade, continuidade e estabilidade do funcionamento dos serviços de saúde”. Essa regulamentação se aplicará também para “mitigar os transtornos” causados pela “política migratória seletiva e politizada dos EUA com relação a Cuba” e a “crescente contratação não planejada de médicos cubanos em outros países”, segundo a declaração oficial.
A organização cubano-americano Solidariedade Sem Fronteiras calcula que 5.000 médicos cubanos desertaram de missões internacionais em vários países latino-americanos na última década, entre eles a Venezuela, de onde se deslocam irregularmente para a América Central e o México em sua tentativa de afinal chegar aos EUA. Os cubanos se beneficiam da lei norte-americana do Ajuste Cubano, mais conhecida como “dos pés secos”, que facilita a concessão de residência aos cidadãos desse país que conseguem entrar no território norte-americano. O serviço que esses médicos prestam na Venezuela permite que Cuba receba em troca 100.000 barris diários de petróleo.
Em 2013, o Governo cubano havia autorizado os médicos a saírem do país por motivos pessoais, assim como o resto dos cidadãos, graças a uma lei que eliminou a maioria dos entraves migratórios que durante cinco décadas limitaram a liberdade de movimento dos cubanos. Desde o fim dessas restrições, segundo dados oficiais, quase 500.000 cubanos viajaram a outros países por motivos pessoais, um crescimento de 81% em relação ao período 2010-2012. Os principais destinos são os Estados Unidos, México, Panamá, Espanha e Equador, que restabeleceu nesta terça-feira a exigência de visto para os cidadãos cubanos. Até agora, os cubanos tinham direito a até três meses de permanência sem visto, um tempo que podiam empregar para preparar a viagem por terra para o norte, atravessando oito fronteiras. Um repentino aumento do fluxo migratório em novembro levou a Nicarágua a fechar sua fronteira sul com a Costa Rica, onde 4.000 cubanos estão retidos à espera de seguir viagem para os EUA.

Reportagem de Elena Reina
fonte:http://brasil.elpais.com/brasil/2015/12/01/internacional/1449005048_530861.html
foto:http://www.portalsaudenoar.com.br/cuba-suspende-viagens-de-medicos-ao-exterior/

Em reta final, oposição venezuelana reforça denúncias de fraude nas eleições legislativasel

No encerramento de campanha da coalizão opositora MUD, era difícil encontrar quem acreditasse que não haveria nenhuma manipulação eleitoral no domingo.




Lilian Tintori, esposa do político opositor Leopoldo López, preso desde fevereiro, deu o tom sobre como a oposição enxerga as eleições legislativas na Venezuela. “Podem acontecer duas coisas em 6 de dezembro: ou ganha a oposição ou houve fraude”. O posicionamento dela — uma espécie de relações públicas da oposição dentro e fora do país — é parte de um amplo e antigo discurso de desacreditação das eleições, compartilhado dentro e fora da Venezuela.

E que tem eco entre seus eleitores. Na quinta-feira (03/12), no encerramento de campanha da MUD (Mesa de Unidade Democrática, coalizão opositora), em Caracas, era difícil encontrar entre as pouco mais de 300 pessoas reunidas quem acreditasse que não haveria nenhuma manipulação eleitoral no domingo.


“Eles [chavistas] vão nos roubar de novo, tenho certeza”, afirma Giovana González, de 40 anos. Acompanhada da filha e da mãe, ela diz não confiar nos processos eleitorais venezuelanos. “Quando [Henrique] Capriles ganhou o governo de Miranda [em 2013] sim, acreditei. Mas quando eles ganham é mentira. Estamos passando fome! Não é possível que as pessoas queiram continuar votando no chavismo!”, grita, para logo depois posar para uma foto com a família. “Vamos mandá-la ao meu filho, que está estudando nos Estados Unidos”, conta, com orgulho.

Enquanto balançava uma bandeira do partido Primeiro Justiça, Micalia Plaza, de 52 anos, dizia torcer por uma grande “unidade nacional” para tirar o chavismo do poder. “Precisamos impulsar um processo de paz. É como se o nosso país estivesse em guerra”, afirma. Apesar de mais otimista com os resultados, ela revela temer igualmente a validação de uma vitória da MUD.  

Apesar de a oposição ter voltado a participar de processos eleitorais na Venezuela — em 2005, por exemplo, o bloco boicotou o pleito —, já é comum que desde muito antes da votação, denuncie irregularidades e desacredite o trabalho do CNE (Conselho Nacional Eleitoral). Dessa vez, com as eleições legislativas, não é diferente. Munidas com pesquisas de intenção de voto produzidas pelas principais consultorias de tendência opositora venezuelanas, como Datanalisis, e que sugerem uma vitória da MUD, as lideranças se adiantam nas denúncias.

Freddy Guevara, candidato da MUD à Assembleia, foi tão enfático quanto Lilian: somente respeitará os resultados se esse refletirem “o que diz o povo”. E para ele, só se forem favoráveis à oposição “Se o CNE não diz o que dizem os votos, o impugnaremos. Se temos a prova que ganhamos, temos direitos a apelar”, afirmou.



“Campanha suja”

Ligeiramente na corrente contrária, está o secretário executivo da MUD, Jesus “Chúo” Torrealba, quem em entrevista a Opera Mundi apostou mais numa suposta “campanha suja” do chavismo do que em fraude como complicador do voto. “Viemos aceitando resultados negativos há quase 17 anos”, pontua. Ele, que chegou ter um programa de televisão chamado “Radar da favela”, que percorria localidades pobres de Caracas, diz que na Venezuela “sempre houve irregularidades eleitorais”, porém, “a situação escalou: agora estão cometendo delitos eleitorais. Ampliaram sua vantagem com a aplicação do estado de exceção em algumas zonas do país”.


Chúo se refere à medida usada pelo governo venezuelano este ano para coibir o contrabando de produtos e a violência paramilitar, que cresciam na fronteira com a Colômbia. Circuitos dos estados de Táchira e Zulia, por exemplo, estão sob a situação. “Apesar de tudo isso, estamos ganhando esse processo eleitoral, com uma distância próxima dos 35 pontos percentuais”, continua.

Para ele, a oposição deve ganhar “não somente devido à excelência do nosso trabalho”, mas pela crise que vive a Venezuela. No entanto, sobre a enorme diferença de público entre a marcha chavista e opositora — o PSUV reuniu centenas de milhares de pessoas no centro da capital, enquanto a MUD pouco mais de 300 assistentes ao Parque Cristal, em Miranda —, Chúo afirma que a onda de violência iniciada ano passado após a campanha opositora “La Salida”, capitaneada por Leopoldo López, “assustou” os opositores.

Entre fevereiro e março de 2014, mais de 40 pessoas foram mortas, grande parte delas indentificada com o chavismo. Um grupo de parentes de vítimas das “guarimbas”, como foram chamadas as barricadas que eram erguidas nas ruas do país, se manifesta frequentemente exigindo justiça contra membros da oposição, que supostamente teriam incentivado os dias de barbárie.

“Até para dar um golpe de Estado, faz falta ter algum capital político. E Maduro não o tem. Ele não tem nem votos no país, nem aliados no exterior”, conclui Chúo, em uma tentativa de delinear o que seria um isolamento do presidente venezuelano, eleito em abril de 2013. Uma eleição apertada, vencida por 1,49%, e que igualmente foi desacreditada pela oposição. Uma onda de violência que se seguiu aos protestos de fraude matou 13 pessoas, parte delas moradora da comunidade Limonera e declaradamente chavista.




Reportagem de Marina Terras
fonte:http://operamundi.uol.com.br/conteudo/reportagens/42508/em+reta+final+oposicao+venezuelana+reforca+denuncias+de+fraude+nas+eleicoes+legislativas.shtml#
foto:http://brasil.elpais.com/brasil/2015/02/22/internacional/1424579783_786024.html