04/05/2011

Catástrofes naturais atingiram mais de 30 milhões em 2010

O aquecimento global e as consequentes alterações climáticas em todo o mundo foram o motivo de 30 milhões de atendimentos da Cruz Vermelha Internacional no ano passado. Foram atendimentos a vítimas de catástrofes naturais, algumas das quais não chegaram a repercutir na grande imprensa.

A informação foi dada no Rio de Janeiro, pelo secretário-geral da Federação Internacional da Cruz Vermelha, Bekele Geleta, que está em visita ao Brasil, para tratar das relações institucionais, com entidades públicas e privadas do país.
Os números dizem respeito apenas aos atendimentos decorrentes de tragédias naturais e foram feitos pelos cerca de 270 mil funcionários da Cruz Vermelha, em todo o mundo. Geleta ressaltou que o montante é ainda maior se forem computadas as pessoas beneficiadas por serviços de prevenção à saúde e aqueles relativos a questões sanitárias.
Para o secretário-geral da Federação Internacional da Cruz Vermelha, o agravamento das questões climáticas poderá piorar a situação, como já vem sendo possível ser constatado também em 2011, com tragédias como o terremoto, seguido de tsunami, ocorrido no Japão e os tornados que vêm assolando vários estados norte-americanos.
“São, em geral, questões decorrentes de problemas ambientais, mudanças climáticas e também de violência urbana. O número de desastres naturais tem aumentado ano a ano. E a questão é saber se as economias dos países afetados vão crescer o suficiente para ajudar as pessoas a não ficarem tão expostas a tragédias ou mesmo minimizar os efeitos dessas catástrofes”.
Ao lembrar que o governo brasileiro doou US$ 1 milhão para o Haiti, quando do terremoto que devastou o país no ano passado, o secretário-geral da Cruz Vermelha destacou o fato de que o Brasil está cada vez mais presente na cena internacional.
“Iniciativas como essas mostram que o governo brasileiro começou a ser ativo também na participação e no socorro às questões humanitárias internacionais. O que mostra que o governo brasileiro está cada vez mais presente nos assuntos de relevância no mundo e também no suporte às pessoas necessitadas.”
Geleta destacou o problema da segurança alimentar como uma das grandes preocupações da Cruz Vermelha Internacional nos tempos de hoje. Segundo ele, o problema não diz respeito somente à falta de alimento necessário para a humanidade e, em particular, para os países mais pobres. Mas preocupa igualmente a desnutrição, para ele, um problema ainda mais grave.
“Talvez ainda mais grave do que a falta de alimento é a questão da alimentação inadequada.” Para ele, “não seria correto usar a palavra fome, mas, sim, a insuficiência ou a alimentação inadequada que produz crianças mal nutridas – isso diminui os anticorpos das crianças e das mães em fase de amamentação”.
A avaliação parte do pressuposto de que “o mundo responde muito mais rapidamente em momentos de fome localizada, mas não com a mesma rapidez e precisão em relação à questão da desnutrição”.
Em sua avaliação, a solução para o problema da falta de alimentação seria mudar os métodos de produção de alimentos, para aumentar a oferta.
Para Geleta, a segurança da alimentação depende de investimentos em tecnologia, “o que os governos e as empresas já vêm fazendo. Acredito que, brevemente, encontraremos uma solução para esse problema específico. Quando eu falo em segurança alimentar, falo em alimentação suficiente para poder ser distribuída. Mas não só na quantidade adequada, mas também em qualidade suficiente para propiciar os nutrientes necessários. É preciso essencialmente que tenha nutrientes em quantidade suficiente para prover saúde e criar pessoas saudáveis”, disse.



Texto de Nielmar de Oliveira da Agência Estado
(http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17751)

foto: wondercliparts.com

Projeto de lei para destinar computadores apreendidos a escolas públicas

Mande email ou telefone para o seu deputado. Temos que fazer pressão para que esta proposta seja aprovada rapidamente. Tudo que se faz pela educação tem retorno no futuro.



A proposta vai garantir que os produtos apreendidos não voltem ao mercado, o que prejudicaria as vendas de comerciantes do ramo. Além disso, a medida atenderá às necessidades das escolas públicas, que em regra não dispõem de computadores.
Atualmente, já é possível que uma escola receba materiais de informática apreendidos, mas a legislação que trata do assunto - formada por decretos e portarias - não prevê destinação exclusiva
Tramitação
O projeto tramita apensado ao PL 181/11, que trata do mesmo assunto. As duas propostas, que tramitam em caráter conclusivo, serão analisadas pelas comissões de Educação e Cultura; Finanças e Tributação; e Constituição, Justiça e de Cidadania.

foto: ssqq.com

03/05/2011

Em evento religioso, música não rende direito autoral



O Escritório Central de Arrecadação e Distribuição, o Ecad, está proibido de cobrar por execuções musicais em eventos religiosos, gratuitos e sem finalidade de lucro. A sentença é da 3ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, que excluiu a cobrança de direitos autorais a pedido da Mitra Arquidiocesana de Vitória. Para o relator, os direitos fundamentais não podem ser sobrepostos pelos direitos do autor. O colegiado, por unanimidade, seguiu voto do ministro Paulo de Tarso Sanseverino.
Com a decisão, fica modificada decisão anterior do Tribunal de Justiça do Espírito Santo. No entendimento da corte estadual, o artigo 68 da Lei 9.610, de 1998, que autorizaria a cobrança dos direitos autoriais, seria aplicável ao caso. As músicas foram executadas pela Mitra na celebração do Ano Vocacional.
A entidade recorreu ao STJ para questionar a leitura isolada do dispositivo. Em seu voto, o ministro Sanseverino admitiu a interpretação, mas explicitou que a mesma lei, "nos artigos 46, 47 e 48 regula as limitações aos direitos autorais". Estariam enquadradas nessas limitações o direito à intimidade e à vida privada, desenvolvimento nacional e à cultura, educação e ciência.
Citando o Acordo Trips, da Organização Mundial do Comércio, do qual o Brasil é signatário, o ministro apontou que a restrição aos direitos do autor é admitida quando não há exploração da obra ou quando o titular do direito não sai prejudicado.
Nesse sentido, existem três possibilidades nas quais a reprodução é autorizada, conhecida como Regra dos Três Passos: em casos especiais, em casos que não conflitem com a exploração comercial da obra e em casos que não prejudiquem injustificadamente os legítimos interesses do autor.
"O evento de que trata os autos — sem fins lucrativos, com entrada gratuita e finalidade exclusivamente religiosa — não conflita com a exploração comercial normal da obra (música e sonorização ambiental), assim como, tendo em vista não constituir evento de grandes proporções, não prejudica injustificamente os legítimos interesses dos autores", justificou.

fonte:http://www.conjur.com.br/2011-abr-01/eventos-religiosos-musica-nao-rende-direitos-autorais-ecad
foto: hamiltont.blogspot.com

Brasil, el paraíso de miles de ejecutivos extranjeros

Esperamos sinceramente que a entrada destes trabalhadores estrangeiros não sirva de desculpa para a omissão na questão de capacitação.Além disso, poderemos ter no futuro brasileiros desempregados, caso não haja um firme controle das autoridades nas empresas privadas. 

La falta de empleo en los viejos países desarrollados y la enorme escasez de mano de obra especializada en Brasil, junto con su enorme desarrollo económico, está convirtiendo a este país en la meca de miles de importantes ejecutivos de empresas extranjeras.Solo en el primer trimestre de este año han sido concedidas 15.000 autorizaciones para que altos ejecutivos de los países ricos pero en crisis se instalen en Brasil, con el agravante positivo de que suelen ganar hasta un 30% más que en sus países de origen, con el mismo trabajo.

Cerca del 70% de las grandes empresas brasileñas se quejan de falta de mano de obra especializada y de ejecutivos con gran experiencia y buen curriculum. De ahí la facilidad para que dichos ejecutivos extranjeros consigan con facilidad afianzarse en este pais.
"Decidí venir a Brasil por el desafío que suponía para mí ese cambio, por las oportunidades que aquí se me brindan, por el momento de crecimiento que el país está viviendo y por el interés que tengo por la cultura de aquí. En los dos últimos años es más difícil conseguir un buen empleo en los Estados Unidos que aquí", confirma al diario O Globo el americano Lucas Kart, que ha asumido el área de Consulencia en Derecho Norteamericano en el Manhães Moreira Advogados Asociados en Sâo Paulo.
Además de conseguir unos sueldos hasta 30% superiores a los de Europa y Estados Unidos, los ejecutivos que vienen a trabajar en Brasil consideran conveniente la situación del real frente al dólar, por ejemplo, lo que hace que ellos mismos prefieran ganar en reales y no en la moneda de sus países respectivos.
En 2010 fueron autorizados a trabajar en Brasil 50.006 altos ejecutivos. Los sectores del petróleo y gas son el campo que más atrae a los ejecutivos extranjeros sobretodo teniendo en cuenta las grandes posibilidades en la explotación de la extracción del petróleo en los grandes yacimientos descubiertos en Brasil.
Sin embargo, el interés de los ejecutivos extranjeros se extiende también a otros campos, como la sanidad y la construcción y las infraestructuras en general, en un país donde faltan más de ocho millones de habitaciones, donde sólo ahora se comenzarán a construir trenes de alta velocidad y donde tanto el Mundial de fútbol del 2014 y las Olimpiadas del 2016 ofrecen enormes posibilidades de mano de obra altamente especializada. "El mundo hoy es global. Brasil está creciendo y no quiero perder esta oportunidad afirma el australiano Micchael Connolli, que ha sido contratado como gerente de Relaciones con los inversores de la Wilson Sons en Rio, empresa que actúa en los sectores portuario, marítimo y de logística terrestre.

Texto de Juan Arias publicado no jornal espanhol El País (http://www.elpais.com/articulo/internacional/Brasil/paraiso/miles/ejecutivos/extranjeros/elpepuint/20110502elpepuint_1/Tes)
foto:portal.uniquindio.edu.co

Las últimas tribus aisladas de Brasil se enfrentan a los grupos de presión

O genocídio indígena ainda mancha nossas mãos de sangue.Está mais do que na hora de assumirmos nossa responsabilidade e garantirmos o futuro destes indivíduos.

"El futuro de esos indios está en nuestras manos", dice el indigenista Meirelles
Eso es precisamente lo que ha buscado el indigenista brasileño José Carlos Meirelles a lo largo de sus 40 años de trabajo. Extender por el mayor tiempo posible que las últimas 70 tribus que viven en relativo aislamiento en la selva amazónica brasileña puedan conservar su forma de vida en la medida que ellas quieran. Así, él como otros investigadores de la Fundación Nacional del Indio (Funai) y otras entidades han logrado que el Estado brasileño establezca un marco legal necesario para protegerlas, incluida la entrega de 105 millones de hectáreas para reservas indígenas.
Sin embargo, Meirelles sostiene que aún deben mantener la alerta, porque hay muchos grupos de presión (madereros, agrícolas, petroleros, de infraestructuras, entre otros) que ejercen su influencia en el Congreso brasileño y que quieren flexibilizar las actuales leyes ambientales. Eso sin contar con el abismo que aún existe entre lo que dice la ley o lo que muestra la realidad.
"Tenemos una legislación que contiene requisitos ambientales muy estrictos para las inversiones y para las obras de infraestructura. Pero hay grupos económicos que creen que esas leyes lo que hacen es retrasar el progreso", declaró el indigenista durante un debate realizado en la Casa de América, en Madrid, junto al naturalista español Luis Miguel Domínguez. Además, sostuvo que era necesario lograr un marco de protección en todos los países amazónicos para que éste sea realmente efectivo.
Meirelles estuvo en el centro del debate mundial a comienzos de año, cuando se divulgaron imágenes, en un breve documental, de algunos de esos pueblos indígenas aislados. Las críticas por haber invadido el territorio de esas tribus, con avionetas y helicópteros, no se hicieron esperar. El estudioso aceptó los cuestionamientos, pero dijo que con esto buscaba encontrar aliados en la sociedad civil y en la comunidad internacional para su cruzada y, sobre todo, dejar en evidencia la existencia de estas tribus que algunas autoridades y grupos de presión han pretendido negar durante años, para levantar las restricciones a la explotación de la selva ama-zónica. Por esta razón, aún en el siglo XXI, hay algunos que organizan cacerías de indios.
"Aunque esta gente [los indígenas aislados] no necesita nuestra compasión, su futuro no depende de ellos, no está en sus manos, sino en las nuestras. Si el mundo moderno se los traga, tendremos un mundo más aburrido, más igual, más pobre", aseguró José Carlos Meirelles. Asimismo discrepó con el término de indígenas "aislados", porque ellos saben que hay otros pueblos, otras culturas. "Esa gente no puede ser encapsulada. No son piezas de museo. La oportunidad o el momento de tomar o no contacto con nosotros es una decisión de ellos", destacó.

Texto de Pedro Schwarze publicado no jornal espanhol El País (http://www.elpais.com/articulo/internacional/ultimas/tribus/aisladas/Brasil/enfrentan/grupos/presion/elpepuint/20110429elpepuint_16/Tes)
foto: tropico-ecoanarquista.blogspot.com

02/05/2011

Marcelo Uchôa: A morte de Bin Laden

Marcelo Uchôa: A morte de Bin Laden: "O anúncio da morte de Osama Bin Laden tem causado uma comoção positiva no meio social ocidental. Uma verdadeira ode à morte vem sendo procla..."

Organização Mundial da Saúde não se ocupa de emergências nucleares, acusa perito




Em duas localidades a cerca de 60 quilômetros da usina termonuclear de Fukushima, no Japão, a organização ambiental Greenpeace mediu valores de até 48 microsievert/hora. Isso significa que a dose total de radioatividade a que os moradores estão expostos em um dia equivale ao máximo permissível em um ano na Alemanha.
"No entanto, as pessoas não são evacuadas das áreas de alta contaminação", acusa a radiobióloga japonesa Katsumi Furitsu. Esse cuidado só foi tomado num raio de 20 quilômetros. Os que vivem entre 20 e 30 quilômetros da central avariada receberam apenas um conselho: permanecer o máximo possível dentro de casa.
Furitsu pesquisou sobre a saúde dos sobreviventes de Hiroshima e acompanhou as vítimas de Tchernobil. Assim como especialistas norte-americanos, ela aconselharia a evacuação num raio de 80 quilômetros da catástrofe. Porém no Japão quem decide sobre o assunto não são os radiobiólogos, mas sim os prefeitos.
Interesses lobistas
Os peritos da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) tampouco têm outras recomendações a fazer. Após Tchernobil, os críticos falavam de uma "catástrofe de informação". Segundo o radiobiólogo de Berlim Sebastian Pflugbeil, o mesmo se repete agora devido aos interesses específicos da AIEA.
Em seus estatutos, a agência vê como missão "a difusão do emprego pacífico da energia nuclear", lembra Pflugbeil. Assim, tudo o que se contraponha a esse fim é reprimido por todos os meios possíveis.
Ainda no início de 2011, a comissão científica das Nações Unidas assegurava que "para a grande maioria da população não já razão de temer consequências do acidente de Tchernobil sobre a saúde". Uma afirmativa que contradiz grosseiramente estudos realizados e as numerosas experiências dos médicos que trataram os atingidos, aponta o radiobiólogo alemão.
A seu ver, trata-se de "puro desprezo à vida humana, e serve aos interesses da indústria atômica, tanto do lobby das operadoras de usinas quanto, subentendidos, naturalmente também os interesses dos Estados que produzem armas nucleares".
Acidentes não contam
Em estudo recentemente publicado, o cientista Hagen Scherb, do Instituto Helmholtz, em Munique, também chama a atenção para quase 1 milhão de gravidezes interrompidas em toda a Europa e para a diminuição do número de bebês do sexo feminino. Ele atribui os fatos à nuvem radioativa de Tchernobil, que se dissipou sobre o continente 25 anos atrás.
Surpreendentemente, tais dados não preocupam a Organização Mundial da Saúde (OMS). "Eles não veem o problema", e, acima de tudo, "não veem que seja problema deles", acusa Keith Baverstock, que logo em seguida à catástrofe nuclear na Ucrânia trabalhou durante 13 anos para a OMS.
Do ponto de vista da organização sediada em Genebra, a energia nuclear não representa, em geral, um risco à saúde. Ela é classificada da mesma forma que as usinas a carvão ou a petróleo, que também podem ter efeitos sobre a saúde e a mortalidade. É claro que um desastre é diferente, ressalva Baverstock. Entretanto, por princípio, acidentes não são levados em conta pela OMS. É por este motivo que a organização há muito tempo deixou de ter peritos para o assunto.
"Risco residual"
De acordo com a organização Médicos Internacionais pela Prevenção da Guerra Atômica, a OMS jamais realizou pesquisas sistemáticas sobre as consequências da catástrofe de Tchernobil.
Aliás, segundo acordo assinado na década de 1950, ela não pode realizar nem divulgar tais estudos sem o aval da AIEA. Na Alemanha, estuda-se a possibilidade de a OMS requerer a rescisão desse contrato durante sua próxima conferência, marcada para maio.
Ao que tudo indica, não há qualquer interesse por parte da comunidade internacional de identificar com precisão o assim chamado "risco residual" da energia atômica. Isso, apesar do dever de garantir o direito humano à saúde, fixado no direito internacional. E, no tocante a essa política, a Europa não constitui uma exceção, acusa o ex-funcionário da OMS Baverstock.
Expertise zero
Logo após Tchernobil, e por pressão dos países europeus, a Organização Mundial da Saúde criou em Helsinque um Projeto para Emergências Nucleares e Saúde Pública, que Keith Baverstock dirigiu de 1998 até seu fechamento, em 2002.
"O fechamento, na época, foi uma decisão do diretor geral, e a repartição não foi transferida para outro local", registra o perito em radiobiologia. "Então quando veio a catástrofe de Fukushima, [a OMS] pura e simplesmente não dispunha de nenhum especialista para lidar com a situação."
Essa competência teria que voltar a ser estabelecida o mais rápido possível, em nível profissional. De preferência na Europa, pois é mais do que urgente que se inicie o estudo profissional e sistemático dos efeitos da catástrofe de Tchernobil sobre a saúde, pelo menos no continente europeu, reivindica Baverstock.
Texto de Ulrike Mast-Kirschning  e revisão de Roselaine Wandscheer (http://www.dw-world.de/dw/article/0,,15027226,00.html)
foto:pt.wikinoticia.com

Sabotagem em Programas Nucleares


Um problema que já foi alertado no Ética para Paz e que não pode ser minimizado pelos governos das grandes potências:



O início deste ano, Dmitry Rogozin, embaixador russo na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), causou polêmica ao pedir a abertura de uma investigação sobre o Stuxnet, vírus de computador que atacou as instalações nucleares iranianas nos últimos meses. O vírus, diz ele, poderia levar a uma explosão termonuclear em Bushehr, central de produção de energia atômica no sul do país.
Essa é uma hipótese “virtual e completamente infundada”, retruca o especialista em segurança, o alemão Ralph Langner, que em setembro realizou o primeiro estudo detalhado sobre o vírus. “Em primeiro lugar, o Stuxnet não tinha Bushehr como alvo.”Na verdade, a área afetada foi Natanz, que tem 7 mil centrífugas fazendo enriquecimento de urânio. “Em segundo lugar, mesmo neste caso, ele não conseguiria interagir com os sistemas do circuito primário[circuito de água que fica em contato com a radioatividade].
Os responsáveis pelo vírus tiveram tempo (seu código fonte, com cerca de 15 mil linhas, teria exigido, segundo estimativas, dez “anos-engenheiro” de trabalho) e conhecimentos de ponta (o worm teria usado, para realizar sua transmissão, quatro vulnerabilidades inéditas do sistema operacional Windows). “A análise do código indica claramente que o Stuxnet não pretendia enviar uma mensagem ou demonstrar um conceito”, escreve Langner, “tratava-se de destruir alvos, com uma determinação de estilo militar”.
Tal alvo seriam as instalações nucleares iranianas? É o que acaba de afirmar um detalhadíssimo artigo do The New York Times de 16 de janeiro de 2011, revelando que o vírus foi testado e desenvolvido em uma réplica de tamanho natural da rede de centrífugas de Natanz. Uma operação de grande envergadura realizada, segundo o jornal norte-americano, dentro do complexo nuclear de Dimona, coração do programa atômico israelense no deserto de Neguev. Conclusão: “A corrida clandestina para criar o Stuxnet foi um projeto conjunto de norte-americanos e israelenses, com a assistência, consciente ou não, de alemães e britânicos1”. Os alemães em questão são os da Siemens, empresa que fabrica os sistemas informacionais de supervisão industrial (conhecidos como Scada) utilizados na usina.
O Stuxnet é um “worm” que deu seus primeiros passos em 2009, infectando várias dezenas de milhares de máquinas pelo mundo inteiro. Segundo um estudo do fabricante de antivírus Kaspersky, com sede em Moscou, ele se espalhou por muitos países, sendo a Índia o mais atingido, com 8.565 máquinas infectadas (setembro 2010), seguido pela Indonésia, com 5.148, e pelo Irã, que ficou em terceiro lugar com 3.062 casos detectados 2.
Em alguns roteiros, o Stuxnet teria conseguido penetrar nas instalações de Natanz através de uma chave USB infectada por um fornecedor russo. A partir daí, reconhecendo traços distintivos de seu alvo (a marca de alguns controladores de frequência), o vírus teria ativado uma sequência de ataque digna de um filme de Hollywood. Enquanto exibia nas telas de segurança dos operadores dados de aparência normal, ele teria aumentado repetidamente a frequência de rotação das centrífugas, levando os rotores ao limite de sua ruptura física, provocando assim uma taxa de falhas fora do normal...
Não há provas da origem israelense do ataque. Mas o caso Stuxnet inscreve-se em um amplo leque de atos de sabotagem contra o programa nuclear iraniano. O ex-chefe do Mossad, Meir Dagan, congratulou-se recentemente por ter atrasado esse programa em muitos anos:“Os iranianos não terão capacidade nuclear antes de 20153”.
Segundo um relatório do Instituto Norte-Americano pela Paz4, Teerã teria realmente sofrido “um crescente número de reveses”: “dificuldades crescentes para obter peças indispensáveis no mercado internacional; dificuldades com o funcionamento de um grande número de centrífugas e, ao que parece, ações clandestinas de agências de inteligência estrangeiras”.  Entre os métodos utilizados: “ciberataques, sabotagem de equipamentos, invasão das redes de abastecimento e assassinato de especialistas em energia atômica”. O mais recente foi a morte do físico Majid Shahriari, no dia 29 de novembro de 2010, quando seu carro explodiu. Mas, para os autores do relatório, David Albright e Andrea Stricker, “as maiores dificuldades parecem estar ligadas ao Stuxnet, que começou a interferir nas centrífugas de Natanz em 2009”.
Para Scott Ritter, ex-chefe dos inspetores da ONU para o desarmamento do Iraque (1991-1998): “Oficiais norte-americanos e israelenses já declararam publicamente que o Stuxnet teria frustrado, por ora, o programa de enriquecimento iraniano. (...) Mas uma recente avaliação conduzida pela Federação de Cientistas Norte-Americanos5, usando dados de equipes de inspeção da ONU [das instalações de Natanz], sugere que em 2010 o Irã aumentou o alcance e a eficácia de suas atividades de enriquecimento, a despeito do ataque de Stuxnet6”.
Segundo Ritter, a tensão que reina em torno da “corrida de velocidade” disputada por Teerã e pelo grupo “P5+17” levou a uma situação em que “as avaliações factuais foram ignoradas em favor de especulações sobre potenciais cenários de invasão inimiga”. De tanto repetir, nos últimos 20 anos, que Teerã estava prestes a obter a bomba, os diplomatas “limitaram as opções políticas daqueles que adotaram essas hipóteses”, e assim limitaram suas margens de discussão.
Então, “Viva o Stuxnet!”, que teria afastado o risco de um “ataque preventivo”? Além da óbvia dessimetria entre os vizinhos – a bomba israelense é “o segredo menos bem guardado” do mundo8, enquanto o programa nuclear iraniano ainda parece longe de se completar –, operações de sabotagem em tempos de paz não se dão sem algum risco de retaliação ou acirramento dos conflitos.
A pirataria informacional é um esporte de combate, no qual o melhor defensor é um bom atacante. Washington não se esquece da invasão do Google pelos (supostamente) chineses. O presidente quer um botão que lhe permita cortar a internet, última linha de defesa em caso de “ciberataque proveniente do estrangeiro”. A Estônia, que em 2007 arcou com um “ciberataque” não elucidado (embora se creia que veio da Rússia), agora abriga o Centro de Excelência para a Cooperação em Ciberdefesa da Otan.

Texto de Philippe Rivière (http://diplomatique.uol.com.br/artigo.php?id=886)
foto: ufoatual.blogspot.com