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04/04/2015

Guerras hídricas: Estudos relacionam escassez de água a onda de revoltas civis no Oriente Médio

Pesquisadores observam impacto de secas e regime instável de águas relacionados às mudanças climáticas em Síria e Iêmen; um dos estudos mostra como Estado Islâmico se expandiu em ano recorde de altas temperaturas no Iraque.




Por trás da crescente violência no Iraque, na Síria e no Iêmen, bem como da onda de agitações civis na região de maneira mais ampla, há uma crescente escassez de água.
Uma nova pesquisa publicada pela Associação Norte-Americana de Obras Hídricas (AWWA, na sigla em inglês) mostra que a escassez de água ligada às mudanças climáticas se tornou um problema global que desempenha papel crítico na agravação dos principais conflitos no Oriente Médio e no Norte da África.
Nessas regiões, na América Latina e no Sul da Ásia, várias cidades estão diante da "diminuição e declínio do fornecimento de água per capita", o que tem um impacto "global" sobre a produção de alimentos, abastecimento urbano e geração de energia. 
Na edição de março do periódico da AWWA, o especialista norte-americano em gerenciamento de água Roger Patrick analisa o estado da literatura científica sobre a escassez hídrica em algumas regiões do mundo, descobrindo que a carência local de água tem agora "impacto mais globalizado".
Ele salienta os exemplos da "instabilidade política no Oriente Médio e a possibilidade de que o mesmo ocorra em outros países", ilustrando a crescente "interconectividade global" da escassez hídrica nos níveis local e regional.
Em 2012, um relatório do serviço de inteligência dos EUA baseado em um estudo confidencial da Inteligência Nacional sobre a segurança hídrica, encomendado pela então secretária de Estado Hillary Clinton, concluiu que após o ano de 2022, secas, alagamentos e a carência de água potável aumentarão a possibilidade de o recurso ser usado como uma arma de guerra ou um instrumento para terroristas.
O novo estudo do periódico da AWWA, no entanto, mostrou que os serviços de inteligência americanos ainda não estão cientes das dimensões dos fatos. Países como Iraque, Síria e Iêmen, onde as operações antiterrorismo dos EUA seguem a pleno vapor, estão lidando no momento com uma aceleração da instabilidade causada pelo terrorismo, o que se deve em parte ao impacto desestabilizador da falta d'água.
A ONU define uma região como apresentando escassez de água se a quantidade de água doce renovável disponível por pessoa ao ano for inferior a 1.700 metros cúbicos. Abaixo de 1.000, a região é definida como em estado de escassez hídrica; abaixo de 500, em estado de "absoluta escassez hídrica".
De acordo com um estudo do AWWA, países que já estão passando por uma crise hídrica ou algo ainda mais grave incluem Egito, Jordânia, Turquia, Iraque, Israel, Síria, Iêmen, Índia, China e partes dos Estados Unidos. Muitos destes países, embora não todos, estão também passando por conflitos ou agitações civis.
A AWWA é uma associação científica internacional fundada com o intuito de melhorar a qualidade e o fornecimento de água, tendo entre seus 50 mil membros prestadoras de serviços hídricos, cientistas, reguladores e especialistas em saúde pública. O autor do estudo, Robert Patrick, presta consultoria para governos e especialistas no gerenciamento de água e já trabalhou em crises hídricas na Jordânia, no Líbano, no Novo México, na Califórnia e na Austrália.
Seu artigo no periódico da AWWA explica que o aumento nos preços de grãos, que contribuiu para a revolta de 2011 no Egito, foi causado principalmente por secas em importantes países exportadores desse tipo de alimento, como a Austrália.
Patrick observa que a agitação civil pode sinalizar um futuro de conflitos e instabilidade no Egito. Ele salienta o risco de uma guerra entre Egito e Etiópia por causa da Grande Barragem Renascença da Etiópia, que ameaça restringir o acesso egípcio ao Nilo, fornecedor de 98% da água potável consumida no país.
Com as previsões de que a população do Egito duplique para 150 milhões até 2050, a barragem poderia levar a uma "grande tensão" entre a Etiópia e o Egito, já que a represa reduziria a capacidade da hidroelétrica egípcia de Aswan em 40%.
Todos os países no Oriente Médio e no Norte da África onde os Estados Unidos estão liderando uma campanha militar há mais de um ano contra militantes Estado Islâmico atravessam secas.
Antes do início da guerra civil na Síria, diz Patrick, 60% do país atravessou uma seca devastadora que levou mais de um milhão de fazendeiros, majoritariamente sunitas, a migrar para cidades costeiras dominadas pelo grupo étnico dos alauitas, o que aumentou a tensão sectária e culminou em revolta popular e em um ciclo de violência.
Um artigo no periódico da Academia Nacional de Ciências dos EUA apresentou também uma pesquisa sobre como as mudanças climáticas amplificaram as condições de seca na Síria, o que teve um efeito "catalisador" sobre a revolta civil.
Mas a preocupação de Patrick é de que a crise síria poderia sinalizar o que ainda está por vir. Citando as descobertas do Experimento Climático e Recuperação Gravitacional (GRACE), financiado pela NASA e pelo Centro Aeroespacial Alemão, ele observa que, entre 2003 e 2009, a bacia do Tigre-Eufrates, que abrange Turquia, Síria, Iraque e oeste do Irã "perdeu água a um ritmo mais rápido do que qualquer outro lugar no mundo, com exceção do norte da Índia".
Cerca de 145 trilhões de litros de água doce foi perdido em razão da redução das precipitações chuvosas e do mau gerenciamento. Se a tendência continuar, "novos problemas podem surgir" na região.
O Iêmen também está consumindo água muito mais rápido do que o recomendado, observa Patrick, fator que, segundo alguns especialistas, está desempenhando um papel fundamental nos crescentes conflitos tribais e sectários locais.
Síria, Iraque e Iêmen vivenciam hoje operações militares norte-americanas sob o pretexto da luta contra o terrorismo islâmico, mas um novo estudo da AWWA sugere que o crescimento dos movimentos extremistas tenha sido indiretamente influenciado por crises hídricas regionais.
O meteorologista norte-americano Eric Holthaus observou que a expansão do Estado Islâmico no último ano coincidiu com um período de aumento de temperaturas sem precedentes no Iraque, reconhecido como o maior episódio de aquecimento já registrado, de março a maio de 2014. Secas recorrentes e tempestades devastaram a agricultura no país. Com as fontes de água diminuindo e a produção agrícola em queda, o governo majoritariamente xiita apoiado pelos Estados Unidos falhou na resolução dos crescentes conflitos, e o Estado Islâmico soube explorar essa falha, usando, por exemplo, barragens e reservatórios como uma arma de guerra.
A escassez de água, no entanto, não torna os confrontos inevitáveis. Embora a água tenha desempenhado um papel nos conflitos de Israel com seus vizinhos no passado, Patrick argumenta que, por meio de métodos de gerenciamento hídrico eficientes e tecnologias de dessanilização, Israel foi capaz de cooperar com a Jordânia nas reservas hídricas compartilhadas pelos dois países.
Este, é claro, é apenas um lado da moeda. Embora Israel não esteja sofrendo particularmente com a falta d'água, a ONU alertou que Gaza pode se tornar "inabitável" por causa da crescente crise hídrica. A falta d'água nos Territórios Ocupados tem como origem as políticas discriminatórias baseadas no roubo de recursos palestinos por Israel, incluindo a privatização forçada pela potência ocupante do serviço de fornecimento de água na Palestina.
Estes casos mostram que embora, teoricamente, o gerenciamento eficiente da água e seus métodos de distribuição podem conter crises e continuar a atender demandas locais, a má-gestão governamental combinada a desigualdades de poder regional e a políticas repressivas podem prenunciar desestabilização social e conflitos violentos.
As descobertas do estudo da AWWA foram confirmadas por outros estudos recentes. Um deles, publicado em janeiro na Global Affairs, revista da Associação Europeia de Estudos Internacionais, argumenta que todas as quatro regiões que enfrentam grandes riscos de conflito armado – o Sahel (região no Norte da África), o Oriente Médio, a Ásia Central e zonas costeiras do leste, sul e sudeste da Ásia – estão cada vez mais instáveis por causa da "escassez da água, perda de terras e insegurança alimentar". O artigo, que pede maior apoio europeu a estas regiões a fim de mitigar tendências de degradação ambiental, foi escrito por Hartmut Behrend, climatólogo da Agência de Geo-Informação do exército alemão.
A conexão entre a agricultura moderna e o consumo de água apresenta o maior risco global, de acordo com Roger Patrick. A escassez hídrica é regida principalmente pelo aumento do uso da água na agricultura. Em regiões produtoras de alimentos do mundo todo, incluindo o Vale Central da Califórnia, o norte da China e o Ganges Superior na Índia e no Paquistão, "a demanda excede a produção sustentável dos aquíferos" em 3 vezes e meia, de acordo com algumas estimativas.
Estima-se que, até 2035, o consumo global de água terá aumentado em 85%. Boa parte deste crescimento será regido não apenas pela expansão agrícola, mas também pela demanda por energia. Biocombustíveis exigem uma quantidade particularmente grande de água, mas a fraturação hidráulica usada na indústria do petróleo também utiliza grandes quantidades de água.
Essa demanda já está "comprometendo a produção de energia em locais como Austrália, Bulgária, Canadá, França e Estados Unidos". Especialmente em regiões com pouca água na China, na Índia e nos Estados Unidos, bem como no Iraque e no Canadá, a geração de energia pode ser comprometida a longo prazo. Isto também coloca em questão se o chamado “mundo desenvolvido” tem resistência o suficiente para evitar o tipo de instabilidade que se instaurou sobre grande parte do Oriente Médio e do Norte da África.
Outro estudo científico publicado este mês na revista britânica Environmental Science: Water Research and Technology, publicado pela Sociedade Real de Química, conclui, de modo similar, que graças a nossa dependência da utilização de água para produção de combustíveis de origem fóssil e energia nuclear, a pegada hídrica global continuará aumentando, em consonância com o crescimento populacional e com a demanda. Ironicamente, a expansão destas fontes tradicionais de energia, aumentando a demanda por água, apenas piorará as perspectivas de um quadro energético sustentável. O modo mais eficaz de lidar com o desafio, argumenta o estudo, é realizar a transição para "maior utilização de energia eólica, fotovoltaica solar e geotérmica".
Embora regiões consideradas menos desenvolvidas sejam mais vulneráveis ao impacto da escassez de água induzida pelo clima, países ocidentais mais ricos e economias industriais crescentes estão sentindo cada vez mais o impacto.
A atual seca recorde na Califórnia, segundo o estudo da AWWA, foi acompanhada pela perda de 50,5 milhões de litros de águas subterrâneas e mais de 14 quatrilhões de litros de águas superficiais. Quando as fontes subterrâneas de água secarem, e se a seca persistir, a agricultura americana entrará em colapso. A possibilidade do início do El Niño poderá levar a uma volta das chuvas, o que aliviaria o problema pelo menos temporariamente, mas ainda assim a tendência a longo prazo parece desfavorável.
Mas isso não ocorre apenas nos EUA. A pegada ecológica coletiva da Índia e o Paquistão na extração de água da bacia do Ganges Superior é 54 vezes superior à área do próprio aquífero.  Na Índia, uma potência regional e economia emergente, 60% do aquíferos estarão em "condições críticas" dentro de duas décadas. Levando-se em conta que o consumo tenderá a crescer, com base no crescimento econômico e demográfico, isto poderá acontecer ainda mais cedo. Isto pode ser um risco não apenas para a coesão social interna tanto da Índia quanto do Paquistão, países que já enfrentam tensões significativas por questões étnico-religiosas, mas também poderia comprometer suas relações diplomáticas.
A China também encara uma crise hídrica séria, de acordo com um estudo da AWWA. Embora metade de sua população e dois terços de sua área cultivada estejam no norte, 80% da água do país se encontra no sul. Algo equivalente a 70% da água doce do norte não é adequado para o consumo humano, para a agricultura ou para a indústria. Ainda assim, metade do trigo produzido no país para consumo doméstico é produzido no norte. Estima-se que nos próximos cinco anos cerca de 30 milhões de pessoas na China terão de ser realocadas em razão de problemas hídricos. Analistas acreditam que a escassez local da água poderá aumentar o risco de conflitos entre Índia e China.
Na América do Norte, a bacia do Rio Colorado, que atravessa uma seca, é compartilhada por sete estados americanos, além do México; a rivalidade pelo controle da água é, por ora, apenas política, mas isso pode mudar. Em 2008, um relatório do Instituto de Estudos Estratégicos do Colégio de Guerra do Exército norte-Americano sugeriu que este deveria se preparar para "deslocamentos violentos e estratégicos nos EUA" devido à "perda de funcionalidade política e ordem jurídica", possivelmente iniciadas por choques ambientais, energéticos e econômicos.
Este "futuro sombrio" não é inerentemente inevitável, mas é para onde estamos nos encaminhando.

Reportagem de Nafeez Ahmed | Middle East Eye | Londres
Tradução: Henrique Mendes
fonte:http://operamundi.uol.com.br/conteudo/samuel/40007/guerras+hidricas+estudos+relacionam+escassez+de+agua+a+onda+de+revoltas+civis+no+oriente+medio.shtml
foto:http://orientemedioeagua.blogspot.com.br/

28/11/2014

Para engenheiro israelense, dessalinizar água do mar é opção para amenizar crises hídricas em SP

Em Israel, 67% da água para consumo doméstico são tratados a partir da dessalinização; especialista Fredi Lokiec diz que Brasil poderia trilhar caminho semelhante.




A construção de usinas de dessalinização no litoral paulista poderia garantir água potável para a população e o abastecimento não dependeria mais das flutuações climáticas. Essa é a análise do engenheiro ambiental Fredi Lokiec.

Lokiec, carioca que se mudou para Israel em 1969, é um executivo da maior empresa israelense de dessalinização – a IDE Technologies –, que já construiu 3 das 4 usinas existentes no país, além de mais 400 usinas em 40 países.
Com uma experiência de 24 anos na área hídrica, Lokiec diz lastimar a situação de degradação do abastecimento de água em São Paulo.
Para o engenheiro, as autoridades relevantes demonstraram não ter uma visão de longo prazo. "Rezar para que chova não é suficiente, as autoridades deveriam construir infraestrutura para enfrentar a seca. A dessalinização é um método que confere independência", disse o engenheiro.

Do total da água do planeta, apenas 2,5% são água doce e todo o restante é dos oceanos. Diante da crescente escassez de água doce, a água do mar se destaca como o grande reservatório da humanidade, especialmente em vista de novas tecnologias que tornam a dessalinização um processo rápido e viável.

O processo de dessalinização dura cerca de 30 minutos e consiste na denominada "osmose inversa", na qual, por intermédio de pressão, a água do mar atravessa um sistema de membranas que separa o sal de outras substâncias, tornando-a potável. Em seguida, as substâncias retiradas da água são devolvidas ao mar.

Em Israel, que é um país semiárido que sofre de longos períodos de estiagem, 67% da água para consumo doméstico já provêm da dessalinização.

De acordo com Lociek, as usinas de dessalinização fornecem 500 milhões de metros cúbicos por ano, dos 750 milhões consumidos domesticamente no país.
Outro 1,2  bilhão de metros cúbicos é extraído de fontes naturais e serve às necessidades da agricultura e da indústria.
"Se Israel não tivesse investido em dessalinização, hoje não teríamos água nas torneiras das grandes cidades", disse Lokiec.
Preço
O metro cúbico de água dessalinizada custa entre 70 e 80 centavos de dólar na saída da usina. A este custo se somam as despesas de canalização da água até o consumidor. No caso da cidade de São Paulo haveria o custo de bombear a água dessalinizada, que viria do litoral, pela Serra do Mar acima, o que acarretaria despesas de energia que poderiam elevar o custo até cerca de 1 dólar por metro cúbico.
"Se houvesse uma usina de dessalinização no litoral, a água produzida poderia abastecer as cidades no próprio litoral e isso liberaria uma grande quantidade de água para o abastecimento da cidade de São Paulo", sugere o engenheiro.
De acordo com ele, em Israel "é mais barato utilizar água dessalinizada do que canalizar abastecimento de lugares distantes".

Até 2005, quando a água dessalinizada começou a ser utilizada em larga escala no país, grande parte da água consumida em Tel Aviv era canalizada por meio do Canal Nacional, do Mar da Galileia, que fica a 150 quilômetros da maior cidade de Israel.

Hoje em dia quatro usinas de dessalinização suprem praticamente todas as necessidades das cidades ao longo da orla do Mar Mediterrâneo, onde mora a maioria da população israelense.
A utilização de água dessalinizada também contribui para que as fontes naturais, principalmente os aquíferos do litoral israelense e da montanha (na região de Jerusalém), possam se recuperar após muitos anos de estiagem.
Sugestões para São Paulo
De acordo com o engenheiro brasileiro-israelense, o governo de São Paulo deveria se preparar para a eventualidade de que crises como a atual se repitam no futuro.
"Ninguém garante que dentro de cinco ou dez anos uma seca como a atual não vá se repetir", afirma Lokiec, "São Paulo deve se preparar para um futuro com escassez de água".

Ele menciona o exemplo de Cingapura, que apesar de ter chuvas abundantes e um contrato de longo prazo de abastecimento de água da Malásia, está construindo usinas de dessalinização.

"O problema de Cingapura é que seu território é muito pequeno, portanto não possui área para captar as águas das chuvas", explica.
"Para se precaver contra o risco de que no futuro a Malásia venha a suspender o fornecimento de água, a Cingapura constrói usinas de dessalinização e assim serve de exemplo de planejamento hídrico de longo prazo".
A construção de uma usina de dessalinização para suprir 10% do abastecimento para fins domésticos da área metropolitana de São Paulo poderia durar 3 anos "se o financiamento fosse do governo", avalia Lokiec. Se o empreendimento fosse privado haveria necessidade de um prazo a mais para captação de capital, explica.
Mas antes de se pensar em dessalinização ele sugere que o governo de São Paulo implemente as medidas tomadas por Israel há décadas. "Antes de tudo deve-se educar a população a economizar água e assim evitar o desperdício no dia-a-dia", disse. "Aqui em Israel já no jardim de infância se ensina as crianças a fecharem a torneira enquanto escovam os dentes.”
Outra medida que o engenheiro considera urgente é "reduzir a quantidade de água não contabilizada". De acordo com ele, hoje em dia em São Paulo cerca de 40% da água se perde em vazamentos do sistema ou em desvios ilegais. Já em Israel a quantidade de água não contabilizada é de apenas 8% a 10%. "Se o Estado de São Paulo conseguisse diminuir as perdas do sistema hídrico de 40% para 20% já seria um grande avanço", disse.
Hoje em dia em Israel 85% da água dos efluentes domésticos são tratados e reutilizados para a agricultura.
"A água de esgoto tratada é de qualidade tão boa que pode ser reutilizada para irrigar qualquer tipo de plantação", afirma Lokiec e sugere que em São Paulo também se pense seriamente em reutilização dos efluentes domésticos.





Reportagem de Guila Flint. Ela cobre o Oriente Médio para a imprensa brasileira há 20 anos e é autora do livro 'Miragem de Paz', da editora Civilização Brasileira.

fonte:http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/38650/para+engenheiro+israelense+dessalinizar+agua+do+mar+e+opcao+para+amenizar+crises+hidricas+em+sp.shtml
foto:http://www.ksb.com/ksb-pt/Produtos_e_Servicos/Agua_Limpa/Tratamento_de_agua-1/

26/01/2013

Argentina anula travas à importação de produtos do Mercosul


O governo da Argentina eliminou as travas às importações de vários segmentos de produtos -- 17 ao todo --, segundo um comunicado publicado ontem (25/01) no Boletim Oficial. A anulação das licenças não-automáticas era um desejo de empresários brasileiros, que viam nas normas uma forma de protecionismo dos argentinos. 
O Ministério da Economia da Argentina extinguiu as licenças não-automáticas para a importação de papel, utensílios domésticos, brinquedos, calçados, motocicletas, bicicletas, produtos têxteis, manufaturas diversas, produtos metalúrgicos, tecidos, pneumáticos, autopeças, entre outros.
Os setores brasileiros mais afetados eram o da indústria automobilística, a de máquinas agrícolas e a de partes e peças para veículos automotores. As travas fizeram as exportações brasileiras para a Argentina caírem 20% de janeiro a outubro de 2011, enquanto as importações de produtos argentinos caíram 5%.


As normas derrogadas foram ditadas entre 1999 e 2011, apesar de a maioria só ter sido colocada em prática desde 2007 em diante. "Por questões de oportunidade, mérito e conveniência, no cumprimento dos objetivos oportunamente fixados, tornamos procedendo a derrogação", disse o comunicado.
À importação de vários desses bens a Argentina impôs nesta quinta-feira uma tarifa de 35%, em linha com uma resolução adotada pelo Mercosul para se proteger dos desequilíbrios no comércio internacional pelo impacto da crise.
Panorama
Em dezembro de 2011, o Mercosul decidiu que cada sócio poderia aumentar suas tarifas em até 100 produtos provenientes de mercado externos ao bloco sul-americano, sem ultrapassar o máximo consolidado na OMC (Organização Mundial do Comércio). O grupo adotou essa medida alegando "razões de desequilíbrios comerciais derivados da conjuntura econômica internacional".
A balança comercial argentina registrou ano passado um superávit de 12,690 bilhões de dólares, 26,7% mais que em 2011. Segundo dados oficiais, as exportações argentinas totalizaram em 2012 81.205 bilhões de dólares, uma queda interanual de 3%, enquanto as importações somaram 68.514 bilhões de dólares, 7% menos que em 2011. Para 2013, a previsão do governo é alcançar um superávit de 13.325 bilhões de dólares, com a exportação registrando 110.763 bilhões de dólares.



fonte:http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/26795/argentina+anula+travas+a+importacao+de+produtos+do+mercosul.shtml
foto:blogdojeriel.com.br