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27/06/2017

Temer é denunciado por corrupção e se torna primeiro presidente a responder por crime durante mandato



O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciou ontem (26) o presidente Michel Temer (PMDB) pelo crime corrupção passiva. O peemedebista se torna o primeiro presidente brasileiro no exercício do mandato a ser denunciado por um crime comum. Caso a denúncia seja autorizada pela Câmara dos Deputados, por 342 votos dos 513 parlamentares, e aceita pela maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal, Temer será afastado do mandato por até 180 dias. E se for condenado, pode ficar de 2 a 12 anos preso. Na denúncia, o procurador ainda pediu que Temer pague uma multa de 10 milhões de reais, como reparação de danos coletivos.
A investigação contra o chefe do Poder Executivo começou em maio passado, após um acordo de colaboração premiada firmado por diretores da JBS com o Ministério Público Federal. O empresário Joesley Batista, sócio da JBS, gravou um diálogo com o presidente no qual relatou o cometimento de uma série de crimes. Entre eles, o de comprar o silêncio do ex-deputado federal e aliado do presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o de pagar propina a membros do Ministério Público de do Judiciário e o de tentar ter influência no Governo por meio de representantes da gestão federal. Mesmo diante de tantos relatos, Temer nada fez. Apenas o ouviu e concordou com a possibilidade de calar Cunha. Em pronunciamentos públicos, o presidente relatou que só queria se “livrar” de Joesley, a quem chamou de um "conhecido falastrão".
A denúncia contra Temer era esperada havia ao menos duas semanas. Um parecer de Janot constante do pedido manutenção de prisão de Rodrigo Rocha Loures, ex-deputado e ex-assessor presidencial, já demonstrava que a acusação ocorreria. Loures ficou conhecido como o "deputado da mala" ao ser filmado carregando uma maleta com 500.000 reais em propinas paga por Joesley Batista. Esse valor, segundo a denúncia do procurador era para pagar Temer. Janot diz ainda que havia uma promessa de pagamentos ilícitos ao presidente que poderiam atingir os 38 milhões de reais. "A cena do parlamentar correndo pela rua, carregando uma mala cheia de recursos espúrios, é uma afronta ao cidadão e ao cargo público que ocupava. Foi subserviente, valendo-se de seu cargo para servir de executor de práticas espúrias de Michel Temer", diz a acusação do procurador.
Em seu parecer prévio à denúncia, Janot afirmou que o presidente teria atuado em conjunto com Loures nos crimes relatados pelos executivos da JBS. “Não se sustenta, portanto, a versão dada por Michel Temer em seus pronunciamentos públicos segundo a qual indicou Rodrigo Loures para ‘se livrar’ de Joesley, uma vez que as provas demonstram que na verdade a conversa no Palácio do Jaburu foi apenas o ponto de partida para as solicitações e recebimentos de vantagens indevidas que viriam em sequência”, apontou o procurador.
Rocha Loures está preso há pouco mais de 20 dias. Atualmente, encontra-se na superintendência da Polícia Federal do Distrito Federal. Em princípio, o Planalto estava preocupado que ele assinasse um termo de delação premiada e complicasse ainda mais a vida do presidente, o que até agora não ocorreu. O presidente nega ter cometido qualquer crime.
No documento entregue na noite desta segunda-feira ao STF, o procurador solicita que Loures, assim como Temer, pague uma multa. O valor, para o ex-deputado, seria de 2 milhões de reais, e para o presidente, 10 milhões de reais. "Michel Temer e Rodrigo Loures desvirtuaram as importantes funções públicas que exercem, visando, apenas, ao atendimento de seus interesses escusos". A peça acusatória relata ainda uma série de supostos crimes cometidos pelo presidente e pelo grupo do "PMDB da Câmara" e diz que ele "ludibriou os cidadãos brasileiros e, sobretudo, os eleitores, que escolheram a sua chapa para o cargo político mais importante do país, confiando mais de 54 milhões de votos nas últimas eleições".
Além da denúncia por corrupção, o procurador pediu ao STF a abertura de mais um inquérito contra o presidente, para investigar sua atuação no Decreto dos Portos, no qual autorizou a dilação do prazo de concessão para a exploração de áreas pelas empresas do ramo.
Agora, a denúncia será enviada para a Câmara e, caso ela autorize o processamento do presidente, retorna ao Supremo Tribunal Federal. Nesse ínterim, Temer tenta mover suas peças para evitar que a acusação prospere no Legislativo. No caso de afastamento temporário do presidente, por até 180 dias, o país será governado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Procurado, o Palácio do Planalto informou que não haveria manifestação oficial do peemedebista sobre a acusação do Ministério Público. Nos próximos dias, Janot ainda deverá denunciar Temer pelo crime de obstrução à Justiça. O relatório sobre essa apuração também foi concluído nesta segunda-feira e a PF entendeu que o presidente incentivou o pagamento de propina a Eduardo Cunha.
Reportagem de Afonso Benites
fonte:http://brasil.elpais.com/brasil/2017/06/26/politica/1498485882_380890.html
foto:http://www.aratuonline.com.br/noticias/mais-um-na-berlinda-temer-decide-hoje-destino-do-ministro-de-turismo-acusado-de-corrupcao-envolvendo-petrobras-e-oas/

24/06/2017

Instituto que reunirá profissionais de combate à lavagem de dinheiro é lançado


Com o objetivo de auxiliar os profissionais que atuam na prevenção de lavagem de dinheiro, crimes de corrupção e financiamento ao terrorismo, foi inaugurado nesta semana o Instituto dos Profissionais de Prevenção à Lavagem de Dinheiro e ao Financiamento do Terrorismo (IPLD).
Especialista em lavagem de dinheiro, o advogado Alexandre Botelho, sócio diretor da AML Consulting, apresentou os objetivos, estrutura, áreas de atuação e constituição do IPLD. “As empresas precisam investir tempo, recursos e esforços para prevenção aos crimes financeiros. A corrupção impacta na reputação das organizações e afeta toda a sociedade”, avalia. 
Sobre a AML
A AML Consulting é líder nacional no mercado de soluções e serviços de prevenção à lavagem de dinheiro. Com um portfólio completo voltado para a gestão eficiente dos riscos operacionais e de reputação, a empresa desenvolveu o Risk Money, plataforma que organiza informações sobre pessoas físicas e empresas associadas a atividades ilícitas vinculadas a crimes financeiros ou infrações penais que podem anteceder a lavagem de dinheiro. São mais de 20 mil fontes de informações monitoradas e mais de 724 mil perfis cadastrados nas Listas Restritivas Nacionais e Internacionais, PEPs e os Módulos Socioambiental e de Processos Judiciais. Em outra frente complementar, a AML oferece consultoria e educação corporativa. Somente nos últimos sete anos, cerca de 20 mil profissionais foram capacitados através de treinamentos presenciais e online.

fonte:http://www.conjur.com.br/2017-jun-23/instituto-reunira-profissionais-combate-lavagem-dinheiro
foto:http://oabbauru.org.br/comunicado/manifestacao-civica-corrupcao-nao-e-da-caminhada-da-familia-dia-16-domingo

19/06/2017

Organizações criminosas deixam rombo de R$ 123 bi


Em quatro anos, a Polícia Federal deflagrou 2.056 operações contra organizações criminosas que provocaram prejuízos estimados em R$ 123 bilhões ao País. Os números revelam que o maior rombo não é o apurado pela Lava Jato, mas o causado pelas fraudes nos fundos de pensão investigadas na Operação Greenfield, que alcançam R$ 53,8 bilhões ou quatro vezes o valor de R$ 13,8 bilhões desviados pelo esquema que agiu na Petrobrás.
Esse quadro é o resultado da conta feita pelos investigadores federais com base em valores de contratos fraudulentos, impostos sonegados, crimes financeiros e cibernéticos, verbas públicas desviadas e até mesmo danos ambientais causados por empresas, madeireiras e garimpos. Tudo misturado ao pagamento de propina a agentes públicos e políticos.
Os dados são da Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado (Dicor), da PF, e foram obtidos pelo Estado por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). 
Segundo especialistas em máfias e grupos criminosos, a análise dos números mostra a mudança do perfil do trabalho da PF, priorizando a investigação patrimonial das organizações. “Há uma tendência das investigações em se preocupar mais com os aspectos patrimoniais do que acontecia há 5 anos, quando se pensava só em autoria e materialidade”, afirmou o procurador da República Andrey Borges de Mendonça.
De fato, nos últimos três anos, esse montante cresceu ano a ano, partindo de R$ 6,8 bilhões em 2014 até atingir R$ 80 bilhões em 2016, um aumento de 1.068%. Os valores sequestrados ou recuperados com as operações também aumentaram ano a ano. Em 2013, a Dicor listou R$ 6 milhões. Já no seguinte – início da Lava Jato – esse número subiu para R$ 2,6 bilhões e, em 2016, atingiu R$ 12,4 bilhões.
“Isso também mostra as prioridades adotadas pela Polícia Federal”, disse o juiz aposentado e ex-secretário nacional antidrogas Wálter Maierovitch, que participou como perito convidado da Convenção de Palermo. Organizada pelas Nações Unidas em 2000, a convenção, da qual o Brasil é signatário, definiu as regras de combate ao crime organizado.
Escalada semelhante de valores pode ainda ser observada naquilo que os agentes federais chamam de “prejuízos evitados”, quando a operação interrompe a prática de crimes, antes que eles se consumem. Nesse caso, os valores subiram de R$ 2,8 bilhões em 2014 para chegar a R$ 59,1 bilhões em 2016 – e já teriam atingido R$ 12,4 bilhões no primeiro trimestre deste ano. “O objetivo é asfixiar essas organizações, pois não adianta nada investigar autoria e materialidade se não se consegue recuperar o patrimônio”, disse Mendonça.
Além do enfoque na descoberta e no sequestro dos bens das organizações criminosas, os números também mostrariam o efeito da disseminação do estilo de investigação adotado pela Lava Jato, em Curitiba, com a criação de forças-tarefa envolvendo diversos órgãos.
“O que a força-tarefa de Curitiba trouxe é essa forma nova de investigar”, disse Mendonça, que participa da forças-tarefa da Lava Jato e hoje atua nas Operações Greenfield e Custo Brasil, que investiga fraudes e corrupção no Ministério do Planejamento no governo Luiz Inácio Lula da Silva.
Para o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Claudio Lamachia, a PF tem de cumprir seu papel e sua missão em todos os aspectos e espectros onde tem criminalidade dentro de sua competência. “É isso o que a sociedade espera da corporação.”
E são muito os afetados. Quase 2 milhão de beneficiários de fundos de pensão investigados na Greenfield tiveram de arcar com parte dos prejuízos gerados. “A gente se sente impotente diante de tudo o que aconteceu e é preciso botar a boca no trombone para não ocorrer outra vez”, disse Suzy Cristiny Costa, da Fentect, federação do servidores dos Correios.
Ranking. Entre os dez maiores prejuízos investigados pela PF, além dos apurados pela Greenfield e Lava Jato, estão os causados pelas organizações criminosas que são alvo das Operações Acrônimo, que apura o desvio de verbas e financiamento ilícito de campanhas eleitorais, e Zelotes, que averigua crimes tributários e corrupção no Conselho de Administração de Recursos Fiscais (Carf), órgão do Ministério da Fazenda.
Há ainda os casos envolvendo as Operações Enredados – R$ 5,1 bilhões de prejuízo – em que os agentes federais apuraram crimes ambientais e pagamento de propinas no extinto Ministério da Pesca, e esquemas de fraudes tributárias, contrabando e evasão de divisas apurados nas Operações Celeno, Valeta e Huno. A lista é completada pela Janus, que verifica supostas fraudes no financiamento do BNDES para obras da Odebrecht em Angola.

Reportagem de Alexa Salomão, Daniel Bramatti e Marcelo Godoy

foto:http://alexandretavora.blogspot.com.br/2012/02/chega-de-corrupcao.html

20/05/2017

JBS ajudou a financiar campanhas de 1.829 candidatos de 28 partidos


Apostando em um futuro bom relacionamento com prováveis candidatos que fossem eleitos em 2014, a J&F (holding controladora do grupo JBS) destinou mais de R$ 500 milhões para ajudar a eleger governadores, deputados estaduais, federais e senadores de todo o país, segundo os delatores.  Em um dos depoimentos que prestou ao Ministério Público Federal (MPF), com quem firmou acordo de delação premiada já homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o diretor de Relações Institucionais e Governo da J&F, Ricardo Saud, entregou um levantamento detalhado em que aponta todos os candidatos financiados pela empresa.
De acordo com Saud, o total em dinheiro repassado por meio de “pagamentos dissimulados” alimentou as campanhas de 1.829 candidatos. Destes, 179 se elegeram deputados estaduais em 23 unidades da federação e 167, deputados federais por 19 partidos.
O delator não deixa claro quais pagamentos foram feitos via caixa 2 e quais foram doações oficiais. No depoimento, divulgado após a retirada do sigilo da delação, ele dá a entender que os valores citados se referem apenas às campanhas de 2014. Em outro depoimento, o dono da JBS, Joesley Batista, também afirmou que a maioria das doações feitas pela empresa tratava-se de propina disfarçada por contrapartidas recebidas.
“Doamos propina a 28 partidos”, contou Saud, admitindo que os mais de R$ 500 milhões destinados a agentes públicos para as eleições de 2014 formavam um “reservatório de boa vontade”. “Era para que eles não atrapalhassem a gente", afirmou.
O delator cita ainda que foram distribuídas "propina para 16 governadores eleitos e para 28 candidatos ao Senado que disputavam a eleição, a reeleição ou a eleição para governador”, acrescentou. Segundo ele, os governadores eleitos pertenciam ao PMDB (4), PSDB (4), PT (3), PSB (3), PP (1) e PSD (1).
Ao entregar a documentação aos procuradores, Saud enfatizou a importância do “estudo” que fez por sua própria conta. “Acho que, no futuro, isso aqui vai servir. Aqui estão todas as pessoas que direta ou indiretamente receberam propina da gente.” Os documentos liberados pelo STF não trazem a lista de todos os nomes que fariam parte deste levantamento aponta por Saud.

fonte:http://www.jb.com.br/pais/noticias/2017/05/19/jbs-ajudou-a-financiar-campanhas-de-1829-candidatos-de-28-partidos/
foto:http://www.acritica.com/opinions/18-05-2017

19/05/2017

Da pujança ao escândalo: a ascensão dos irmãos Batista, pivôs do escândalo que ameaça Temer

A crise detonada em Brasília pela gravação suspostamente implicando o presidente Michel Temer está diretamente ligada à história de ascensão dos irmãos Wesley e Joesley Batista, símbolos da pujança econômica brasileira da última década.
À frente da holding J&F, que controla várias empresas, mas especialmente o frigorífico JBS - uma das maiores companhias brasileiras em faturamento -, os irmãos viram negócios modestos se transformarem em potência global. Mas agora se veem no centro de um escândalo que ameaça o governo Temer, acusado de dar aval a pagamento para silenciar o ex-deputado Eduardo Cunha, preso em Curitiba.
Wesley e Joesley fecharam delação premiada após a realização de uma série de operações da Polícia Federal que tinham a J&F como um dos alvos - envolvendo, inclusive, denúncias de irregularidades na aprovação de empréstimos do BNDES (banco nacional de fomento ao setor produtivo).
Os irmãos Batista envolveram-se profundamente no cenário político brasileiro: a JBS foi a maior doadora para a campanha eleitoral de 2014, gastando R$ 391 milhões, apoiando a vitória 164 deputados federais, seis governadores e da chapa formada pela ex-presidente Dilma Rousseff e por Temer.
O grupo também doou para a campanha de Aécio Neves (PSDB-MG), senador que ficou em segundo lugar na disputa presidencial e que hoje é um dos principais alvos da operação Patmos, desdobramento da Lava Jato deflagrada nesta quinta para dar sequência às investigações sobre as acusações dos empresários - segundo os relatos, ele recentemente foi gravado pedindo dinheiro a Joesley.
"Por que a JBS participa em doações de campanha? Porque acredita que, participando, tem condições de apoiar partidos e pessoas que, se ganham, podem contribuir para a gente ter um país melhor. E com um país melhor, automaticamente, a JBS tem um ganho de valor extraordinário", disse Wesley à BBC Brasil, em julho de 2015.
A empresa terminou 2014 com um faturamento de R$ 120 bilhões, um salto espetacular em relação aos R$ 3,5 bilhões registrados em 2003.
E, sobretudo, em comparação com o início humilde dos negócios da família: uma pequena casa de carnes em Anápolis, no interior de Goiás.
Mas os irmãos também ficaram famosa pela estratégia agressiva de aquisições, como a compra, em 2015, da Alpargatas, fabricante das sandálias Havaianas, por R$ 2,67 bilhões, e também de negócios no exterior, como o frigorífico Swift - a JBS têm fábricas em 20 países, incluindo os EUA e clientes em todos os continentes.
O conjunto dessa obra fez com que, ainda em 2015, a JBS se tornasse a maior empresa privada do Brasil em termos de receita.

E agora?

Tamanha pujança agora será testada duramente, segundo analistas de mercado. Investidores e credores da empresa estão à espera do impacto que a delação dos irmãos Batista terá no valor da JBS.
Notícias de ações policiais anteriores causaram abalos nos preços das ações da empresa, que desde o pico de R$ 17,2 em setembro de 2015 vêm caindo vertiginosamente e atingiram R$ 8,10 nesta quinta-feira.
Já é certo que o estrago institucional será maior, já que possíveis procedimentos escusos da cúpula da JBS serão revelados, e há ainda o risco de que o grupo J&E seja alvo de investigações no exterior.
Os irmãos sempre negaram que tivessem cometido irregularidades na obtenção de recursos públicos.
À BBC Brasil, Wesley chegou a se dizer injustiçado diante de alegações de que a JBS teria conluios com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que teriam facilitado a ascensão da empresa por meio de apoio da política de campeões nacionais do BNDES.
"Parece que no Brasil há uma dificuldade de se reconhecer que alguém pode crescer por ser competente ou por força do seu trabalho - e não por sorte ou porque é testa de ferro ou sócio de alguém."
Algo agora contradito pela delação, em que ele e o irmão admitem, pelo menos do que sabe até agora, o pagamento de propina para políticos e o uso de favores para a obtenção de decisões favoráveis em processos administrativos.

fonte:http://www.bbc.com/portuguese/brasil-39965015#orb-banner
foto:https://domtotal.com/noticia/1153796/2017/05/joesley-e-wesley-batista-terao-imunidade-completa/

39% dos envolvidos em crimes financeiros no Brasil são ligados a políticos



Das 714 mil pessoas e empresas ligadas a crimes financeiros e delitos antecedentes à lavagem de dinheiro no Brasil, 281 mil ocuparam cargos políticos (eleitos ou nomeados) ou são sócios e parentes delas. Ou seja: 39% dos suspeitos de tais crimes possuem ligações políticas. É o que aponta levantamento da AML Consulting, que presta serviços de prevenção à lavagem de dinheiro, com base nos dados da plataforma Risk Money.
E 10% das 281 mil pessoas relacionadas a políticos estão ligadas a crimes econômicos, como corrupção e peculato. A lista dos agentes públicos mais vinculados a esses delitos é encabeçada por prefeitos; seguidos de vereadores; deputados federais; deputados estaduais; e vice-prefeitos.
11.171 prefeitos e vice-prefeitos foram eleitos em 2016. Deste grupo, 1.833 estão envolvidos em crimes de diferentes naturezas, o que corresponde a 16,5% do total. 
Já dos 57.949 vereadores eleitos no mesmo ano, 2.110 também estão envolvidos em diferentes crimes, o equivalente a 3,6% do grupo. Pelo menos 163 dos investigados, ou 7,7% dos investigados, estão envolvidos com crimes de corrupção.
Efeito “lava jato”
A AML Consulting identificou mais de 11 mil pessoas e empresas ligadas aos crimes investigados na operação “lava jato”. Na visão de Alexandre Botelho, sócio fundador da consultoria, isso “mostra que esses crimes ocorrem devido também à contribuição e participação significativa do setor privado”.

Entre os envolvidos na operação, 2.264 estão relacionados a crimes econômicos, sendo 547 deles, ou 24%, políticos.
O cargo público que tem mais acusados na “lava jato” é o de deputado federal. Depois aparecem na lista senadores; prefeitos; deputados estaduais; e vereadores. O Distrito Federal é o ente com mais suspeitos: 223 (24,3% do total). Em seguida aparecem São Paulo, com 75 (8,1%); Rio Grande do Sul, com 74 (8%); Rio de Janeiro, com 65 (7%); e Bahia, com 57 (6,2%).

Reportagem de Sérgio Rodas
fonte:http://www.conjur.com.br/2017-mai-18/39-envolvidos-crimes-financeiros-sao-ligados-politicos
foto:http://jornaladvogado.com.br/39-dos-envolvidos-em-crimes-financeiros-no-brasil-sao-ligados-politicos/

18/05/2017

Procurador da República é preso por repassar informações a investigados


O procurador da República Ângelo Goulart Villela foi preso na manhã desta quinta-feira (18/5). Ele é acusado de receber dinheiro para repassar informações ao empresário Joesley Batista, dono do frigorífico JBS, a respeito de investigações que o envolvem. A prisão foi decretada pelo ministro Luiz Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, a pedido da Procuradoria-Geral da República.
A informação foi passada à PGR pelo próprio Joesley Batista em delação premiada. Segundo o empresário, Goulart recebeu suborno para repassar informações sigilosas sobre a operação chamada de greenfield, que investiga corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes em fundos de pensão de funcionários de estatais.
Goulart atualmente trabalha na Procuradoria-Geral Eleitoral. Também nesta quinta houve diligências de busca e apreensão no gabinete do procurador. Tudo foi acompanhado pelo vice-procurador-Eleitoral, Nicolau Dino, e pela subprocuradora-geral da República Cláudia Sampaio.

fonte:http://www.conjur.com.br/2017-mai-18/procurador-republica-preso-repassar-informacoes-investigados
foto:http://goias24horas.com.br/8465-confira-a-charge-imperdivel-de-j-lima-sobre-bndes-e-jbs-friboi/

Aécio Neves é afastado do Senado pelo STF


Aécio Neves (PSDB-MG), presidente nacional de seu partido, por suspeita de ter pedido 2 milhões de reais de propina aos sócios do frigorífico JBS. Também perde temporariamente as funções de parlamentar o deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), que teria sido filmado recebendo 500.000 reais como propina de representantes do grupo.
As decisões ainda estão sob sigilo. Fontes do Supremo informaram ainda que a Procuradoria-Geral da República pediu a prisão de Aécio e de Loures, mas o relator da Lava Jato no STF, Edson Fachin, disse que essa questão precisa ser decidida pelo plenário da Corte.
As decisões ainda estão sob sigilo. Fontes do Supremo informaram ainda que a Procuradoria-Geral da República pediu a prisão de Aécio e de Loures, mas o relator da Lava Jato no STF, Edson Fachin, disse que essa questão precisa ser decidida pelos plenários do Senado e da Câmara.
O STF também autorizou a prisão da irmã de Aécio, Andrea—suspeita de ajudá-lo no esquema criminoso – e do procurador da República Angelo Goulart. Ele é o primeiro membro do Ministério Público Federal envolvido no escândalo da Lava Jato. Atuante na operação Greenfield ele é suspeito de repassar informações sigilosas de investigações para o grupo ligado à empresa JBS.
O procurador Goulart teria sido gravado por Joesley Batista, um dos sócios do conglomerado. No acordo de delação, Joesley também repassou à força-tarefa alguns dos documentos sigilosos que o procurador Villela repassou a ele.
Na manhã desta quinta-feira, policiais federais cumprem mandados de busca e apreensão nos gabinetes de Aécio e de Zezé Perrela no Senado, e em uma das salas da procuradoria eleitoral, onde o procurador Goulart atuava. Os funcionários da Casa estão tendo que aguardar na porta o final da operação.
Gravações em posse da Procuradoria Geral da República flagraram Aécio pedindo dois milhões de reais a Joesley Batista, dono do grupo JBS, com a justificativa que necessitava da quantia para pagar sua defesa na Operação Lava Jato, de acordo com informações adiantadas ontem pelo O Globo.
Segundo O Globo, as gravações foram entregues por Batista à Justiça como prova em sua delação premiada. Ele teria se encontrado com Aécio no dia 24 de março no hotel Unique, em São Paulo, depois que sua irmã, Andréa Neves, abordou o empresário para combinar o encontro via WhatsApp e telefone. Ainda segundo o jornal, Batista aceitou o pedido e questionou quem pegaria a mala com o dinheiro. "Se for você a pegar em mãos, vou eu mesmo entregar. Mas, se você mandar alguém de sua confiança, mando alguém da minha confiança", teria dito Neves, de acordo com O Globo. "Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação. Vai ser o Fred com um cara seu. Vamos combinar o Fred com um cara seu porque ele sai de lá e vai no cara. E você vai me dar uma ajuda do caralho", completou o senador. Fred, segundo o jornal, seria Frederico Pacheco de Medeiros, seu primo e um dos coordenadores de sua campanha em 2014.
Reportagem de Afonso Benites
fonte:http://brasil.elpais.com/brasil/2017/05/18/politica/1495105098_952902.html
foto:http://paduacampos.com.br/2012/tag/aecio-neves/

A gravação da JBS coloca Governo Michel Temer à beira do abismo



O Governo Michel Temer está à beira do abismo. A revelação de que os magnatas da JBS gravaram em acordo com a Operação Lava Jato conversa em que Temer supostamente dá o aval para a compra do silêncio do ex-deputado preso Eduardo Cunha mancham como nunca a imagem do presidente e ameaçam implodir o principal trunfo de sua impopular presidência: a supermaioria no Congresso. Brasília discute se a situação ficará insustentável e aguarda a íntegra das gravações  —a existência dos áudios foi reveladas pelo jornal O Globo, mas os registros, parte de um acordo de delação premiada, não foram divulgados pelas autoridades. Seja qual for o desfecho, o certo é que a crise de enorme proporções detonada nesta quarta-feira ameaça enterrar, ao menos, qualquer chance de o Planalto conseguir passar no Parlamento suas reformas liberais ambiciosas.
Temer confirmou ter se encontrado Joesley Batista, o dono da maior empresa de carnes no mundo, no Planalto, mas negou ter chancelado a compra, por milhões, do homem-bomba Eduardo Cunha. Artífice do impeachment e próximo de presidente no PMDB, Cunha está preso desde outubro passado em Curitiba. Os empresários, alvo de diversas investigações, fizeram tudo, de acordo com O Globo, de maneira "controlada", ou seja, com anuência dos investigadores e da Procuradoria-Geral da República, num dos lances mais ousados da Operação Lava Jato até agora. Além do áudio de Temer, um ex-assessor próximo do presidente teria sido gravado recebendo malas de dinheiro. Tudo está à espera agora da homologação da delação pelo Supremo Tribunal Federal.
A denúncia muda a situação de Temer na Lava Jato e, se confirmado, poderia ser a base para um processo criminal contra ele ou um pedido de impeachment. Citado nas delações da Odebrecht, o presidente não pôde ser investigado pelos supostos crimes que lhe são atribuídos porque eles teriam sido cometidos fora de seu mandato. Agora, conforme noticiado pelo jornal O Globo, a tentativa de obstruir a operação ocorrera já no período em que estava no Planalto, há dois meses. Ou seja, abriu a possibilidade de que pedidos de impeachment fossem apresentados  —o que há aconteceu na noite desta quarta.
A diferença entre Temer e a antecessora que ele ajudou a derrubar é sobre quem ocupa a presidência da Câmara no momento da crise política. No caso de Rousseff, era um adversário político, Eduardo Cunha, quem estava no cargo com o papel crucial de dar a largada em um processo de destituição. Já Temer tem na função alguém que ele lutou para que estivesse lá, Rodrigo Maia (DEM-RJ). A ligação entre eles é tamanha que Maia foi um dos primeiros a chegar ao Planalto para participar de uma reunião de emergência convocada após as revelações.
Mesmo que o procurador-geral, Rodrigo Janot, avaliar que há motivos suficientes para processar o presidente, a decisão também tem de ser autorizada por dois terços da Câmara. E só nos próximos dias Temer saberá o tamanho do estrago em seu apoio parlamentar recorde. Ninguém na Nova República tinha exibido uma superbase no Congresso de quase 80% dos parlamentares. Nenhum antecessor havia chegado ao número de 61 senadores e 411 deputados.
Até esta semana o Governo não havia perdido nenhuma das importantes batalhas que teve no Legislativo. Aprovou desde o teto de gastos públicos (medida extremamente criticada pelos opositores) até a reforma do ensino médio nas duas Casas, entre outras medidas. Na Câmara, passou a reforma trabalhista e estava em vias de aprová-la no Senado. Seu plano era, até o fim de junho, concluir também a votação da sua principal proposta de mudança legislativa, a impopular reforma da Previdência. Mas tudo parece em suspenso agora. Mesmo que Maia não aceite nenhum dos pedidos de impedimento do presidente ou que os deputados barrem qualquer iniciativa de Janot, Temer pode ter que usar, na melhor das hipóteses, o seu requintado relógio Cartier apenas para contar as horas finais na cadeira presidencial.
"Negociações sobre a reforma da Previdência são agora reféns de uma saída desta crise política. Temer perdeu as condições de negociar a reforma", disse a clientes a consultoria de risco Eurasia Group, que não descarta inclusive um cenário em que Temer, diante da confirmação das denúncias, se veja forçado a renunciar.
A bomba dos irmãos Batista atinge o Planalto às vésperas do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) começar a julgar, em 6 de junho, a ação que pede a cassação da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer eleita em 2014. Antes desta quarta-feira explosiva, a maioria dos analistas não apostavam que Temer perderia um mandato no processo, mas a possível debandada do apoio no Congresso, a ampla cobertura midiática e os novos protestos que já começaram a pipocar pelo país são novos ingredientes na equação. Pelas leis atuais, se Temer cair, seja por qualquer via, haveria uma eleição indireta, pelo Congresso, de um novo mandatário no Congresso, mas os pedidos de "Diretas Já", a opção preferida pelos brasileiros segundo a pesquisa Datafolha, já se fazem ouvir nas ruas nem das redes.
Reportagem de Afonso Benites
fonte:http://brasil.elpais.com/brasil/2017/05/18/politica/1495072574_653336.html
foto:http://dedemontalvao.blogspot.com.br/2016/09/ao-rebater-dilma-michel-temer-acabou.html

11/05/2017

Veja os vídeos do depoimento de Lula a Sergio Moro na operação "lava jato"

Terminou na noite de ontem (10/5) o primeiro depoimento dado pelo ex-presidente Lula como réu na operação “lava jato”. Ele falou ao juiz Sergio Moro sobre uma ação penal em que é acusado de ter sido beneficiado pela reforma de um apartamento pela construtora OAS.
Segundo relatos dos advogados presentes ao depoimento, Lula mostrou-se seguro durante todo o depoimento, que durou mais de cinco horas. Deixou de responder apenas as perguntas de Moro que não tinham a ver com o processo — por exemplo, o que o ex-presidente pensa a respeito do julgamento da Ação Penal 470, o processo do mensalão, pelo Supremo Tribunal Federal. As perguntas do Ministério Público Federal também foram respondidas sem tergiversações, contaram os advogados.
A defesa se incomodou com o questionário preparado por Moro, que repetia muitas das perguntas que Lula já havia respondido em outras ocasiões, quando depôs como testemunha em outros processos. Os advogados pediram que o magistrado as adaptasse para o processo e discussão, mas ele seguiu com seu questionário.
A audiência foi acompanhada pelos advogados Cristiano Zanin Martins e José Roberto Batochio, que defendem Lula, e Fernando Augusto Fernandes, que representa o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto. Nesta quarta, Fernandes foi ao Supremo e ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região contra a proibição, imposta por Moro, de entrar na audiência com celulares.
Durante o depoimento, Lula explicou que nunca foi dono do apartamento e nunca teve qualquer relação com ele. Soube de sua existência em 2006, quando Marisa Letícia, sua mulher, contou que havia comprado cotas de participação num consórcio que envolvia o prédio, e em 2014, quando Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, o procurou para falar do assunto.
Em 2014, Lula disse a Pinheiro que não tinha interesse no apartamento, que estava “cheio de problemas”. Pinheiro, então, teria dito “vamos conversar”, e nunca mais voltou ao assunto.
Outra das acusações é que um elevador foi instalado no apartamento, tríplex, a pedido do ex-presidente. “Eu moro num apartamento com escada caracol. Seria insano eu pedir um elevador em um apartamento que não é meu e deixar o apartamento que vivo há mais de 20 anos sem!”, respondeu Lula.
Ao fim do interrogatório, Lula reclamou de vazamentos de conversas com seus familiares à imprensa, da condução coercitiva sem intimação prévia e dos “jovens” que estão à frente da “lava jato”.
“O Ministério Público, que é uma instituição que ninguém respeita como eu respeito, não foi feita para isso. Acusação tem que ser séria, tem que ser fundamentada, não pode ser especulativa”, disse o ex-presidente. “Hoje, a acusação é muito mais feita pelas capas dos jornais e das revistas do que os dados concretos das perguntas que vocês me fizeram. Pelas perguntas que vocês me fizeram, o Dr. Moro não deveria nem ter recebido a acusação”, criticou.
Lula ainda disse que o juiz deveria se “preparar” caso seja absolvido das acusações, porque será criticado pela imprensa. “Infelizmente, eu já sou atacado por bastante gente, inclusive por blogs que supostamente patrocinam o senhor”, respondeu Moro.
Veja os vídeos do depoimento desta quarta, divulgados pelo jornal O Estado de S. Paulo:

fonte:http://www.conjur.com.br/2017-mai-10/veja-videos-depoimento-lula-sergio-moro-lava-jato

10/05/2017

O cara a cara de Sérgio Moro e Lula


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva prestará – se um recurso de última hora do petista não conseguir impedir – depoimento nesta quarta-feira em Curitiba ao juiz federal Sergio Moro num cara a cara que acabou se transformando, não sem o estímulo de ambos, em um embate político entre os dois personagens que mais polarizaram o debate público recente no Brasil. De um lado, o ex-operário herói da classe trabalhadora que hoje é acusado, em cinco processos distintos, de receber propina e outras vantagens indevidas de construtoras amigas. Um réu que nega todas as acusações, mas cujo principal eixo de defesa é dizer que se trata de uma perseguição politicamente motivada, oferecendo como troco uma possível candidatura presidencial. Do outro, estará o juiz forjado em herói nacional para boa parte da população, que prendeu empresários e políticos como nunca antes. Um magistrado que diz querer limpar toda a corrupção do país, mas que não escapa das críticas por arriscar seu papel de juiz imparcial ao falar diretamente com apoiadores e usar métodos considerados controversos nos julgamentos da Operação Lava Jato.
Se tudo correr como previsto, Lula se sentará às 14h diante de Sérgio Moro. Uma câmera focará apenas o réu, sem o juiz, na gravação padrão da Justiça federal - o petista não conseguiu um registro próprio, como queria, já que Moro considerou que ele queria transformar o interrogatório em um “evento político-partidário”. Não haverá transmissão em tempo real. Lula deve responder em uma das duas ações que estão nas mãos do magistrado, na qual é acusado pelos crimes de corrupção passiva, ativa e lavagem de dinheiro por supostamente ser o dono oculto de um apartamento no Guarujá e ter recebido favores da OAS para manter o espólio de presentes recebidos na presidência. O petista nega todas as acusações e chega para o encontro afetado por novos reveses na Justiça. Além de tentar até o último minuto no STJ (Superior Tribunal de Justiça) cancelar o depoimento, o ex-presidente soube, nesta terça, que as atividades de seu Instituto Lula estão suspensas por ordem de um juiz do Distrito Federal que o julgará por tentativa de obstrução da Lava Jato, em uma outra ação.
O clima de cerco legal e tensão, alimentado durante as últimas semanas e que transborda para os atos pró e contra Lula agendados para a jornada em Curitiba, se intensificou nos últimos dias. O depoimento estava inicialmente marcado para o dia 3 de maio, mas foi adiado por Moro devido a uma petição da Polícia Federal, que pediu mais tempo para montar um esquema de proteção. Neste período de uma semana, Moro escutou mais três depoimentos, entre eles o do ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, que garantiu que o ex-mandatário “conhecia e comandava tudo”, em referencia ao esquema de propina na empresa.
O significado que este atípico depoimento adquiriu ficou escancarado nas capas das revistas semanais, nas que aparecem em posição de combate um ex-presidente Lula vestindo máscara e calção vermelho, cor do PT, e um juiz Sérgio Moro com trajes azul e amarelo, cores do Brasil e dos partidários do impeachment que tiraram os petistas do poder em 2016. Foi com essa moldura que, no fim de semana, o magistrado usou uma página do Facebook administrada por sua mulher pedir que os apoiadores da Lava Jato – e apenas eles – não protestassem em Curitiba. Foi a última de uma série de provocações mútuas, nos autos dos processos e fora deles. O ex-presidente Lula já acionou até a ONU para dizer que Moro é parcial e não tem mais condições de julgá-lo – até agora, sem sucesso. Já Moro também já sofreu advertência oficial por sua atuação contra o ex-presidente. Até recentemente referendado quase sempre pelas instâncias superiores da Justiça, o juiz de Curitiba foi criticado no Supremo Tribunal Federal, no ano passado, por ter divulgado ilegalmente áudios, inclusive de caráter eminentemente pessoal, envolvendo Lula e sua mulher, Marisa Letícia, morta em fevereiro.
Depois da participação on-line, coube ao próprio Moro tentar desmontar o cenário de embate. Nesta segunda-feira, em Curitiba, ele argumentou para uma plateia que o depoimento de Lula “não é um confronto” e que o processo “não é uma arena”. “As partes do processo são a acusação e a defesa. Não o juiz. O juiz não é parte no processo”, explicou o magistrado, que acrescentou que desse encontro “não sairá nada conclusivo”.
André Bezerra, presidente da associação Juízes para a Democracia, coincide com o juiz ao esclarecer que, do ponto de vista jurídico, o encontro desta quarta é “apenas um interrogatório no qual o réu deve ser ouvido, seja garantido seu direito de defesa e o processo prossiga”. O problema, explica ao EL PAÍS, “é que a Lava Jato se transformou em um circo romano através da opinião pública ou publicada, desviando a operação da realidade jurídica dos fatos”, critica. Já José Carlos Portella, professor de Direito em Curitiba e também crítico da Lava Jato, diz ainda ver com "preocupação" o fato de um juiz estar "empenhado em uma luta contra a corrupção", em alinhamento com os procuradores da força-tarefa, uma vez que seu papel deve ser o de "zelar pelas garantias individuais". Para os defensores de Moro, no entanto, Lula está se valendo do apoio político para tentar estar acima da lei.
Uma prisão provisória de Lula decretada nesta quarta parece, a princípio, ser improvável, ainda que se tema, na pior das hipóteses, que possíveis ânimos acirrados durante o depoimento possam desaguar em uma prisão por desacato. Ainda não há prazo para que Moro termine o julgamento desta ação contra Lula. Ele ainda irá ouvir dezenas de testemunhas, 87 apenas da defesa do ex-presidente. Caso seja condenado, o petista ainda poderá recorrer à segunda instância. O cronograma tem um peso político ímpar: se condenado por um tribunal superior, Lula pode ser impedido de concorrer à presidência em 2018.
Reportagem de Felipe Betim
fonte:http://brasil.elpais.com/brasil/2017/05/10/politica/1494369982_912143.html
foto:https://www.marcoaureliodeca.com.br/2017/04/18/lula-e-moro-vao-ter-primeiro-cara-a-cara/