"Alunos das escolas públicas da cidade
estão cada vez mais isolados em grupos étnicos, econômicos e sociais,
evidenciando a severa segregação racial de Nova York". Está é a conclusão
do estudo realizado em março pela UCLA (Universidade de Los Angeles, Califórnia)
sobre a educação norte-americana. A pesquisa foi feita entre 1989 e 2010 e
revela que os problemas educacionais da cidade estão intimamente ligados
"à perpetuação da pobreza, à discriminação policial com negros e,
principalmente, à separação entre negros e brancos nas escolas." Clique aqui e leia (em inglês) o relatório completo.
De acordo com os autores da pesquisa - Gary
Orfield e John Kucsera-, nos 32 distritos escolares da cidade, 19 não tinham,
em 2010, nem 10% de alunos brancos. "As pessoas visitam Manhattan e
vêem pessoas de todas as raças, de todas as origens e nacionalidades, vão até a
Times Square, etc.. Mas não enxergam o que acontece nas escolas", critica
Gary Orfield na conclusão do relatório. "Nenhum dos estados do Sul dos
Estados Unidos - historicamente considerados locais de alta segregação - chegam
sequer perto do que acontece em Nova York", analisa.
O relatório critica principalmente as
"Charter Schools", instituições de ensino que são financiadas pelo
governo e administradas por um grupo privado. Elas trabalham com um modelo de
gerenciamento "que distancia negros e brancos, pobres e ricos",
analisa o relatório. Chamadas de escolas do "apartheid", essas
instituições - 183, no total - não tinham em 2010% nem 1% de alunos brancos.
A diferença é tamanha que as escolas com mais de 14,5% de alunos brancos são
consideradas multirraciais. "O estado de Nova York reagrupa o maior
número de escolas onde reina a segregação", afirmam Gary Orfield e John
Kucsera. "A cidade de Nova York, que tem o maior sistema escolar público
do país, é um buraco negro da segregação", criticam.
Além de segregação racial, o estudo também
aponta a segregação social como grande responsável pelo mau desempenho das
escolas públicas "As escolas com grande concentração de pobres e de
minorias limitam as oportunidades educativas". "Existem muitos
problemas adicionais nesta escolas, como, por exemplo, professores
inexperientes, prédios mal conservados e material escolar inadequado.
Em entrevista ao Los Angeles Times, o
diretor das "Charter Schools", James Merriman, considerou as
conclusões do estudo dos investigadores da UCLA como "injustificadas"
e criticou a utilização da palavra "apartheid, que disse ser
"odiosa" e contrária à missão de inserção das escolas.
Reportagem de Dodô Calixto
foto:http://www.twentyrecruitment.com/blog/?p=910

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