28/11/2014

Orgãos de defesa do consumidor dão dicas para Black Friday

Durante 24 horas, sites e lojas vão oferecer descontos em diversos produtos, na quinta edição da Black Friday no Brasil. Muita gente aproveita o chamado Dia Mundial dos Descontos para adquirir, por um preço mais em conta, o que está precisando, mas é importante ter atenção. Algumas instituições estão desenvolvendo ações e orientando os consumidores para que as compras ocorram sem problemas.
O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) alerta para a questão da pesquisa. O advogado da instituição Christian Printes lembra que o anúncio do evento é feito antecipadamente e o consumidor tem tempo para analisar os valores antes de comprar. Além de saber se a promoção é realmente boa, a pesquisa ajuda a identificar se o comerciante não está maquiando o preço. “Algumas lojas aumentam o preço antes de aplicar o desconto e isso acaba prejudicando o consumidor justamente porque ele não consegue ter o desconto efetivo.”
Caso essa prática seja identificada, o consumidor pode procurar os órgãos de defesa do consumidor da cidade onde mora. “Copie as telas [durante a pesquisa] e no dia da Black Friday também para que possa verificar quais são os preços oferecidos antes e o que estão oferecidos no dia”, orienta o advogado. As imagens servem também de prova para uma possível denúncia. Christian explica que as regras previstas no Código de Defesa do Consumidor com relação à troca de produtos defeituosos e prazos de entrega, por exemplo, continuam sendo aplicadas mesmo durante o período de promoção e devem ser respeitadas.
Outra opção é checar a situação da loja para saber se ela pode estar em situação de falência, por exemplo. Para isso, o consumidor poderá consultar o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) na página da Serasa Experian que vai disponibilizar o serviço, gratuitamente, somente durante a Black Friday, que ocorre sempre no dia seguinte ao feriado de Ação de Graças, celebrado nos Estados Unidos. Karla Longo, gerente do Serasa consumidor, diz que a ideia é evitar golpes de empresas desconhecidas pelo consumidor e explica como funciona o recurso. “Coloca o [número do] CNPJ da empresa que você quer consultar e vão aparecer alguns dados como razão social, protestos, cheques sem fundo, ações judiciais, endereços”.
Outra dica importante é não comprar por impulso, para evitar a inadimplência. “É muito importante planejar. Olhar o que realmente precisa e não ficar tentado a comprar só porque o preço está bom. Então, é importante saber quanto você pode gastar e fazer uma lista do que pretende comprar”, diz a representante da Serasa, que orienta também pesquisar preços em locais diferentes.
Para coibir violações por parte dos sites, o Procon do Distrito Federal vai fazer uma espécie de blitz em diferentes páginas. De acordo com a assessoria do órgão, no ano passado foram fiscalizados 50 sites e registrados 33 autos de infração. Os brasilienses podem pedir orientação também pelo número 151. Na unidade paulista do Procon, o atendimento será feito por uma equipe que estará de plantão durante toda a noite. “A ideia de fazer um atendimento em tempo real é que o consumidor, às vezes, tem uma dúvida ali na hora, então seria adicionar essa possibilidade de esclarecimento em tempo real”, conta Fátima Lemos, assessora técnica do Procon-SP. As redes sociais também serão aliadas no contato com a unidade que disponibilizou a hashtag #BlackFridaynamiradoProconSP.
Pedro Eugênio é o criador do site oficial do evento no Brasil e fundador do Busca Descontos,página que trouxe a Black Friday para o país. Ele explica que nem todos os produtos dos sitesparticipantes entram na promoção, então é preciso verificar antes de comprar. Ele também dá algumas dicas para os consumidores não serem enganados por sites não participantes.
“[Aconselhamos] comprar de lojas que ele já está acostumado a comprar ou que foram indicadas por amigos. O segundo passo é pesquisar se aquele produto que ele quer está disponível no dia do Black Friday. E, além disso, antes de fechar a compra, o que a gente indica é pesquisar o preço”. Ele sugere também que o consumidor evite os horários de maior volume de visitas aos sites.
“Tentar fugir dos horários de pico da Black Friday, que é à meia-noite de quinta, na hora do almoço na sexta e a partir das 18h da própria sexta. Fazendo isso, pesquisando a loja em que vai comprar e o preço do produto, a chance de fazer um grande negócio é muito alta”.
O Dia Mundial dos Descontos conta também com um código de ética que deve ser seguido pelas lojas participantes. Só no ano passado, durante a Black Friday, o comércio eletrônico atingiu a marca de R$ 424 milhões em vendas. Segundo Pedro, para este ano a ideia é superar a marca dos R$ 700 milhões.

fonte:http://www.jb.com.br/economia/noticias/2014/11/27/orgaos-de-defesa-do-consumidor-dao-dicas-para-black-friday/
foto:http://wotv4women.com/2014/11/20/5-tips-for-successful-black-friday-shopping/

Senado aprova guarda compartilhada obrigatória em separação litigiosa


O Senado Federal aprovou na última quarta-feira (26/11) um projeto de lei que regulamenta a guarda compartilhada de pais divorciados mesmo que não haja acordo sobre a custódia dos filhos. Ele prevê uma alteração no Código Civil, que antes permitia o compartilhamento somente para pais com relacionamento amigável. Agora, mesmo pais em relacionamento conflituoso terão seus direitos e deveres assegurados pela lei. O texto agora segue para sanção presidencial.
“O casal vai combinar e a Justiça homologa. Se o casal não combinar, o juiz vai determinar [o funcionamento da guarda] e procurar fazer a divisão de tempo da forma mais equânime possível. Se o pai tem mais tempo para cuidar, ele fica mais tempo com a criança. Se a mãe tiver mais tempo, ela ficará mais tempo. Mas os dois terão a guarda e o direito garantido”, disse Analdino Rodrigues Paulino, presidente da Associação de Pais e Mães Separados (Apase).
A nova proposta estabelece que a guarda deverá definir um tempo equilibrado de convivência com a mãe e com o pai, considerando que a guarda unilateral (do pai ou da mãe) será concedida se um dos pais abrirem mão da guarda ou em caso de o juiz identificar que o filho não deve permanecer sob a tutela de um deles.
Informações
O projeto também define aplicação de multa a estabelecimentos públicos ou privados que se negarem a dar informações sobre o filho a qualquer um dos pais. Além disso, prevê a necessidade de autorizações dos dois pais para que um filho mude de cidade e viaje ao exterior. A cidade em que os filhos vão morar deve ser decidida atendendo de melhor forma os interesses da criança. A ideia é que esse tipo de instituto seja adotado justamente quando se faz mais necessário: nas separações conflituosas.

Para o advogado Danilo Montemurro, especialista em Direito de Família, o dispositivo se revela um dos mais importantes projetos legislativos de proteção à criança e a guarda compartilhada é a melhor alternativa para evitar a alienação parental. “Na verdade, a regra já é a de preferência da guarda compartilhada, sendo a unilateral exceção, a teor do artigo 1.584 do Código Civil. Contudo, esta não é a prática nos processos judiciais. Havendo litígio, é comum ser fixada a guarda unilateral em derradeiro prejuízo da própria criança”, ressalta.
Segundo Paulino, existem 20 milhões de crianças e adolescentes filhos de pais separados, que serão beneficiados com a lei. Para ele, a lei vai atender justamente os casais que não têm acordo, para garantir que as crianças tenham convivência com os dois lados. 

fonte:http://www.conjur.com.br/2014-nov-27/senado-aprova-guarda-compartilhada-filho-pais-divorciados
foto:http://visaonacional.com.br/comissao-do-senado-aprova-guarda-compartilhada-de-filhos-de-pais-divorciados/

27/11/2014

Imagem do dia



Contra estupro, polícia da Hungria pede que mulheres evitem flerte

A polícia da Hungria causou polêmica após lançar um manual que orienta mulheres a não flertar caso não queiram ser estupradas.


A força já havia enfrentado duras críticas devido a um vídeo de alerta sobre estupro que parecia culpar a vítima, em parte, pela violência sexual.
Ao dar recomendações de segurança na terça-feira, a polícia do condado de Vas disse que o flerte por parte de mulheres jovens poderia provocar violência.
Grupos de mulheres e organizações de direitos civis condenaram a declaração.
As recomendações de segurança foram publicadas para marcar o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres.
Reka Sáfrány, do Lobby das Mulheres húngaras, disse que estava chocada com as campanhas "pouco profissionais" que "culpam as vítimas".
O incidente ocorre quatro dias após a polícia húngara ser duramente criticada por divulgar um vídeo com o slogan "Você pode fazer algo sobre isso, você pode fazer algo contra isso."
O filme apresenta um grupo de mulheres jovens que bebem e dançam com homens em uma boate. Depois, uma delas é agredida sexualmente por um estranho.
O vídeo foi chamado de "prejudicial e perigoso" por Keret, um grupo de organizações de direitos das mulheres húngaras, em um comunicado publicada nas redes sociais na segunda-feira.
"Não são as roupas que causas vítimas", disse o comunicado.
O grupo pediu que a polícia suspenda a exibição do vídeo e altere o ângulo de suas campanhas de segurança.

Brasil

No início do ano, um pesquisa feito pelo Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) no Brasil causou polêmica ao mostrar que mais de um quarto (26%) dos entrevistados concordavam com a ideia de que mulheres com roupas curtas merecem ser atacadas.

fonte:http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/11/141126_mulheres_hungria_lab#orb-banner
foto:http://joaoesocorro.wordpress.com/2014/04/02/internautas-da-paraiba-e-do-nordeste-usam-as-redes-sociais-para-protestar-contra-estupro/

O juiz que sacode o Brasil

Teimoso, frio, técnico e competente. Sergio Moro, que se mantém longe da imprensa, causa polêmica ao mexer no ‘vespeiro’ da corrupção da estatal.



No topo do caso Petrobras, que investiga o possível desvio organizado de mais de 9 bilhões de reais e está abalando as estruturas institucionais do Brasil, está um juiz federal de 42 anos: Sergio Moro (foto acima), considerado um dos maiores especialistas em lavagem de dinheiro do país (senão o maior). No último dia 14, ao assinar uma ordem de prisão contra 21 dos membros mais ricos e poderosos do establishment empresarial, ele se tornou também uma das personalidades mais respeitadas e comentadas do país.
Nas ruas de Curitiba, onde o escritório de Moro centraliza asinvestigações da Operação Lava Jato, o magistrado já é uma figura popular. “Ele é um juiz com impulso, não se detém diante de nada”, afirma o diretor de uma importante emissora local que tenta dissimular seu entusiasmo. Outros jornalistas intervêm para elogiar seu “sentido de justiça”. A crescente reputação de Moro intimida até os advogados de defesa dos 13 empresários ainda presos. “Ele tem muito respaldo na Justiça Federal”, reconhece Pedro Henrique Xavier, advogado da importante construtora Galvão Engenharia SA. Na delegacia da Polícia Federal onde dividem a cela e prestam depoimentos os milionários detidos, os letrados reclamam diariamente porque seus clientes ainda não abandonaram a cadeia. No entanto, seus pedidos dehabeas corpus (contra prisões arbitrárias) são sistematicamente negados por outros magistrados. “Ele é um juiz metódico e com muita iniciativa”, admite outro advogado durante um recesso.
Pouco se sabe sobre a vida privada de Sergio Moro que, apesar da sua juventude, é um dos três candidatos a ocupar o lugar deixado por Joaquim Barbosa no Supremo Tribunal Federal (a máxima autoridade judicial do país) este ano. Casado e com dois filhos, apaixonado por ciclismo, Moro nasceu na cidade paranaense de Maringá, onde estudou direito antes de completar a sua formação na Universidade de Harvard (EUA). Doutor em Direito, juiz desde 1996 e também professor universitário, Moro se especializou em crimes financeiros e cursou um mestrado prático no caso Banestado, um processo judicial desenvolvido entre 2003 e 2007, que levou à condenação de 97 pessoas pelo envio ilegais de divisas ao exterior de vários bancos brasileiros. Um dos condenados foi outro cidadão paranaense chamado Alberto Youssef, doleiro de profissão, transformado hoje um elo crucial no caso da Petrobras.
Existe unanimidade de que o caso Banestado foi o passo final na formação de um juiz “justiceiro”, na opinião de uma fonte policial, que também alcançou alguma reputação acadêmica: seu livro Crimes de Lavagem de Dinheiro (2011) é uma referência nacional na área. Moro colaborou inclusive com a juíza Rosa Weber na fase final do caso mensalão, na época o maior caso de corrupção da história moderna do Brasil. Por tudo isso, a Assembleia Legislativa do estado do Paraná prepara-se para conceder o título de Cidadão Ilustre ao juiz.
Adjetivos coletados em várias conversas informais com agentes, advogados e estudantes de Curitiba permitem ver um perfil de juiz teimoso, reservado, técnico, frio (embora educado), extremamente competente, razoavelmente distante dos olhares da imprensa e sem medo de enfrentar figurões. Apesar das críticas feitas pelos advogados dos empresários, atua com cautela: na semana passada, quando a Polícia Federal relacionou José Carlos Cosenzo, atual diretor de Abastecimento da Petrobras, com a corrupção, Moro exigiu provas. Horas mais tarde, a pedido do juiz, a polícia enviou uma nota oficial admitindo o “erro” da menção de Cosenzo, que foi amplamente distribuído pela Petrobras.
O expediente Lava Jato cresce à medida que mais acusados (nove, por enquanto) são adicionados ao esquema das delações premiadas, o que espalha o pânico entre empreiteiros, políticos, diretores da Petrobras e até mesmo banqueiros. O trabalho de Moro, de qualquer maneira, tem uma data de validade: o indiciamento provável de políticos (como reconhece abertamente um fiscal relacionado com o caso). É um segredo bem conhecido que a Polícia Federal está tentando atrasar a imputação de políticos (com foro privilegiado), pois implicaria a imediata transferência do caso para o Supremo Tribunal Federal, localizado em Brasília. “Moro vai seguir o rastro do dinheiro, não importa quem atingir”, insiste outro promotor que prefere o anonimato. “O resto não depende mais dele.”
Esta manobra levou a muitas críticas mais menos explícitas deopinólogos e advogados. Os ataques somam-se às censuras feitas por funcionários do PT durante a recente campanha eleitoral por supostos vazamentos com interesses eleitorais. O advogado Alberto Zacharias Toron da construtora UTC argumenta que Moro incorre em uma forma de “extorsão de confissões e delações [...] Quem colabora é liberado. Quem não cooperar tem a prisão preventiva decretada”. Os escritórios de advocacia mais exclusivos do Brasil estão esperando que o juiz cometa um erro grave o suficiente para impedir ou alterar uma causa “que recai sobre a forma de atuação das elites brasileiras”, observa o analista Adriano Pires: “O sistemático de superfaturamento e subornos”.
Em seu já famoso mandado de prisão do último dia 14, o juiz se referia às declarações do presidente, Dilma Rousseff, e seu adversário do PSDB-MG, o senador Aécio Neves, que durante a disputa eleitoral defenderam a continuidade da investigação. Moro escreveu: “As chamadas provenientes de duas das principais autoridades políticas do país, localizadas em campos políticos opostos, confirmam a necessidade de resposta institucional imediata para interromper o ciclo delitivo descoberto pelas investigações criminais, tornando inevitável o remédio amargo, isto é, a prisão preventiva.” Para muitos um herói, para outros um “justiceiro” incômodo, ninguém dúvida já que o juiz Moro poderia mudar para sempre o futuro do Brasil a partir de um escritório em Curitiba.

Reportagem de Pedro Cifuentes
fonte:http://brasil.elpais.com/brasil/2014/11/26/politica/1417013006_508980.html
foto:http://www.ocafezinho.com/2014/11/15/integra-da-decisao-de-sergio-moro-e-entrevista-com-delegado/

Dráuzio Varella: Eis as propriedades medicinais da maconha

Artigo de  Dráuzio Varella, médico oncologista, cientista e escritor brasileiro.




Não são poucos os benefícios potenciais da maconha.
Na última coluna, falamos sobre os efeitos adversos, apresentados numa revisão recém-publicada no The New England Journal of Medicine.
Explicamos que os estudos nessa área padecem de problemas metodológicos. Geralmente envolvem usuários que consomem quantidades maiores, por muitos anos, acondicionadas em baseados com concentrações variáveis de tetrahidrocanabinol (THC), o componente ativo.
Como consequência, ficam sem respostas claras as consequências indesejáveis no caso dos usuários ocasionais, a grande massa de consumidores.
Em compensação, o uso medicinal do THC e dos demais canabinoides dele derivados está fartamente documentado.
A descoberta de que os canabinoides se ligavam aos receptores CB existentes na membrana celular dos neurônios aconteceu em 1988. Dois anos mais tarde, esses receptores foram clonados e mapeadas suas localizações no cérebro. Em 1992, foi identificada a anandamida, substância existente no sistema nervoso central, relacionada com os receptores, mas distinta deles.
A partir de então, diversos trabalhos revelaram que os canabinoides naturais ou sintéticos desempenham papel importante na modulação da dor, controle dos movimentos, formação e arquivamento de memórias e até na resposta imunológica.
Pesquisas com animais de laboratório demostraram que o cérebro desenvolve tolerância aos canabinoides e que eles podem causar dependência, embora esse potencial seja menor do que o da heroína, nicotina, cocaína, álcool e de benzodiazepínicos, como o diazepan.
Hoje sabemos que o uso de maconha tem ação benéfica nos seguintes casos:
1) Glaucoma: doença causada pelo aumento da pressão intraocular, pode ser combatida com os efeitos transitórios do THC na redução da pressão interna do olho. Existem, no entanto, medicamentos bem mais eficazes.
2) Náuseas: O tratamento das náuseas provocadas pela quimioterapia do câncer, foi uma das primeiras aplicações clínicas do THC. Hoje, a oncologia dispõe de antieméticos mais potentes.
3) Anorexia e caquexia associada à Aids: A melhora do apetite e o ganho de peso em doentes com Aids avançada foram descritos há mais de vinte anos, antes mesmo de surgirem os antivirais modernos.
4) Dores crônicas: A maconha é usada há séculos com essa finalidade. Os canabinoides exercem o efeito antiálgico, ao agir em receptores existentes no cérebro e em outros tecidos. O dronabinol, comercializado em diversos países para uso oral, reduz a sensibilidade à dor, com menos efeitos colaterais do que o THC fumado.
5) Inflamações: O THC e o canabidiol são dotados de efeito anti-inflamatório que os torna candidatos a tratar enfermidades como a artrite reumatoide e as doenças inflamatórias do trato gastrointestinal (retocolite ulcerativadoença de Crohn, entre outras).
5) Esclerose múltipla: O THC combate as dores neuropáticas, a espasticidade e os distúrbios de sono causados pela doença. O Nabiximol, canabinoide comercializado com essa indicação na Inglaterra, Canadá e outros países com o nome de Sativex, não está disponível para os pacientes brasileiros.
4) Epilepsia: Estudo recente mostrou que 11% dos pacientes ficaram livres das crises convulsivas com o uso de maconha com teores altos de canabidiol; em 42% o número de crises diminuiu 80% e, em 32% dos casos, a redução variou de 25% a 60%. Canabinoides sintéticos de uso oral estão liberados em países europeus.
Com tal espectro de ações em patologias tão diversas, só gente muito despreparada pode ignorar o interesse medicinal da maconha. Qual a justificativa para impedir que comprimidos de THC e de seus derivados cheguem aos que poderiam se beneficiar deles? Está certo jogar pessoas doentes nas mãos dos traficantes?
No entanto, o argumento de que o uso de maconha deve ser liberado em virtude dos efeitos benéficos que acabamos de enumerar, é insustentável: a imensa maioria dos usuários não o faz com finalidade terapêutica, mas recreativa.
Como diz o povo: uma coisa é uma coisa…
Acho que a maconha deve ser legalizada, sim, mas por razões que discutiremos em nossa próxima coluna.

fonte:http://outraspalavras.net/outrasmidias/destaque-outras-midias/drauzio-varella-eis-as-propriedades-medicinais-da-maconha/
foto:http://www.sossobriedade.com.br/2013/10/legalizacao-da-maconha-pros-e-contras.html

Índios brasileiros desenvolvem doenças 'urbanas' após mudanças no estilo de vida


Desde o início da colonização, as doenças do homem branco têm representado um flagelo para as populações indígenas das Américas. O Brasil, antes de 1500, possuía mais de cinco milhões de habitantes. A partir da chegada dos portugueses, a população indígena começou a declinar rapidamente, principalmente por causa de epidemias de sarampo, varíola, rubéola e gripe. Nos anos 1970, não passavam de 100 mil em todo o território nacional. De lá para cá, medidas como a vacinação e o avanço no reconhecimento de terras indígenas conseguiram reverter esse quadro. Hoje, segundo dados do censo de 2010, a população já alcançou a marca de 800 mil.
Nos últimos anos, no entanto, novas doenças do homem branco começam a se fazer presentes dentro das terras indígenas. Desta vez, são problemas causados pela adoção de um estilo de vida mais urbano, semelhante ao das grandes cidades. O antropólogo Laércio Dias, da Unesp de Marília, estuda como essas alterações afetam a saúde de grupos que vivem na região do rio Uaçá, no norte do Amapá, e já constatou um índice maior de obesidade, hipertensão, diabetes e abuso de álcool entre eles. “São doenças ligadas a mudanças na forma de trabalhar, de beber e de se alimentar, causadas principalmente pela presença de produtos industrializados produzidos fora da aldeia“, diz.
Além dessas doenças, Laércio diz que existem estudos que apontam uma presença maior de outras doenças ligadas ao estilo de vida “ocidental” entre os índios, como câncer e Aids. “Acontece que essa população indígena ainda sofre com problemas antigos, como leishmaniose, febre amarela e malária”, diz o antropólogo. “Essa sobreposição de perfis epidemiológicos é muito preocupante do ponto de vista da saúde, além de indicar que as populações estão sofrendo transformações muito rápidas em seu modo de vida.”
Laércio Dias estuda as etnias Karipuna, Galibi-Marworno, Palikur e Galibi Kali´na, que habitam três terras indígenas no município de Oiapoque, na divisa entre o Brasil e a Guiana Francesa. São grupos que convivem entre si e têm contato com o homem branco desde o século XVI. “A convivência é tão antiga que existe na região uma língua franca – o patuá – que é uma mistura de português, francês e das línguas indígenas”, diz o antropólogo.
Hoje, vivem na região cerca de cinco mil indígenas, em contato constante com áreas urbanas. Algumas aldeias ficam a menos de 30 minutos de barco da cidade de Oiapoque, onde os indígenas vão vender farinha, peixes e frutas e comprar arroz, café, açúcar e bolacha. Nas casas, possuem geladeiras, TVs e até computadores.
Segundo Laércio Dias, antigamente muitos antropólogos encaravam com maus olhos as transformações que ocorriam nesses grupos, agindo como se houvesse uma cultura indígena “pura” a ser preservada a qualquer custo. “Mas nas últimas décadas nós temos nos focado mais em estudar os processos de transformação por que passam essas sociedades. Quero compreender como elas estão se adaptando a essas mudanças“, diz.
No doutorado, Dias investigou o consumo de bebidas alcoólicas entre as tribos do Uaçá. Os hábitos tradicionais sofreram o impacto da chegada de produtos típicos da cidade, principalmente a cachaça. “Minha intenção não era apontar qual o modo correto de eles consumirem álcool. Pelo contrário, queria saber o que eles mesmos encaram como consumo reprovável e ver quais alterações ocorreram após a chegada das bebidas destiladas”, diz.
Os grupos da região tradicionalmente consomem uma bebida alcoólica preparada à base de mandioca fermentada, chamada de caxiri. O caxiri faz parte do dia a dia da tribo, e é consumido tanto na labuta na roça quanto nos rituais religiosos mais importantes. Como a bebida serve para estreitar os laços sociais, seu consumo acontece em diversos eventos e festividades da região, como o Dia do Índio, festas de santos, competições esportivas e até assembleias políticas.
Apenas mulheres podem participar da produção do caxiri. Seguindo uma receita ancestral, elas misturam biju de mandioca, cana-de-açúcar e batata, que são colocados para fermentar em um recipiente de barro. Depois de alguns dias, o resultado é um líquido branco e grosso, de gradação alcoólica baixa, variando entre quatro e cinco.
Por causa da grande quantidade de carboidratos na bebida, ela acaba sendo uma importante fonte de calorias para os índios. Isso faz com que sua função não seja apenas psicoativa, mas também de alimentação. Por isso, é consumida durante as atividades produtivas, servindo de combustível para o cultivo da roça, a caça e a pesca.
Durante as festas, o consumo excessivo de caxiri é comum. Isso porque esses grupos possuem um costume que chamam de beber até zerar. Trata-se de um costume comum entre populações indígenas das zonas tropicais, habituadas a viver em contextos ecológicos onde há recursos em abundância e que não desenvolveram mecanismos de conservação de alimentos.
Durante séculos, esse estilo de consumo de bebida alcoólica não provocou grandes danos aos grupos, uma vez que o caxiri tem baixo teor alcoólico e alto valor calórico. Com a chegada da cachaça, no entanto, a prática dos hábitos tradicionais com a nova bebida revelou-se explosiva.
Embora esses grupos conheçam a cachaça há séculos, foi somente nas últimas décadas que seu consumo passou a ser assimilado pelas aldeias. Hoje, ela está presente nas festividades e atividades cotidianas, adquirindo significados culturais semelhantes aos do caxiri. “Eles têm um contexto cultural que valoriza a vida coletiva, a festa e o consumo não parcimonioso de comida e bebida. Ao ser incorporada por esse padrão cultural, a cachaça produz efeitos indesejáveis”, diz o antropólogo.
Nenhuma das etnias estudadas considera a embriaguez como um mal em si. Trata-se de uma prática moralmente neutra, que não envergonha ninguém. O consumo de álcool só é visto com maus olhos quando resulta em tensões que atrapalham a coesão do grupo. Aqueles que, sob efeito da bebida, causam algum tipo de acidente, entram em brigas, ficam indispostos para trabalhar ou deixam sua cultura de lado podem ser recriminados.
Segundo o relato dos povos estudados, o consumo de cachaça tem aumentado muito o estilo de beber reprovável. Nos últimos anos, por exemplo, cresceu o número de acidentes envolvendo embarcações e incidentes durante a abertura de clareiras na mata. “Assim, os próprios índios começam a afirmar que a bebida traz uma série de problemas, inclusive de saúde, como a gastrite”, afirma Dias.
Esse estilo de beber não é exclusividade dos grupos indígenas do Uaçá. O antropólogo Paulo Santilli, da Unesp de Araraquara, coordenou entre 2007 e 2008 a seção de identificação de terras indígenas do Ministério da Justiça e da Funai. Nesse período, ele teve contato com diversas lideranças indígenas, de várias regiões do país. “A maior parte dos povos indígenas brasileiros têm bebidas tradicionais feitas a partir da fermentação da mandioca e do milho. As lideranças, no entanto, demonstram preocupação com a presença de bebidas destiladas vindas de fora”, diz. Segundo o antropólogo, a preocupação é maior com os jovens, que são os que mais frequentam as cidades e podem acabar desenvolvendo uma relação de dependência com o álcool. “Por isso, muitas vezes as próprias lideranças criam regras banindo do território as bebidas produzidas fora.”
Em sua pesquisa atual, Laércio Dias estuda o surgimento das chamadas doenças e agravos não transmissíveis (Dante) entre os indígenas brasileiros. São problemas como obesidade, hipertensão e diabetes, relacionados ao consumo de produtos industrializados vindos de fora das aldeias.
Na primeira parte do estudo, o antropólogo se debruçou sobre dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), criado em 2006 para registrar as condições nutricionais dos brasileiros. A partir de informações sobre a altura e peso das populações indígenas, ele calculou o Índice de Massa Corpórea (IMC), que é usado para estimar se um adulto se encontra acima do peso ideal. Ele é obtido pela divisão do peso pelo quadrado da altura. Comparando os dados de 2008 e 2012, o antropólogo registrou que o sobrepeso aumentou entre os indígenas, passando de 30,44% para 35,25% da população. A obesidade também cresceu, de 14,24% para 19,33%. Já os adultos com peso ideal caíram de 46,44% para 41,89%. “Temos claramente uma mudança no perfil. Os índios estão engordando.”
Os números batem com as mudanças que Dias tem observado entre os grupos do Uaçá. Lá é cada vez menor o número de pessoas que se alimentam de acordo com a dieta tradicional, baseada em peixe, farinha de mandioca e frutas como açaí, bacaba, banana, laranja, mexerica e limão. No seu lugar estão sendo consumidos produtos processados, muito mais calóricos e ricos em sódio e açúcar. A mudança é possível devido ao contingente cada vez maior de indígenas assalariados dentro das aldeias, que trabalham como professores ou enfermeiros. Além de o dinheiro permitir que se comprem produtos da cidade, esses profissionais abandonam práticas antigas como a caça ou o cultivo de alimentos, e terminam por praticar menos atividades físicas.
Se essa hipótese estiver correta, a maior parte dos problemas de saúde deverá se concentrar nas aldeias maiores e mais próximas da cidade. Para avaliar a hipótese, o antropólogo comparou dados compilados pela Casa de Saúde do Índio (CASAIAmapá) sobre a presença de hipertensão e diabetes em aldeias da região do Uaçá. No polo Manga, o mais próximo do Oiapoque, a hipertensão atingia 18,8 de cada mil habitantes, o maior índice da região. “As três maiores aldeias, onde se consomem mais produtos industrializados, são onde a presença de doenças vinculadas ao estilo de vida é maior”, diz.
Um fato que impulsionou o consumo de alimentos industrializados nos últimos anos foi a chegada às aldeias dos vários programas de assistência social do governo federal. Segundo o antropólogo Paulo Santilli, o processo iniciou-se quando as aposentadorias rurais começaram a se estender para as populações indígenas. “Isso mudou bastante a relação com os idosos. Se antes eles eram o repositório do conhecimento, dos cantos e da memória social, hoje também detêm os recursos para a compra de alimentos industrializados e eletrodomésticos”, diz. ”O processo se intensificou ainda mais com a chegada do Bolsa Família, que não foi desenvolvido pensando nas populações indígenas. Agora, o governo está promovendo pesquisas sobre seus efeitos nesse grupo.”
Segundo os antropólogos, essas transformações no modo de vida não significam que os índios estejam perdendo sua identidade. Pelo contrário, é possível adaptar-se às novas condições e ainda usar sua afirmação étnica para lidar com os problemas trazidos de fora da aldeia. Um exemplo disso acontece com os Tenharim, um povo que vive no sul do Amazonas, à beira de rodovia Transamazônica e em contato muito próximo com a cidade de Humaitá.
Historicamente, a estrada tem representado uma enorme pressão sobre esse grupo, e os casos de violência são comuns. No ano passado, inclusive, um confronto levou ao abandono temporário das terras indígenas. Esse contato tenso com a cidade, no entanto, levou a uma valorização cada vez maior de sua própria cultura. “Os Tenharim têm uma autoestima muito grande. Eles proíbem o consumo de álcool dentro das aldeias e valorizam muito sua culinária tradicional”, diz o antropólogo Edmundo Peggion, da Unesp de Araraquara, que estuda o grupo. “Os mais velhos não gostam da carne de gado, que dizem ter um sabor adocicado. Eles preferem carne de anta e de queixada, que era consumida por seus ancestrais.“
“Ao mesmo tempo em que as mudanças culturais têm acontecido, a identidade indígena tem se fortalecido nos últimos anos”, diz Laércio Dias. “As mudanças são comuns em qualquer sociedade, e não querem dizer que os índios estão deixando de ser índios.” Mas o que fazer quando essas transformações trazem efeitos perigosos para a própria saúde dos indígenas? A saída pode ser a mesma que existe para o homem branco: a conscientização. “Esses produtos têm um apelo publicitário que não deixa claros seus efeitos para sua saúde, e essa mudança na alimentação é muito recente”, diz Santilli. “Agora, pela primeira vez, esses grupos estão vendo os efeitos desses alimentos. As próprias lideranças indígenas estão preocupadas com isso.” 

Reportagem de Guilherme Rosa | Unesp Ciência | Marília
fonte:http://operamundi.uol.com.br/conteudo/samuel/38521/indios+brasileiros+desenvolvem+doencas+urbanas+apos+mudancas+no+estilo+de+vida.shtml
foto;http://www.webradiorhema.com.br/radio/frente/indigenas-brasileiros-criam-rede-de-igrejas-evangelicas/