29/10/2013

As perigosas rotas de migração para entrada na Europa



Anualmente milhares de pessoas - muitas delas fugindo de conflitos na África e no Oriente Médio - arriscam suas vidas cruzando o Deserto do Saara e o Mar Mediterrâneo em veículos e barcos precários para chegar à Europa.

Organizações não-governamentais estimam que aproximadamente 20 mil pessoas podem ter morrido tentando chegar à Europa nas últimas duas décadas.
Para ter um diagnóstico mais preciso do problema, a Frontex (agência europeia de fronteiras) e o Centro Internacional para Desenvolvimento de Políticas Migratórias produziram uma série de mapas que identificam as maiores rotas centros de concentração usados pelos migrantes na região.
O caso mais recente de tragédia envolvendo imigrantes veio a público nesta segunda-feira. Cerca de 35 imigrantes teriam morrido de sede ao tentar cruzar o Deserto do Saara, do Niger em direção ao norte da África.
Segundo autoridades do país, eles tentavam chegar a um porto no Mediterrâneo para tentar a travessia por mar em direção à Europa.
As vítimas estavam em um comboio que tentou cruzar o deserto com 60 pessoas há duas semanas. Um dos dois caminhões usados no transporte quebrou. Os sobreviventes só conseguiram sair do deserto nesta segunda-feira.
Assunto antigo
A maior parte dos migrantes que cruzam o Mediterrâneo a partir da Líbia e da Tunísia são originários da Eritrea e da Somália. Contudo, a guerra civil na Síria está elevando o número de sírios que também usam essa rota.
Em 11 de outubro, mais de 30 pessoas morreram quando uma embarcação com 250 imigrantes afundou na costa de Malta.
Na ocasião, o premiê de Malta alertou que o Mediterrâneo corria o risco de se tornar um "cemitério de imigrantes desesperados". A ONU diz que cerca de 32 mil pessoas chegaram em Malta e na Itália só neste ano.
Há duas semanas, mais de 200 imigrantes também chegaram na Sicília após serem resgatados pela guarda costeira italiana e um navio mercante perto da Ilha italiana de Lampedusa.
No entanto, Adrian Edwards, da Acnur, a agência da ONU para refugiados, lembra que o "fenômeno das pessoas que viajam em pequenos barcos no Mediterrâneo para a Europa é antigo e envolve questões como asilo e migração".
"As vítimas do último barco que naufragou perto de Lampedusa era composto por uma maioria de eritreus, muitos dos quais precisam de proteção internacional", disse ele.
Líbia 

A Líbia se tornou um ponto de partida importante para muitas viagens. Traficantes de pessoas exploram o crescente vácuo de autoridade no país para operar.

A relativamente pequena distância entre a Líbia e a ilha italiana de Lampedusa encoraja mais pessoas a se arriscarem na jornada.
O número de usuários das várias rotas ao longo do Mediterrâneo tem fluxo e refluxo.
De 2008 a 2012, um grande número de migrantes cruzou o mar entre a Turquia e a Grécia pela chamada Rota do Mediterrâneo do Leste, segundo a Frontex. Para fazer frente a isso, a Grécia reforçou seus controles de fronteira com mais 1,8 mil policiais.
Mas a Frontex diz que a área continua problemática e aponta para "incertezas relacionadas à insustentabilidade dos esforços (gregos) e evidências de que os imigrantes aguardam na Turquia pelo fim da operação".
Na última década, a rota que passa pelo centro do Mediterrâneo tem experimentado picos periódicos no tráfego de imigrantes.
Dados da Acnur sugerem que cerca de 25 mil pessoas chegaram na Itália a partir do norte da África em 2005. Esse número diminuiu para cerca de 9,5 mil em 2009.
Porém em 2011 esse número voltou a crescer atingindo a marca de 61 imigrantes. A alta foi motivada pelo conflito da Líbia, que culminou com a queda do coronel Muammar Khadafi.
No começo da década, a rota mais popular entre imigrantes ilegais era entre o oeste africano e a Espanha. Ela incluía territórios espanhóis no norte da África como Ceuta e Melilla e as Ilhas Canárias.
Aproximadamente 32 mil imigrantes teriam usado esse caminho em 2006, porém o número caiu para cerca de 5,4 mil em 2011.



28/10/2013

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Índios da Amazônia começam a sofrer com doenças urbanas


Os índios da Amazônia já não sofrem tanto com a malária, relativamente sob controle na maior floresta tropical do mundo, mas sim com as doenças comuns das grandes cidades, como a hipertensão arterial e a dislipidemia.
Assim constatou um estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) feito com índios da etnia Khisêdjê que vivem no Parque do Xingu, um enorme conjunto de reservas ambientais e indígenas com 27 mil km² no meio da Amazônia do Mato Grosso e longe das grandes cidades.
Os índios, apesar de permanecerem na selva e conservarem parte de suas tradições, não são alheios às chamadas "doenças da modernidade", disse à Agência Efe Suely Godoy Agostinho Gimeno, coordenadora do estudo que elaborou o "Perfil Nutricional e Metabólico dos Khisêdjês".
O estudo, baseado em avaliações médicas feitas em 179 índios em 2011, constatou que a doença de maior incidência atualmente entre os khisêdjês é a hipertensão arterial, ao contrário de 1965, quando as principais causas de morte nesta etnia eram a malária, as doenças respiratórias e a diarreia.
De acordo com a pesquisa, apesar das doenças infecciosas e parasitárias ainda serem uma importante causa de mortalidade entre estes índios, as que mais cresceram nos últimos anos foram as crônicas não transmissíveis, como a hipertensão, a intolerância à glicose e a dislipidemia, que é um aumento anormal na taxa de lipídios no sangue.
A avaliação mostrou que 10,3% dos índios sofrem de hipertensão arterial. Os casos mais preocupantes atingem 18,7% das mulheres e 53% dos homens.
A intolerância à glicose foi diagnosticada em 30,5% das mulheres e em 17% dos homens, e a dislipidemia em 84,4% dos pacientes avaliados.
Se comparada à população não indígena a prevalência dessas doenças ainda é inferior, mas significativa para um grupo em que os índices de doenças da modernidade eram irrelevantes.
"Nossa hipótese é que essas transformações ocorreram devido a uma maior aproximação dos centros urbanos e à intensidade do contato dos índios com a sociedade não indígena", afirmou Suely Godoy.
A especialista também atribuiu o fenômeno ao fato de alguns índios passarem a ser assalariados e deixar de lado as práticas de subsistência tradicionais.
O problema também pode ser explicado, segundo a pesquisadora, pelo "maior acesso dos índios a bens de consumo como alimentos industrializados, eletrônicos e barcos a motor, que anula a necessidade de remar".
Suely Godoy esclareceu que os khisêdjês vivem nas aldeias do Parque do Xingu e estão distantes cerca de cinco horas por terra do centro urbano mais próximo.
"Mas, eventualmente, eles vão até lá e têm acesso aos mercados das cidades", disse ao se referir à presença de alimentos industrializados na dieta de uma etnia que durante séculos viveu da agricultura, da caça e da pesca.
O perfil de saúde da etnia ficou prejudicado devido às mudanças que "favorecem a incorporação de novos hábitos e costumes, e reduzem os níveis de atividade física tradicional", afirmou.
O estudo constatou que 36% das mulheres estão com sobrepeso ou obesidade, porcentagem que chega a 56,8% no caso dos homens.
A doutora em Saúde Pública admite que é difícil "generalizar" para outras etnias da Amazônia ou do Brasil o ocorrido com os khisêdjês devido à diversidade existente entre os povos indígenas do país, principalmente pelas diferenças culturais e ambientais.
Mas esse perfil de saúde, que inclui atualmente a presença das chamadas "doenças da modernidade", já foi relatado em outros povos que vivem tanto no Parque do Xingu como em outras regiões, como é o caso dos Xavantes, assegurou.
Atualmente, o Parque do Xingu abriga, aproximadamente, 5.500 indígenas de 15 etnias vivendo em 61 aldeias.

Profissionais que jogam videogame rendem mais no trabalho

Um estudo realizado pela University of Colorado Denver Business School mostra que profissionais que jogam videogame trabalham melhor, têm habilidades mais elevadas e retêm mais informações.
O estudo foi feito com 6.476 estagiários e mostrou que aqueles que receberam treinamento baseado em jogos possuem habilidades 14% maiores em relação aos que não tinham essa prática. Além disso, o grau de conhecimento factual foi 11% superior e o de retenção 9%.
De acordo com Eline Kullock, presidente do Grupo Foco e especialista em recursos humanos e geração Y, os games são uma rica fonte de estímulo para a criatividade e inovação dos profissionais, já que nos jogos é preciso raciocinar estrategicamente.
"Os jogos ajudam os profissionais a aumentar a capacidade de tomar decisões rapidamente. As corporações estão exigindo cada vez mais essa habilidade, em especial, daqueles que trabalham sob pressão", diz.
Para ela, os videogames vão além da diversão e influenciam diretamente no comportamento dos colaboradores. "Quando você joga, desenvolve a organização de ações que precisa realizar para conquistar seus objetivos, além de elaborar facilmente as estratégias e a visão sobre a melhor maneira de resolver uma situação-problema."

Problemas não são resolvidos com um simples "restart"

Apesar das vantagens proporcionadas pelo videogame, Kullock explica que o método de tentativa e erro adotado nos jogos é comumente usado no cotidiano profissional.
"A geração Y, que é o maior público jogador, tem o costume de achar que em todas as situações, inclusive nas empresas, é possível dar um "restart" em alguma atividade que não tenha saído como o esperado", diz.
Para a especialista, existe um risco de que esses profissionais passem a acreditar, mesmo que superficialmente, que a experiência de erro pode não trazer consequências graves porque a solução seria simplesmente recomeçar.

Games também podem selecionar profissional

Os jogos de videogame também podem ser usados como ferramenta de recrutamento e seleção de candidatos para vagas de emprego.
A PromonLogicallis, empresa que atua na área de TI que está com inscrições abertas para programa de estágio, utiliza no processo seletivo um jogo social para atrair jovens talentos. Trata-se de um simulador de ambiente de negócios que funciona como uma etapa paralela.
De acordo com Tânia Casa, diretora de relações humanas, o candidato é estimulado a decidir os rumos de um projeto, com situações que avaliam habilidades comportamentais, capacidade de alocação de recursos, disposição para assumir riscos, trabalho em equipe, inovação e espírito empreendedor.
"Uma vez que compreendemos que a geração Y é o perfil de profissional e consumidor do mercado de hoje, decidimos mudar o nosso protocolo de comunicação para atrair e reter as pessoas com as competências que procuramos", diz a diretora.

Mais da metade dos lares do Brasil tem carro ou moto, aponta Ipea

Estudo retrata a mudança do perfil de mobilidade da população brasileira, cada vez mais estruturado no uso de veículos privados.



Mais da metade dos domicílios brasileiros, 54%, dispõe de automóveis ou motocicletas para deslocamentos de seus moradores. O dado consta do Comunicado Indicadores de Mobilidade Urbana da PNAD 2012, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea. Segundo o documento, o número retrata a mudança do perfil de mobilidade da população brasileira, cada vez mais estruturado no uso de veículos privados. "De 2008 para 2012, por exemplo, o porcentual de domicílios que possuía automóvel ou motocicleta subiu nove pontos porcentuais (45% em 2008 para 54% de posse em 2012), sendo que as motocicletas tiveram o maior incremento no período", diz o comunicado.
O estudo destaca os prós e contras do aumento do uso de veículos próprios. Se, por um lado, esse dado indica que a população, incluindo os segmentos de menor renda, está tendo acesso a esse bem durável, por outro, aumentam os desafios para os gestores dos sistemas de mobilidade. O Ipea aponta que prefeituras e governos terão de trabalhar para desenvolver políticas públicas em função da maior taxa de motorização da população brasileira, que pode causar a degradação das condições de mobilidade de todos (maior poluição, acidentes e congestionamentos).
Os desafios se ampliam tendo em vista que uma grande parte da população (46%) ainda não tem veículos privados à disposição. "O que indica uma possível piora das externalidades negativas do transporte individual nos grandes centros urbanos, principalmente nas regiões com menor porcentual de motorização (Norte e Nordeste), nos próximos anos", destaca o comunicado.
Santa Catarina (com 74,3%), Paraná (67,7%) e Distrito Federal (64,1%) são os estados com mais veículos por domicílio.
Mobilidade — Com relação ao tempo de deslocamento de casa para o trabalho, o estudo aponta que grande parte da população (66%) gasta até trinta minutos no percurso diariamente. A tendência é de piora em função do crescente aumento da taxa de motorização da população, o que demandará grande investimento dos governos nas próximas décadas.
O trabalho mostrou ainda que as políticas de auxílio ao transporte, como o vale-transporte, atingem pouco as classes sociais mais baixas. "Os dados apontam também para a necessidade de se criar novas políticas públicas que venham a beneficiar os deslocamentos das pessoas com maior vulnerabilidade socioeconômica", destaca o texto.

Kirchnerismo sofre revés em eleições legislativas na Argentina



Os candidatos do governo peronista da presidente argentina Cristina Kirchner (foto acima) foram derrotados nas principais províncias do país nas eleições legislativas de ontem, segundo dados oficiais.
A votação foi realizada para renovar metade das cadeiras da Câmara dos Deputados, um terço do Senado e para eleger vereadores nas dez das 24 províncias do país. Apesar da derrota nos maiores colégios eleitorais, o governo manterá a maioria dos assentos nas duas Casas, com 32,23% dos votos.
Os opositores peronistas aliados chegaram em segundo com 23,85% dos votos, os parlamentares da União Cívica Radical (UCR), Socialistas e aliados garantiram 23,73% das cédulas e PRO e aliados receberam 7,66% dos votos. Na soma, as três maiores forças opositoras juntas receberam mais votos do que o governo.
"Nós ganhamos e vamos manter a maioria no Congresso", disse o ministro da Defesa e ex-líder do governo na Câmara, Agustín Rossi, da Frente Para a Vitória (FPV).
Já para a deputada reeleita Elisa Carrió, da oposição, "o governo perdeu, mas não quer reconhecer".
Buenos Aires
A maior derrota para o governo aconteceu na província de Buenos Aires, que é a maior do País e representa 38% do eleitorado nacional.
O atual prefeito da cidade de Tigre, Sergio Massa, da opositora Frente Renovadora, obteve 43,81% dos votos, contra 31,81% do candidato do governo, Martín Insaurralde.
Com o resultado, Massa ampliou a diferença sobre Insaurralde em relação às primárias, chamadas de PASO (Primárias, Abertas, Simultâneas e Obrigatórias) realizadas em agosto, em que teve 5,4% votos a mais do que o candidato do governo. Além disso, Massa agora se reafirma como principal líder da oposição ao kirchnerismo.
"Esse resultado em si já demonstra a derrota do governo porque a província de Buenos Aires é decisiva", disse Rosendo Fraga, do Centro de Estudos Nova Maioria.
Para os analistas Sergio Berensztein, da consultoria Poliarquia, e Muriel Fornoni, da consultoria Managment & FIT, as autoridades da gestão de Cristina "não reconheceram a derrota", o que, na avaliação deles, distancia o governo do eleitorado.
O analista político do jornal Clarín, Eduardo van der Kooy, afirmou que o governo "repetia o mesmo discurso das primárias, quando perdeu, mas disse que ganhou".
Já o filósofo e kirchnerista Ricardo Forster ponderou, observando que o pleito não se trata de uma eleição presidencial.
"A presidente Cristina Kirchner mantém forte apoio popular e a governabilidade está garantida", disse ele a emissoras de TV.
Imagem x votos
Cristina Kirchner foi reeleita em 2011 com 54% dos votos e, segundo os analistas, seu patrimônio eleitoral teria diminuído "entre 20% e 28%" nesta eleição legislativa, como observou o colunista do jornal La Nación, Joaquín Morales Solá.
A presidente não votou porque está de repouso desde que foi submetida a uma cirurgia para a retirada de um hematoma no cérebro, no dia 8 de outubro. Ela não fala em público desde então e o cargo vem sendo exercido pelo vice-presidente, Amado Boudou.
"Ela está bem, de muito bom humor. Não sei quando ela retorna (ao trabalho)", disse o filho Máximo Kirchner, de 36 anos, ao votar em Rio Gallegos, na província de Santa Cruz, na Patagônia.
Segundo Muriel Fornoni, a imagem positiva da presidente subiu após seu problema de saúde, mas o fato "não foi canalizado para os votos nos candidatos do governo".
2015
A eleição legislativa foi realizada no dia que marcou os três anos da morte do ex-presidente Nestor Kirchner, em 2010. Ele governou a Argentina entre 2003 e 2007, foi sucedido pela esposa e este ano o kirchnerismo completou dez anos.
Nas redes sociais, alguns eleitores comemoraram a derrota do governo nas urnas.
"Não existe mal que dure dez anos. Kirchnerismo tampouco", escreveu o usuário do Twitter, Facundo Landivar.
Analistas observaram que a expectativa agora é em relação ao dia do retorno da presidente e se ela manterá o atual rumo político e econômico.
"Temos dez anos de estabilidade política, econômica e cambial na Argentina. Essa eleição é a consolidação da democracia reinstaurada há exatos 30 anos. E falta muito para 2015", disse a presidente do Banco Central, Mercedes Marcó del Pont, quando questionada se a disputa presidencial de 2015 já começa agora.
A inflação, apontada como maquiada, a disparada do dólar paralelo (era cotado a 4,49 pesos em outubro de 2011 e agora já bate 10,10 pesos) e a problemas com segurança pública estão entre as principais críticas da oposição.
"Falta muito para 2015, mas a votação deste domingo mostrou que os eleitores querem mudanças. Querem políticos que dialoguem, não querem mentiras como a da inflação e querem segurança", disse Sergio Massa.



27/10/2013

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Los médicos de Ecuador protestan por la penalización de las malas prácticas

Los médicos de Ecuador han concluido una semana de manifestaciones en contra del nuevo Código Penal. Se oponen especialmente al artículo 146 que habla del homicidio culposo por mala práctica médica y tendría una pena de prisión de tres a seis años. Además, hay otros 18 artículos más que afectarían al ejercicio de los doctores, según explica Alberto Narváez, presidente de la Federación Médica Ecuatoriana (FME).
La aspiración del gremio es que el texto penal, que ya fue aprobado por la Asamblea Nacional, sea vetado por el Ejecutivo. El asambleísta Mauro Andino, presidente de la Comisión de Justicia, dijo a El PAIS que el nuevo código - que tiene 881 artículos y 440 páginas - todavía no es definitivo y que llegará al Ejecutivo en unas tres semanas.
“Nosotros confiamos en este proceso de resistencia y también en el veto a estos artículos”, dice Víctor Álvarez, presidente del Colegio de Médicos de Pichincha. “Hemos trabajado en un capítulo especial que se puede llamar responsabilidad médica y que puede incluirse en la Ley Orgánica de Salud”.
Los médicos están de acuerdo con el control de su labor profesional, pero no quieren que se sancione por la vía penal. “No decimos que no se sancione, pero que se sancione en lo civil. Las lesiones son frecuentes en medicina y no podemos enfrentar uno o dos juicios cada año”, dice el presidente de la Federación Médica.
La medida de presión más preocupante de esta semana fue el anuncio de renuncia de todos los médicos de uno de los hospitales de Quito, el Pablo Arturo Suárez, que es la referencia para un millón de personas que vive en el norte de la capital y en las poblaciones aledañas. La consulta ambulatoria y las cirugías programadas se alteraron durante dos días como consecuencia.
La amenaza de renuncia masiva de los médicos se replicó en otras ciudades y la FME contabilizó unas 5.000 posibles dimisiones en todo el país. Mandiles blancos y listones negros colgados en las verjas de los hospitales emblemáticos, plantones y vigilias en las plazas principales han sido las estampas de esta semana.
Pero el malestar por la penalización de la mala práctica médica es solo un escollo en la relación de los médicos con el Gobierno. Los impases comenzaron en 2011, cuando los casi 20.000 profesionales de la salud tuvieron que pasar de cuatro a ocho horas de trabajo como cualquier otro funcionario público.
Los doctores que no pudieron compaginar su trabajo en el sector público con sus actividades a nivel privado tuvieron que renunciar. A esto se sumó la desvinculación de 200 trabajadores, a finales de 2011, por supuesta corrupción y mal desempeño de sus funciones.
Todo esto agudizó el déficit de personal, que se hizo evidente por el aumento de la demanda que generó la gratuidad del sistema sanitario. Entre 2006 y 2011 se pasó de 16,2 millones de consultas a 34,4 millones, según el Ministerio de Salud.
El reemplazo del personal desvinculado no se ha hecho efectivo hasta la fecha. En 2012 se anunciaron tres concursos de méritos y oposición para dar nombramiento a 20.000 personas, pero ninguno de estos procesos ha concluido. La última vez que hubo noticias de los nuevos nombramientos fue en enero de este año, cuando se hicieron públicos 500 dictámenes favorables, aunque eran personas que ya trabajaban en el sistema público de salud bajo la modalidad de contrato.
El inventario del malestar de los médicos estaba resumido en el cartel que cargaba una doctora que participó en la vigilia del pasado jueves en la sede del Gobierno, pero que se negó a dar su nombre por miedo a las represalias. “Se suspendieron los concursos, despidieron a colegas, redujeron nuestros sueldos y ahora a la cárcel. Basta de tanta agresión”, decía el letrero. La profesional contó que ahora todo se trata de números, que tiene que atender a más de 30 pacientes por día y que no cuenta con los recursos necesarios.

Reportagem de Soraya Constante