26/04/2011

América Latina: rumo a uma corrida armamentista?

Se você luta pela paz como nós então este é o momento para sair da inércia!


"A América Latina registrou em 2010 o maior aumento de gasto militar, deixando para trás nessa área Oriente Médio e Europa, segundo estudo divulgado Instituto Internacional de Estocolmo de Pesquisa para a Paz (Sipri). O aumento em termos reais foi de 5,8% para a América Latina, contra 5,2% para África, 2,8% para América do Norte, 2,5% para Oriente Médio e 1,4% para Ásia. Na Europa, única região a registrar queda, o gasto militar baixou 2,8% em termos reais no ano passado, em comparação com 2009.
Os mais gastadores da América Latina são Brasil, Chile, Colômbia e Peru. “No Brasil e no Chile, o aumento do gasto militar está associado principalmente às aspirações de uma presença regional e internacional mais forte, mas sem ser, necessariamente, o reflexo de um poderio militar em competição”, disse à IPS a pesquisadora Carina Solmirano, especialista em América Latina do projeto de Gasto Militar do Sipri.
De todo modo, no ano passado a América Latina gastou apenas US$ 63,3 bilhões em questões militares, contra US$ 721 bilhões da América do Norte, US$ 382 bilhões da Europa, US$ 317 bilhões da Ásia, US$ 111 bilhões do Oriente Médio e US$ 30 bilhões da África, de acordo com o Sipri.

O estudo também explica que parte do aumento referente à América Latina se deve ao forte crescimento econômico que a região experimentou nos últimos anos, enquanto em outras regiões os efeitos da recessão econômica mundial fizeram com que o gasto militar caísse em 2010.
A América Latina não enfrenta nenhuma ameaça militar importante e os motivos desse aumento têm de ser procurados em outra parte, disse Carina. Como exemplo, disse que o Brasil busca ativamente um papel de mais destaque na política internacional e uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas. Também é uma potência econômica regional e, em alguns sentidos, o líder da região, acrescentou a especialista.
No Chile, as Forças Armadas se beneficiam do aumento dos ganhos derivados da exportação de cobre, o que explica porque o país pôde adquirir equipamento tão sofisticado nos últimos anos. “Como dizemos no informe, se for eliminada a lei do cobre, é muito provável que comecemos a presenciar uma queda nas importações de armas”, disse Carina.
Segundo a Lei Secreta do Cobre, que agora foi abolida, cerca de 10% dos ganhos com esse metal eram destinados especificamente para a compra de armas. Atualmente, essa lei foi substituída por um novo sistema para financiar a compra de armas, que, provavelmente, seja administrado pelo  ministério das Finanças. Ao contrário do Brasil, o Chile não necessariamente aspira ser uma grande potência mundial, mas, sem dúvida, busca desempenhar um papel regional importante, tanto no campo diplomático quanto no econômico, disse a especialista do Sipri.
Nos casos de Colômbia e Peru, as ameaças à segurança interna levaram os respectivos governos a aumentar o gasto com defesa. O crescimento no gasto militar não tem só a ver com a compra de armas, mas também com a manutenção das Forças Armadas.
Uma característica peculiar do gasto militar na América Latina é que tende a estar dominado pelos fundos destinado ao pessoal, que habitualmente representam entre 50% e 70% do orçamento, afirma o estudo. A Argentina, por exemplo, aumentou em 6,6% seus investimentos militares em 2010, em boa parte devido a aumentos salariais, já que a compra de armas foi muito baixa, afirmou Carina.
De fato, a máquina militar argentina é tão antiquada que alguns especialistas sugerem que é preciso comprar mais armas antes que todos os equipamentos se tornem obsoletos. O Ministério da Defesa da Argentina informou em 2010 que nos próximos anos serão destinados mais fundos para modernizar as Forças Armadas.
Quanto à Venezuela, este país reduziu pelo segundo ano consecutivo seu gasto militar em termos reais, e essa queda está associada à contração econômica do país, segundo Carina. Embora quase todas as economias da América do Sul tenham crescido em 2010, a venezuelana se contraiu. Mas, acrescentou, é muito cedo para dizer que a redução do gasto militar venezuelano continuará no futuro.
À luz da tendência de alta do gasto militar na América Latina, em 2010 houve novos apelos para que haja melhoria na transparência. A Organização de Estados Americanos e a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) se comprometeram a fortalecer os mecanismos existentes em matéria de transparência, como a Convenção Interamericana sobre Aquisições de Armas Convencionais, e para que os Estados-membros informem regularmente seus gastos militares e suas compras de armamento junto ao anual Registro de Armas da ONU.
O estudo do Sipri também diz que alguns países vizinhos na América do Sul assinaram acordos bilaterais para harmonizar a informação sobre seus gastos militares (por exemplo, Equador e Peru, Peru e Chile), como forma de criar confiança e potencializar a transparência. No geral, a maior parte do gasto militar se destina a despesas recorrentes, ou seja, salários e benefícios pagos ao pessoal, e a custos operacionais, disse à IPS o pesquisador Samuel Perlo-Freeman, chefe do Projeto de Gasto Militar no Sipri".


Thaliff DeenEnvolverde-IPS (http://ponto.outraspalavras.net/2011/04/19/dispara-gasto-militar-na-america-latina/)
foto: dicasdomesticas.receitablog.com.br

Lei permite contrato de empresa acusada de escravidão

Leis em excesso não é garantia de eficiência! Pense nisso.


"A legislação brasileira ainda tem brechas que permitem que empresas inscritas na lista suja do trabalho escravo participem de licitações e fechem contratos com a administração pública. Segundo o secretário executivo do Conselho Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae), José Guerra, o que está funcionando são as resoluções do Conselho Monetário Nacional (CNM). A notícia é da Agência Brasil.
“O que temos é o parecer do CMN que proíbe todas as entidades financeiras de emprestar a essas empresas que estão na lista suja. Temos ainda o pacto empresarial, gerido pela OIT [Organização Mundial do Trabalho], Instituto Ethos e a ONG [organização não governamental] Repórter Brasil. Esse pacto tem mais de 150 empresas que se comprometem a não fazer negócios com quem está na lista suja e elas cumprem isso”, disse. Ele citou como exemplo o caso das empresas que deixaram de comprar álcool e açúcar da Usina Gameleira, que entrou para a lista suja.
O presidente da Repórter Brasil, Leonardo Sakamoto, reconhece que a lista é o principal instrumento de combate à exploração do trabalho análogo à escravidão, reforçada com iniciativas do Poder Público, como as resoluções do CMN. Apesar disso, ainda há lacunas em relação a contratos com a administração pública. A Lei 8.666/96, que regulamenta as licitações, não traz referência a empresas ou pessoas físicas denunciadas por manter trabalhadores escravos.
“A brecha não é só na questão do trabalho escravo. A Lei de Licitações deveria considerar impactos sociais, ambientais, trabalhistas e fundiários nas comunidades tradicionais, mas não considera isso. Na prática, considera preço e qualidade. A Lei de Licitações precisa ser reformada”, afirmou Sakamoto.
Ele disse que os estados do Tocantis e Maranhão aprovaram leis para proibir a administração pública de fazer negócios com quem está na lista suja, mas ainda falta a regulamentação dessas leis.
Tramita no Congresso Nacional um projeto de lei que faz alterações na Lei de Licitações, entre elas, a que veda a Administração Pública Federal de firmar contratos com empresas denunciadas por prática de trabalho escravo. O projeto está na Mesa Diretora da Camara dos Deputados".

fonte: http://www.conjur.com.br/2011-abr-25/falha-lei-permite-governo-contrate-empresa-acusada-escravidao
foto: studentlifesandiego.doomby.com

25/04/2011



Acaba de ser publicado na Argentina pelo Editorial Quorum o livro "Reflexiones sobre Derecho Latinoamericano"

Uma obra coordenada professores do curso de doutorado da Faculdade de Direito da Universidade de Buenos Aires, José marco Tayah, Paulo Aragão e Letícia Danielle Romano, com prólogo do também professor Enrique Del Percio(foto esq.), autor entre outros livros de "La condición social - consumo, poder y representación en el capitalismo tardío". Os estudos publicados no livro são em homenagem ao grande humanista e professor Ricardo D. Rabinovich-Berkman (foto dir.).
São 24 artigos sobre o tema em questão e entre os quais temos a honra de revelar que foi incluído o nosso texto "Reflexiones" página 263), já publicado neste blog na íntegra e em português e espanhol. Aliás, um estudo que desde a sua publicação tem recebido dezenas de visitas a cada mês. Por questões editoriais o nosso artigo precisou ser reduzido para publicação, mas como já mencionamos,está disponível na sua totalidade no Ética para Paz. 
O livro foi lançado durante um coquetel em Buenos Aires no bairro da Ricoleta e contou com a presença de nomes ilustres do mundo acadêmico argentino e internacional.
Quem tiver interesse em adquirir o livro "Reflexiones sobre Derecho Latinoamericano" pode entrar em contato por meio do meio email: taniamotasjc@gmail.com e nos iremos viabilizar a aquisição.

Pena não se confunde com vingança coletiva

Entendemos que a sociedade precisa rever de forma urgente sua relação com os detentos e ex-detentos e fazer uma escolha: continuar optando por ações vingativas que não produzem nenhum efeito positivo para a reintegração destes indivíduos nem para a sociedade que tem que conviver com os mesmos. É fundamental uma ação de boa vontade conjunta de todos os setores visando além da capacitação profissional um acompanhamento psicológico destes detentos e de seus familiares para uma reconstrução emocional, mental e psicológica. 

"Discutida a questão das prisões brasileiras, duas posições discordantes surgem, entre muitas outras, quando predomina, na avaliação da matéria, o ângulo do pagador de impostos, de cujo bolso sai a construção de cadeias e a manutenção dos encarcerados.
O assunto perturba a avaliação racional da sociedade. Tome-se, em contraposição, o simbolismo econômico-social do trabalhador comum. Enfrenta a jornada diária de trabalho, com seus encargos de família, mas ganha por mês menos que o custo mensal de manter cada prisioneiro pelo Estado.
Ao lado das questões jurídicas e científicas do penitenciarismo contemporâneo, crescem as da delinquência e do sistema punitivo, no cotejar com a avaliação dos crescentes encargos envolvidos.
A complexidade do combate ao crime, nos três poderes constitucionais, é grande. Vai da elaboração de leis e códigos à sua aplicação prática, com a constante busca de aprimoramento; da vigilância e fiscalização preventivas às investigações e à captura dos delinquentes.
Completa-se no julgamento final, na condenação ou na absolvição. Tudo tem custo para a administração pública e, portanto, para a cidadania. E os custos tendem a aumentar sempre mais.
Devemos ter consciência de que a questão econômica não é a mais importante. A pena é dado fundamental no enfrentamento da criminalidade, mas não se confunde com atos de vingança coletiva.
Compõe os elementos de garantia da sociedade, quando tenha aplicação rápida sem perda da qualidade. Os pedidos da população para o agravamento desmedido das punições não satisfazem o requisito da defesa da comunidade, cuja realização não tem sido assegurada pela administração.

Sabe-se que faltam prisões. O espaço disponível para recolhimento dos condenados é insuficiente. O ritmo da construção de novos presídios, mesmo lento, sai de nosso bolso, por meio de impostos e taxas cada vez mais altos.
Sendo certo que todos pagamos pelo enfrentamento da criminalidade, o assunto não é só dos governos, mas reclama que a comunidade conheça o problema, esteja atenta para o que vem sendo feito e daquilo a se fazer.

As prisões superlotadas de hoje são o oposto do desejável. Não diminuem o custo médio de cada criminoso recolhido. A violência e a promiscuidade estimulam mais delitos. O quadro se completa ao se saber, na teoria e na prática, que a avaliação social das comunidades brasileiras mostra grande descrença nos resultados obtidos pelos três poderes constitucionais.
Os desejáveis resultados não têm surgido. Desse modo, para discutir qual o melhor efeito concreto, com menor gasto operacional, seria bom que houvesse cadeias bem aparelhadas, seguras, aptas à classificação dos tipos de condenados, para sua distribuição ponderada, a ponto de impedir que autores de condutas mais graves, sob penas mais longas, se tornem mestres ou estimuladores de novos criminosos.
Se o Judiciário tivesse condições administrativas e humanas de ser menos lento, seria afastada a quase certeza de que apenas uns poucos são condenados e levados a cumprir condenações, raramente em prazo integral.
Ressalvado que o problema não é apenas brasileiro, a distância entre as providências necessárias e o mínimo exigido a curto prazo parece imensa".

*Artigo publicado originalmente no jornal Folha de S. Paulo, neste sábado (23/4) de Walter Ceneviva.
foto: melissansmesuasaventuras.blogspot.com

24/04/2011

Feliz Páscoa!




Diz certa lenda, que estavam duas crianças patinando num lago congelado. 
Era uma tarde nublada e fria e as crianças brincavam despreocupadas. 
De repente, o gelo se quebrou e uma delas caiu, ficando presa na fenda que se formou. 
A outra, vendo seu amiguinho preso e se congelando, tirou um dos patins e começou a golpear o gelo com todas as suas forças, conseguindo por fim quebrá-lo e libertar o amigo. 
Quando os bombeiros chegaram e viram o que havia acontecido, perguntaram ao menino: 
- Como você conseguiu fazer isso? É impossível que tenha conseguido quebrar o gelo, sendo tão pequeno e com mãos tão frágeis! 
Nesse instante, um ancião que passava pelo local, comentou: 
- Eu sei como ele conseguiu. 
Todos perguntaram: 
- Pode nos dizer como ?!.... 
- É simples - respondeu o velho - Não havia ninguém ao seu redor, para lhe dizer que não seria capaz.


foto: frederico2010.blogspot.com

23/04/2011

Uma mesa para 9 bilhões

Enquanto a carestia dos alimentos é prioridade na agenda das reuniões anuais de primavera do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, alguns analistas já se perguntam como faremos em 2050 para dar de comer a uma população mundial de 8,9 bilhões. A maioria dessas pessoas vivendo em países em desenvolvimento.
“As pessoas pobres são as que mais sofrem e as que mais podem cair na pobreza devido à alta e à volatilidade dos preços dos alimentos”, disse, no dia 14, o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick. Somente desde junho, 44 milhões de pessoas já foram empurradas para a pobreza devido à carestia dos alimentos, acrescentou. “Devemos dar prioridade aos alimentos e proteger os pobres e vulneráveis, que gastam a maior parte de seu dinheiro em alimentos”, enfatizou Zoellick.
Embora nesta ocasião tenha apontado a carestia dos alimentos como “a maior ameaça aos pobres em todo o mundo”, a escassez mundial de alimentos ainda não é um problema para a população mundial, que – se espera – deverá superar os sete bilhões de pessoas este ano. Entretanto, vários analistas afirmam que a demanda por alimentos, originada não só por haver mais bocas a alimentar, como também pelo aumento da renda nas economias emergentes, superarão a produção agrícola nas próximas décadas.
“A comida não escasseia no mundo de hoje”, disse Hafez Ghanem, diretor-geral adjunto da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), encarregado do Departamento de Desenvolvimento Econômico e Social. Porém, “a demanda geral está crescendo cerca de 2%, enquanto os rendimentos crescem 1%”, acrescentou.
Com uma projeção para 2050, “quando a população mundial terá aumentando em cerca de dois bilhões de pessoas, o que implica que a demanda de alimentos será 70% maior do que a atual, isto se torna mais problemático e a necessidade de fazer algo agora se torna mais óbvia”, disse Zoellick em um debate organizado na semana passada pelo Carnegie Endowment for International Peace.
A urgência de “fazer algo” se intensifica, especialmente no mundo em desenvolvimento, onde entre 30% e 80% da renda é gasta com comida, o que evidencia a extrema vulnerabilidade aos preços altos. Ali vive a maior parte dos dois bilhões de subnutridos e um bilhão dos famintos de hoje. E também ali a insegurança alimentar é moeda corrente. Os analistas preveem que, até 2050, nessas áreas terão nascido entre dois bilhões e três bilhões de pessoas.
Ao mesmo tempo, se prevê que muitas economias emergentes, como China e Índia, contarão com um bilhão a mais de habitantes cada uma. Isto multiplicará a demanda de alimentos, segundo os especialistas, porque as famílias mais abastadas tendem a comer mais proteínas, e, inclusive, é necessário alimentar esses animais que depois acabarão em suas mesas.
Atualmente, os especialistas já estimam que cerca de 35% dos grãos do mundo são destinados a alimentar animais. Além disso, a continuada urbanização nas próximas décadas afastará a população do setor agrícola, o que tornará mais complexa a demanda por alimentos. Para satisfazê-la, os analistas consideram que a produção mundial de alimentos precisará duplicar nos próximos 40 anos.
No entanto, há muitos obstáculos no caminho até 2050. Entre eles, a crescente incidência, causada pela mudança climática, de fenômenos meteorológicos que destroem cultivos, a previsão de que haverá menos água para a agricultura devido à maior demanda para beber, a falta de diversidade agrícola em alguns lugares, maior suscetibilidade às pragas que devastam cultivos e uma quantidade limitada de terra arável no mundo, ao lado de uma maior consciência sobre os problemas que representa o desmatamento com fins agrícolas.
Segundo alguns especialistas, também é um fator limitante a existência de políticas governamentais que desestimulam os investimentos na agricultura para o consumo, como as que têm como objetivo a elaboração de biocombustíveis, o que faz com que os cultivos não sejam destinados à alimentação. Outros elementos mencionados são tarifas alfandegárias e subsídios que favorecem a produção das economias avançadas, desestimulando os países em desenvolvimento – que são os mais vulneráveis à insegurança alimentar e à carestia dos alimentos –, a priorizar a agricultura em seus territórios.
Embora não haja soluções rápidas, para impedir uma catástrofe, é preciso voltar a priorizar a agricultura para impulsionar a produção de alimentos, dizem os especialistas. “Investe-se o suficiente, mas os recursos não serão suficientes para alimentar todos no mundo em 2050”, disse Ghanem. Mas os números absolutos do fornecimento alimentar são apenas um aspecto da nutrição da população mundial. Uma preocupação mais grave do que a produção é o consumo: como e que tipo de alimentos serão distribuídos para os futuros nove bilhões de habitantes do mundo.
“Estamos falando do plano mundial. Há certas regiões que não poderão alimentar a si mesmas em 2050, regiões com populações enormes, como Ásia meridional, Oriente Médio e Norte da África”, disse Ghanem. No mesmo debate, Will Martin, pesquisador do Banco Mundial para temas de agricultura e desenvolvimento rural, disse: “Pensar no acesso das pessoas aos alimentos e na qualidade dos alimentos que consomem é mais fundamental do que pensar na quantidade total disponível”. Mesmo agora, tanto as populações com carência como com excesso de alimentos são particularmente preocupantes, com seus efeitos sobre a saúde, como raquitismo e inanição, por um lado, e diabetes e doenças cardíacas, por outro.
Isto somente enfatiza a importância dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento, com a esperança de gerar uma “nova revolução verde”, com cultivos fortificados com nutrientes e multiplicação de rendimentos em meados deste século, insistem otimistas especialistas em tecnologia. De todo modo, tão ou mais imperativo é a necessidade de tonar mais igualitária a distribuição dos alimentos, com um comércio que favoreça os pobres e um fortalecimento das redes de segurança social, bem com repensar as práticas de assistência alimentar dos doadores e aumentar seus vínculos Sul-Sul. (Envolverde/IPS)


fonte: http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17704

foto: mnjardim.multiply.com

Pescadores sofrem com tragédia ambiental no Golfo do México



Os quase 5 milhões de barris de petróleo que se espalharam pelo Golfo do México no ano passado em decorrência da explosão em uma plataforma da gigante petrolífera britânica BP podem ter saído das pautas dos jornais, mas não das vidas das pessoas afetadas. Na quinta-feira última, menos de uma semana antes do primeiro aniversário do início do vazamento na plataforma Deepwater Horizon, ativistas aproveitaram a primeira reunião de acionistas da BP em Londres desde o acidente para verbalizar suas angústias e cobrar ações mais rápidas e profundas da companhia.
“Alguns dos nossos pescadores não tiveram mais nenhuma receita desde derramamento de petróleo”, justificou Byron Encalade, da associação dos produtores de ostras de Louisiana, que viajou para a Inglaterra especialmente para o evento. “Nossas regiões de pesca estão esvaziadas, nossas ostras estão mortas e nós não estamos recebendo os fundos necessários para nosso sustento”, afirmou o pescador norte-americano. “Pela primeira vez na vida eu vejo pescadores terem que tomar pílula para dormir”.
Alguns ativistas chegaram a adquirir ações da empresa para tentar obter acesso à reunião e poder se manifestar, mas foi do lado de fora, fazendo barulho com instrumentos de percussão e sopro, carregando cartazes e faixas, que ganharam as páginas dos jornais e minutos nos noticiários noturnos.
“Eu vim lá da região da Costa do Golfo. Minha comunidade se foi e não me deixam entrar [na reunião]”, disse Diane Wilson, uma ativista que tentou acessar a sala onde acionistas ouviam da empresa os números do ano passado, quando aproximadamente 25% do valor de mercado da BP se perdeu devido ao acidente. Apesar de ter ações da empresa, o acesso lhe foi negado sob alegação de que ela – parte da quarta geração de uma família de pescadores – poderia representar um risco para os outros acionistas. Para chamar a atenção dos fotógrafos, ela espalhou pelo rosto e nas mãos um líquido preto e viscoso, como se fosse petróleo. “É a única linguagem que eles entendem”. No ano passado, ela já havia feito um movimento semelhante, na mesma sala em que o então presidente da BP testemunhava a uma comissão do Congresso dos EUA.
Entre as pessoas que conseguiram acessar a reunião, um grupo de dez ambientalistas canadenses, cada um vestindo uma camiseta com uma letra diferente e que juntas formariam a frase “no tar sands”, uma referência à exploração de petróleo nas areias betuminosas canadenses. Espalhados em locais diferentes da sala, eles planejavam levantar-se, formar uma fila e revelar o conteúdo das camisetas de modo que a mensagem fosse passada aos acionistas. A ação de seguranças porém impediu o movimento e eles foram retirados da sala antes que pudessem completar a ação.
Um fundo de 20 bilhões de dólares foi criado pela empresa para compensar os atingidos pelo vazamento de petróleo. Uma reportagem do The Independent publicada neste sábado revela que mais de meio milhão de pedidos de compensação já chegaram ao escritório que gerencia esse fundo nos EUA.
“Temos visto dinheiro indo a todos os lugares, menos para as comunidades no centro disso tudo. E nós somos essas comunidades, os primeiros a ficar sem trabalho e seremos os últimos a ter de volta os nossos trabalhos e sustentos”, criticou Encalade.
“ Queremos ter a certeza de que o petróleo, que ainda está no fundo do oceano, e os químicos dispersantes, que ainda estão na água, não serão esquecidos”, disse Antonia Juhasz, diretora do programa de energia do Global Exchange e autora do livro “Black Tide: The Devastating Impact of the Gulf Oil Spill”. “Essa é uma história que deve servir de alerta para outros investimentos da BP, como as areias betuminosas. Isso é o que acontece quando uma empresa de petróleo opera irresponsavelmente em um meio tecnicamente complicado e ecologicamente sensível”.
O vazamento do Golfo do México no ano passado durou quase três meses e foi o maior da história da indústria.


texto de Wilson Sobrinho, correspondente da Carta Maior em Londres (http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17695&boletim_id=893&componente_id=14522)

foto: aguaatquando.blogspot.com

22/04/2011

Uma Páscoa em paz!


Uma lição de vida que vem do Japão, país devastado recentemente por uma tragédia natural e que está tentando se recuperar. Vamos fazer desta Páscoa algo mais do que a simples troca de chocolates. Vamos orar pela paz e para que haja compaixão entre os seres humanos.


Dez coisas a serem aprendidas com o Japão


1 – A CALMA

Nenhuma imagem de gente se lamentando, gritando e reclamando que  “havia perdido tudo”. A tristeza por si só já bastava.



2 – A DIGNIDADE

Filas disciplinadas para água e comida. Nenhuma palavra dura e nenhum gesto de desagravo.



3 – A HABILIDADE

Arquitetos fantásticos, por exemplo. Os prédios balançaram, mas não caíram.



4 – A SOLIDARIEDADE

As pessoas compravam somente o que realmente necessitavam no momento. Assim todos poderiam comprar alguma coisa.



5 – A ORDEM

Nenhum saque a lojas. Sem buzinaço e tráfego pesado nas estradas. Apenas compreensão.



6 – O SACRIFÍCIO

Cinquenta trabalhadores ficaram para bombear água do mar para os reatores da usina de Fukushima. Como poderão ser recompensados?



7 – A TERNURA

Os restaurantes cortaram pela metade seus preços. Caixas eletrônicos deixados sem qualquer tipo de vigilância. Os fortes cuidavam dos fracos.



8 – O TREINAMENTO

Velhos e jovens, todos sabiam o que fazer e fizeram exatamente o que lhes foi ensinado.



9 – A IMPRENSA

Mostraram enorme discrição nos boletins de notícias. Nada de reportagens sensacionalistas com repórteres imbecis. Apenas calmas reportagens dos fatos.



10 – A CONSCIÊNCIA

Quando a energia acabava em uma loja, as pessoas recolocavam as mercadorias nas prateleiras e saiam calmamente.
Adicionado ontem

fonte do texto e da foto: Fernando Loch