18/01/2011

Modelo português poderia servir ao Brasil


O controle prévio de constitucionalidade, adotado em Portugal, poderia ser uma boa solução para problemas enfrentados pelos brasileiros. A opinião é do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, que comentou a entrevista do presidente do Tribunal Constitucional de Portugal, Rui Manuel Gens de Moura Ramos, publicada pela ConJur neste domingo (16/1).
Toffoli chamou atenção para a parte da entrevista em que Moura Ramos diz que o presidente de Portugal, antes de sancionar uma lei aprovada pelo Parlamento, pode questioná-la na Corte Constitucional. O controle de leis antes da sanção presidencial, o chamado controle prévio, é defendido pelo ministro brasileiro em dois casos: normas tributárias e leis sobre remuneração de servidor — neste caso porque faz com que muitos aposentados ou funcionários de outras carreiras peçam equiparação.
"Estas duas espécies de leis, editadas em todos os entes da federação (União, estados, Distrito Federal e municípios), são as mais questionadas quanto à constitucionalidade. Evitaríamos inúmeras ações se o STF já pudesse definir sua validade", declarou Dias Toffoli.
O ponto da entrevista, contudo, que mais causou polêmica foi a afirmação de Moura Ramos de que sociedade deve ficar do lado de fora do tribunal enquanto os julgadores formam o seu entendimento. "A sociedade não compreenderia que o juiz se afastasse do seu papel de aplicador da lei para se basear na opinião dela", disse o presidente da corte portuguesa, que ainda expressou a singularidade da experiência brasileira de transmitir pela telvisão as sessões do Supremo: "A TV Justiça é uma experiência do Brasil que não critico, mas julgo que no universo europeu estamos longe disso ainda".
No Brasil, é difícil encontrar quem compartilhe a opinião de Moura Ramos. Aqui, acredita-se que a abertura dos julgamentos é uma forma de o Judiciário prestar contas com a sociedade e de se tornar mais próximo do cidadão. A publicidade dos julgamentos no país é uma conquista da democracia, dizem operadores do Direito.
"A sociedade cobra mais que transparência. Ela quer das instituições também a responsabilidade de suas decisões políticas e jurídicas", afirma o juiz Bruno Terra, presidente da Associação dos Magistrados Mineiros. Segundo ele, os julgamentos só podem acontecer de duas formas: ou com as portas dos tribunais abertas ou em segredo de Justiça, quando o assunto envolve segurança do Estado, por exemplo. A experiência brasileira optou por torná-los todos públicos, à exceção de alguns casos. E encontrou em canais de comunicação como a TV Justiça uma grande aliada. Para Terra, características do Brasil levaram à escolha. "O Brasil é um país de extensão continental, com uma população enorme. Talvez, se os julgamentos não fossem públicos, as pessoas nem ficariam sabendo o que os tribunais decidiram", explica.
O ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal, diz que é preciso respeitar as diferentes realidades. "Elas ditam a natureza das nossas instituições", explica e acrescenta: "a publicidade no Brasil é importante porque viabiliza que os trabalhos do Supremo sejam conhecidos pelo cidadão. Assim, nós conseguimos conquistar nosso objetivo, que é a eficiência".
Marco Aurélio comentou o trecho da entrevista em que o português Moura Ramos diz que as decisões da corte que preside não são tomadas com tanta paixão, já que não analisa casos concretos, apenas se a lei afronta a Constituição do país. O ministro brasileiro não acredita que o Supremo atue com paixão. "O STF não é engajado em nenhuma política governamental. Os processos lá analisados não possuem capa. Possuem apenas conteúdo", afirma.
O ministro do Supremo diz ser contra qualquer forma de uniformização de modelos de Judiciário. Como ele lembra, o modelo brasileiro sofreu uma considerável influência da Constituição dos Estados Unidos. Uma dessas heranças foi a instituição de cargos vitalícios para os ministros. "É uma vitaliciedade relativa", explica Marco Aurélio de Mello, "já que os ministros se aposentam aos 70 anos. As cadeiras vitalícias existem pra preservar a independência".
Na entrevista, Moura Ramos destacou as diferenças na forma de indicação dos ministros da Corte Constitucional em Portugal. Dos 13 membros da corte, 10 são escolhidos pelo Parlamento e os outros três pelos próprios integrantes do tribunal. Além disso, os juizes têm mandato de nove anos.
O presidente da seccional gaúcha da Ordem dos Advogados, Cláudio Lamachia lembra que a influência política se manifesta desde a indicação de ministros para o Supremo Tribunal Federal pelo presidente da República. Para ele, outras formas de indicação deveriam ser usadas, como a formação de listas do quinto constitucional. Apesar da influência, acredita que quanto mais transparência, melhor.
Nelson Calandra, presidente da Associação dos Magistrados do Brasil, diz que "a publicidade dos julgamentos é importante para as decisões importantes". Para o desembargador, a atuação do Supremo no Brasil a portas abertas é justificável quando lembramos que o país viveu um longo período sem democracia plena. "A realidade de Portugal é adequada para o país, enquanto a nossa foi pensada para um país democrático e republicano."
Para o presidente da AMB, "o STF sintetiza características de Corte Constitucional com Suprema Corte de Justiça". Por isso, o perfil funciona e é "adequado para enfrentar os problemas do país".
Na entrevista à ConJur, o presidente da Corte Constitucional de Portugal Moura Ramos disse que é contra a criação da Defensoria Pública no país, à semelhança da que existe no Brasil. "O Estado português já tem muitas instituições e, neste momento, não tem estrutura para a criação de um novo órgão. Aqui já existe uma assistência judiciária para quem não pode pagar advogado, que é gerida pela Ordem dos Advogados", disse.
Calandra é defensor do órgão. "A Defensoria é uma ferramenta democrática que funciona em nosso sistema republicano", opina. O ministro Marco Aurélio de Mello entende ser a instituição primordial para a realidade brasileira. "Essa assistência está prevista para aqueles que não têm como pagar nem o próprio sustento. Apesar de estruturada há pouco tempo, a Defensoria vem conseguindo dar conta de suas atribuições", finaliza.

imagem: netconsumo.com

17/01/2011

As vítimas do estado de São Paulo

Embora em proporções menores se compararmos com o que ocorreu na região serrana do Rio de Janeiro, as chuvas também deixaram seu rastro de destruição em algumas cidades do interior de São Paulo. Saiba mais:

As vítimas de São Paulo

A Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo encaminhou aproximadamente uma tonelada e meia de medicamentos para Franco da Rocha, que enfrenta sérios problemas por causa da enchente que inundou o centro da cidade esta semana. Situada a 45 quilômetros da capital paulista, a cidade ainda está com as ruas centrais alagadas por causa das fortes chuvas.
Serão enviados cerca de 700 mil medicamentos, como antitérmicos, analgésicos, antiinflamatórios, xaropes e pomadas, além de sais para hidratação. O lote, segundo a secretaria, é suficiente para abastecer a cidade ao longo dos próximos três meses. O Estado também irá encaminhar ao município 6.000 garrafas de água sanitária para desinfecção de residências, utensílios domésticos e alimentos.

A secretaria informou que o telefone 0800-55-54-66, do Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado (CVE), está à disposição para tirar dúvidas da população sobre os riscos que a água da enchente traz à saúde e sintomas de doenças relacionadas. Serão distribuídos ainda cerca de 10 mil folhetos com orientações sobre cuidados com a saúde para evitar doenças infectocontagiosas.

A Defesa Civil da capital paulista recebe também donativos em geral na Rua Afonso Pena, 130, no Bom Retiro, em qualquer horário. Não são aceitos alimentos perecíveis.

A Cruz Vermelha também recebe doações para os afetados pelas chuvas no Estado de São Paulo. Os materiais podem ser entregues na sede da organização na capital paulista, na avenida Moreira Guimarães, 699, Indianópolis (próximo ao aeroporto de Congonhas). O local funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h. Mais informações pelo telefone 0/xx/11/5056-8667 ou e-mail voluntariado@cvbsp.org.br.

Em Atibaia, na região metropolitana de São Paulo, o Fundo Social de Solidariedade recebe doações na rua Adolfo André, 1.055, no centro. São pedidos alimentos, material de limpeza e produtos de higiene.

14/01/2011

Muito importante

Todos as vítimas das chuvas podem (e devem ) recorrer ao Procom, ao Decom e ao Judiciário para pedir reparação de danos. Para isso o primeiro passo é registrar um boletim de ocorrência com todas as informações e se possível apresentar fotografias e documentos dos pertences perdidos.


Culpar o volume de chuva pela tragédia que se abateu sobre a região serrana do estado do Rio de Janeiro é tão inócuo quanto limitar a responsabilidade de prevenção ao poder público. Todos que integram uma sociedade têm seu papel na construção e também na sua destruição. Cada um precisa ser responsável de acordo com o poder que representa para o todo. Por isso, neste momento enquanto me desloco para Petrópolis para ajudar familiares e quem mais for possível auxiliar de alguma maneira, peço que esta tragédia não se torne em breve apenas um registro histórico da maior catástrofe ambiental que aconteceu no Brasil. Que os políticos deixem a demagogia de lado e assumam (mesmo a custa de votos) que as encostas não podem ser ocupadas de forma alguma e que quando isto acontece a natureza mais cedo ou mais tarde vem cobrar o preço desta ação. Que os empresários zelem de fato pela segurança de seus funcionários. Que a população assuma seu papel de cidadão e cobre do poder público o cumprimento da Constituição brasileira que garante o direito à vida a todos os brasileiros. Que o Brasil pare de começar os anos sempre contando seus mortos.
Para os nossos visitantes do exterior um aviso importante: a direita do blog tem um link para tradução que deve ser usado para facilitar a leitura de todas as postagens publicadas. Além disso, se quiserem saber mais sobre o que aconteceu na região serrana do estado do Rio de Janeiro, alguns sites que valem a pena visitar são os seguintes:







imagem: http://barbirezende.blogspot.com/2011/01/voltei-em-dia-de-tragedia.html

Locais para fazer doações para as vítimas das chuvas

A partir de hoje o Ética para Paz publica os locais em vários estados brasileiros onde a população poderá ajudar as vítimas das chuvas na região serrana do Rio de Janeiro, a maior tragédia ambiental que ocorreu até hoje no Brasil e os números das contas e agências bancárias para quem quiser fazer doações em dinheiro. Começamos com o Rio de Janeiro:

Locais que já estão recebendo doações:

Cruz Vermelha - Praça da Cruz Vermelha, 10 – Centro do Rio.
Prefeitura de Petrópolis – Igreja Wesleyana; Igreja de Santa Luzia; Sede da Secretaria de Trabalho, Ação Social e Cidadania.
Prefeitura de Teresópolis – Ginásio Pedrão – Rua Tenente Luiz Meirelles, 211 – Várzea.
Rodovia BR-040 - Concer - Praças de pedágio da BR-040 situadas em Duque de Caxias (km 104), Areal (km 45) e Simão Pereira (km 816), além da sede da empresa (km 110/JF, em Caxias).
HemoRio – Rua Frei Caneca, 8 – Centro do Rio – Das 7h às 18h.
Maracanãzinho - Rua Professor Eurico Rabelo, s/n
Caio Martins - Rua Presidente Backer, s/n, Icaraí, Niterói
Flamengo - Avenida Borges de Medeiros, 997 - Lagoa
Supermercados – Grupo Pão de Açúcar
Barra da Tijuca
AIB  - Associação de Imprensa da Barra – (Recepção do Ed. Blue Chip); 
ACIR - Associação Comercial e Industrial do Recreio e Vargens;
AMOR – Associação de moradores do Recreio;
1ª Cia de Policiamento da Barra da Tijuca;
AMAVAG – Associação de moradores das Vargens;
LIONS Clube do Recreio;
ABM – Associação de Condomínios do Bosque Marapendi.
Polícia Rodoviária Federal:
BR-116: KM 133 (Doações 24 horas)
BR-101: KM 269 (Doações 24 horas)
BR-040: KM 109 (Doações das 8h às 17h)
BR-116: KM 227 (Doações das 8h às 17h)
Rodoviária Novo Rio - Avenida Francisco Bicalho, 1 - Santo Cristo.
Polícia Militar - Todos os batalhões da Polícia Militar do estado serão centros de recepção de doações.
Ceperj - Avenida Carlos Peixoto, 54, na Sala Djanira, térreo, Botafogo, no Rio, de 10 às 16h, nos dias úteis.
Niterói - Terminal Rodoviário Presidente João Goulart - Rua Visconde do Rio Branco, s/n, no Centro, das 8h às 17h, de segunda a sexta-feira.
Ipem - Rua Joaquim da Costa Ribeiro, 31, no Centro de Niterói.
Center Shopping Rio - Avenida Geremário Dantas, 404, Jacarepaguá.
CCR Ponte - Praça do Pedágio, sentido Niterói.
Hortifruti - Todas as lojas da rede receberão donativos.
CasaShopping - Avenida Ayrton Senna 2150, Barra da Tijuca – Telefone: 2108-8080 - de segunda a sábado, de 8 às 22h, e aos domingos e feriados de 15 às 21h. 
Unisuam - Todas as unidades serão pontos de coleta:
Bonsucesso (Av. Paris, 72) e Campo Grande (Rua Campo Grande, 1.508) - de segunda a sexta, das 8h às 21h
Bangu (Rua Fonseca, 240), Vila da Penha (Av. Braz de Pina, 1.744), e Jacarepaguá (Rua Apiacás, 320) -  das 15h às 21h
Shopping Plaza Macaé - Avenida Aluisio da Silva Gomes, 800, Granja dos Cavaleiros - Macaé
Shopping Leblon - Avenida Afrânio de Melo Franco, 290.
Barra Shopping - Avenida das Américas, nº 4666, Barra da Tijuca. As doações devem ser feitas no Conciérge do shopping, que fica em frente à C&A do Nível Américas, na altura da entrada C ou no Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC), durante o horário de funcionamento do shopping.
Unigranrio - Todas as unidades da universidade receberão doações.
Campus I - Anexo General Canabarro - Rua General Canabarro, 165, bairro 25 de Agosto, Duque de Caxias. Tels: 0800.2820-007 e (21) 2672.3803.
Campus I - Rua professor José de Souza Herdy, 1.160, bairro 25 de Agosto, Duque de Caxias. Tels: 0800.2820-007 e (21) 2672.7777.
Campus Lapa - Rua da Lapa, 86, Centro do Rio de Janeiro. Tels: 0800.2820-007, (21) 2531.8712 e 2531.8688.
Campus Silva Jardim - Rodovia BR 101, Km 244, Imbaú. Tels: 0800.2820-007, (22) 2668.8052 e 2668.8058.
Campus Magé - Av. João Valério, 654, Centro de Magé. Tels: 0800.2820-007, (21) 2633.1204 e 2633.1197.
Campus São João de Meriti - Rua da Matriz, 204, Centro. Tels: 0800.2820-007, (21) 2656.9653 e 2696.5131.
Unidade Barra da Tijuca - Av. Ayrton Senna, 3.383. Tels: 0800.2820-007 e (21) 3329.2005.
Unidade Carioca - Av. Vicente de Carvalho, 909, RJ. Tels: 0800.2820-007, (21) 3688.2414 e 3688.2413.
Unidade Casemiro de Abreu - Rua Cel. João Teles, 250, Centro de Duque de Caxias, RJ. Tels: 0800.2820-007 e (21) 2652.2422.
Unidade Macaé - Av. Nossa Senhora da Glória, 845, Praia Campista, RJ. Tels: 0800.2820-007, (22) 2773.3238 e 2765.1896.
Unidade Santa Cruz da Serra - Av. Automóvel Clube, 48, 2º andar, Duque de Caxias, RJ. Tels: 0800.2820-007, (21) 3658.6890 e 3658.6891.
Unidade Nova Iguaçu/Instituto Iguaçuano – Rua Cel. Bernardino de Melo, 1.771, Centro. Tel: (21) 2667.1702.
São João de Meriti:
Secretaria Municipal de Promoção Social- Avenida Presidente Lincoln, 899- térreo, em Vilar dos Teles
Centro de Assistência Social (Cras) de Éden- Rua Ana Brito da Silva, 2470, em Éden
Centro de Assistência Social (Cras) de Jardim Íris- Rua Copacabana, 50, em Jardim Íris
Centro de Assistência Social (Cras) de Vila São José- Avenida Comendador Teles, 3199, na Vila São José
Centro de Referência da Assistência Social (Creas) de Vilar dos Teles- Rua Aldenor Ribeiro, 125, sala 02-Shopping dos Jeans
CET-Meriti-Avenida Automóvel Clube, 1785-Parque Jardim Bonifácio
Meriti-Previ-Rua Defensor Público Zilmar Pinaud, 220, em Jardim Meriti
Duque de Caxias
CRAS Beira Mar - Rua Francisco Alves, s/n – Parque Beira Mar - 8 às 16h (segunda a sexta)  e sábado e domingo (9h às 13h)
CRAS Jardim Gramacho - Avenida Monte Castelo, 996 – Jd. Gramacho
CRAS Lagunas e Dourados - Rua Major Thomaz Gonçalves (Próximo ao CIEP Lírio do Laguna)
CRAS Pilar (em frente ao Renascer) - Avenida Presidente Kennedy LT  10 QD 43 - Pilar
CRAS Figueira - Rodovia Washington Luis s/n
CRAS Imbariê - Avenida Feliciano Sodré s/n (Prédio da antiga Delegacia)
PRAÇAS (segunda a sexta-feira, das 9h às 17h, sábado e domingo, das 9h às 13h)
Pacificador – Centro de Duque de Caxias
Mantiquira – Xerém
Imbariê – Imbariê
Rua Dois – Jardim  Primavera
Secretaria Municipal de Esporte e Lazer: Rua Garibaldi, s/nº, bairro 25 de Agosto, a partir do dia 17, das 9h às 17h.
Sede da Fundec: Av. Brigadeiro Lima e Silva nº 131, Parque Duque de Caxias, de segunda a domingo, das 9h às 17h.
Forró na Feira: Avenida Presidente Vargas (Estação de Trem), sábado das 19h até as 2 da manhã, e domingo, das 11h às 20h.
Campanha para ajudar os animais desabrigados
POSTOS DE COLETA - ração, medicamentos, caminhas, jornais e etc ...
Flamengo - Distribuidora Costa Leivas - Rua Correa Dutra, 99, lj. 05
Méier - Carla Bello: 8829-9026
Copacabana - Lojas Bicho Bacana,Rua Santa Clara, 110 e Rua Paula Freitas 61
Botafogo - Patas & Penas -  Rua Voluntários da Pátria, 374 
Urca: Patas & Penas - Rua Marechal Cantuária, 70 - loja B 
Norteshopping - Patas & Penas - Rua Dom Hélder Câmara, 1º piso
Gávea  - Loja Pet Gávea - Rua Marquês de São Vicente, 07 
Barra da Tijuca - Loja Áquário Pet Barra - Avenida Ayrton Senna, 3383 - loja 149 

As doações em dinheiro podem ser feitas para as seguintes contas:

Conta da Defesa Civil – RJ

Banco: Caixa Econômica Federal
Agência: 0199
Operação: 006
Conta: 2011-0

Banco do Brasil

Teresóplis
Agência: 0741-2
Conta: 110000-9

Nova Friburgo
Agência:0335-2
Conta: 120000-3

Petrópolis
Agência:0080-9
Conta: 76000-5


imagem: newtonalexandria.blogspot.com

13/01/2011

A tragédia se repete

Nossa total solidariedade as vítimas das chuvas que devastaram a região serrana do estado do Rio de Janeiro e também de outras partes do país, inclusive São José dos Campos (SP), cidade onde vivo, que teve cinco vítimas fatais.
O governo federal irá repassar quase 800 milhões de reais como ajuda emergencial, no entanto, infelizmente, notícias como esta que vamos postar hoje, nos deixam incrédulos quanto ao amparo que de fato recebem as vítimas das tragédias ambientais.

Um ano após terremoto, situação do Haiti não melhorou

Sentada em frente à barraca que divide com o marido e os dois filhos na favela de Cité Soleil, em Porto Príncipe, a haitiana Clara Morézile, 19 anos, espera o sol baixar. "Ele não aguenta o calor dentro da lona e começa a chorar", diz, enquanto segura no colo o filho mais novo, Weindi, de um mês de idade.

Clara diz que quando ficou grávida, logo após o terremoto de 12 de janeiro de 2010, não imaginava que, um ano depois, ainda estaria vivendo em um acampamento de desabrigados.

No entanto, assim como mais de 1 milhão de haitianos que tiveram suas casas destruídas no desastre, ela segue morando em uma tenda e não vê perspectivas de mudança. O terremoto destruiu a já precária infra-estrutura do país e deixou cerca de 230 mil mortos.

Apesar da comoção internacional logo após a tragédia, o governo haitiano reclama que pouco do dinheiro prometido chegou ao país, e as ruas da capital seguem tomadas por barracas.

Segundo dados da missão da ONU no Haiti (Minustah), ainda há cerca de 1.300 acampamentos para desabrigados pelo terremoto, com um total de 1,2 milhão de pessoas.

Logo após o tremor, a Minustah havia estimado em 1,5 milhão o total de desabrigados. Segundo relatório da ONG internacional Oxfam, apenas 15% das moradias permanentes ou temporárias necessárias para abrigar esse contingente foi concluído.

Um grupo de países doadores, entre eles o Brasil, estabeleceu em março passado um fundo internacional com um caixa de US$ 5,3 bilhões, a serem gastos até o final de 2011. O governo haitiano calcula que a reconstrução do país, no longo prazo, deverá custar US$ 11,5 bilhões.

Serviços

As tendas estão por todos os lados, inclusive no centro da cidade, em frente ao palácio presidencial, que permanece em ruínas, como um símbolo da tragédia. Segundo moradores e líderes comunitários, em vez de diminuir, a população dos acampamentos tem aumentado.

Sem poder pagar os altos preços dos aluguéis, que triplicaram depois que o terremoto destruiu a maioria das casas da cidade, mais e mais haitianos acabam obrigados a viver em tendas.

Assim como na maioria dos acampamentos surgidos após o terremoto, as barracas em Cité Soleil foram erguidas aos poucos, sem planejamento, e os moradores reclamam da falta de serviços básicos.

Dea cordo com o Opera Mundi, prova da inércia percebida na reconstrução está na quantidade de entulho que permanece espalhada pelas ruas do país. De acordo com levantamento feito pela ONG britânica Oxfam, somente 5% dos escombros foram retirados no Haiti. O documento destacou que quase um milhão de pessoas ainda vive em tendas ou nos escombros da cidade; e que estas pessoas ainda não sabem quando podem voltar pra casa.

Somente os escombros que antes ocupavam as principais vias de Porto Príncipe foram retirados pelas autoridades, porém, em algumas zonas da cidade, ainda há edifícios derrubados e áreas que não foram limpas.

Clara conta que quando chegou a hora de seu filho nascer, teve de ser carregada nos braços pela mãe e uma vizinha até o hospital mais próximo.  "É difícil. Não recebemos nenhum serviço de saúde", diz.

As ruelas entre as barracas estão tomadas por lixo. Não há eletricidade, e nem sempre há água potável.  Nem todos os moradores usam os banheiros químicos instalados no acampamento, e muitos depositam os dejetos em valas a céu aberto.

Sem ajuda

Na barraca vizinha à de Clara, Filomène Estima, 30 anos, reclama da falta de dinheiro para alimentar os quatro filhos, o irmão e a irmã, cega. "Não recebo ajuda de ninguém. Se consigo dinheiro, as crianças têm o que comer. Nos dias que não consigo, ficam sem nada", diz.

O marido de Filomène morreu no terremoto. "Uma casa caiu sobre ele." O apartamento alugado em que viviam foi destruído. Ela diz que tinha um pequeno comércio, mas não conseguiu mais trabalho depois do terremoto.

No mês passado, o filho mais novo, de cinco anos, teve cólera, doença que já matou mais de 3 mil haitianos desde outubro. O menino se recuperou, mas Filomène ainda tem medo.  "As pessoas têm medo, principalmente se vivem em um lugar infestado de doenças como este", afirma.

"Quando vim para cá, não imaginava que ficaria tanto tempo. Achava que, depois de um ano, já estaria de volta a uma casa normal. Mas continuo aqui", diz.

Abandono

Ao norte de Porto Príncipe, o acampamento de Jerusalém é o retrato do abandono em que vivem boa parte dos desabrigados. "Ninguém olha para nós", diz Pierre Fedqui, 31 anos, que há cinco meses se uniu a outros moradores para formar uma associação comunitária.

Jerusalém é um dos diversos acampamentos irregulares surgidos após o terremoto, para o qual os desabrigados se mudaram por conta própria, e assim, não recebem ajuda do governo.

O abandono fica ainda mais visível quando se compara a situação em Jerusalém com a do acampamento em frente, Corail, no qual um grupo de organizações humanitárias fornece serviços à população.

"Não temos eletricidade, escolas, saúde. Nem latrinas há aqui. Água potável só chega de vez em quando, e é vendida. Quem não tem dinheiro não consegue comprar", afirma Fedqui.

O alfaiate Alsegar Villecean, 53 anos, diz que a situação em Jerusalém é "incomparável". "Desde que nos mudamos para cá, há um ano, não recebemos a visita de nenhuma organização para saber como estamos", afirma.

Desemprego

Assim como a maioria dos desabrigados, em um país em que a taxa de desemprego chega a 80%, Villecean não conseguiu mais trabalho após o terremoto.

"Sou alfaiate profissional, mas não tenho como exercer meu ofício em uma comunidade em que as pessoas não têm dinheiro nem para comer", diz.  No entanto, ele permanece ativo. Na máquina de costura que é um dos poucos móveis dentro da tenda em que vive, Villecean fabrica uniformes para as crianças do acampamento.

"Não são para vender. As pessoas que têm condições de mandar seus filhos para a escola trazem o tecido, e eu faço os uniformes de graça", diz.

No acampamento de Cité Soleil, no fim de dezembro, Clara Morézile riu quando a reportagem da BBC Brasil perguntou como ela passaria o Natal.  "Vou passar assim". Ao comentar sobre o que espera para o próximo ano, ela disse não esperar nada.

"A única pessoa que poderia nos ajudar a ter uma vida melhor é meu marido, mas ele teve a perna esmagada no terremoto e não pode mais trabalhar. Daqui a um ano ainda vou estar vivendo nesta barraca."
foto: redebrasilatual.com.br

12/01/2011

O Direito na Comunidade Européia


Mercado comum, Justiça comum. É o que está propondo a Comissão Europeia. A ideia é que, em disputas comerciais internacionais dentro da União Europeia, o que o Judiciário de um país decidir produza automaticamente efeitos em todos os outros. Hoje, para que isso aconteça, é preciso que a Justiça do país onde vai ser aplicada a decisão a reconheça. De acordo com a comissão, as empresas gastam mais de 48 milhões de euros (cerca de R$ 106 mil) por ano nesse processo de reconhecimento da decisão. A proposta ainda precisa ser votada tanto pelo Conselho de Ministros como pelo Parlamento europeu. O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, espera que em 2013 a mudança proposta seja realidade.
Documento universal
Ainda dentro da proposta de facilitar as relações internacionais para os cidadãos da União Europeia, a Comissão quer que sejam simplificadas as regras de reconhecimento de documento de um país em outro. Isso valeria para os documentos públicos, como certidão de casamento e de nascimento. Foi aberta uma consulta pública para que a população sugira como aprimorar o processo.
Idade do pijama
Na Europa, a idade média da aposentadoria compulsória dos juízes varia de 63 anos, no Chipre, a 72, na Irlanda. Em Portugal, uma novidade permite que os juízes fiquem mais tempo na magistratura. No Tribunal Constitucional de Portugal, os juízes cumprem mandatos de nove anos. Ainda que tenha sido nomeado prestes a se aposentar, o magistrado pode ficar no cargo até o fim do mandato.
Visitantes indesejados
A Corte Internacional de Justiça começa a ouvir nesta terça-feira (11/1) os depoimentos no processo em que a Costa Rica reclama da invasão de seu território pelas forças armadas da Nicarágua. A sessão de depoimentos vai até quinta (13/1).
Filhos do pai 1
Um búlgaro foi reclamar à Corte Europeia de Direitos Humanos da legislação do seu país que impede que seja questionada a presunção de paternidade pelo marido da mãe. É que ele morou por anos com uma mulher que era casada, mas vivia longe do marido. A mulher teve três filhos, o marido a distância registrou todos, mas foi o búlgaro que criou as crianças. Mais tarde, a mulher largou o amante búlgaro e os três filhos para viver com outro. O búlgaro contesta a paternidade das crianças e quer registrá-las, o que a lei do seu país não permite. Para a corte europeia, não há nada errado na legislação nacional. Ele pode tanto pedir a adoção das crianças como a guarda delas. Contestar a paternidade, não. Privilégio do marido (pelo menos esse)! Clique
aqui para ler a decisão em francês.
Filhos do pai 2
A mesma corte condenou a Alemanha a pagar 5 mil euros (cerca de R$ 11 mil) de indenização pelos transtornos causados a um nigeriano. Ele teve um caso de dois anos e dois filhos gêmeos com uma alemã casada. Pouco antes de as crianças nasceram, a mulher cortou relações com o amante e, junto com seu marido, impediram o nigeriano de ver as crianças. A proibição foi reforçada por decisões das cortes alemãs, baseadas na falta de laços afetivos entre o pai biológico e os filhos. Já na Corte Europeia de Direitos Humanos, o entendimento foi que esses laços nunca existiram não por falta de vontade do pai e, por isso, ele não podia ser impedido de ver os filhos. Clique
aqui para ler a decisão em inglês.

11/01/2011

WikiLeaks: americanos desconfiavam do sistema judiciário brasileiro no Caso Dorothy

O ano novo já começou e retomamos hoje as atividades do blog com esta notícia:


A desconfiança do governo dos Estados Unidos do sistema judiciário do Brasil e da capacidade do governo de implementar a redistribuição de terras - ocupadas ilegalmente por latifundiários - aparece claramente numa série de telegramas enviados a Washington pela embaixada americana em Brasília, referindo-se especificamente às investigações do assassinato da freira Dorothy Stang. Ativista pela reforma agrária, ela foi morta no Pará em fevereiro de 2005.
Num dos despachos, apesar de afirmar estar animado com a rápida reação do governo federal - que pôs a Polícia Federal no caso e enviou o Exército à região, para dar garantias ao longo do processo criminal - o então embaixador John Danilovich manifestou dúvidas quanto ao desfecho: "Os tribunais são o elo frágil no sistema brasileiro; uma vez que o caso chegue lá, será preciso um bocado de pressão para fazê-lo avançar. Planejamos acompanhar isso bem de perto", garantiu, como mostram documentos disponibilizados pelo WikiLeaks ao GLOBO.
No mesmo despacho, ele reforça a preocupação das autoridades americanas em relação à Justiça brasileira: "É a lentidão do governo federal e dos tribunais, em confiscar e redistribuir essas terras, e a percepção de que juízes locais favoreceram de forma desnecessária os proprietários de terras, que incitaram o recente ciclo de tensões."
Leis rigorosas não cumpridas Em outro relato, Danilovich exibe uma clara desconfiança de que as providências anunciadas pelo governo brasileiro seriam, de fato, implementadas. "O assassinato de Stang está forçando o governo federal a confrontar a ilegalidade e a degradação ambiental, assunto sobre o qual muito se fala há muito tempo, mas pouco se faz a respeito", diz. "Stang e outros ativistas há muito buscavam a redistribuição de terras para os sem-terra, e também a proteção de áreas ambientais. O governo apoiou tais conceitos, mas faltou a ele vontade política para agir."
Num telegrama posterior, o mesmo diplomata afirmou: "O Brasil já dispõe de algumas das leis ambientais mais severas do mundo. (...) Existe uma enorme divisão entre dizer/criar e realmente fazer." O texto diz que, se o governo de fato implementasse as leis, a degradação e a violência diminuiriam no Pará.
Três agentes do FBI (a polícia federal dos EUA) participaram das investigações. Um deles trabalhava na embaixada, e os outros vieram do Esquadrão Extraterritorial, de Miami. "O FBI vai manter um papel extremamente discreto", garantiu o embaixador, justificando de certa forma, a presença dos agentes:
"Muita gente está convencida de que as autoridades estaduais (do Pará) liderando a investigação estão seriamente comprometidas, devido a ligações impróprias com grandes proprietários de terras, e que uma investigação completa e um julgamento justo não acontecerão, a menos que o caso seja levado adiante por autoridades federais."
O pacote de telegramas referentes ao assassinato da irmã Dorothy, de 74 anos - no Brasil havia 30 anos e naturalizada em 2003 - mostra uma intensa preocupação para que o caso fosse assumido pelas autoridades federais. Danilovich, em certo momento, demonstrou muita apreensão pelo fato de o então ministro da Justiça, Marcio Thomaz Bastos, ter se pronunciado publicamente contra a federalização do caso.
"Dadas a agressiva investigação do governo federal e a sensibilidade das percepções políticas pela forma como conduz esse caso de tão alta visibilidade, estamos perplexos com o pensamento por trás da posição de Bastos e faremos consultas adicionais", informou Danilovich.
'Stang era um arquivo vivo' Mais tarde, em outro telegrama, ele dá a impressão de ter reconsiderado a opinião, justificando-a através de uma aparente divisão dentro do sistema: "Parece que Bastos está aberto à federalização, mas pode ser incapaz de admitir isso publicamente devido a opiniões divergentes dentro do sistema judiciário."
Em seus relatos, Danilovich compara o Pará ao Oeste dos EUA na época de sua conquista, no século XIX. "O Pará é, em muitas maneiras, semelhante ao faroeste americano: isolado, esparsamente povoado e sem lei, com uma notável falta da presença do governo federal. Preenchendo o vazio de poder estão os ricos donos de terra - que frequentemente obtiveram suas terras de forma ilegítima - e seus pistoleiros".
Irmã Dorothy vinha recebendo ameaças, mas recusara proteção das autoridades do Pará "porque suspeitava das lealdades da polícia estadual e porque sentia que, se estivesse bem protegida, assassinos em potencial atacariam aqueles que trabalhavam com ela e não tinham proteção", segundo a embaixada. Num dos documentos, Danilovich conta que um promotor federal disse a diplomatas americanos estar "profundamente preocupado" com a possibilidade de a investigação ser "intencionalmente comprometida pelas autoridades estaduais".
Nesse mesmo telegrama, o diplomata registra: "Acredita-se amplamente que autoridades estaduais corruptas permitiram apropriações ilegais de terras em larga escala e a derrubada de árvores por muitos anos.
Ele (nome sob proteção) disse que Dorothy Stang era um arquivo vivo de roubos de terra, persistente e bem preparada e, portanto, ela se tornara uma pedra no sapato dos proprietários de terra e da polícia estadual".
Segundo Danilovich, a fonte contou que a polícia paraense, nas áreas rurais, era ligada a grandes proprietários, "e policiais também são contratados como pistoleiros e trabalham de forma a obstruir intencionalmente as investigações". Além disso, o promotor disse que "gente graúda na conspiração poderia facilmente 'apagar' (sic) os suspeitos, hoje na cadeia, arranjando para que sejam mortos ou permitindo que escapem".
Sucessora é ameaçada Os papeis divulgados pelo WikiLeaks mostram, ainda, que o então superintendente da Polícia Federal no Pará, José Sales, disse - em conversa com um agente consular - que Dorothy "tinha ido longe demais" em sua cruzada pela reforma agrária.
"Ela, certa vez, pediu a Sales para remover os invasores a todo custo. Quando Sales respondeu que isso teria que ser feito através de meios legais, ela respondeu que o faria do jeito dela".
Hoje, quase seis anos após o assassinato, quatro homens foram condenados a penas de 17 a 30 anos de prisão, e um quinto, o fazendeiro Regivaldo Pereira Galvão, considerado um dos mandantes, recorre da sentença em liberdade. Dorothy foi substituída pela irmã Jane Dwyer, 69 anos, americana naturalizada brasileira, também ameaçada.


fonte: http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2010/12/14/wikileaks-americanos-desconfiavam-do-sistema-judiciario-brasileiro-no-caso-dorothy-923292976.asp