02/10/2012

Brasil deve se tornar líder entre estrangeiros no mercado imobiliário de Miami


Depois de invadirem os shoppings centers, brasileiros estão perto de dominar as compras de casas e apartamentos para moradia, lazer ou investimento.

Não é de hoje que o os brasileiros vão às compras nos Estados Unidos. Essa voracidade de consumo, no entanto, extrapolou os "outlets" e shopping centers e chegou ao mercado habitacional – num fenômeno que nem a valorização de 8,85% do dólar sobre o real em 2012 conseguiu intimidar. Ante os elevados preços no Brasil e a concomitante diminuição dos valores nos EUA, muitos brasileiros passaram a adquirir imóveis em seus destinos preferidos, como o estado da Flórida. Eles não querem só morar ou passar férias, mas também vêm no setor imobiliário uma alternativa de investimento. A expectativa de consultores e corretores locais é que a participação dos brasileiros no número de casas e apartamentos comprados por estrangeiros em Miami-Dade – condado onde está localizada a cidade de Miami – volte a crescer neste ano após ter subido 30% em 2011. Neste ritmo, os clientes do país ultrapassarão os venezuelanos no ranking de estrangeiros que mais adquirem imóveis na região.
De acordo com a Miami Association of Realtors (a associação dos corretores da cidade), os brasileiros respondiam, no fim do ano passado, por 12% de todo o mercado imobiliário de Miami, contra 15% dos cidadãos da Venezuela. Em 2010, os países tinham participações de 9% e 28%, respectivamente. “O interesse dos brasileiros por imóveis na região segue alta, ao passo que os venezuelanos estão comprando menos do que antes. É que eles já fizeram muitos negócios em anos anteriores, quando os mais ricos tiveram de fugir da crise política de Hugo Chávez”, explica Antônio Conde, diretor de comercialização e marketing do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP).
Ainda segundo a associação, em levantamento feito em novembro, os brasileiros já eram indicados como líderes entre os estrangeiros nas compras de imóveis acima de 1 milhão de dólares. O estudo apontava também a expectativa de que eles encabeçariam o ranking de casas na faixa intermediária de preços, de 250 mil a 500 mil dólares. "Com o poder de compra dos americanos em baixa, as corretores e associações locais viram nos estrangeiros, especialmente os brasileiros, um mercado consumidor promissor", diz Conde. Ele acrescenta que as associações e corretoras locais estão investindo na disseminação de informações sobre os trâmites legais para realização desse tipo de negócio com o intuito de atrair mais interessados.
O brasileiro Leo Ickowicz, presidente da Elite International Realty, imobiliária sediada em Miami, comenta que o interesse por imóveis na cidade ganhou forte impulso graças à queda dos preços decorrente do estouro da bolha imobiliária do país em 2008. Na época, os preços despencaram, em média, 40%. Hoje, a diferença é 30 pontos porcentuais menor. “Apesar de os preços terem subido nos últimos anos e se encontrarem por volta de 10% abaixo do valor pré-crise, os brasileiros ainda procuram a cidade”, diz. Ickowicz explica que, ao contrário do que se viu entre o final da década de 1990 e 2008, quando a compra de imóveis visava, sobretudo, a especulação; os brasileiros agora almejam a aquisição de um imóvel para moradia, lazer ou até investimento.
Perfis – O empresário explica que há três perfis principais de compradores brasileiros em Miami: os que adquirem imóveis para alugar e costumam gastar entre 250 mil e 300 mil dólares em um apartamento de 80 a 90 metros quadrados (perfil que corresponde a 40% das compras de brasileiros em sua imobiliária); aqueles que usam esporadicamente esses bens para lazer e pagam entre 300 mil e 1 milhão de dólares em residências de 140 a 150 metros quadrados (30% dos clientes da corretora); e os que pagam mais de 1 milhão de dólares por 500 metros quadrados para morarem por alguns meses (geralmente empresários ou aposentados).
Segundo Ickowicz, muitos integrantes desta faixa de clientes brasileiros que mais gastam em imóveis na cidade – geralmente empresários bem-sucedidos e aposentados ricos que compram casas e apartamentos à beira da praia e vivem na ponte aérea Brasil-EUA – estão descobrindo outro nicho do mercado imobiliário local: os imóveis comerciais, que oferecem taxa média de rendimento de cerca de 7% ano. “Ele não precisa trazer dinheiro do Brasil. Ele vem aqui, investe num imóvel comercial e o dinheiro que ganha ele já gasta aqui”, afirma.
Entre os lugares preferidos dos brasileiros está o bairro de Aventura, tradicional centro de compras de Miami, com vários shoppings centers, área verde, nível de segurança considerado bom e ainda com preços de imóveis menores que os da beira-mar.

Reportagem de Naiara Infante Bertão e Talita Fernandes
foto:pt.wikipedia.org

Países precisam fazer mais para reduzir extinção até 2020, diz ONU


Estudos afirmam que planeta está sofrendo maior onda de extinções desde o desaparecimento dos dinossauros há 65 milhões de anos.


Muitos países precisam fazer mais para diminuir a extinção de animais e plantas dentro das metas da ONU para 2020, que também economizariam ao mundo bilhões de dólares por ano, afirmam especialistas da ONU. Apenas alguns países --incluindo França, Guatemala e Grã-Bretanha-- até agora adotaram novos planos nacionais para combater ameaças como a poluição ou as alterações climáticas, de acordo com um pacto estabelecido no Japão em 2010.
"Há muito mais a fazer", disse David Cooper, chefe da unidade científica, técnica e tecnológica no Secretariado da Convenção da ONU sobre Diversidade Biológica (CDB), em Montreal.
Quase 200 nações se reunirão em Hyderabad, na Índia, de 8 a 19 de outubro, para avaliar o progresso em direção às metas para proteger a vida na Terra, que os relatórios da ONU dizem que está sofrendo a maior onda de extinções desde o desaparecimento dos dinossauros há 65 milhões de anos. Os governos concordaram em 2010 com 20 metas, incluindo eliminação progressiva dos subsídios prejudiciais e expansão das áreas protegidas, por exemplo, para salvar os recifes de coral valiosos que são viveiros para peixes ou para diminuir o desmatamento do Congo à Amazônia.
"Há um progresso substancial. É rápido o suficiente para atingir as metas até 2020 para a maioria deles? Provavelmente não", disse Cooper. A biodiversidade está ameaçada por um aumento projetado na população humana para 9 bilhões em 2050, de 7 bilhões agora. 
"Nós precisamos de um aumento nas atividades", afirmou ele, como parte de uma série de entrevistas sobre as perspectivas para Hyderabad. A biodiversidade engloba tudo, desde alimentos à produção de madeira.
As nações também têm tido dificuldades para ratificar um protocolo que estabelece as regras para o acesso aos recursos genéticos, tais como plantas tropicais raras utilizadas em medicamentos, e formas de compartilhar benefícios entre empresas, povos indígenas ou governos. Até agora, 92 países assinaram o Protocolo de Nagoya, mas apenas seis ratificaram, bem aquém dos 50 necessários para que ganhe força legal. A meta é que o protocolo esteja em pleno funcionamento até 2015.
Otimismo demais 
"Estávamos um pouco otimistas demais", disse Valerie Normand, diretora sênior do programa para acesso e compartilhamento de benefícios na CDB, que disse que o Secretariado esperava que o protocolo pudesse entrar em vigor este ano. A expectativa agora é para 2014.

Cooper disse que muitos dos objetivos fixados para 2020 economizariam bilhões de dólares por ano, ao garantir que a agricultura, desmatamento ou pesca possam ser geridos de forma sustentável. Alguns pescados, por exemplo, têm sido explorados ao ponto de colapso.
Em Nagoya, especialistas estimam que o financiamento anual para salvaguardar a biodiversidade totalizou cerca de 3 bilhões de dólares por ano, mas alguns países em desenvolvimento queriam que aumentasse para cerca de 300 bilhões de dólares.
"Estes números são grandes, mas são triviais em comparação com os benefícios que estamos recebendo da biodiversidade. Se não agirmos, os custos serão muito maiores", afirmou Cooper.
Entre as preocupações, 32 por cento das raças de gado estão sob ameaça de extinção nos próximos 20 anos, diz a Organização para a Alimentação e Agricultura das Nações Unidas. E 75 por cento da diversidade genética das culturas agrícolas foram perdidas desde 1900.

foto:bibocaambiental.blogspot.com

01/10/2012

Morre Eric Hobsbawm, um dos maiores historiadores do século 20



Um dos mais influentes historiadores do século 20, o britânico Eric Hobsbawm (foto acima) morreu nesta segunda-feira em Londres aos 95 anos, confirmaram familiares. Em entrevista à imprensa, a filha de Hobsbawn, Julia, disse que seu pai morreu no início da manhã no Royal Free Hospital, onde ele se tratava de uma pneumonia. "Sua ausência será imensamente sentida não só por sua esposa de mais de 50 anos, Marlene, por seus três filhos, sete netos e bisnetos, mas também por muitos leitores e estudantes ao redor do mundo", informou um comunicado da família. A reputação do historiador deve-se, principalmente, a quatro obras escritas por ele, entre elas "Era dos Extremos: o Breve Século 20: 1914 - 1991", livro que foi traduzido em 40 línguas. 
De família judia, Hobsbawm nasceu na cidade de Alexandria, no Egito, em 1917, o mesmo ano da Revolução Russa, que representou a derrocada do czarismo e o início do comunismo no país. Não por coincidência, a vida do historiador e seus trabalhos foram moldados dentro de um compromisso duradouro com o socialismo radical. O pai de Hobsbawm, o britânico Leopold Percy, e sua mãe, a austríaca Nelly Grün, mudaram-se para Viena, na Áustria, quando o historiador tinha dois anos e, logo depois, para Berlim, na Alemanha. Hobsbawm aderiu ao Partido Comunista aos 14 anos, após a morte precoce de seus pais. 
Na ocasião, ele foi morar com seu tio. Em 1933, com o início da ascensão de Hitler na Alemanha, ele e seu tio mudaram-se para Londres, na Inglaterra. Após obter um PhD da Universidade de Cambridge, tornou-se professor no Birkbeck College em 1947 e, um ano depois, publicou o primeiro de seus mais de 30 livros. Hobsbawm foi casado duas vezes e teve três filhos, Julia, Andy e Joshua. 
Na década de 80, Hobsbawm comentou sobre sua fuga da Alemanha. "Qualquer um que viu a ascensão de Hitler em primeira mão não poderia ter sido ajudado, mas moldado por isso, politicamente. Esse garoto ainda está aqui dentro em algum lugar - e sempre estará". Obra Entre as obras mais conhecidas de Hobsbawm, estão os três volumes sobre a história do século 19 e "Era dos Extremos", que cobriu oito décadas da Segunda Guerra Mundial ao colapso da União Soviética. Já como presidente do Birkbeck College, ele publicou seu último livro, "Como mudar o mundo - Marx e o marxismo 1840-2011", no ano passado. O historiador afirmou que ele tinha vivido "no século mais extraordinário e terrível da história humana".
Marxista inveterado, ele reconheceu a derrocada do comunismo no século 20, mas afirmou não ter desistido de seus ideais esquerdistas. Em abril deste ano, Hobsbawm disse ao colega historiador Simon Schama que ele gostaria de ser lembrado como "alguém que não apenas manteve a bandeira tremulando, mas quem mostrou que ao balançá-la pode alcançar alguma coisa, ao menos por meio de bons livros".

foto:palavrastodaspalavras.wordpress.com

Livro de Hobsbawm para você baixar:
A Era do Capital  (1848-1875)

Em dez anos, mundo terá mais de 1 bilhão de idosos, diz ONU


Um relatório de uma agência ligada à ONU afirmou nesta segunda-feira que, nos próximos dez anos, o número de pessoas com mais de 60 anos no planeta vai aumentar em quase 200 milhões, superando a marca de um bilhão de pessoas.
Em 2050, os idosos chegarão a dois bilhões de pessoas – ou 20% da população mundial. O documento do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA, na sigla em inglês) faz previsões sobre o perfil demográfico global e reflete o aumento da expectativa de vida em diversos países do mundo. A tendência é que os idosos se tornem cada vez mais numerosos em relação às pessoas mais jovens. Em 2000, a população idosa do planeta superou pela primeira vez o número de crianças com menos de 5 anos.
Agora, a entidade prevê que, em 2050, o número de pessoas com mais de 60 anos vá superar também a população de jovens com menos de 15 anos. Segundo a UNFPA, o envelhecimento da população será mais perceptível em países emergentes. Hoje, cerca de 66% população acima de 60 anos vivem em países em desenvolvimento. Em 2050, essa proporção subirá para quase 80%.
A agência da ONU diz que o aumento da expectativa de vida no planeta é "motivo de celebração", mas alerta para alguns riscos econômicos do envelhecimento da população.
"Se não forem tomados os devidos cuidados, as consequências destes temas provavelmente surpreenderão países despreparados", afirma o documento.
A UNFPA alerta que o desafio para muitos países emergentes com grande número de jovens é encontrar políticas públicas para lidar com o envelhecimento desta população nas próximas quatro décadas.
No Brasil, a previsão é que o número de idosos triplique de hoje até 2050 – passando de 21 milhões para 64 milhões. Por essas previsões, a proporção de pessoas mais velhas no total da população brasileira passaria de 10%, em 2012, para 29%, em 2050.

Discriminação e mito

Um dos problemas enfrentados pelos idosos, segundo a ONU, é a discriminação. O relatório fala que – apesar de 47% dos homens idosos e 24% das mulheres idosas participarem do mercado de trabalho – as pessoas mais velhas continuam sendo vítimas de "discriminação, abusos e violência" em diversas sociedades. O documento traz depoimentos de 1,3 mil idosos em 36 países do mundo, inclusive do Brasil.
Um dos depoimentos destacados no relatório é da idosa brasileira Maria Gabriela, de 90 anos, a favor do Estatuto do Idoso, um conjunto de medidas de proteção à população mais velha que foi aprovado no Brasil em 2003.
Ela diz que, desde que o Estatuto foi aprovado, os idosos aprenderam a reivindicar seus direitos – como a meia-entrada para teatro e shows, as filas preferenciais em bancos e passagens gratuitas em ônibus de linha ou intermunicipais.
O estudo da ONU também fala que existem mitos comuns sobre idosos que nem sempre são amparados pelos números.
Uma ideia amplamente difundida é a de que os mais jovens sustentam economicamente os mais velhos através do sistema de previdência.
Segundo a UNFPA, em muitos países, inclusive no Brasil, o caso contrário ainda é bastante comum.
"Em termos econômicos, ao contrário da crença popular, um número grande de pessoas mais velhas contribui com suas famílias, ao amparar financeiramente gerações mais jovens, e com as economias nacional e local, ao pagar impostos", diz o relatório.
"No Brasil, México, Estados Unidos e Uruguai, por exemplo, a contribuição [financeira] dada pelas pessoas mais velhas é substancialmente maior que a que eles recebem."
Um exemplo extremo apresentado pelo relatório é o da idosa colombiana Ediberta, de 74 anos, que perdeu seu filho devido à violência de guerrilhas no país e, hoje, sustenta financeiramente oito netos com seus poucos rendimentos.

foto:poetabalbinoneto.blogspot.com

Outubro Rosa busca conscientizar sobre prevenção do câncer de mama


O Outubro Rosa é o mês de conscientização e combate do câncer de mama. No Brasil, estimativas do Inca (Instituto Nacional de Câncer), indicam que a doença será responsável por 52.680 novos casos até o fim do ano. O movimento que dura o mês inteiro busca alertar sobre os riscos e a necessidade de diagnóstico precoce deste tipo de câncer, que é o segundo mais recorrente no mundo, perdendo apenas para o de pele. A campanha, idealizada pela agência Luminas e patrocinada pela marca Clinique, começa hoje (01), a partir das 20h, mostrando diversas ações que levam ao tema “Toque de Coragem – Nós acreditamos em um mundo sem câncer de mama. Acredite também”. 
O MASP (Museu de Arte de São Paulo) será um dos destaques dessa empreitada, com iluminação rosa. Desde 2000, são iluminados importantes monumentos históricos pelo mundo todo. O diretor da Luminas, Ricardo Chamma comenta:
— Além de buscar uma tecnologia que iluminasse o MASP, a Luminas buscou uma forma eficaz e assertiva na qual as pessoas pudessem interagir e participar ativamente da campanha mandando mensagens. Para isso foram escolhidas as mídias sociais, que hoje fazem parte da vida de todos e temos certeza que será um sucesso.
Para aderir a campanha, as pessoas podem acessar a fan page da Breast Cancer Awareness no Facebook (www.facebook.com/BCABRASIL) em que as postagens vão aparecer na fachada do museu. Além disso, os usuários poderão doar o perfil por um dia para a campanha. O MASP, cartão postal da cidade de São Paulo, fica localizado na Avenida Paulista.
Saiba mais sobre câncer de mama 
Segundo tipo com maior incidência em todo o mundo, o câncer de mama tem invadido cada vez mais lares e famílias brasileiras. Somente para este ano, 52.680 novos casos são esperados em todo o País. A neoplasia (tipo de câncer) fica atrás somente do câncer de pele em número de incidências e é o que mais acomete mulheres em países desenvolvidos e em desenvolvimento. Dentre as razões para o aumento da incidência, o mastologista Dr. José Roberto Filassi, coordenador de mastologia do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp),  aponta a adoção de novos hábitos e estilo de vida.
— A incidência vem aumentando nos últimos anos e algumas razões tentam explicar isso: hoje as mulheres engravidam mais tarde e amamentam menos. Além disso, tendem a ter maior índice de obesidade, ingerem mais  bebida alcoólica e consomem mais alimentos industrializados.
Além disso, existem os fatores de risco para o câncer de mama, que estão ligados a aspectos hormonais, genéticos e idade. Assim, correm mais risco de desenvolver a doença mulheres que tiveram a primeira menstruação antes dos 12 anos, aquelas que entraram na menopausa após os 50 anos, quem teve a primeira gravidez após os 30 anos, aquelas que passaram por terapia de reposição hormonal pós-menopausa por mais de cinco anos, ou mesmo quem passou por radioterapia antes dos 40 anos. Vale lembrar que histórico familiar, principalmente em parentes de primeiro grau antes dos 50 anos, podem indicar predisposição genética.
No Brasil, as taxas de mortalidade por câncer de mama continuam elevadas, em parte porque a doença ainda é diagnosticada em estádios avançados. Em 2010, a doença foi responsável por 12.852 mortes, sendo 12.705 mulheres e 147 homens, que também podem ser surpreendidos pela doença. Especialistas alertam que quando mais cedo o diagnóstico for feito, maiores são as chances de cura. 
A prevenção, ferramenta que pode ajudar a reverter esses índices, é dividida em dois tipos. “Na prevenção primária, com a qual reduzimos o risco de a mulher desenvolver a doença, aconselhamos uma alimentação balanceada, evitando excessos e sobrepeso, assim como a bebida alcoólica. Além disso, a atividade física regular quatro vezes por semana é essencial. Já a prevenção secundária, ou seja, quando o câncer já existe e é detectado na fase inicial, é feito através do exame mamografia”, explicou o mastologista Dr. Ruffo de Freitas Jr.,  diretor da Escola de Mastologia da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), ao lembrar que o recomendado é todas as mulheres acima de 40 anos fazerem o exame anualmente.
Alteração das células
Ainda um mistério para a medicina, o câncer de mama ocorre por uma alteração das células que têm uma mudança em seu núcleo, mais especificamente em seu DNA. Essa alteração faz com que elas se tornem atípicas e não “obedeçam mais às ordens” para tarefas que costumavam exercer na região. Assim, elas destroem as células vizinhas e tiram as forças da paciente. Recentemente, uma nova classificação dividiu o câncer de mama em quatro subtipos — HER2 amplificado, Luminal A, Luminal B e basal —, além de ter encontrado semelhanças com a neoplasia que atinge o ovário.
As chances de cura, alertou o Dr. Freitas Jr., são altas, mas dependem de três fatores: o estágio em que foi diagnosticado, agressividade do tumor e tipo do tratamento feito:
— Deve-se sempre pensar se aquele tipo de tratamento é adequado ou não para o caso. Lembrando que tratar o câncer de mama é uma missão multidisciplinar e envolve mastologista, oncologista, radioterapeuta ou quimioterapeuta, além de psicólogo e fisioterapeuta. É a somatória e combinação desses elementos que fará o sucesso do tratamento.
Se detectado na fase inicial, as chances de cura são de 90% a 94%. Nos estágios mais avançados da doença, as chances caem para 40% a 50%. A cura, entretanto, está intimamente ligada à autoestima da paciente, afirmou o Dr. Filassi:
— Uma mulher deprimida tem mais chances de desenvolver câncer. E aquela que é diagnosticada com a doença e depois cai em depressão diminui em muito as chances de cura do que a mulher que se mostra otimista. 
A alta para quem é diagnosticado com câncer de mama varia. Em média, são necessários de cinco a dez anos para a paciente receber alta. 

Reportagem de Marsílea Gombata

Brasil é a bola da vez para o mercado da advocacia


Há 25 anos analisando o mercado de escritórios de advocacia no Reino Unido, a editora The Legal 500 decidiu ampliar as suas pesquisas para a América Latina e, em especial, para o Brasil. De acordo com a pesquisadora-chefe da publicação, Olivia Nairn, aumentou consideravelmente a demanda de bancas e empresas estrangeiras por um guia em inglês sobre o mercado de advocacia na região. A primeira edição do The Legal 500 Latin America foi lançada este mês.
O guia, concorrente do também inglês Chambers Latin America 2012, traz um ranking dos melhores escritórios brasileiros, divididos em 19 áreas de atuação. Mais de 150 bancas de advocacia, brasileiras e estrangeiras, são listadas na edição Brasil do guia.
Em seu editorial, a publicação faz uma análise da situação econômica e das oportunidades de negócios no país. Pelos próximos cinco anos, de acordo com o The Legal 500, o Brasil será a bola da vez. Com a crise nos Estados Unidos e na Europa, além dos grandes investimentos em infraestrutura e segurança que terá de fazer para a Copa do Mundo e as Olimpíadas, será o país das oportunidades.
O guia chama atenção para impossibilidade da atuação de bancas estrangeiras nos negócios fechados no país e conclui que este é o principal fator para a ótima fase, “sem muitos esforços”, de escritórios como Machado, Meyer, Mattos Filho, Pinheiro Neto e TozziniFreire.
A Nova Lei do Cade também é citada no editorial. Segundo a publicação, a exigência de pré-análise das operações de fusão e aquisição alinhou o Brasil com a legislação concorrencial de outros países. O mercado do Direito Concorrencial é dividido entre grandes bancas e escritórios boutiques muito fortes, afirma o The Legal 500, que também deixa claro que as operações de IPO no país estão em queda, puxada pelo recesso global.
O Direito Ambiental mereceu destaque na análise do guia inglês. A preocupação cada vez maior das empresas em evitar infrações ambientais, somada a uma “legislação ambígua aplicada de forma rigorosa”, é um amplo campo de atuação para os escritórios de advocacia. A reforma do Código Florestal deve ser uma fonte de apreensão para os advogados, diz a publicação.




fonte:http://www.conjur.com.br/2012-set-29/brasil-bola-vez-mercado-advocacia-avalia-the-legal-500

Sem barreiras para o conhecimento, vídeo-aulas se multiplicam na internet

Diante da enorme capacidade da internet de quebrar barreiras para o conhecimento e revolucionar a educação, professores e universitários de diferentes partes do mundo têm apostado em mais uma ferramenta para ajudar no aprendizado de crianças e jovens. Sites com vídeo-aulas de alguns dos conteúdos mais espinhosos da educação básica têm se popularizado, inclusive, no Brasil.

Em 2004, um americano descendente de indianos, Salman Khan, criou os primeiros vídeos para ajudar uma sobrinha que tinha dificuldades em matemática. Em uma lousa, sem que ele aparecesse, todos os problemas eram resolvidos. Logo as “aulas grátis” se espalharam. O conceito – apesar da distância do professor – faz com que as dicas se pareçam com uma “aula particular”, com a vantagem de poder ser vista a qualquer hora ou local. E, melhor, de graça.
Não demorou para que professores e estudantes brasileiros se inspirassem no modelo da Khan Academy e criassem experiências com a cara do Brasil. Bruno e Lucimara Wernerck, que estudaram em escolas públicas, conseguiram vagas em boas universidades públicas, queriam que outros jovens tivessem a mesma oportunidade. Como conheciam as falhas da educação básica, se dispuseram a ajudar outros estudantes a superá-las. Como eles.
O ideal fez com que eles começassem a produzir vídeos, com aulas sobre conteúdos do ensino médio nas áreas de matemática, física, química e biologia. Assim como Salman Khan, os professores não aparecem no vídeo, apenas as resoluções e explicações dos exercícios. Desde abril deste ano, Bruno e Lucimara, que ganharam o apoio de George Hirokawa, que desenvolveu a plataforma do site, chamado O kuadro e os colocaram à disposição dos alunos.
Há mais de 600 vídeos disponíveis nas quatro áreas, todos produzidos por Bruno e Lucimara. De vez em quando, um professor de português que se encantou com o projeto também colabora enviando algum material. É possível assisti-los no site oficial , no youtube ou no vimeo. Mais de 7 mil professores e alunos de todo o País já se cadastraram para baixar os vídeos, todos gratuitos.
Bruno, Lucimara e George não vivem do site. Bruno é engenheiro em eletrônica formado pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) e trabalha no setor de telecomunicações. Lucimara formou-se em Biologia (licenciatura) pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e atua em uma indústria de produtos ortopédicos. George, formado em comunicação social, desistiu do emprego em uma empresa de telecomunicações para se tornar professor universitário depois de se envolver com a experiência do kuadro.
Os três tiram recursos do próprio bolso para manter a produção, que pelo caráter caseiro, não é tão custosa. Mas hoje eles já procuram parcerias para expandir a iniciativa. Além de acharem necessário expandir as áreas de atuação, eles querem colocar em prática um novo projeto, já apelidado de Embaixadores da Educação. O objetivo é conseguir apoio para oferecer bolsas de estudos a universitários que também tenham vindo de escolas públicas, para que eles ajudem outros alunos como eles.
“Hoje tenho certeza de que estou ajudando as pessoas. Queremos contribuir com o que falta no governo, no ensino básico brasileiro, especialmente com quem não tem condições de disputar o vestibular nas mesmas condições que os mais favorecidos economicamente. Há muitas pessoas que querem estudar e só precisam de uma oportunidade”, comenta George. Segundo ele, apesar de o professor não estar online, as aulas em vídeo tornam o conteúdo mais atrativo e o conceito se aproxima de uma aula particular. “Eles aprendem mais”, diz.
Idealismo X negócio
Há modelos também que tentam unir o idealismo de quem acredita em poder mudar a educação com a vontade de torná-lo, ao mesmo tempo, um negócio, que possa render recursos para montar uma organização não-governamental. Claudia Massei, co-fundadora do site QMágico, conta que essa é a ideia do projeto, que hoje também já conta com mais 600 vídeos e 2 mil exercícios de matemática disponíveis. Mas nem sempre foi assim.
Quando criaram o site, também baseado no modelo Khan Academy, Thiago Feijão, outro sócio-fundador e mais três amigos que participavam do projeto, todos estudantes do ITA, tinham a expectativa de vender, a preços bem baratos, a visita a cada vídeo. Como uma aula particular mesmo. Porém, logo de início, perceberam que a proposta não funcionaria. “Mesmo que a gente cobrasse pouco, isso não faria o conteúdo chegar a todo mundo”, diz Claudia.
Portanto, os jovens criadores do QMágico decidiram criar duas plataformas diferentes. Uma é gratuita, possui todas as vídeo-aulas, exercícios interativos e um software simplificado que mostra ao aluno o desempenho dele nas questões, acertos e erros, apresenta quais vídeos devem ser assistidos para sanar as dúvidas do que ele errou. Ainda há jogos educativos disponíveis, em que ele vai sendo pontuado a cada exercício feito.
A outra plataforma é paga. Escolas públicas e privadas já utilizam o sistema do QMágico, que une o conteúdo à necessidade de acompanhamento de uma escola. Os professores podem acompanhar – online ou não – o desempenho de seus alunos nas questões (produzidas pela própria escola ou pelos criadores do site); podem disponibilizar vídeos e outros materiais. “Começamos a tentar entender o que as escolas estavam precisando. E percebemos que era a gestão do aprendizado”, conta a co-fundadora.
Os clientes do site pagam entre R$ 3 e R$10 por aluno a cada mês, dependendo do volume de estudantes atendidos em cada contrato. A rede de ensino estadual de Goiás, o maior cliente, utiliza a plataforma em mais de 400 escolas, atendendo a 9 mil alunos. Eles desenvolveram um programa específico para o Enem para eles. Há também parcerias com escolas públicas na Grande São Paulo, com uma faculdade privada de Engenharia no Rio Grande do Sul (eles vão usar as ferramentas para preparar os alunos com dificuldades) e estão em negociação com o Colégio Bandeirantes, de São Paulo.
Espaço também em grandes instituições
A popularidade dos vídeos e do poder de alcance da internet fez com que até os mais céticos a respeito das vantagens da educação a distância se curvassem diante da aposta feita por instituições tradicionais e renomadas, como a Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, a Sorbonne, na França, ou a Universidade de São Paulo, no Brasil. Além de já oferecerem cursos a distância, muitas delas têm desenvolvido projetos de vídeo-aulas gratuitas.
A USP lançou a pouco tempo o e-Aulas. Os professores disponibilizam aulas gravadas em vídeo a quem estiver interessado. Assim como faz Harvard, MIT, Princeton. A FGV Online também montou um projeto em que oferece 41 cursos gratuitos nas áreas de atuação da fundação, como Administração, Economia e Direito. Justo disso, a instituição lançou um grande portal para o ensino médio, com aulas e questões gratuitas voltadas para o Enem.

Reportagem de Priscilla Borges



Aquecimento global faz peixes diminuírem de tamanho, diz pesquisa


Um artigo científico publicado ontem (30/09) pela revista britânica Nature Climate Change revela que peixes oceânicos de todo o planeta ficarão menores ao longo das próximas décadas por conta do fenômeno de aquecimento global. A estimativa dos pesquisadores da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, é de que os animais perderão até o ano de 2050 de 14 a 24% do tamanho que possuem hoje.
A equipe liderada por William Cheung, professor responsável pela pesquisa, associou a elevação da temperatura média dos oceanos com o crescimento e a distribuição geográfica de mais de 600 espécies de peixes. Em entrevista ao jornal The Guardian, ele se disse “surpreso” diante de "efeitos tão fortes e generalizados”, em especial em regiões tropicais.
Segundo o cientista, essa redução do comprimento estaria relacionada basicamente a dois fatores. O primeiro é a dificuldade de crescimento que os animais enfrentam diante de águas cada vez mais quentes e, consequentemente, pobres em oxigênio. Depois, surge um dilemma geográfico: peixes de águas tropicais excessivamente aquecidas se sentem obrigados a procurar ambientes mais frios, o que reduz a atividade metabólica de seus organismos e impede um processo de crescimento saudável.
Cheung alega que os dois efeitos são similares sob a perspectiva de seus impactos. Para a realização do estudo foram empregados modelos digitalizados do fenômeno, capazes de prever as consequências desse aquecimento sobre a fisiologia, distribuição e população dos animais.
Para Callum Roberts, professor da Universidade de York, no Reino Unido, a pesquisa de Cheung possui um conjunto abrangente de dados, mas não lembra o leitor de que há outros fatores capazes de tornar esse cenário ainda mais crítico. O pesquisador menciona, por exemplo, a redução do volume de nutrientes na superfície dos oceanos a partir do fenômeno de acidificação do oceano. "Isso tornará a vida de animais com esqueleto calcário muito mais difícil. Esses pequenos animais fazem parte da base da cadeia alimentar dos peixes”, explica Roberts.
O britânico também lembra que a água fria não se mistura facilmente com a quente e que a maior parte da base alimentar dos peixes está presente em porções menos aquecidas dos oceanos. Daí surge o que ele chama de “desertos oceânicos”, areas “cada vez maiores” com pouquíssimos cardumes. Mais além, surge também a questão da pesca excessiva e desregrada. Ao comentar a pesquisa de Cheung, Roberts lembra que ao longo do século XX, peixes “viveram mais rápido e morreram mais jovens”.

Reportagem de Fillipe Mauro
foto:cantinhodalumad.blogspot.com