O governo avalia reduzir os critérios de segurança do setor elétrico para garantir o abastecimento no País neste ano. A medida aumentaria a quantidade de energia que pode ser transferida de uma região para outra. Por outro lado, elevaria a vulnerabilidade do setor a raios e incêndios, que podem originar apagões. Os estudos serão feitos pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e pela Agência Nacional de Energia Elétrica, segundo confirmou o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, ao ‘Broadcast’, serviço em tempo real da ‘Agência Estado’.
“Pedimos um estudo para avaliar os custos e os benefícios dessa
medida para então tomarmos uma decisão”, afirmou o ministro. A redução dos
critérios de segurança do sistema de transmissão teria como objetivo abastecer
a Região Sudeste, que tem o maior consumo no País, e seria aplicada entre
agosto e setembro, caso as chuvas nos próximos dois meses sejam insuficientes
para garantir o suprimento ao longo do ano.
Especialistas consideram que a operação tem um risco muito
elevado. “Estamos trocando o risco de racionamento pelo de apagão”, disse um
especialista que prefere não se identificar. “É como dirigir um carro sem
estepe. Uma hora você pode ficar na mão”, comparou outro.
Desde 1999, o sistema de transmissão brasileiro segue um
critério internacional de segurança, conhecido como “N-1”. Isso significa que
sempre existe uma linha reserva, à disposição do ONS, caso uma outra linha
paralela deixe de funcionar. Essa operação limita a quantidade de energia que
pode ser transferida, mas eleva a confiabilidade do sistema.
O melhor exemplo é o linhão Norte-Sul, composto por três linhas
paralelas que atravessam Goiás, Tocantins e Maranhão.
Hoje, o linhão tem uma capacidade de transmissão limitada a
5.100 megawatts (MW). Nessa configuração, duas linhas transferem energia do
Norte e Nordeste ao Sudeste, enquanto uma fica de “back-up”. Caso um raio
atinja uma delas, a terceira automaticamente entra em operação, sem que haja um
apagão. Na nova configuração, o governo usaria todas as três linhas para enviar
energia ao Sudeste, sem linha de reserva.
Risco. Nesse
cenário, caso um incêndio atinja uma das linhas, todo o linhão Norte-Sul cairia
imediatamente, o que poderia causar um apagão de grandes dimensões em diversos
Estados. Em 4 de fevereiro de 2014, um curto-circuito atingiu duas das três
linhas do sistema, o que causou um blecaute de quase uma hora em 11 Estados das
Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, além do Distrito Federal. Se o problema
tivesse atingido apenas uma das linhas, o apagão não teria acontecido.
Para o coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico da
UFRJ, Nivalde de Castro, com a medida, o governo conseguiria poupar água dos
reservatórios das usinas do Sudeste nos meses de seca e transferir a energia
excedente produzida por hidrelétricas do Norte e eólicas e térmicas do Nordeste
para São Paulo e Rio de Janeiro. “Isso serviria para evitar um racionamento”,
afirmou.
“Todo o sistema ficará menos confiável, mas pode ser que o
custo-benefício compense o aumento do risco”, disse o ex-diretor da Aneel
Edvaldo Santana.
Reportagem de Anne Warth
fonte:
http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,para-garantir-abastecimento-maior-risco-de-apagao,1646132
foto:http://www.fenatema.org.br/noticia/apagao-e-pouca-vergonha-o-povo-nao-merece-esse-caos/5237

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigada pela visita e pelo comentário!