O Senado aprovou na noite de ontem (22) o Marco Civil da Internet, que segue
agora para sanção presidencial. A votação se deu 28 dias após aprovação na Câmara dos Deputados, onde a
proposta do relator Alessandro Molon (PT-RJ) foi debatida por quase três anos e
chegou a trancar a pauta por cinco meses.
Após pressão do governo, a aprovação no Senado foi feita a tempo de
transformar o texto em lei antes do evento NetMundial, que será realizado em São Paulo a partir
de quarta (23). A abertura do encontro internacional será feita pela presidente
Dilma Rousseff, que deve levar o Marco Civil ao evento como "marca"
de sua gestão no setor.
A pressa da votação do texto, que tramitava em caráter de urgência, gerou diversas críticas por parte dos senadores.
Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), Alvaro Dias (PSDB-PR) e Cássio Cunha Lima
(PSDB-PB) estavam entre os opositores da votação nesta terça, pedindo mais
tempo para análise e possíveis alterações na proposta.
O líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-BA), desistiu de uma
mudança que faria na redação. Ela forçaria a volta do projeto à Câmara dos
Deputados e impediria a aprovação do Marco Civil a tempo do evento NetMundial.
A emenda de Braga sugeria alteração no artigo 10, que trata do acesso de
autoridades a dados pessoais dos internautas. O objetivo era deixar a redação
do artigo mais clara com a troca do termo "autoridades
administrativas", considerado vago, por "delegado de polícia e o
Ministério Público". Porém, o senador afirmou que aceitaria a edição desse
trecho por meio de medida provisória.
Aprovações em comissões
Na manhã desta terça, a CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania) e a
CCT (Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática) do
Senado fizeram uma "aprovação relâmpago" do projeto
– na CCT, o processo levou menos de dois minutos.
O projeto também tramitava na CMA (Comissão de Meio Ambiente, Defesa do
Consumidor e Fiscalização e Controle), que cancelou a reunião para analisar o
texto.
O relator na CCJ, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), rejeitou 40 das 43
emendas apresentadas– os trechos alterados tratavam de mudanças de texto, mas
não de conteúdo. Duas foram acatadas na forma de emendas de redação. Outra foi
retirada a pedido do autor.
Entenda o Marco Civil
O projeto equivale a uma "Constituição", com os direitos e deveres
dos internautas e empresas ligadas à web. No ano passado, depois das denúncias
sobre espionagem nos EUA, o governo federal enviou pedido à Câmara para que
tramitasse em regime urgência constitucional (sem definição, chegou a trancar a
pauta por cinco meses).
O texto foi aprovado na Câmara dos Deputados no dia 25 de março, depois de a votação ser adiada por pelo menos dois anos – o principal motivo eram pontos considerados polêmicos. A questão mais controversa é a chamada neutralidade da rede, que propõe tratamento igual de todo tipo de conteúdo, sem distinção por conteúdo, origem e destino.
De um lado nessa batalha ficaram as empresas de telecomunicações, que
reivindicam o direito de vender pacotes fechados de internet (como planos para
celular que limitam acesso a redes sociais e sites pré-determinados). Durante
os embates, o líder do PMDB, deputado Eduardo Cunha (RJ), chegou a dizer que
este princípio poderia encarecer o acesso dos brasileiros à internet.
De outro, estavam os provedores de internet (como UOL, Terra, IG e Globo): eles
defendiam que esses planos com conteúdo pré-definido limitam a liberdade do
usuário e impedem que novas empresas de conteúdo digital ganhem espaço no
mercado.
Por padrão, alguns dados têm prioridade no tráfego: é o caso dos pacotes VoIP
(voz sobre IP), que precisam chegar rapidamente em sequência para que a ligação
faça sentido. Já no caso de um e-mail, um pequeno atraso não teria impacto tão
negativo. Mas a neutralidade quer impedir interferências que limitem a oferta
de conteúdo.
fonte:
http://tecnologia.uol.com.br/noticias/redacao/2014/04/22/senado-aprova-marco-civil-da-internet.htm
foto:http://www.mzportal.com.br/noticia/742

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