02/08/2014

Aura eletrônica pode ser a solução para guardar senhas


Você está tentando reservar ingressos para o teatro com um cartão de crédito que usa raramente. Solicitado a dar a senha, você descobre que não lembra mais dela. O resultado é uma transação fracassada e um pequeno aumento da pressão sanguínea.
A coisa piora. Mais tarde, enquanto você faz compras, deixa cair a chave do carro. Um oportunista a recolhe e sai pelo estacionamento do supermercado apertando o botão de destravar até que as luzes de seu carro piscam. O resultado é um carro roubado e um grande aumento da pressão sanguínea.
Você não é o único. A segurança eletrônica tornou-se uma dor de cabeça para milhões de pessoas que lutam para manter seus sistemas e equipamentos seguros. Mas um especialista acredita ter encontrado a solução. Segundo Frank Stajano, palestrante de segurança no laboratório de informática da Universidade de Cambridge, cada um de nós precisa ter uma aura eletrônica, um campo que se estenderia a cerca de 50 ou 70 centímetros de nossos corpos e que poderia ser gerado de maneira semelhante a um sinal de wi-fi, só que a curta distância. Os sinais gerados na aura identificariam unicamente seu proprietário e só permitiriam que seus equipamentos eletrônicos funcionassem em sua proximidade.
Fora de sua aura eletrônica, a chave elétrica do carro não funcionaria, por exemplo. Você poderia deixá-la cair no supermercado, mas ela não teria utilidade para um ladrão porque a chave só funcionaria na presença de sua aura.
De modo ainda mais ambicioso, Stajano está projetando um equipamento portátil que pode lembrar milhares de nomes e senhas de registro, ou log-ins.
Esse dispositivo – que ele chama de "pico", em homenagem ao filósofo italiano Giovanni Pico della Mirandola, que era famoso por sua memória prodigiosa – interagiria automaticamente com sites de bancos, teatros, cinemas, companhias de trens e outras. Você simplesmente seguraria o equipamento sobre sua tela para acessar uma de suas contas.
O dispositivo também seria perfeitamente seguro porque só funcionaria dentro da aura eletrônica do indivíduo. Se fosse perdido, não ofereceria ameaça à segurança e seria simplesmente substituído por um backup.
"As senhas são um desastre hoje", disse Stajano. "Você precisa lembrar dezenas delas. E têm de ser em maiúsculas e minúsculas, incluir números e não ser palavras de dicionário; você não pode anotá-las e além disso tem de trocá-las a cada dois meses. Precisamos encontrar uma maneira de não precisarmos decorá-las o tempo todo."
A resposta é o pico, que pode armazenar inúmeros log-ins e senhas, e a aura que permitirá que o pico opere com segurança, disse Stajano, que recebeu uma verba de 1 milhão de libras da União Europeia para desenvolver um sistema baseado nesses conceitos.
"O pico só se destrava quando se encontra no interior da aura de segurança do usuário", diz ele. "Essa aura é criada por equipamentos menores que você levaria em sua pessoa e que provavelmente não removeria: seus óculos, relógio ou sapatos. Eles poderiam estar em suas roupas ou joias. Poderiam até ter a forma de um implante subcutâneo. Chamamos esses dispositivos de 'irmãos pico', e você teria vários deles em sua pessoa. Só se houver vários presentes é possível que sua aura seja gerada e a chave do seu carro – ou da sua casa, ou seu pico – se sinta à vontade e continue destravado."
Outros pesquisadores de computação estão investigando métodos diferentes para melhorar a segurança dos computadores. Uma abordagem popular envolve o uso de sistemas biométricos – rastreamento da retina ou impressões digitais para substituir senhas.
No entanto, eles são passíveis de abusos, afirma Stajano. "Os sistemas biométricos funcionam bem em controles de fronteira ou em outros ambientes em que a pessoa deve estar presente para verificação. Mas quando você está se registrando remotamente em um sistema – por exemplo, quando tenta acessar sua conta bancária com o notebook –, a segurança pode ser facilmente burlada. Alguém poderia usar a foto do olho de uma pessoa para enganar um escâner de retina, por exemplo, ou a cópia de uma impressão digital."
Esses reveses não afetariam o sistema pico de Cambridge, mas Stajano reconhece que ainda falta muito trabalho para desenvolvê-lo. "Os sites da web terão de ser desenhados em formatos que reconheçam os sinais de um pico, por exemplo. Mas estamos consultando grandes provedores de serviço sobre essa questão."
De modo semelhante, sua equipe analisa o tipo de dispositivos de geração de aura que as pessoas aceitariam colocar ao redor de seus corpos: distintivos, joias, fivelas de cinto e faixas no pulso. "O problema das senhas de computador só vai piorar", disse Stajano. "Nosso projeto pico busca a solução em longo prazo."

Reportagem de Robin McKie
fonte:http://www.cartacapital.com.br/tecnologia/aura-eletronica-pode-ser-a-solucao-para-guardar-senhas-2389.html
foto:http://www.websegura.blog.br/seguranca-senhas-fortes/

Lixo, móveis e até baleia morta atrapalham velejadores em evento para Rio-2016



A pouco menos de dois anos dos Jogos de 2016, o Rio de Janeiro se prepara para realizar o primeiro teste para o megaevento sob críticas e em meio ao polêmico programa de despoluição da Baía de Guanabara, cuja promessa era tratar 80% do esgoto lançado nas águas até o início da Olimpíada - algo sem data certa para ocorrer.
Após treinamentos ao longo da semana que antecedeu o evento, velejadores relataram à BBC Brasil que as condições nas águas ainda são muito ruins e que a sujeira traz uma série de problemas à realização das provas – desde ameaças de saúde até desvantagens na competição.
Eles treinavam para o Aquece Rio, entre 2 e 9 de agosto, competição internacional que reúne 320 velejadores de 34 países disputando, em 215 barcos, dez diferentes classes de vela.
"É pior do que eu pensava", disse o australiano Nathan Outteridge, de 28 anos, medalhista de ouro na Olimpíada de Londres. "Já encontramos um cachorro morto, uma mesa de jantar, e, claro, muitas sacolas plásticas. Elas ficam presas e param o barco, fazendo com que você fique em desvantagem em relação aos adversários".
A situação da Baía de Guanabara tem sido um dos pontos de atrito entre os organizadores e o Comitê Olímpico Internacional. Atrasos em algumas obras também preocupam, como a do Complexo de Deodoro, na zona norte do Rio.
O dossiê da candidatura olímpica prometia tratar 80% do esgoto despejado, ajudando o governo do Rio em seu plano de despoluição da Baía de Guanabara.
"É um projeto extremamente ambicioso e que envolve um conjunto de ações bastante complexo, vai levar muitos e muitos anos", disse à BBC Brasil Leonardo Gryner, diretor geral de operações do Comitê Organizador Rio-2016.
"Quando fizemos o dossiê (2009), algo por volta de 12% desse esgoto era tratado. Hoje, estamos em quase 50%, e o governo do Estado, que é o responsável pela obra, continua confiante de que, até 2016, 80% vai estar tratado. Nenhum momento falamos que não atingiríamos a meta."
"Ouvimos no noticiário, e realmente se fala muito sobre a sujeira, mas não achei que fosse tão ruim", falou o velejador Outteridge. "Os organizadores estão deixando claro que não vão alterar o local. Então vamos ter que dar um jeito. Vamos ter que lidar com isso".
Até baleia
Para o brasileiro Marcos Grael, de 25 anos, filho do bicampeão olímpico de vela Torben Grael, o lixo e a sujeira são, de fato, um obstáculo.
"Você tem de desviar durante a competição, é claro que atrapalha. Não é bom. O barco não tem fluidez. É uma desvantagem para nós", diz ele, que afirma ter encontrado cachorros, ratos e gatos mortos nas águas.
"Até uma baleia morta a gente já viu".
Para ele, brasileiros que treinam na baía estão mais acostumados com as condições, mas estrangeiros podem estar mais suscetíveis a problemas de saúde.
"Já vi competidores estrangeiros aqui com um ralado, um machucado no braço, que infecciona e demora muito mais do que o normal para cicatrizar. É claro que a gente se pergunta. Tem uns que passam mal do estômago também. Pode ter a ver com a água", diz.
"A competição de vela na baía vai se dar em cinco raias. A Baía de Guanabara tem um canal profundo e largo e, por causa dele, tem um índice de renovação de água muito forte nessas regiões do canal. A água ali é extremamente limpa. Nas situações de fundo é que é bastante sujo. Das cinco raias, quatro são em cima do canal, ali você pode mergulhar, até engolir", explicou o diretor da Rio-2016, Leonardo Gryner.
Ele admite que a quinta raia é que traz riscos para os esportistas.

"É a que fica próxima à Marina da Glória. Lá, se a água respingar em você não tem problema, não dá doença, mas, se engolir, é problema. Está sendo feita uma obra que vai desviar o curso dessa água pluvial suja que vai ser levada para Ipanema e ser tratada antes de desembocar no mar. Essa obra vai ficar pronta no fim de 2015 e aí, em 2016, esse local vai ficar como as outras raias", diz.
Para as alemãs Annika Bochmann, de 23 anos, e Karoline Goltzer, de 19 anos, as sacolas plásticas são o principal problema.
Mas, apesar das críticas à baía, sobram elogios à cidade.
"Não é tão perigosa quanto pensávamos. É bem melhor do que ouvimos. Em questão de segurança, organização, serviços, não há do que reclamar. Talvez a comunicação. Quase ninguém fala inglês", diz Annika, acrescentando que a dupla de Berlim chegou a ver quatro golfinhos em frente à praia do Flamengo.
Críticas e oportunidade
Herdeiro de uma linhagem de velejadores brasileiros, Grael diz que houve tempo para limpar a baía. "Fizemos uma campanha forte, houve muitas reportagens, se falou muito. Pelo jeito não foi suficiente para alertar as autoridades, porque não cumpriram o que era para ser feito", avalia.
Para os organizadores, o evento que será iniciado no sábado é uma oportunidade de testar os melhores locais de prova dentro da baía.
"Será nosso primeiro evento-teste e cada um deles vai nos ajudar. Serão grandes oportunidades de testar operações, treinar a força de trabalho e adquirir experiência", diz Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Rio 2016.
Questionado sobre a situação daqui a dois anos, ele é objetivo. "Eu não tenho opção. O que eu vou fazer? Deram tanto foco para a baía, e o governo não fez sua parte. Agora temos que focar nos atletas, e como vamos lidar com isso", diz.
Apesar dos problemas, no entanto, o brasileiro diz que é uma vantagem competir em casa e perceber que, como anfitriões, os velejadores locais se transformam em pontos de referência.
"Meu pai fez cinco competições olímpicas e não teve uma oportunidade como essa, de competir em casa. Temos que aproveitar esse momento", diz.



Reportagem de Jefferson Puff
fonte:http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2014/08/01/lixo-moveis-e-ate-baleia-morta-atrapalham-velejadores-em-evento-para-rio-2016.htm
foto:https://www.facebook.com/bbcbrasil?fref=nf

Mercosul, cada um por si


A cúpula recente do Mercosul celebrada na segunda-feira em Caracas foi marcada pela condenação unânime dos fundos abutres, que fizeram a Argentina beirar o default. E pelas posições diferentes, evidentes nos discursos dos presidentes, em relação ao modelo econômico seguido pelos países membros – Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela. O caráter geopolítico do grupo ganhou mais destaque que as discussões sobre negócios.
Apenas os presidentes do Brasil, Dilma Rousseff, e do Paraguai, Horacio Cartes, priorizaram em suas intervenções o assunto supostamente vital para a integração do bloco, que em pouco tempo ganhará a Bolívia como membro pleno. Dilma, por exemplo, preferiu ler um texto em que fazia votos pela ampliação da zona de livre comércio no continente. O Brasil precisa imprimir um empurrão a sua economia e procurou convencer os membros do Mercosul a se associarem à Aliança do Pacífico, formada pelo Chile, Colômbia, México e Peru.
Cartes, por sua vez, destacou também que o Mercosul precisa fomentar economias competitivas e abrir oportunidades para que seus cidadãos possam residir, trabalhar e estudar em qualquer país do bloco.
A Argentina não estava em condições de sintonizar-se com essas colocações. Pressionada pela suspensão iminente de pagamentos, sua presidenta, Cristina Kirchner, que recebeu a Presidência rotativa da aliança, buscou o apoio do grupo.
Kirchner passou boa parte de seu tempo explicando a situação do default, chegando a fazer algumas brincadeiras. Em um momento de sua intervenção, aludiu a uma conversa que teve com um amigo. Os dois concluíram que no futuro dariam o nome de Rufo a um cachorro. “Rufo” é a sigla de uma cláusula dos acordos de reestruturação da dívida argentina. A piada do cachorro encontrou algum eco entre os presentes. No ano passado o irmão de Hugo Chávez, Adán, deu ao ex-presidente venezuelano um cachorro que batizou de Simón, em homenagem ao libertador Simón Bolívar, cuja liderança e obra Chávez admirava.
Todos foram a Caracas para velar por seus próprios interesses. Um dos convidados ao conclave, o presidente de El Salvador, Salvador Sánchez Cerén, pediu que Caracas mantenha a venda de petróleo em condições preferenciais aos países da América Central e do Caribe. O pedido coincide com a visão que a Venezuela tem da aliança. O governante anfitrião, Nicolás Maduro, destacou o caráter estratégico do Mercosul e pediu que se trabalhe para associar o bloco à Aliança para os Povos de Nossa América (Alba), criada pelo falecido Hugo Chávez como resposta ao tratado de livre comércio entre Estados Unidos e América Latina (Alca). “É uma formação econômica que se propõe a ir muito além do que se convencionou chamar de livre comércio. Muito além. Se propõe a transcendê-lo, chegando ao comércio justo e integrador. Chegando ao desenvolvimento de investimentos conjuntos, ao desenvolvimento das forças produtivas”, ressaltou Maduro.
O único que parece estar além do bem e do mal é o presidente do Uruguai,José Mujica. Ele não é afeito a sutilezas no âmbito privado ou público. Ao ganhar o direito à palavra das mãos do anfitrião, o governante uruguaio fez uma brincadeira: “Obrigado, companheiro Maduro, que continua verde de esperança”. Depois, dirigindo-se à presidenta da Argentina com uma piscadela irônica, acrescentou: “Agora nos reunimos mais com Cristina, que não tem problemas”.
Foi uma introdução para criticar, em um relato sucinto da história da América Latina, a improdutividade dessas reuniões. “Quando retorno ao Uruguai, as pessoas me perguntam o que decidimos... Eu sei lá o que decidiram. Fizemos uma declaração.” Como alternativa aos encontros presidenciais, o presidente uruguaio sugeriu reuniões mais produtivas e propôs como alternativa que os temas mais comuns sejam discutidos ao telefone. E advertiu que, caso contrário, pode ser frustrada “uma tentativa maravilhosa” de consolidar a aliança, que descreveu como “o pobre Mercosul”.
Brasil, Argentina e Uruguai concordaram quando ao benefício que os investimentos chineses representam para as economias. Mujica mencionou o assunto quando fez uma piada sobre a presença dos Estados Unidos no continente, arrancando uma risada breve da presidenta Kirchner. Nesse relato sobre a história do continente, ele disse que esse país arrasou o continente “com seus modos toscos, grosseiros, cheios de ‘fox-trot’ e talvez de mais mau gosto”.
A China disponibilizou um fundo de 35 bilhões de dólares (78,7 bilhões de reais) para financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento, assim como acordos de intercâmbio comercial. “Não me recordo se alguém alguma vez veio à América Latina para nos propor essas coisas. É um convite de características globais como nunca antes tivemos, e não devemos perder essa oportunidade de vista”, disse Mujica. Mas advertiu: “Sabemos que neste mundo os peixes pequenos têm que tomar cuidado com os peixes grandes”.

Reportagem de Alfredo Meza
fonte:http://brasil.elpais.com/brasil/2014/07/31/internacional/1406763797_815683.html
foto:http://www.paranacooperativo.coop.br/ppc/index.php/sistema-ocepar/comunicacao/2011-12-07-11-06-29/ultimas-noticias/100211-cupula-crise-argentina-deixa-em-segundo-plano-proposta-de-ampliacao-do-bloco-regional

01/08/2014

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Surto de garimpo destrói floresta e divide índios no Pará


Alimentado pelos preços em alta do ouro, um novo surto de garimpo ilegal está se alastrando com rapidez e gerando destruição numa das últimas áreas de floresta amazônica no sudeste do Pará. Com máquinas pesadas, os garimpeiros avançam por territórios habitados pelo povo kayapó e assediam os índios, que estão divididos quanto à atividade.

Alguns líderes kayapós passaram a tolerar o garimpo em suas terras em troca de um percentual dos lucros. Eles dizem precisar dos recursos para sustentar as aldeias e cobram do governo políticas que lhes permitam abrir mão das receitas.
A atividade, porém, é ilegal, e seu combate compete ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e à Fundação Nacional do Índio (Funai).
Segundo Thaís Dias Gonçalves, coordenadora geral de monitoramento territorial da Funai, a Terra Indígena (TI) Kayapó, em Ourilândia do Norte, é a área indígena do país onde a atividade garimpeira é mais intensa.
A Funai diz que há por volta de 25 frentes ativas de garimpo dentro da TI. O território – que ocupa cerca de 33 mil quilômetros quadrados, área equivalente à de Alagoas e do Distrito Federal somados – é quase inteiramente coberto por mata nativa.
A TI Kayapó convive com surtos esporádicos de garimpo há décadas. Segundo a Funai, porém, a atividade alcançou níveis sem precedentes nos últimos meses.
A BBC Brasil acompanhou uma operação contra o garimpo na área na semana passada. De helicóptero ou avião, veem-se as enormes clareiras com lagos artificiais abertos pelas escavadeiras. Algumas frentes de garimpo têm cerca de 40 quilômetros quadrados, o equivalente a dez campos de futebol. Nos rios que cruzam a terra dos kayapó, cerca de 90 balsas reviram o solo em busca do metal.
Os agentes do Ibama e da Funai desceram em algumas minas e deram prazo de dez dias para que os garimpeiros deixassem o local. Os órgãos estimam que haja na terra indígena entre 4 e 5 mil garimpeiros, o equivalente a quase um terço do total de índios na área (16 mil). Segundo os agentes, quem ficar será expulso e terá seus equipamentos destruídos.
Moradores da região dizem que o garimpo poluiu os rios e reduziu drasticamente o número de peixes. Para separar e aglutinar o metal, garimpeiros usam mercúrio e cianeto, duas substâncias tóxicas.
"O garimpo é o ilícito ambiental mais grave que o Ibama enfrenta hoje no país", diz à BBC Brasil o diretor de proteção ambiental do órgão, Luciano de Menezes Evaristo.
Evaristo cita, além da destruição causada pela atividade, suas consequências sociais. "O garimpo traz no seu bojo uma decadência: com ele vêm o tráfico de drogas, a prostituição e a exploração do trabalho infantil."
O diretor do Ibama afirma que os casos de garimpo no país têm se multiplicado, especialmente no Pará. Segundo Evaristo, outro ponto crítico no Estado é a bacia do rio Tapajós, no oeste paraense, onde há pelo menos 3 mil frentes da atividade.
O diretor do Ibama atribuiu o surto ao bom preço do metal. Considerado um investimento seguro em tempos de instabilidade na economia, o ouro valia cerca de US$ 800 dólares a onça (31 gramas) no fim de 2007. Hoje vale US$ 1.297.

Índios divididos

Na semana passada, a BBC Brasil acompanhou uma reunião na sede da Funai em Tucumã em que o Ibama informou autoridades locais e cerca de 15 líderes kayapós sobre a operação contra o garimpo.

Alguns índios se queixaram da ação e disseram que a atividade ajuda a sustentar suas aldeias. Segundo eles, os garimpeiros pagam às comunidades um percentual de seus lucros.
O cacique Niti Kayapó, da aldeia Kikretum, afirmou que o dinheiro do garimpo tem lhe ajudado a pagar o aluguel de tratores usados na colheita de castanha – atividade que, segundo ele, é a principal fonte de renda de sua comunidade.
"Eu preciso ter alguma coisa para a comunidade. Se vocês (governo) disserem que têm um projeto de 300, 500 mil reais para nós, a gente vai lá e tira os garimpeiros. Mas vocês não têm."
Houve um bate-boca quando um índio disse que o garimpo em área vizinha à sua aldeia tinha poluído a água usada por sua comunidade. A maioria dos líderes presentes assinou uma carta pedindo que os garimpeiros fossem expulsos da TI.
Na reunião, os índios também pediram às autoridades que pressionassem a mineradora Vale a executar seu plano de compensação por ter implantado uma mina a 34 quilômetros da TI.
Para mitigar o impacto na área da mina Onça Puma, que produz ferroníquel, a empresa se comprometeu, entre outras ações, a construir uma casa de apoio para indígenas em Ourilândia do Norte e financiar projetos de geração de renda nas aldeias.
Segundo a Funai, as ações, que vêm sendo negociadas há quase uma década, custarão cerca de R$ 3,5 milhões. Nesta semana, 70 índios foram à sede da mineradora em Redenção para reforçar a cobrança. Em nota à BBC Brasil, a mineradora disse que o plano começará a vigorar em agosto.
Os índios também cobram da estatal Eletrobrás e do consórcio Norte Energia que cumpram o compromisso de financiar projetos de geração de renda nas aldeias. O acordo é uma contrapartida pela construção da hidrelétrica de Belo Monte, que fica a cerca de 500 quilômetros da TI Kayapó, rio Xingu abaixo.
Em nota, a Eletrobrás afirmou que os projetos devem ser pactuados com os índios até o fim de 2014 e executados a partir de 2015. Serão destinados R$ 1,5 milhão por ano às ações, ao longo de três anos.
Segundo Thaís Dias Gonçalves, coordenadora geral de monitoramento territorial da Funai, somente serão contempladas pelos programas da Vale e da Eletrobrás/Norte Energia as aldeias que não tenham qualquer envolvimento com o garimpo.
Ela afirma, no entanto, que os programas não serão capazes de competir com o garimpo em volume de recursos.
Para Gonçalves, erradicar a atividade na área de uma vez por todas exige um trabalho de inteligência policial, que identifique quem está lucrando com o negócio. "Tanto o garimpeiro quanto o indígena envolvido são parte muito pequena de uma cadeia fortíssima."


Reportagem de João Fellet
fonte:http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2014/08/01/surto-de-garimpo-destroi-floresta-e-divide-indios-no-para.htm
foto:http://www.zedudu.com.br/?p=21589

Assistência adequada a adolescente é melhor que repressão

Artigo de João Baptista Galhardo Júnior ,  juiz assessor da Presidência do Tribunal de Justiça de São Paulo, vencedor do Prêmio Innovare.


A crescente violência promovida por jovens provoca na sociedade a vontade de mudança da lei, tornando penalmente imputáveis jovens menores de 18 anos. Contudo, a conduta criminal infato-juvenil é um problema complexo que exige um processo reflexivo amplo, com a observância de diversos fatores que levam os jovens à prática de infrações, não se podendo avaliar apenas a legislação para se concluir sobre o que está errado. A aplicação de medidas socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) tem a finalidade não só de responsabilizar, mas também de efetivar a integração social através de processos educativos, culturais e sociais, proporcionando proteção à vida e o pleno exercício da cidadania, num ambiente de paz e justiça social.
Se por um lado o adolescente que infraciona provoca danos à sociedade, por outro, seus próprios direitos não são devidamente garantidos. Infelizmente, em grande parte dos municípios do país, o chamado sistema socioeducativo não atua de forma eficaz, o que leva o jovem à reincidência e à prática de atos mais violentos. Onde há um sistema de atendimento articulado, buscando inserir rapidamente o jovem ao seio da sociedade positiva, os índices de reincidência se mostram baixos e a prática de atos violentos é exceção.
Vale dizer que, desde o momento da apreensão do adolescente em flagrante até a sua responsabilização, todas as ações devem se voltar à sua recuperação. O espaço físico a ser destinado ao adolescente apreendido, por exemplo, não pode ser outro que não um ambiente digno de sala de aula, com profissionais aptos a promoverem sua pronta ressocialização. Mas, na prática, o que se vê são celas de delegacias que já não se prestam mais para prisão de adultos e viram “lar” provisório do adolescente, até ele receber decisão judicial favorável à sua liberdade ou transferência para uma unidade de internação.
Se a pretensão é ressocializar, como alcançar este intento quando logo de início do processo o adolescente já é tratado como um bicho em uma jaula das mais degradantes? Este momento de atendimento inicial é de profunda importância para a recuperação do adolescente que infraciona. A atuação do sistema de justiça e da rede de atendimento deve, portanto, ser rápida e eficaz.
Por esta razão, o ECA prevê que é essencial a integração do Poder Judiciário, Ministério Público, Segurança Pública, Assistência Social, Saúde, Educação, e Conselhos Tutelares. Esta ação articulada, realizada num mesmo espaço físico, tem sido chamada de Núcleo de Atendimento Integrado Multidisciplinar (NAI ou NAM). A prática foi vencedora da IV edição do Prêmio Innovare, que tem como objetivo identificar e disseminar atividades que aumentam a qualidade de prestação jurisdicional e contribuem com a modernização da Justiça.
A complexidade dos fatores que favorecem o envolvimento do adolescente com a violência e o crime requer uma ação que envolva e comprometa autoridades públicas, família e sociedade civil. Somente com a participação do Sistema de Justiça, do Poder Executivo, dos pais e das forças da sociedade, conseguiremos fazer frente a tudo o que pode levar adolescentes a comprometerem o próprio futuro e a tão almejada paz social.
O NAI possibilita, portanto, uma assistência adequada e mais completa para os adolescentes ali conduzidos, impedindo que no futuro pratiquem atos mais graves. A ação articulada deve, então, ser reconhecida como a melhor e mais eficaz forma de enfrentar os problemas sociais que afetam os direitos fundamentais de crianças e adolescentes. Experiências já implantadas têm demonstrado que os resultados para o atendimento integrado são perceptíveis e confirmam a validade da proposta.
O Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase), em consonância com o ECA, não apenas recomenda a implantação dos NAIs, mas vê nestes uma forma de dar agilidade ao serviço, promovendo maior responsabilização dos adolescentes e a certeza de que seus atos possuem consequências sobre suas vidas, inserindo-os de forma rápida e positiva na sociedade.

fonte:http://www.conjur.com.br/2014-jul-31/joao-baptista-assistencia-adequada-adolescente-melhor-repressao
foto:http://anjoseguerreiros.blogspot.com.br/2012_11_18_archive.html

Custo da energia ameaça frear economia, alertam analistas

O alto custo da eletricidade no Brasil e incertezas sobre o abastecimento desse insumo ameaçam tornar-se mais um freio para a economia, alertam analistas consultados pela BBC Brasil.
De acordo com Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), é difícil quantificar com precisão o impacto dessa combinação sobre o PIB, "mas ele certamente será significativo, principalmente na indústria".
"Já temos até empresas inadimplentes, que ameaçam fechar as portas por não estarem preparadas para esse aumento em seus custos de energia."
A seca e o baixo nível dos reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste fizeram o preço da energia elétrica no mercado de curto prazo - o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) - bater seu valor máximo (permitido por lei) de R$ 822 o megawatt hora (MWh) no primeiro semestre (caindo para algo em torno de R$ 700 nas últimas semanas).
Em parte isso ocorre porque, sem chuvas, é preciso acionar usinas termelétricas, cujo custo de operação é maior.
Para se ter uma ideia, em períodos de chuvas regulares, dentro da média histórica, o preço da energia nesse mercado costuma ficar abaixo dos R$ 100 o MWh. Há três anos, rondava os R$ 30.
Em meio a uma alta tão acentuada, começaram a vir à tona notícias de empresas eletrointensivas que, para amenizar as perdas causadas pela desaceleração econômica e demanda fraca, estão vendendo seu excedente de energia no mercado de curto prazo - e lucrando mais do que se estivessem produzindo.

Venda de energia

"Em geral são empresas que usam muita energia, como produtoras de alumínio, ferroligas e cloro-soda", explica Ildo Sauer, diretor do Instituto de Energia e Ambiente da USP.
"Algumas são sócias em usinas ou têm contratos antigos de compra de energia, que lhes garantem um suprimento do insumo a preços mais baixos."
Além disso, o alto custo no mercado de curto prazo também estaria afetando a negociação de contratos de médio e longo prazo, como explica Leontina Pinto, diretora da consultoria Engenho e ex-pesquisadora do Centro de Pesquisa de Energia Elétrica (Cepel).
Segundo Pinto, um cenário de "incertezas" sobre o suprimento energético estaria levando muitas empresas a revisar seus planos de investimentos.
"Para começar, com a alta do preço a curto prazo, ninguém vende a longo prazo - então não há energia para quem quer manter a produção", diz ela.
"Além disso, com a ameaça de racionamento, muitas indústrias optaram por não esperar o possível 'apagão' e já decidiram reduzir a sua produção no país, substituindo-a por importações ou remanejando a produção para o exterior - o que é um duro golpe na indústria, e pode ter consequências muito severas para a economia."

Opiniões divergentes

O tema, porém, é controverso. Para Walter de Vitto, da consultoria Tendências, por exemplo, não surpreende que o alto preço da energia estimule as empresas a cortar o consumo.
"De certa forma, esse é um mecanismo de autorregulação do setor: com menos consumo, os preços tendem a cair."
Segundo De Vitto, apesar do atraso na construção de algumas usinas, estão sendo tomadas ações adequadas para a expansão do sistema elétrico e os custos altos de energia são um problema essencialmente conjuntural.
O nível dos reservatórios das usinas do Sudeste/Centro-Oeste, que concentram 70% da capacidade de armazenamento do país, hoje está em 35%, contra 62% de julho do ano passado.
"O problema é que esse mecanismo de ajuste do consumo ao preço só existe no mercado livre, que atende grandes consumidores", opina de Vitto.
"No (mercado) regulado, a distribuidora está bancando esse aumento de custo e só vai repassar as perdas para os consumidores na revisão das tarifas."

Mercado

No Brasil, os grandes consumidores compram energia elétrica das geradoras no chamado mercado livre, não regulado pelo governo e nos quais as condições dos contratos são definidas livremente.
Já as distribuidoras que abastecem residências, comércios, pequenas indústrias e serviços adquirem o insumo no mercado cativo (ou regulado), em leilões nos quais as condições de preço são determinadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Os contratos desses dois mercados são registrados na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), que mede a energia efetivamente produzida e consumida por cada agente do sistema elétrico.
Quem consumiu mais do que contratou paga a diferença pelo PLD no chamado mercado de curto prazo. E quem consumiu menos, recebe pelo mesmo preço, cujo cálculo considera a disponilibidade de água para a produção de energia (ver esquema abaixo).

grafico - sistema elétrico
"Como algumas distribuidoras não tinham contratado toda a energia utilizada, acabaram com uma conta bilionária com a alta do PLD", explica de Vitto.
Em abril, o governo intermediou um empréstimo de R$ 11,2 bilhões para ajudar as distribuidoras e agora articula outro de R$ 6,5 bilhões.
"Tais custos terão de ser repassados para os consumidores, por isso em 2015 prevemos um aumento da tarifa de energia elétrica de 20% a 25%, que representaria um impacto de 0,54 a 0,68 ponto percentual na inflação", diz o especialista da Tendências.

'Peça de ficção'

O Ministério de Minas e Energia nega que seja necessário um reajuste de tal magnitude para acomodar as perdas das distribuidoras - só admite um aumento de 2,6% em 2015.
Segundo Márcio Zimmermann, secretário-executivo do ministério, "é peça de ficcção falar em crise energética no Brasil" e a prova da "saúde" do sistema seria a atração de um grande volume de investimentos para sua expansão.
O ministério também não vê risco de racionamento - ou problema na venda de energia por empresas eletrointensivas.
"Se elas não usam a energia contratada podem vendê-la - essas são as regras do jogo", diz.
A Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia (Abrace) concorda com esse ponto de vista e nega que haja empresas parando de produzir para vender energia.
"Isso não faria sentido do ponto de vista estratégico - mas se por um motivo ou outro sobra energia, é direito das empresas vender esse insumo", diz Camila Schoti, coordenadora de energia da Abrace.
A associação, porém, reclama dos efeitos do alto preço da eletricidade sobre a competitividade da indústria nacional.
"Países como França e Canadá têm políticas bem-sucedidas de redução do custo desse insumo para a indústria", exemplifica Schoti. "A falta de chuvas de fato é uma questão conjuntural, mas seria importante adotar estratégias de longo prazo que reduzissem os encargos para as empresas ness área."

Solução

Não está claro até que ponto um aumento do volume de chuvas representaria uma solução definitiva para a questão.
Para Sauer, por exemplo, a hidrologia atípica apenas expôs problemas estruturais do atual sistema elétrico brasileiro.
Ele opina que o governo teria errado, por exemplo, ao tentar impor uma redução de tarifas, sem garantir uma queda nos custos das distribuidoras.
"O sistema deveria ser planejado de modo a não depender de mais ou menos chuva", diz ele. "O país tem recursos eólicos e hidráulicos suficientes para dobrar seu consumo de energia, mas para isso são necessários investimentos e uma gestão mais racional do sistema."
Já para de Vitto, o sistema parece ser relativamente adequado às necessidades energéticas brasileiras.
"O que essa crise conjuntural está mostrando é que talvez seja interessante um colchão financeiro para amenizar a variação de preços."

Reportagem de Ruth Costas
fonte:http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/07/140721_sistema_eletrico_ru.shtml#page-top
foto:http://chil.org/blogs/sin-agricultura-nada/138/by-tag/suministro-electrico

Os policiais brasileiros querem desmilitarizar a instituição


Marcos é um policial militar de São Paulo. Adriano é policial federal no Rio Grande do Sul. E Gilson atua na Polícia Civil de Mato Grosso. Apesar de trabalharem em instituições e Estados diferentes, os três fazem parte de um grupo que até então não tinha dado as caras na segurança pública brasileira, o de agentes insatisfeitos com o atual modelo de policiamento e que defendem a desmilitarização da polícia brasileira.
Uma pesquisa divulgada em São Paulo, na última quarta-feira, pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que 73,7% dos policiais brasileiros são a favor da desvinculação da polícia dos meios militares. Até a maioria dos policiais militares (76,3%) querem a desmilitarização da corporação. Quase a metade do total dos que querem as mudanças se concentra entre duas propostas: 21,8% defendem que a PM e a Polícia Civil se unifiquem formando uma instituição de ciclo completo e 27,1% quer a criação de uma nova polícia com carreira única.
Na prática isso quer dizer que os policiais do Brasil querem uma reestruturação de suas carreiras para aperfeiçoar o combate ao crime e acabar com as brigas internas entre as corporações. “Cansei de ver bandido ser solto porque as provas coletadas pelos policiais militares foram mal aproveitadas no inquérito da Polícia Civil. As picuinhas entre as duas corporações nos impediram de ajudar mais na investigação”, reclama o PM Marcos.
“Cansei de ver casos em que a PM prende, acusa e julga um traficante e quer que nós, policiais civis, acreditemos na versão deles. Isso não pode continuar. A desconfiança tem de acabar”, acrescenta o policial Gilson.
Atualmente , cabe as 27 Unidades da Federação definirem como será o seu policiamento. E cada Estado tem duas polícias, a Militar, que atua na repressão, no policiamento ostensivo, e a Civil, responsável pela investigação da maior parte dos delitos, como homicídios, roubos, furtos e sequestros. Ocorre que, como citado pelos policiais Marcos e Gilson, em muitas ocasiões as polícias não se conversam e acabam atrapalhando o combate à criminalidade. Sua estrutura de promoção de funcionários, de escala de trabalho, de treinamento e de repressão ao crime é muito diferente uma da outra.
Quando se fala de carreira única, quer dizer que um policial que hoje é guarda de trânsito um dia pode chegar a comandar a instituição. O que, nos dias de hoje, é quase impossível levando em conta os sistemas de promoção internos.
Para um dos responsáveis pela pesquisa, o sociólogo e pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Renato Sérgio de Lima, os resultados são um “sinal claro de que o Brasil precisa avançar na agenda da desmilitarização e reforma das forças de segurança”.
O levantamento divulgado pelo Fórum ouviu 21.101 policiais civis, militares, federais, rodoviários federais e bombeiros. Parte deles, 38,7%, demonstrou também estar descontente com a profissão que escolheram e não optariam por ela caso pudessem voltar no tempo. Além disso, 99% reclamam que recebem baixos salários e 98% dizem que sua formação dentro da polícia é deficiente. “Já vi colegas que passam por treinamentos fast food e não sabem nada da teoria e nada de prática. Dá medo ficar ao lado desse colega, vai que ele falha na hora em que mais precisamos dele”, relata o policial Adriano.

Propostas

A desmilitarização da polícia é um tema que há ao menos 15 anos tem sido discutida entre militantes de direitos humanos e agentes de segurança. No último ano ganhou força graças à repressão policial durante os protestos que ocorreram a partir de junho de 2013.
Atualmente há ao menos três projetos de lei, todos na forma de emendas constitucionais, tramitando no Congresso Nacional. O que está mais avançado é a PEC 51, de autoria do senador Lindbergh Farias, do PT do Rio de Janeiro. Se a proposta for aprovada, além de mudar a atual estrutura das polícias transformando-as em completamente civis, haverá uma maior participação da União e dos municípios na segurança pública (criando polícias metropolitanas e municipais) e um fortalecimento dos mecanismos de controle externo dos policiais, segundo o autor do projeto.
Parte dos críticos da PEC 51 argumenta que a criação de polícias metropolitanas ou municipais só traria mais problemas e maiores gastos aos cofres públicos. O projeto ainda não tem data para ser votado.

Reportagem de A.B
fonte:http://brasil.elpais.com/brasil/2014/07/30/politica/1406679075_861116.html
foto:http://psolriodasostras.wordpress.com/2013/01/21/desmilitarizar-e-unificar-a-policia/