02/02/2013

Por que alguns países regulam a escolha dos nomes das crianças?


A recente decisão da Justiça da Islândia, que concedeu a uma menina o direito de permanecer com seu nome de batismo, gerou um debate sobre as regras impostas por vários países do mundo sobre como os pais podem chamar seus filhos. O caso aconteceu com a jovem Blaer, de 15 anos, nome que, em islandês, significa "brisa".
Aos olhos da Justiça da Islândia, ao chamá-la por esse nome, sua mãe, Björk Eidsdottir infringiu a lei do país. Isso porque, para as autoridades locais, Blaer era um nome masculino. Como resultado, Blaer era conhecida simplesmente como "garota" nos documentos oficiais.
Na última quinta-feira, entretanto, um tribunal da capital Reyjavik decidiu que a jovem poderia permanecer com seu nome de batismo.
"Finalmente, eu poderei ter meu nome no meu passaporte", disse ela após a decisão da Justiça.
Mas, tal como a Islândia, muitos países do mundo, como Alemanha, Suécia, China e Japão, também restringem os nomes que pais podem dar a seus filhos. No caso islandês, as regras obedecem a gramática, para que a criança não seja exposta ao ridículo. Além disso, frequentemente as autoridades reforçam pedidos para que os pais escolham um nome que possa ser escrito na grafia do idioma islandês.
Há no país uma lista de 1.853 nomes femininos e 1.712 nomes masculinos. Os pais devam embasar suas escolhas nessa compilação ou, então, pedir permissão de um comitê especial.

"4Real" banido

Na Alemanha, preocupações similares quanto ao constrangimento infantil ocorreram quando um casal turco foi proibido de chamar seu bebê de Osama Bin Laden, o ex-líder da Al-Qaeda morto no Paquistão há dois anos.
Outro episódio polêmico aconteceu com um casal que quis batizar seu filho de "Berlim", em homenagem à cidade em que se conheceu.
A Justiça alemã inicialmente não aceitou o pedido, mas teve de voltar atrás depois de reconhecer que já havia dado ganho de causa a uma família que batizou seu filho de "Londres".
A Alemanha também proíbe que sobrenomes sejam usados como pré-nomes. Assim, Merkel (atual chanceler alemã), Schröder (ex-chanceler) e Köhl (ex-chanceler) são banidos como nomes de crianças.
Na Nova Zelândia, um pedido de um casal para batizar seu filho de 4Real ("de verdade", em tradução livre) não caiu no gosto das autoridades. Um juiz também deu autorização para que uma jovem local mudasse seu nome de batismo. Ela chamava-se "Talula Does The Hula from Hawaii" ("Talula faz a Ula do Havaí", em tradução livre).
Situação parecida acontece no Japão. Quando os pais japoneses vão registrar seus recém-nascidos, as autoridades locais podem negar o registro se acharem que o nome é inapropriado.
Em 1993, o nome Akuma, que significa "demônio", foi banido. Na China, as pessoas são forçadas a trocar de nomes se eles forem considerados muito obscuros.

Mais liberais

Já o Reino Unido e os Estados Unidos têm leis mais liberais. Pais americanos podem batizar seus filhos de praticamente qualquer coisa, disse Michael Sherrod, coautor do livro "Bad baby Names: The Worst True Names Parents Saddled Their Kids With" ("Nomes de bebês ruins: Os piores nomes verdadeiros que os pais batizaram seus filhos", em tradução livre).
Na prática, diz Sherrod, os pais veem a liberdade de escolher o nome de seus filhos como liberdade de expressão, um dos princípios da Constituição americana.
"Quando eu descobri as restrições que outros países tinham, fiquei absolutamente surpreso."
Nomes estranhos não são novidade, afirma o autor. Ele explica que registros do Censo americano nos séculos 18 e 19 revelam nomes como "King's Judgment" (que pode ser traduzido como Julgamento ou Discernimento do Rei), "Noble Fall" (Queda Nobre) e "Cholera Plague" (Praga da Cólera).
"Pesquisei os registros e achei 20 pessoas chamadas "Noun" (Nome), 458 pessoas chamadas Comma ("Vírgula") e 18 pessoas chamadas "Period" ("Ponto final")", enumera Sherrod.
"Mas dessas apenas uma única chamava-se "Semicolon" (Ponto e vírgula)", acrescenta.

Brasil

No Brasil, a escolha dos nomes não chega a ser tão liberal quanto nos Estados Unidos, mas está longe de ser rígida, explicam especialistas ouvidos pela BBC Brasil.
"A lei de registros públicos, de 1975, diz que não há restrição quanto à escolha dos nomes, desde que não se exponha a criança ao ridículo", explica Oscar Paes de Almeida Filho, dono de um cartório em Ribeirão Preto (SP).
Há mais de quatro décadas na profissão, Almeida Filho diz que já perdeu as contas de quantas vezes se deparou com registros inusitados.
"Em 1988, recebi um pai que queria chamar seu filho de 'Bimbomura'. Inicialmente recusei, mas ele alegou se tratar de um nome africano. Posteriormente, ele providenciou ao juiz a documentação necessária para comprovar a origem do nome."
O notário também diz ter se tornado popular na cidade uma criança com 22 nomes, filha de um conhecido radialista da região.
Para Luís Carlos Vendramin Júnior, presidente da Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado de São Paulo (Arpen-SP), o sistema brasileiro, por ser mais "liberal", oferece benefícios.
"A língua é mutável e assim são os nomes. Evidentemente que podemos recusar um pedido se acharmos que haverá constrangimento para a criança, mas devemos estar abertos às transformações."

Motivação

Mas por que os pais batizar seus filhos com nomes exóticos?
"Muitos pais querem que seus filhos sejam únicos. Eles acham que é divertido pois se trata de uma maneira de diferenciar seus filhos dos outros, dar-lhes personalidade", diz Sherrod.
"Os americanos, por exemplo, seguem aquele pensamento de "nós podemos fazer o que quisermos e se eles (filhos) não gostarem de seus nomes, então eles podem mudá-los quando crescerem".
Segundo Sherrod, crianças com nomes inusitados sofrem maior bullying na escola, "mas depois tendem a aceitá-los".
Não há dúvida de que alguns nomes são mais ofensivos e inusitados do que outros, mas, para o especialista, não cabe à lei determinar a escolha dos pais, e os tribunais só devem intervir em casos especiais.
Um exemplo dessa intervenção judicial ocorreu quando o americano Thomas Boyd Ritchie 3º tentou mudar seu nome apenas para 3º, mas uma corte da Califórnia afirmou que isso seria "inerentemente confuso".

Reportagem de Luís Guilherme Barrucho 
fonte:http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/02/130201_nomes_pais_batismo_lgb.shtml#page-top
foto:http://cadaestoria.wordpress.com/2008/12/22/nomes-exoticos-registrados-em-cartorio/


Paraguai fica em alerta após 18 mil suspeitas de dengue em um mês

Brasil e Argentina intensificaram medidas de prevenção e reforçaram capacidade de hospitais.



A Direção de Vigilância Sanitária do Paraguai informou ontem (01/02) que foram registradas 18,7 mil notificações sobre possíveis casos de dengue desde o início de janeiro. O município de Ciudad del Este, na fronteira com Brasil e Argentina, está em estado de emergência devido ao avanço da doença.

Dentre as suspeitas registradas no último mês no Paraguai, 3,6 mil diagnósticos foram confirmados. Com mais de 100 novas internações por dia no sistema público, o ministério de Saúde paraguaio contratou trabalhadores para reforçar o atendimento nos hospitais com maior demanda.
Entre as pessoas que apresentaram sintomas da doença estão o candidato à presidência pelo Partido Liberal, Efraín Alegre, e seu filho, que foi internado. Após alguns dias de repouso devido à confirmação do diagnóstico, Alegre já retomou suas atividades de campanha com vistas às eleições que serão realizadas no país no dia 21 de abril.
Na última quarta-feira (30/01),Ciudad del Este declarou situação de emergência devido ao avanço da doença. Já em território brasileiro, devido à alta de casos de dengue, a Secretaria Nacional de Defesa Civil também reconheceu, nesta quarta-feira (31/01), a situação de emergência na capital do Mato Grosso do Sul.

Segundo o prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, mais de 16,7 mil suspeitas de transmissão foram registradas em janeiro. “Os números mostram que essa epidemia é a maior de todos os tempos”, disse Bernal à Agência Brasil. De acordo com ele, o município receberá R$ 2 milhões do governo federal para intensificar o atendimento à população e realizar medidas de combate à doença.

Por sua vez, o ministro de Saúde da Argentina, Juan Manzur, afirmou nesta semana que “não há uma circulação viral” da dengue no país, embora haja casos “de pessoas que estiveram em contato com a doença, que vêm de lugares onde há circulação”.
As ações de prevenção estão sendo redobradas nas províncias limítrofes com o Paraguai e, em todos os casos registrados, “realizou-se cedo a detecção e o bloqueio do foco”. O governo afirma ter aumentado a provisão de medicamentos e reforçado a capacidade diagnóstica de 70 laboratórios localizados em “lugares estratégicos”.
Entre os sintomas da dengue estão febre alta, dor de cabeça, enjoos e vômitos, além de erupções na pele.



fonte:http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/26923/paraguai+fica+em+alerta+apos+18+mil+suspeitas+de+dengue+em+um+mes.shtml
foto:http://www.itacor.com.br/site/blog/dengue/

Premiê japonês anuncia intenção de mudar Constituição


O primeiro ministro do Japão, o nacionalista Shinzo Abe, anunciou na última quinta-feira (30/1) sua intenção de modificar a Constituição nacional.Questionado no Parlamento sobre o que pretende alterar, o premiê afirmou que, em primeiro lugar, modificaria o artigo 96, que fixa regras para as emendas ao texto.
De acordo com o artigo, as emendas constitucionais devem ser de iniciativa do Parlamento e as propostas precisam da aprovação de, pelo menos, dois terços de seus membros. Em seguida, para que passe a valer, é exigida sua aprovação também pela população, por referendo, ou em eleições paralelas.
A modificação do artigo 96 é um ponto fundamental para uma ampla reforma do texto constitucional, pois pode retirar obstáculos às futuras emendas. E a reforma do artigo 9º é uma das principais demandas da ala nacionalista do país. O artigo 9º estabelece: "Aspirando sinceramente a uma paz internacional baseada na justiça e na ordem, o povo japonês renuncia para sempre à guerra como direito soberano da nação, assim como à ameaça ou ao uso da força como meio para resolver os conflitos internacionais".
Durante sua campanha eleitoral, Shinzo Abe já havia mencionado que gostaria de redefinir o conceito oficial de “Forças de Autodefesa do Japão (FAJ)”, constante na Carta Magna, para “Força Militar”. As Forças Armadas japonesas têm atuação restrita ao território nacional. Mesmo que o artigo 9º afirme que "forças terrestres, marítimas e aéreas, bem como outras com potencial bélico, jamais serão mantidas", o Parlamento as instituiu em 1954. No entanto, qualquer tentativa de ampliar seu orçamento e sua atuação tende a ser controversa.
Segundo a imprensa internacional, Abe é um político muito comprometido com a política externa do Japão. As modificações à Constituição foram sugeridas por ele num momento em que o país enfrenta confrontos internacionais. O primeiro-ministro reiterou, em discurso, que as ilhas de Senkaku e Diaoyu, em disputa com a China, fazem parte do Japão; e a Coreia do Sul, que vive tensões históricas com o Japão e disputa com o país as ilhas de Dokdo e Takeshima, é o principal aliado local dos Estados Unidos, que desconfia da China por ela não ajudar a retardar os programas nucleares da Coreia do Norte. Xi Jinping, que assumirá o governo chinês em março de 2013, pediu ao exército que "intensifique sua capacidade para o combate".
Imposta pelos Estados Unidos após a II Guerra Mundial, a Constituição do Japão é conhecida também como Constituição Pacifista (Heiwa-Kenpo, em japonês), característica representada pelo seu artigo 9º: "Sinceramente aspirantes a uma paz internacional baseada na justiça e na ordem, o povo do Japão renuncia para sempre a guerracomo um direito soberano da Nação e a ameaça ou uso da forçacomo meio de resolução dos litígios internacionais. 2) A fim deconcretizar o objetivo do parágrafo precedente, as forças terrestres,marítimas e aéreas, bem como qualquer outro potencial de guerra,nunca serão mantidos. O direito de beligerância do Estado não seráreconhecido".
Os motivos da renúncia ao direito de guerra são expostos no preâmbulo da Carta Magna japonesa. Segundo o advogado constitucionalista João Negrini Neto, o preâmbulo não é uma regra por si só, mas uma introdução aos valores colocados na constituição. "O Direito evolui com a sociedade. Pode ser que os valores e a filosofia dos japoneses tenha mudado com o tempo".
Leia a seguir a íntegra do preâmbulo da Constituição do Japão:
“Nós, o povo japonês, agindo através de nossos representantes devidamente eleitos na Dieta Nacional [o parlamento japonês], determinamos a garantia para nós mesmos e nossa posteridade, os frutos da cooperação pacífica com todas as nações e as bênçãos da liberdade em toda esta terra, e resolvemos nunca mais seremos visitados pelos horrores da guerra através da ação do governo; proclamamos que o poder soberano reside no povo e estabelecemos firmemente esta Constituição. O governo é um dever sagrado do povo, sua autoridade deriva do povo, seus poderes são exercidos pelos representantes do povo, e seus benefícios são usufruídos pelo povo. Este é um princípio universal da humanidade no qual esta Constituição é fundada. Rejeitamos e revogamos todas as constituições, leis, portarias e éditos que o contradigam.
Nós, o povo japonês, desejamos a paz eterna e estamos profundamente conscientes dos elevados ideais que movem as relações entre os homens, estamos determinados a preservar a nossa segurança e existência, confiando na justiça e na fé dos povos amantes da paz do mundo. Desejamos ocupar um lugar de honra em uma sociedade internacional que lute pela a preservação da paz, pela extinção da tirania e da escravidão, da opressão e da intolerância da Terra em todos os tempos. Reconhecemos que todos os povos do mundo têm o direito de viver em paz, livres do medo e da necessidade. Acreditamos que nenhuma nação é responsável por si só, mas que as leis de moralidade política são universais, e que a obediência a essas leis compete a todas as nações que sustentem sua própria soberania e justifiquem sua relação soberana com outras nações.
Nós, o povo japonês, honramos nosso compromisso nacional para alcançar esses elevados ideais e propósitos com todos os nossos recursos.”

Reportagem de Felipe Vilasanchez
fonte:http://www.conjur.com.br/2013-fev-01/primeiro-ministro-japao-anuncia-intencao-modificar-constituicao
foto:http://www.downloadswallpapers.com/papel-de-parede/japao-e-arte-14759.htm

01/02/2013

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Contrabando de cigarros alimenta a violência islâmica no norte da África



Durante muitos anos Mokhtar Belmokhtar foi pouco mais que uma nota de rodapé nos relatórios de inteligência que analisavam a crescente presença de grupos islâmicos na África saariana.
O homem cujo Batalhão Assinado em Sangue, inspirado na Al-Qaeda, liderou o ataque à usina de gás In Amenas na Argélia, no qual pelo menos 38 pessoas foram mortas, era considerado uma figura relativamente sem importância no ecossistema político da vasta região. Mas Belmokhtar, que lutou com os mujahedin no Afeganistão e o Grupo Islâmico Armado (GIA) na guerra civil da Argélia antes de se tornar um comandante da Al-Qaeda no Magreb Islâmico (AQMI), baseada no Mali, era ambicioso.
Em 2013 ele idealizou o sequestro de 32 turistas europeus pelos quais obteve resgate. O dinheiro lhe deu o capital inicial necessário para desenvolver um sofisticado negócio comercial por toda a África saariana, ao longo da antiga rota do sal, de mais de 3 mil quilômetros, usada pelos tuaregues para transportar produtos da costa oeste do continente até Timbuctu, no Mali, e depois ao Níger, antes de chegar ao sul da Argélia, uma porta para o Mediterrâneo.
Mas enquanto os tuaregues ganhavam dinheiro com o comércio de sal, ouro e seda, Belmokhtar, que conseguiu ligações estreitas com os integrantes das tribos através de casamentos com filhas de várias famílias importantes, fez uma fortuna por meio de outra mercadoria: cigarros contrabandeados. Tal era o volume de seu negócio que ele conquistou o apelido de “Mr. Marlboro”.
“Ele não era uma figura importante na AQMI, era muito diferente da Al-Qaeda e de Bin Laden”, disse Morten Bøås, um pesquisador sênior na Universidade de Oslo (Noruega) e editor deAfrican Guerrillas: Raging Against the Machine [Guerrilhas africanas: atacando a máquina]. “Ele é conhecido geralmente como uma das figuras mais pragmáticas, mais interessado em encher os próprios bolsos do que combater pela jihad.”
O papel chave que os cigarros desempenham para facilitar o terrorismo foi inexplicavelmente ignorado. Mas tornou-se um interesse urgente para as agências de inteligência ocidentais que tentam combater as diversas facções da Al-Qaeda atuantes em toda a região do Saara.
De fato, depois de entrevistar diversos agentes e especialistas nesse campo, o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (CIJI) concluiu que “o contrabando de cigarros forneceu o grosso do financiamento da AQMI”. Entre os afiliados da AQMI está o Ansar al-Sharia, acusado do assassinato do embaixador norte-americano Chris Stevens em Benghazi, na Líbia, no ano passado. Também estaria por trás de ameaças feitas na semana passada que levaram o Ministério do Exterior da Grã-Bretanha a pedir que os britânicos deixassem a cidade.
O valor total do comércio ilícito de tabaco no norte da África seria superior a 1 bilhão de dólares. O Escritório da ONU para Drogas e Crime (Unodc na sigla em inglês) estima que os africanos fumam 400 bilhões de cigarros por ano, dos quais 60 bilhões são comprados no mercado negro.
Entretanto, cinco países — Argélia, Egito, Líbia, Marrocos e Tunísia — fumam 44% dos cigarros da África, e seus mercados paralelos são significativamente maiores. Mais de três quartos de todos os cigarros fumados na Líbia, por exemplo, são ilícitos.
Controlar o fluxo de contrabando para esses países provocou uma guerra interna, enquanto Belmokhtar e outras facções da AQMI competem entre si, assim como com tribos tuaregues e autoridades corruptas do exército e do governo, na tentativa de controlar o negócio. Alguns dos cigarros transportados pela África saariana são falsificações produzidas na China e no Vietnã. Mas a maior parte são produtos de marcas genuínas, obtidos através do Oriente Médio e embarcados por diversos países através de uma rede complexa de intermediários e empresas, muitas em paraísos fiscais offshore.
Os cigarros costumam entrar na África ocidental por Gana, Benim e Togo. Uma rota secundária é através da Guiné, onde a oferta, segundo a Unodc, supera amplamente a demanda do país. Os cigarros são então transportados para o Mali por estradas ou por barco no rio Níger, onde há pouco risco de detecção. O terceiro pólo de distribuição — para Senegal, Marrocos e Argélia — é abastecido pela Mauritânia.
Em todos os casos, Mr. Marlboro e a AQMI fazem a limpeza, cobrando um “imposto” para a passagem segura dos cigarros pela rota do sal, ou facilitando seu transporte usando veículos 4×4, caminhonetes, motos e até bicicletas.
Muitas vezes os produtos contrabandeados não são uma marca ocidental de primeira linha, como Marlboro, mas uma das mais baratas e menos prestigiosas que as gigantes do tabaco lançam nos países em desenvolvimento como forma de penetrar em seus mercados.
Inevitavelmente, o contrabando de cigarros endêmico nesses países levantou perguntas sobre o papel desempenhado pelas grandes empresas, e em particular a medida em que elas devem ser responsabilizadas pelas rotas de distribuição serem usadas para encher os cofres de alguns dos grupos terroristas mais perigosos do mundo.
Memorandos internos da empresa mostram que na década de 1980 a British American Tobacco (BTA) na África usou uma empresa baseada em Lichtenstein, a Sorepex, como distribuidor chave. Documentos da BTA  revelam que a companhia via a Sorepex como uma maneira de oferecer “cobertura, embora cada vez mais frágil, para a BAT em alguns negócios bastante obscuros”. A companhia insiste que condena toda forma de contrabando.
Em 2002 a RJ Reynolds, dona da marca Winston, foi acusada pela União Europeia de vender seus produtos no Iraque, rompendo os embargos. Os cigarros eram supostamente contrabandeados para o país pelo PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão), considerado um grupo terrorista pelo governo dos Estados Unidos. O documento supostamente revelava que os cigarros eram transportados dos EUA e enviados para a Espanha e depois para Chipre e a Turquia antes de chegarem ao Iraque. O caso está atualmente em um tribunal de apelação federal nos EUA.
Mais recentemente, no ano passado, a Japan Tobacco confirmou que está sendo investigada pela UE sobre alegações de que burlou as sanções enviando cigarros para uma firma ligada ao regime sírio. A companhia negou qualquer infração.
Especialistas dizem que os lucros do contrabando de cigarros alimentam outras atividades criminosas, incluindo o tráfico de drogas, de petróleo e de pessoas, atividades que muitas vezes usam as mesmas redes de distribuição. Mas os cigarros continuam sendo a forma de contrabando mais rentável e menos arriscada. Louise Shelley, especialista em criminalidade na Universidade George Mason em Washington, disse ao CIJI: “Ninguém pensa que o contrabando de cigarros é sério demais, por isso os órgãos policiais não gastam recursos para reprimi-lo”.
Isso ajuda a explicar por que grupos terroristas exploram o comércio ilícito. Segundo o Departamento de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos dos EUA, o IRA ganhou até 100 milhões de dólares entre 1999 e 2004 contrabandeando cigarros para a Irlanda do Norte. O Hizbollah teve uma bem-sucedida operação de contrabando nos EUA, enviando cigarros da Carolina do Norte, onde os impostos são baixos, para Michigan, onde são mais elevados.
“O contrabando de tabaco é lucrativo e generalizado”, disse Deborah Arnott, executiva-chefe da organização Ação sobre o Fumo e a Saúde. “Ele ajuda a financiar o terrorismo e conflitos globais, incentiva a corrupção e continua sendo uma fonte de fundos para alguns dos regimes mais repressivos do mundo.”
Especialistas em inteligência disseram ao Observer que o comércio ilícito de cigarros no norte da África é o “ponto baixo” do contrabando de cigarros. O verdadeiro dinheiro, eles disseram, vem de enviar produtos de grandes marcas de volta para a Europa através da Grécia, Espanha ou até a Itália. Até agora, acreditava-se que este fosse um pequeno mas crescente mercado para os contrabandistas.
Embora não haja sugestão de que as gigantes do tabaco trabalhem ativamente com grupos terroristas, monitorar o destino de seus produtos é extremamente difícil. O uso pelas companhias de intermediários bem conectados torna quase impossível rastrear seus cigarros. Documentos compartilhados com o Observer por especialistas em inteligência mostram que um intermediário, que regularmente compra produtos de uma grande empresa de tabaco, tem uma complexa operação com escritórios, armazéns e contas bancárias em Chipre, Bruxelas, Dubai, Malásia, Egito, Israel, Uruguai, Panamá e Cingapura, que lhe permite movimentar cigarros ao redor do mundo sem ser rastreado.
“Os que fornecem ‘proteção’ nas rotas — muitas vezes agentes de alfândega ou serviços de segurança, mas em alguns casos ‘terroristas’ — ganham um bom dinheiro por pouco trabalho”, disse um especialista em inteligência que trabalhou em operações de contraterrorismo. “O melhor para eles é que o negócio é pago em dólares ou em euros. É moeda dura em contas limpas que eles podem usar à vontade para comprar o que precisarem.”
Especialistas querem que os países ratifiquem o tratado internacional sobre o comércio ilícito de tabaco, que obrigaria as empresas de cigarros a monitorar e rastrear a distribuição de seus produtos enquanto realizam as devidas diligências sobre seus clientes.
“A única maneira de se efetivamente policiar isto é se os fabricantes aceitarem a responsabilidade legal por seus produtos em toda a cadeia de suprimento — isso os obrigará a lidar com agentes honrados”, disse Eric LeGresley, um advogado canadense que estudou as empresas de tabaco.
Ironicamente, Belmokhtar pode ter tido sucesso demais no contrabando. Há rumores de que no final do ano passado ele foi obrigado a sair da AQMI e de sua base no Mali depois que os líderes da organização questionaram seu comprometimento com a causa. Mr. Marlboro estaria mais interessado em dinheiro que em ideais, eles sugeriram.
A chacina no Saara pode ter sido uma tentativa grotesca de Belmokhtar provar que eles estavam errados, algo que tem enormes consequências para suas operações de contrabando.
“Seus dias como contrabandista terminaram”, previu Bøås. “Nenhum bandido ou negociante vai querer que ele esteja a menos de um quilômetro de distância agora. Eles não querem ser visados por aviões teleguiados norte-americanos.”
Mas, diante do dinheiro em jogo, não faltarão outros dispostos a assumir seu lugar.
Tabaco e terrorismo
Taleban. Em todo o cinturão tribal do Paquistão, milícias taleban coletam dinheiro de contrabandistas de cigarros em troca de permitir que falsificações de Marlboro e marcas locais baratas passem para o Afeganistão e a China. Os cigarros tornaram-se uma fonte cada vez mais importante de dinheiro para os grupos, perdendo apenas para o comércio de heroína, segundo autoridades de inteligência paquistanesas.
PKK. Cobra uma taxa para cada contêiner de cigarros que permite passar por seu território. Controlou o fluxo do contrabando de cigarros para o Iraque na década de 1990; hoje controla a enchente de cigarros contrabandeados para fora desse país.
Farc. O maior fornecedor de cocaína do mundo muitas vezes usa suas bem estabelecidas rotas de contrabando para movimentar cigarros norte-americanos, de acordo com evidências oferecidas pelo Senado dos EUA.
CNDP. Em 2008, a ONU afirmou que o Congresso Nacional pela Defesa do Povo, um grupo rebelde apoiado pelos tutsis e acusado de atrocidades, estava sendo financiado por Tribert Rujugiro Ayabatwa, um magnata dos cigarros que se declarou culpado de acusações de evasão fiscal de cigarros na África do Sul.

Fontes: Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, Escritório da ONU para Drogas e Crime.
Reportagem de Jamie Doward
fonte:http://www.cartacapital.com.br/internacional/contrabando-de-cigarros-alimenta-a-violencia-islamica-no-norte-da-africa/
foto:http://www.rededemocratica.org/index.php?option=com_k2&view=item&id=226:o-pavio-est%C3%A1-aceso


Pesquisadores brasileiros transformam esgoto doméstico em adubo


Adubo feito com lodo produzido em estações de tratamento de esgoto se mostrou mais eficiente que fertilizantes comerciais.


O esgoto doméstico pode se tornar um aliado da agricultura. Pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF) estão desenvolvendo um adubo, feito com lodo produzido em estações de tratamento de esgoto, que se mostrou mais eficiente que os fertilizantes comerciais. Fruto de parceria da UFF com a prefeitura de Volta Redonda (RJ) e o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) da cidade, os experimentos vêm sendo conduzidos em uma estação de tratamento do município desde 2011. 
Segundo a pesquisadora Fabiana Soares dos Santos, que coordena a equipe de cinco professores da UFF e alunos de iniciação científica, o uso agrícola do lodo é uma boa ideia porque "alia o baixo custo com o impacto ambiental extremamente positivo". 
O lodo de esgoto doméstico é o resíduo gerado no tratamento do esgoto sanitário e pode causar sérios problemas ambientais se disposto de forma inadequada. Em vez de ser descartado nos aterros, ele vira matéria-prima para a produção do fertilizante, por ser fonte de matéria orgânica e nutrientes para as plantas. 
Mas esse lodo pode conter certas substâncias que, em determinadas concentrações, são nocivas ao meio ambiente e à saúde. Por isso, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) publicou em 2006 a Resolução n.º 375, que define quais são os níveis máximos de poluentes que o lodo de esgoto pode ter para ser usado na agricultura. 
O fertilizante feito pela equipe da UFF foi criado com base uma mistura desse lodo com resíduos das podas de árvores feitas pela prefeitura. Durante quatro meses, os pesquisadores fizeram a compostagem desses materiais e analisaram se os agentes contaminantes orgânicos, inorgânicos (metais pesados) e biológicos (coliformes, ovos de helmintos, salmonela) estavam adequados aos níveis da resolução. 
Concluída essa etapa, iniciaram os experimentos com o cultivo de milho e de aroeira, uma espécie arbórea utilizada em projetos de reflorestamento. Nessa fase, os pesquisadores cultivaram as duas plantas em cinco diferentes tipos de solo: um adubado com o fertilizante desenvolvido por eles, um com o substrato comercial, e os outros três utilizando combinações desses dois adubos em diferentes proporções. 
Resultados 
A equipe de Fabiana constatou que as plantas se desenvolveram melhor nos tratamentos que continham as proporções mais concentradas do composto de lodo de esgoto. "No caso do milho, a diferença foi bem marcante entre o tratamento com o substrato comercial puro quando comparado com o lodo de esgoto. O lodo teve um efeito significativo no desenvolvimento das plantas." 
Agora, eles se debruçam sobre os dados coletados e analisam, em laboratório, os pigmentos e a concentração dos nutrientes nas folhas para comprovar fisiologicamente a diferença que já pode ser constatada só de olhar.


fonte:http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/2013-01-31/pesquisadores-brasileiros-transformam-esgoto-domestico-em-adubo.html
foto:http://www.movimentocyan.com.br/home/revista-cyan/temas/ambiente/2011/11/14/nem-metade-do-brasil-tem-coleta-de-esgoto

Furtado Coêlho é eleito presidente da OAB



O advogado Marcus Vinícius Furtado Coêlho (foto acima) foi eleito na noite de ontem (31/1), com 64 votos, presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. Ele presidirá a OAB até 1º de fevereiro de 2016. Seu concorrente, Alberto de Paula Machado, teve 16 votos. Um conselheiro votou em branco. A posse de Furtado Coêlho e dos novos 81 conselheiros federais será nesta sexta-feira (1º/2), às 9h.
A sessão que elegeu o novo presidente começou às 19h10. O presidente da OAB, Ophir Cavalcante Junior, apresentou as duas chapas que disputaram as eleições e passou a presidência da sessão para o conselheiro federal Paulo Medina, decano do colegiado.
Medina informou sobre a liminar que reconduziu ao cargo o conselheiro federal Danilo Mota, do Ceará, e lhe devolveu o direito de votar. O conselheiro recorreu à Justiça depois de ser afastado, segundo ele, por retaliação política por ter declarado voto em Marcus Vinícius.
A segunda questão foi a ausência do conselheiro federal Luiz Flávio Borges D’Urso, de São Paulo. O presidente da seccional paulista, Marcos da Costa, indicou um suplente para votar em seu lugar. Como não há regulamentação expressa sobre voto de suplente — de acordo com as regras, só titulares votam — Medina teve de decidir a questão.
E decidiu que o suplente teria o direito de votar, até para que não houvesse qualquer questionamento no sentido de cerceamento de voto. O plenário concordou com a decisão. O ex-presidente nacional da OAB, Reginaldo de Castro, então, quis levantar questão de ordem. Medina lembrou que não há questão de ordem em decisão do colégio eleitoral, que tem competência restrita de eleger a direção da casa.
Mas Paulo Medina disse que não negaria a palavra ao ex-presidente. Castro, então, disse: “Nunca a OAB assistiu a ofensas tão graves contra um candidato, sem que houvesse qualquer resposta”, afirmou. O candidato a que ele se referia era Furtado Coêlho — clique aqui para ler sobre os bastidores da disputa.
Castro defendeu o debate para que os conselheiros conhecessem as ideias dos candidatos. O auditório ensaiou risos, já que em um colégio de 81 eleitores, todos se conhecem. Medina disse que a votação iria seguir porque não houve acordo entre as duas chapas para a realização do debate. E, como diz o dito popular, quando um não quer, dois não brigam. A votação seguiu, sem os embates previstos. E Coêlho teve exatamente quatro vezes mais votos que seu adversário.
Fim do processo
O presidente eleito comemorou, ao mesmo tempo, o resultado e o fim do processo eleitoral. Disse que, agora que é presidente, "desfez-se o palanque eleitoral". "Não há mais lados, há agora somente a Ordem dos Advogados do Brasil".

"Nesse momento, desfaz-se o palanque eleitoral. A campanha encerrou. Não mais tratarei do passado, passo a borracha em cima. A partir de agora conclamo a todos os advogados do Brasil, todos os conselheiros federais para unirmos esforços em prol da Constituição e da permanente construção dessa entidade histórica. O processo eleitoral, como todos, próprios da democracia, tem suas dificuldades, seus atropelos, mas quando encerrados, as grandes vitórias significam justamente honrá-las conclamando a todos a participarem da gestão. Não há mais lados, há agora somente a Ordem dos Advogados do Brasil, essa entidade que deve ficar à disposição da sociedade brasileira e da advocacia nacional. Pois a defesa é tão importante quanto a acusação. É isso que os advogados do Brasil precisam que a OAB diga à sociedade brasileira".
Clique aqui para ler o discurso do presidente eleito da OAB.

Reportagem de Rafael Baliardo e Rodrigo Haidar
fonte:http://www.conjur.com.br/2013-jan-31/marcus-vinicius-furtado-coelho-eleito-presidente-oab
foto:http://www.portalexamedeordem.com.br/blog/2013/01/marcus-vinicius-furtado-coelho-e-eleito-presidente-nacional-da-oab-rapida-analise-sobre-sua-vitoria-e-o-impacto-no-exame-de-ordem/

Receita alerta para e-mails falsos sobre Imposto de Renda



Uma mensagem falsa de correio eletrônico voltou a circular na internet em nome da Receita Federal com intuito de enganar os contribuintes sobre supostas divergências na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física, desta vez, do exercício de 2012.
O alerta é da própria Receita Federal, que lembra aos internautas que o órgão não envia e-mails aos contribuintes. Segundo a Receita, e-mails falsos sempre são enviados por quadrilhas especializadas em crimes pela internet para obter informações fiscais, cadastrais e principalmente financeiras dos contribuintes.
A Receita alerta ainda que os contribuintes não devem abrir os arquivos anexados a essas mensagens, pois normalmente são programas executáveis que podem causar danos ao computador ou capturar informações confidenciais do usuário. Caso receba algum e-mail em nome da Receita, o órgão pede que o contribuinte exclua imediatamente a mensagem.
Forma de comunicação
A única forma utilizada pelo Fisco para esse tipo de comunicação é por meio de caixa postal específica disponível para quem é cadastrado no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (e-CAC). Outra forma de o contribuinte receber mensagens da Receita, para os que já possuam certificado digital, é a utilização do Domicílio Tributário Eletrônico (DTE).

fonte:http://www.jangadeiroonline.com.br/geral-2/receita-alerta-para-e-mails-falsos-sobre-imposto-de-renda/
foto:http://apertaenter.com.br/quem-deve-declarar-imposto-de-renda-2013.html