Até que enfim consigo publicar uma boa notícia sobre os índios.
O programa Qualifica Dourados, lançado pela Prefeitura de Dourados (MS) para formar mão de obra qualificada e suprir a demanda do mercado de trabalho no município, já começa a apresentar resultados exatamente em uma comunidade onde a miséria e a fome renderam manchetes na mídia nacional e internacional, que é a reserva indígena.
Padeiros, pedreiros, eletricistas, garçons e camareiras são profissões que estão fazendo parte hoje do dia a dia dos índios terenas, kaiowás e guaranis, com a conclusão de cursos de qualificação, ministrados por organismos de renome nacional, custeados pela prefeitura.
São oportunidades que a comunidade indígena não dispensou e que estão se transformando em fonte de renda familiar.
Na sexta- feira foi encerrado na aldeia Jaguapiru, com direito a degustação, o curso de padeiro, para o qual 23 pessoas se inscreveram e apenas uma desistiu por ter sido sorteada em outro curso. O aproveitamento foi de 100% e os participantes já pedem complementos, como a qualificação em confeitaria –atividade imprescindível para quem pretende montar uma padaria.
Representantes da prefeitura e do Senai, incluindo instrutores e coordenadores, e lideranças indígenas, participaram da degustação, com a apresentação de vários tipos de pães, produzidos pelos próprios alunos.
Todos os presentes tiveram a oportunidade de conhecer o resultado do conhecimento adquirido pelos alunos durante o curso e experimentar cada produto.
Resultado
Aldecir Alves Machado, que trabalhava em uma usina da região até ser demitido, decidiu se inscrever no curso por necessidade. Escolheu a qualificação em padeiro por gostar de culinária. Apreendendo vários tipos de massas, de imediato ele percebeu que uma delas poderia ser utilizada na pizza e resolveu se especializar. Há duas semanas está comercializando suas próprias pizzas na aldeia mesmo.
O rapaz que é casado e tem dois filhos, conta com a ajuda esposa e já pensa em contratar alguém para fazer as entregas, já que os pedidos estão crescendo. “Por enquanto estou fazendo só nos finais de semana e já comecei com 15 atendimentos, passei para 20 e neste fim de semana agora com certeza vai ser mais”, comemorou Aldecir. A intenção dele é, em pouco tempo, abrir uma pizzaria na aldeia, já que a demanda é grande.
Magna Freitas Correia é outra que também está investindo na nova profissão. Antes mesmo de terminar o curso já está fornecendo pães na aldeia. Ele explica que não existe padaria em toda a reserva e quem quer um pão francês tem que buscar na cidade. “Fiz uma experiência e deu certo, agora estou em busca de meios para abrir uma mini-padaria em minha casa mesmo”, contou.
Sustento
A nova padeira disse que entrou para o curso como forma de ampliar a renda da família e, principalmente, para proporcionar condições ao marido de trabalhar também, já que está desempregado. Segundo a mulher, é ele quem está ajudando na comercialização e entrega dos pães, enquanto ela prepara o produto. “Essas oportunidades que estão dando para nós é uma benção de Deus”, disse Magna.
Mas a satisfação da comunidade indígena não está apenas no curso de padeiro. Outros indígenas estão se preparando para se tornar pedreiros profissionais.
Por ser uma profissão que não tem mão de obra disponível na cidade, a formação desse primeiro grupo de 20 pessoas está atraindo a atenção de empresas que atuam na construção civil. Todos os alunos do curso já estão com emprego garantido.
Walter Roberto, que trabalhava em um supermercado da cidade, disse que agora terá uma profissão definida e acredita que irá crescer, tanto profissionalmente como na questão financeira e, consequentemente, terá mais qualidade de vida. “Esse curso está sendo muito proveitoso, tanto pra mim quanto para meus colegas e tenho a certeza que vai mudar a vida de cada um de nós”, afirmou.
Outros cursos
O Qualifica Dourados já concluiu também outros cursos na reserva indígena, como de garçom e camareira e os formandos estão no mercado de trabalho. Edilane Martins já está trabalhando como garçonete, aplicando seus conhecimentos em uma usina fora da cidade. Cezamara Freitas se qualificou como camareira e usa o que aprendeu no serviço que desenvolve na área de limpeza.
Valorização
A organização e coordenação do programa são de responsabilidade das secretárias municipais de Agricultura, Indústria e Comércio e de Assistência Social, que contam com parceria de várias instituições do Sistema S.
Além desses parceiros existe a participação do Núcleo para Assuntos Indígenas do município, que auxiliou na escolha das profissões, com base nas próprias reivindicações da comunidade indígena.
Fernando de Souza, coordenador do Núcleo, garantiu que essa iniciativa do prefeito Murilo em atender também as aldeias com o Qualifica mexeu com a auto-estima da população da reserva. “Essas pessoas, além de aprender uma profissão, estão se sentindo valorizadas e transmitindo isso para seus familiares”, disse Fernando.
fonte:http://www.agorams.com.br/jornal/2011/11/qualifica-dourados-garante-profissao-aos-indios/
foto:A. Frota

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