A queda do voo MH17 da Malaysia Airlines, na região próxima a Donetsk (Ucrânia) ontem (17), suscitou uma série de acusações que estão sendo reportadas pelos jornais e sites da Ucrânia e da Rússia. Muitos jornais ucranianos falam em envolvimento da Rússia no incidente, enquanto os jornais russos se dividem em apontar o governo da Ucrânia ou os rebeldes pró-russos como possíveis autores do disparo de um míssil que teria abatido o avião.
O maior jornal russo, o "Pravda", chegou a afirmar que o ataque partiu mesmo das forças do governo ucraniano, argumentando que o Boeing 777 teria sido atingido a uma altura de 10 mil metros –e que os rebeldes pró-russos não possuem artilharia com esse alcance. Minutos depois, a notícia apareceu com título alterado, dizendo que "provavelmente teria sido atingida" por forças ucranianas.
![]() |
| Voo ia de Amsterdã (Holanda) para Kuala Lumpur (Malásia) |
A agência de notícias russa Interfax citou a probabilidade de que o alvo do suposto míssil ucraninano lançado da terra ou de um caça poderia ser o avião presidencial russo, de acordo com uma fonte da Aeronáutica da Rússia que teria pedido anonimato. "Posso dizer que o avião presidencial e o Boeing de Malaysia Airlines cruzaram o mesmo ponto e o mesmo corredor. Isto ocorreu perto de Varsóvia a uma altitude de 10.100 metros. O avião presidencial estava no local às 16h21 (hora local) e o avião da Malaysia Airlines às 15h44 (hora local)", disse a fonte.
"As aeronaves se parecem, as dimensões também são muito similares e a cor do avião, a uma distância suficientemente grande, também é quase idêntica", acrescentou.
Segundo o "Moscou Times", o líder rebelde Igor Strekolv teria escrito em post no Vkontakte (mídia social conhecida também como VK) cerca de uma hora e meia antes que a queda do avião da Malaysia Airlines fosse noticiada, que os rebeldes haviam atingido uma aeronave de transporte militar –um fato que tem sido considerado pelos observadores como prova de que os rebeldes são responsáveis pela destruição do Boeing 777.
"Nós avisamos que eles não deveriam entrar em nosso espaço aéreo", escreveu Strelkov no post, que trazia imagens em vídeo de fumaça saindo de destroços. O post teria sido deletado rapidamente antes de Strelkov negar oficialmente que os rebeldes haviam atingido o avião da Malaysia Airlines.
Depois que a notícia sobre a queda do voo se espalhou, Strelkov acrescentou outro post, dizendo que "o avião malasiano foi abatido por um jato ucraniano. O espaço aéreo das regiões de Donetsk e Luhansk foi fechado pelo governo ucraniano. O avião poderia violar o espaço fechado por duas razões: 1) provocação ucraniana ou 2) um erro de leitura."
De acordo com o jornal ucraniano "Korrespondent", a República do Povo de Donetsk negou qualquer envolvimento na queda do voo próximo à região ocupada pelas forças rebeldes. Sergey Kavtaradze, integrante do Conselho de Segurança da República, teria negado à agência russa Interfax que os rebeldes tivessem atingido a aeronave com um míssil, como chegou a ser divulgado por agências de notícias. Ele acusou as autoridades ucranianas de terem abatido o avião.
Mais cedo, o presidente ucraniano Petro Poroshenko referiu-se à queda do avião de passageiros da Malaysia Airlines de "ato de terrorismo", segundo a agência Interfax.
O jornal russo "Polit.ru" também reportou o anúncio oficial de Poroshenko negando envolvimento da Ucrânia na queda do Boeing 777 na região de Donetsk. "Nós queremos enfatizar que as Forças Armadas da Ucrânia não cometeram qualquer ato ligado à queda do avião", dizia a mensagem. De acordo com o jornal ucraniano "ForUm", Poroshenko teria clamado por uma união contra o terrorismo como resposta. "Isso não foi um 'incidente', não foi uma 'catástrofe', isso foi um ato terrorista", disse. "O que necessitamos é de uma consolidação poderosa de todas as áreas do governo contra a ameaça de agressão externa e contra o terrorismo, que não enxerga fronteiras".
A edição online do ucraniano "Korrespondent" dedicou uma página inteira a comentários de leitores, aparentemente recorde desde sua criação. Entre os comentários, leitores afirmam que se trata de um exercício de poder e que a Rússia decidiu retomar o formato da antiga União Soviética, enquanto outro diz que é preciso uma "resposta simétrica" ao ataque.
O Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia teria afirmado anteriormente que a Rússia estaria envolvida no acidente do MH17, o que foi rapidamente desmentido pelo porta-voz do presidente russo, Dimitri Peskov. Ele definiu as alegações de envolvimento do governo de Vladimir Putin como "estupidez" e acrescentou que o Kremlin não faria mais comentários porque "ninguém sabe" quem seria o responsável.
Segundo informações da Malaysia Airlines em seu Twitter, a empresa perdeu contato com o voo MH17, vindo de Amsterdam com destino a Kuala Lumpur, quando este sobrevoava a Ucrânia. "A última posição conhecida era sobre o espaço aéreo ucraniano", informou a companhia. A cidade de Donetsk está sob o comando dos rebeldes pró-Rússia.
fonte:http://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2014/07/17/jornais-russos-falam-em-ataque-ucraniano-enquanto-ucrania-rebate-com-manobra-da-russia.htm
foto:http://www.mundomoto.esp.br/?p=43088


Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigada pela visita e pelo comentário!